Rica Perrone

Num país sério ela estaria rica

Tatiana, eu acho que não te conheço. Acho porque você sabe que o Rio de Janeiro tem 100 mil moradores o resto é figurante e a chance de em algum momento você ter conhecido alguém é enorme.

Mas acho que nunca tive o prazer, que hoje chamaria de honra. Eu não entendo muito tecnicamente o que você fez. Mas minha mulher é médica e ela te olha como eu olho pro Ronaldo. Então você deve ter feito algo pra medicina muito grande.

Já sei que o Brasil não ficará com os lucros porque cortaram verbas da saúde e perdemos a patente, não é isso? Mas eu tava aqui pensando.

Porque um presidente da republica não chama essa mulher e entrega um cheque de 20 milhões pra ela pra garantir que ela seja eternamente rica pela sua enorme contribuição? Seria injusto? Seria motivo de discussão? Tanto dinheiro jogado pra todo lado nesse país, tanto gasto com merda, tanta gente rica com sacanagem.

Essa mulher corre o risco de ganhar 6 meses de tapinha nas costas e aplausos por aí e … mais nada.

Pode ganhar fora. Mas aqui, sabemos, só se tiver no lugar certo com as pessoas certas.

Tô aqui nos EUA. E aqui se você vai pra guerra você volta e é tratado como herói pra sempre por todo americano que te encontrar. Eu amo isso neles. Respeito, gratidão, zero tentativa de diminuir o feito alheio e sim vontade de perpetua-lo e exalta-lo.

É óbvio que você ganhará muito com o seu novo status. Mas eu queria que o Brasil te desse, não só o mercado. Queria que saisse do meu imposto. Queria saber que meu dinheiro paga show de artista que eu não gosto mas também premia médicos que fazem algo realmente FODA por nós.

Me sentiria menos otário do que normalmente.

Alguém acharia uma injustiça social essa mulher ficar rica pelo que fez? Ou vai aparecer algum alucinadinho dizendo que é acumulo de capital só porque ela pode abrir caminho pra tirar milhares de pessoas de uma cama?

A real é que no Brasil se você fizer esquema, sacanagem e bons contatos você fica rico. Mas acho que seria uma puta mensagem que o povo visse que, se, talvez, um dia, você fizer algo relevante pra todos, você também pode ser premiado por isso sem ser uma placa de um deputado de merda querendo aparecer em cima de você.

Obrigado, Tatiana! Se eu pudesse escolher meus impostos iriam pra premiar pessoas como você. Mas eu não posso.

Preciso pagar algum show de artista sem público engajado politicamente então esse mes não vou poder ajudar. Desculpa. Prioridades.

Rica Perrone

Enfim, estamos prontos?

O Brasil é o país da contradição. Um dos povos que mais tolera “qualquer coisa” na vida não suporta e aceita nada que não seja extraordinário no esporte.

Acostumamos mal, é verdade. Mas seja como for passou da hora de superar. Não haverá outro Ayrton Senna. Nem aqui, nem na Alemanha, nem na Indonésia. Simplesmente não haverá.

Mas entendo. Talvez o brasileiro esteja mais esperando uma postura de Ayrton do que o piloto. E aí vamos ter ainda mais dificuldade porque a F-1 de hoje nem permite aquelas cenas heroicas do passado.

Bortoleto não está bem. Está bem pra cacete! É o destaque dos novatos na F-1, está mantido pra 2026, numa equipe nova, porém rica. Não, ele não pode ganhar corridas com esse carro. E não, ele não depende apenas do seu talento.

Na F-1 você vive uma mistura de talentos, escolhas e oportunidades. O melhor piloto na equipe errada vira estatística. O médio na certa vira Villeneuve, Hill, Sainz, Perez, Berger…

Tenho tentado evitar a euforia porque isso vai ser custoso pra ele. Mas não posso negar a alegria de vê-lo na pista guiando com tanta perfeição numa corrida difícil como a Hungria.

O garoto é diferente.

Diferente quanto? Não sei. Talvez ninguém saiba exatamente. Mas ele tem traços de quem vai nos vencer antes mesmo de vencer na F-1.

É educado, simpático, calmo, parece ter conexão com o Brasil. Nós gostamos disso. E espero que ele saiba que, no esporte, mostrar conexão com o Brasil é positivo globalmente.

