ribamar

Prioridades

Ao Botafogo o estadual representa desde janeiro a “grande possibilidade” do ano.  No mesmo período o Fluminense fez de tudo para “não jogar” o estadual e promover a Primeira Liga.

Naturalmente o empenho dos dois, tendo ainda o Flu conquistado a Liga no meio de semana, era diferente.

De ressaca, claramente achando que empataria e que jogaria quando bem entendesse, o Fluminense andou em campo e viu o Botafogo jogar tudo que sabia em busca de um gol que, merecido, acabou acontecendo só no segundo tempo.

Acho razoável a eliminação do Fluminense em pós título e coerente por ter dedicado o primeiro trimestre a ele como prioridade declarada.  Se houve alguém incoerente nisso tudo foi o Flamengo, que fez a Liga e poupou titulares nela.

Não coloco a classificação de Botafogo e Vasco nada na conta de Ferj e juiz nenhum. É choro prévio, argumento pré programado pra caso de derrota, já que os dois times mereceram muito a vaga em cima de Flamengo e Fluminense.

A atuação do Botafogo é de superação.  E disso o time vai precisar na série A em 2016, já provando que embora seja bastante fraco tecnicamente, é hoje um time ao menos que propõe uma forma de jogar e se dedica a isso.

É interessante a final se desenhar entre um time rebaixado e um promovido, sendo claramente o rebaixado com muito mais material humano para o ano seguinte. O Vasco só não é “favorito” porque isso não existe em clássicos.  Fossem camisas diferentes, time por time, seria.

E o Botafogo, que vem brigando contra um passado terrível administrativo semana após semana, sim, merece destaque e aplausos pela superação e pelas condições encontradas.

Teremos final, “revanche”, Maracanã e a grande chance das duas torcidas concordarem com seus clubes, encherem o estádio e dizerem que “sim, preferem o estadual!”. Ou, na falta delas, assinar o atestado de óbito do único campeonato estadual que terá dois times grandes na final em 2016.

abs,
RicaPerrone

Momentos

wrrverreeO Flamengo tem muito mais time que o Botafogo.  Uma partida entre eles, embora seja um clássico, deve ter hoje o time rubro-negro tomando conta do jogo não apenas com a posse de bola, mas com alguma produtividade.

Dentro do que se propôs, que foi se defender e achar bolas de contra-ataque, o Botafogo cumpriu seu papel e conseguiu um bom empate.  Dentro do que precisava o Flamengo, que era vencer ou vencer, um empate bem amargo, embora justo.

Partida decidida em momentos.  Num lance de bola parada que o goleiro bate cabeça com o beque, num lance onde o beque desvia e sobra pro empate num chute fora de série.

Num pênalti que não se fazia necessário, e num cruzamento sem destinatário definido na hora do abafa.

Poderia ter dado Flamengo. Poderia ter dado Botafogo.  Minutos antes do gol de empate final, Ribamar teve um contra-ataque desenhado e como todo jogador bem brasileiro, tentou o lado mais difícil.

Seria um momento pra lá. Outro pra cá.  O interessante e preocupante é que o Botafogo tem time pra viver de momentos. O Flamengo não.

A seguir, o gráfico de intensidade ofensiva do jogo:

grafg

abs,
RicaPerrone

O jogãozinho de Volta Redonda

 

A diferença brutal entre o Fluminense e o Botafogo, hoje, é que apenas um deles sabe o que tem em campo.

Enquanto o Fluminense toca a bola esperando que um de seus talentos resolva o jogo, o Botafogo assume o papel de um time tecnicamente mediocre e faz o básico do básico, compensando com “noção” o que lhe falta nos pés.

Não fosse Emerson e sua personalidade de veterano, diria que não tem nada além do coletivo que chame atenção. Tirando o goleiro, é claro.  E então entra Ricardo Gomes.

Eu não sou fã do que vi ele fazer até hoje por onde passou. Mas neste Botafogo fadado ao sofrimento ele faz um trabalho diferente.  Talvez porque seja uma situação “nova” e curiosa ser treinador de um time grande que não é possível cobrar. Talvez por mero amadurecimento profissional. Talvez seja só um estadual.

Mas parece, pelo pouco que se testou, que o Botafogo joga perto do seu limite. A “altura” dele não é problema do treinador.

Já o Fluminense fica pouco contestável já que o treinador chegou outro dia. Vai cobrar dele o que? Mas do time, poderiamos.

Parado, previsível, esperando passe nos pés. Monojogada, dependendo de lampejos e tendo que ver seu até ontem vilão virar herói num lance isolado aos 47 para empatar um jogo que merecia perder.

Merecia. Porque Renato poderia ter sido expulso ainda no começo da partida, não fosse a falta de coragem do árbitro, que viu ali uma clara oportunidade de gol ser interrompida pela falta.

Um jogo que foi corrido e interessante até o gol do Botafogo. Depois disso o Fluminense se viu obrigado a armar, e não consegue. O Botafogo a se defender, e não era difícil faze-lo.

Um jogãozinho em Volta Redonda.

abs,
RicaPerrone