Renato augusto

Um “tatiquês” rápido sobre a seleção

Talvez haja nessa seleção algumas discussões táticas pouco produtivas em virtude da mudança do futebol. Se vários treinadores não acompanharam, imaginem torcedores.

Quando se fala da seleção brasileira atual muita gente enxerga isso aqui:

Os volantes bem “volantes”, os “meias” bem “meias” e dois “atacantes.  Era isso até outro dia, natural que ainda muita gente veja futebol assim.

Mas não é assim que o Tite enxerga a seleção.  A formação do treinador é essa:

Dentro disso, ele tem “um volante”.  Fernandinho e Paulinho já se enquadram em outro esquema de jogo, comum até, onde os meias mais centralizados vem de trás e não necessariamente são volantes de marcação apenas.

O Renato Augusto se adaptou a função do Fernandinho pra atuar ali. Mas caiu de rendimento e marca bem menos.  O Coutinho, quando titular, foi do outro lado, na vaga do Willian.

O time que hoje a maioria sugere é esse abaixo:

Ele tem um probleminha.  Uma das maiores jogadas da seleção é a chegada do Paulinho.  Ele fatalmente chegaria menos dessa forma. Mas ainda é uma opção viável. A do segundo tempo contra a Croácia, inclusive.

Por fim, o time mais ofensivo de todos. Com Renato e Coutinho, mantendo Paulinho na função de um meia mais do que volante.

Esse time sobrecarrega o Casemiro, deixa as duas “pontas” parecidas, e dá ao Brasil um poder de fogo sem igual. Mas lembrando que o Marcelo é ofensivo, talvez não funcione tão bem contra times mais fortes.

O Tite tem dúvidas. E essas são as dúvidas dele. Qual desses times vai a campo.

Se ele escalar o time da terceira imagem, com o Coutinho “centralizado”, terá cometido um erro ao não levar o Luan.

Eu não mexeria no Willian. E vejo no Coutinho uma peça que pode mudar jogo.

Mero palpite: ele começa com Fernandinho e o Coutinho entra nos jogos em que estamos ganhando na vaga do Willian e nos que estamos empatando na do Fernandinho.

Aguardemos. Mas cuidado pra não enxergar uma formação que o Brasil não usa.

abs,
RicaPerrone

O medo será maior que o problema

O Corinthians perdeu a parte ofensiva toda do seu time e ainda tem risco de perder mais gente lá atrás. É óbvio que o “favorito” a Libertadores de 2016 agora se nivela e até pode perder na avaliação prévia de nomes.

Mas se há algo que acredito ter visto no Corinthians em 2015 não era exatamente um brilhantismo dos jogadores.  Havia padrão, coletivo, intensidade e comprometimento.

É óbvio que Renato, Love e Jadson fazem falta a qualquer time.  Mas o que espera-se do Corinthians sem esse trio me parece bem mais pessimista do que de fato acontecerá.

É um palpite. Um mero palpite.

Acho que o trabalho do Tite foi diferenciado por não fazer o Corinthians refém de nenhum talento individual. Acho que o grupo vai conseguir equilibrar os setores com esforço e outras características. Não espero o Corinthians de 2015, mas passo longe de achar que o time será um fiasco.

Aguardemos o estadual e o começo da Libertadores. Mas insisto: O segredo do campeão de 2015 era muito mais coletivo, intensidade, mentalidade e arena do que o brilhantismo individual dos que deixaram o clube.

abs,
RicaPerrone

Não, não tem como recusar

Não perca seu tempo caçando um vilão.  A CBF, a diretoria do clube, a Dilma, quem você quiser. Tanto faz. Nada muda um cenário de investimento contra um de crise a não ser a inversão natural a médio prazo dos dois.

O Brasil hoje não tem condições de brigar com quase ninguém com um dólar absurdo e um mercado completamente parado e quebrado pelo governo corrupto e incompetente que tem.  O futebol chinês, tal qual a maioria dos demais, é uma LIGA com dono, clubes com donos e INVESTIDORES.  Logo, há dinheiro pra ser investido.

O Brasil é o país onde os clubes não são de ninguém, não tem dono, nem Liga, e qualquer dólar é ouro. Alem de formarmos os melhores jogadores do mundo.

Me parece natural, simples, quase óbvio.

Renato Augusto, Jadson ou os meias do Chapecoense, tanto faz. Ninguém recusa um salário de 2 milhões de reais por mes e em 3 anos voltar pra casa com a sua aposentadoria garantida.

Senhores, estamos falando de 2 milhões por mes. O Ozil não ganha isso no Arsenal pra você que tem em mente que paga-se na Europa uma fábula parecida com a chinesa.

“Ah mas porque a China?”.

Coloque os 12 grandes do Brasil a venda, permita que os donos façam sua liga e no ano seguinte assista ao mesmo fenômeno de lá pra cá.  Investe-se dinheiro em negócios, não em gremios recreativos sem cnpj.

Toda vez que uma LIGA surgir num canto do mundo, um monte de jogadores brasileiros serão vendidos pra lá sem que ninguém entenda  o motivo.

O motivo é negócio bem feito. Visando lucro, com dono, idéias claras, o campeonato em primeiro lugar e com um sistema capitalista assumido.

Esses caras que compraram os times chineses já fizeram o campeonato de lá valer 300 vezes mais do que valia há 10 anos. Simplesmente porque investiram pra isso.  A chance do seu clube se tornar essa potência financeira é zero enquanto ele não for vendido pra alguém.

Todos os grandes negócios do planeta foram pensados e planejados para as décadas seguintes. O nosso pensa-se apenas a cada 3 anos, e sem ter que dar satisfação.

Outras chinas virão. Até que uma LIGA com 12 times pequenos, porém com donos, apareça no Brasil e obrigue os grandes a vender seus clubes para não se tornarem ex-paixões nacional.

Infelizmente, o dinheiro vence sempre.

abs,
RicaPerrone

Quando gols são detalhes

Uma vez o Parreira disse isso e paga pela frase até hoje.  Mas após 200 anos acho que vi um jogo da seleção onde de fato os gols foram meros detalhes.

Não se esperava uma seleção bem em campo ainda, e não tivemos.  Nem mesmo algo além de uma jogada estonteante de Neymar, que quase aconteceu numa bicicleta.

O que queríamos ver era a vitória e alguma evolução. Pois vimos.

Mas nada disso foi mais relevante aos olhos do torcedor do que as lágrimas dos olhos do Renato Augusto.

Fiquei impressionado com a quantidade de amigos que se empolgou com a imagem. Como se aquilo representasse um resgate, uma esperança ou talvez uma forma de nos aproximar a seleção novamente.

Nós queríamos gols, belos lances, mas Renato nos deu algo que nem nós esperávamos.  A sua reação ao marcar o segundo gol do Brasil foi a reação que nós sentimos saudades, que nos faz amar a seleção e esperar muito dela.

As lágrimas de Renato foram mais importantes que os 3 pontos, a boa atuação de Douglas Costa e a segurança de Alisson.

Um choro de um dos nossos, que joga aqui, no popular Corinthians, e que ainda se importa em ir até lá e vestir essa camisa.  Talvez o segredo seja a criação indivudual do rapaz. Talvez tenha uma dose de envolvimento por estar aqui.

Seja lá como for, multipliquem! Encontrem Renatos e os convoquem. Porque se não podem nos dar um show como antigamente, nos dêem ao menos a idéia de que se importam.

Aqui, no fundo, por mais que as cornetas virtuais sejam enormes, nós ainda nos importamos e muito com a seleção.

Que golaço, Renato!

abs,
RicaPerrone