O Brasil é um dos países mais simpáticos ao mundo. Quase ninguém, em lugar nenhum, tem algo contra o Brasil. Ao contrário, todos abrem um sorriso quando se fala “Brasil”.

Somos o café com leite. Não fazemos mal pra ninguém, mas a gente é feliz, conta piada, ri a toa, joga bola, não entramos em guerra então todo mundo gosta da gente.

Se deixarem esse garoto em paz e não esperarem um novo alguém, podemos ter um caminho. Ele é bem relacionado, bom piloto, tem passado com a McLaren, empresário forte, talentoso…

Temos?

Cedo. Ainda não nasceu. Mas o ultra-som tá bonito pra caralho…

RicaPerrone

Caro Neymar,

Ney, hoje é dia de quem te odeia. Você deu motivos. Conseguiu apagar seu bom jogo com caneta, chapéu e 75 minutos em campo com uma mão na bola. Errou, foi mlk!

Mas nem é sobre isso. Eu na real imagino o quão difícil seja não conseguir jogar por 2 anos e ser condenado por isso como se fosse uma escolha.

Eu adoro a molecagem do seu futebol. Até na vida, acho divertido você ser “moleque” até hoje. Eu também sou, super te entendo.

Acho que tem muito moleque que não cria os filhos, não fez carreira, sucesso e dinheiro te julgando.

Moleque ou não, eu sempre te vi rindo e não sorrindo. Hoje te vejo sorrir, fingir que está tudo bem quando claramente a situação te atinge.

Você joga pra enfiar goela abaixo de quem o critica. Tem gana de vingança no seu chute. Tem raiva no seu drible. Magoa em campo.

Teu olhar tá errado.

Eu não sei como reagiria ouvindo que não ganhou nada das mesmas pessoas que idolatram o Socrates com 4 estaduais. Mas você sabe do que estamos falando e não é sobre futebol quando se trata da imprensa brasileira. Não se faça de bobo.

Existem mil torcedores na porta do seu hotel gritando por você. Mil na internet te xingando. Porque você joga pensando nos mil que xingam?

Provocação de jogo, normal. Adoro cenas como as de ontem torcida provocando e você provocando de volta. O futebol respira nessas horas.

Mas você tem certeza que está em campo hoje por nós, que torcemos, ou está mais focado neles, que precisam ser calados?

Você responde comentarista mais vezes do que agradece ao Yamal pelo carinho. Ontem na final da Champions o dono do jogo pediu pra você seguir ele no instagram ainda em campo.

Ney, você tá fazendo tudo isso pra quem?

As pessoas acham que tenho alguma amizade ou intimidade com você. Mal sabem que te vi duas vezes na vida. Mas tenho e nunca neguei um carinho enorme pelo cara legal que você é e pelo gênio em campo.

Só que eu quero que você jogue pra eu escrever um textão sobre você, não pra calar o fulaninho que usa cada passo seu pra ganhar clique.

Eu quero que você corra pela menina que chorava abraçada a você na entrada em campo, não pra calar o torcedor rival.

Tem aqui, no Brasil, uma turma grande contigo. Será que hoje quando você acerta um chapéu você lembra de quem te odeia ou de mim, do Leifert, do Caio, do Pedrinho, de quem torce por você?

Relaxa, cara. Tua história tá escrita e nem mesmo quem a registra vai mudar porque em 2025 fatos conseguem combater narrativas.

É seu último ato, você sabe disso.

Vai terminar o show virado pra quem aplaudiu o show todo ou cobrando aplausos de quem vaiou desde o começo?

Entre bajuladores e odiadores, ignore ambos.

A torcida por você é maioria, genuina e de graça.

Ney, quem te odeia é louco pra te amar. E quem te adora só quer que você esteja bem.

Não estamos divididos quanto a você. Estamos divididos quanto a nossa perspectiva. Mas você acha que algum dos botafoguenses ontem não vai estar de joelhos na frente da tv em 2026 gritando seu nome se você for o nosso 10 na Copa?

O Brasil odeia te amar, Neymar. Esse é o nosso problema.

Jogue por nós e não contra eles.

RicaPerrone

Não existe receita de bolo

Ontem entrei numa discussão engraçada. Ví alguns posts que comparavam a folga do Verstappen com a do Lando Norris. E você pode levar isso pra qualquer área.

Mostrava que o Max foi andar de carro de corrida na folga e o Norris foi se divertir numa festa. E aí vem logo o comentário pré-coach dizendo que isso explica blá, blá, blá.

Essa geração de malucos que acha que alguém pode lhes vender a fórmula do sucesso sendo que o sucesso está reservado pra quem normalmente não repetiu fórmula nenhuma.

O que te faz feliz, irmão? É dormir? Fazer orgias? Treinar? Se concentrar pra vencer? Ter dinheiro por ter? Ter dinheiro pra poder se divertir?

Cada um escolhe o que quer e quem quer ser. Tem gente que vive pra provar que venceu e não há caminho mais fácil do que a riqueza. Esse é disparado o método mais fácil de “provar” que você venceu.

Mas de que vitória estamos falando aqui? Porque veja, você pode querer vencer pra provar. Outros querem vencer pra ter dinheiro pra se divertir, que inclusive é o mais lógico.

Alguns querem ter tudo para, se der, usar. Outros querem usar enquanto ganham pra não desperdiçar a vida.

E se continuam ganhando provavelmente estão fazendo em boas doses, caso contrário a fonte secaria.

Em 2025, onde tudo se resume ao que você posta, é tão difícil perceber que o que aparece pra você é 1% do que acontece e não deve ser tomado como base pra formar sua opinião sobre alguém?

Porque você acha que um cara que ganhou tudo, ficou muito rico, abriu mão de tudo é um exemplo pra você contra alguém que ganhou 20% menos mas viveu tudo que queria é um problema?

Sendo prático. Se o Schumacher pudesse escolher… ele teria gastado 90% da vida pra ganhar ou hoje trocaria metade pra ter estado com os filhos bebendo vinho?

Quantos milionários você conhece? Eu conheço muitos. Sabe o que a maioria deles tem em comum? Dinheiro e arrependimentos.

Você precisa aprender a respeitar quem não estipulou uma data pra viver. Pra você, torcedor, fã, quanto mais ele te entregar de trabalho melhor. Mas e pra ele? É melhor viver a vida com boas doses o tempo todo ou acumular pra com 55, muito rico e vencedor, descobrir um cancer e morrer abraçado ao dinheiro e aos troféus?

É fácil falar quando você não tem os milhões na conta e o sucesso. Mas e se tivesse? Você realmente acha que seria o Cristiano Ronaldo?

Coachs estão aí pra vender merda pra você. Soluções vazias de quem vende o que por princípio nao pode ser vendido.

Se todo cheff que ficou muito rico e famoso fez um prato que ninguém esperava, porque você acha que alguém vai te dar essa receita num curso junto com outros milhares?

São apenas noções básicas de negócios, foco, essas merdas. Ninguém te ensina a ser feliz.

Mas se você estiver aqui pra provar pra alguém que consegue e não pra viver o que você sonha, aí é um problema seu que precisa ser tratado.

Os vencedores se dividem igualmente entre focados nerds e fanfarrões incontroláveis. Nas áreas de esporte, entretenimento, arte e similares, os gênios nunca seguiram um manual.

Cada um criou seu método e venceu. Cada novidade que virou tendência veio de um maluco dizendo “não” pro manual de instruções.

E você está querendo colocar os gênios na caixa de volta? Acho que temos um erro aqui.

Pessoas rendem e vencem quando são felizes ou quando vivem em função daquilo.

Se você escolher a segunda a primeira será sacrificada. Se escolher a primeira tem mais chance de falhar e muito mais chance de ser feliz também.

Tem gente que precisa estar apaixonado pra escrever. Tem gente que precisa ter transado pra correr. Tem jogador que precisa de ódio pra jogar. Tem compositor que só acerta quando sofre.

Se todo mundo treinasse igual o Cristiano Ronaldo ele ganharia 10% do que ele ganha. Talvez se o seu ídolo não saísse pra farra toda sexta ele não teria alegria pra fazer os gols domingo.

O manual do mundo que criaram nas redes sociais é disparado a pior coisa que já inventaram. Temos agora uma geração de guerreiros da prosperidade, cheia de discurso, foco, argumentos e… sem história pra contar.

Se você tem a fórmula, comemore pelo desleixo alheio! Ele vai te enriquecer, ué!

Ou será uma dúvida existencial se o certo é quem trabalha pra viver ou quem vive pra trabalhar?

Deixem os outros em paz. Afinal, você é tão foda e tão virtuoso que não deveria se preocupar tanto com esses pobres mundanos que gastam sua vida vivendo e não “prosperando” 24h por dia.

Vença! Outros vivem. Outros fazem ambos. Mas são raros. Respeite-os. Você não fez melhor que eles.

Rica Perrone

Antecipa, CBF!

Ronaldo é candidato. O povo quer Ronaldo. O futebol não tem o direito de dizer “não” pra ele, menos ainda a nossa seleção.

A CBF é menor que o Ronaldo. E pela primeira vez em sua história teria alguém a altura do que representa ou deveria representar.

Ronaldo não é um candidato. É um fato. E assim sendo, te pergunto, Ednaldo: Se a eleição será antes da Copa e a única consequencia disso é você não colher os méritos se funcionar e/ou dar a outro o prejuizo se não funcionar, quem está acima? Seus interesses ou os da seleção?

Se for a segunda opção, mesmo que da boca pra fora, antecipe a eleição. Faça o melhor pra seleção. Dê ao novo presidente tempo de ajustar o que for possível. Saia de cabeça em pé, pois o hexa, se vier, será sem você e portanto seu último ato possível de grandeza não pode ser com a bola rolando.

Entrega. Pelo bem da seleção e um planejamento mais inteligente pra 2026, dê tempo ao Ronaldo. Você não vai vence-lo, portanto, facilite por nós. Ou você é sua prioridade e não a seleção?

Marque isso pra março de 25. Dê um ano pra nova gestão. Dê uma chance pra seleção na Copa. Dê um sinal de que podemos contesta-lo por escolhas e não por prioridades.

Eu sei, você não vai fazer isso. Vai morrer atirando como todo político e sair vaiado mas abraçado pela claque. Mas é uma chance única. Nesse momento você já ligou pra 20, ouviu “veja bem” de 15 e sabe que não é uma missão muito simples recusar o Ronaldo por politicagem.

Pela primeira vez a presidencia da CBF tem torcida. Vocês são mestres em frustrar torcidas, mas acho que dessa vez é um xeque-mate. Se Ronaldo for preterido por qualquer político de carreira o futebol brasileiro assina o atestado de má índole e má intenção.

Foto: Delmiro Junior

Ronaldo é o novo presidente da CBF. O problema aqui é “quando”.

Quando você quiser, presidente? Ou quando for melhor pra todos nós e pro nosso futebol?

Nossa briga agora é outra. É quando. Quem, já temos.

Seja bem vindo, Ronaldo. Pela primeira vez o povo terá um presidente na CBF.

E você, de amarelo, convenhamos, nunca nos decepcionou. Não será agora.

RicaPerrone

Tem problema, sim!

O Flu segue buscando investidor pra virar SAF. O BTG é o banco que ajuda a colocar os valores e encontrar esse investidor. Mário é o presidente do clube atualmente e, sim, há uma disucussão interna sobre a possiibilidade da pernanencia do dirigente no clube após a venda e, sim, isso é conflitante.

Achei que o Mário nem fosse tocar no assunto pra não se desgastar caso não aconteça. Mas hoje alguém perguntou na coletiva e ele confirmou que existe a chance e se sente apto a ser o CEO do clube pela SAF caso aconteça.

Apto é uma coisa, o ponto não é esse. O ponto é ético. Primeiro que por obviedade um bom investidor com noções básicas do que é o futebol brasileiro vai tentar evitar isso. É o que qualquer um faria. Mas entre o que se deve e o que se faz, no Brasil especialmente, há muito mais coisa. E portanto essa discussão vai existir a cada venda de clube.

O Mario fez muito bem pro Fluminense. O que não significa que não seja conflitante.

Se eu vou vender algo que não é meu para alguém e toco a negociação toda, não me parece muito natural que no outro dia eu seja funcionário do comprador.

Se for um cargo técnico, perfeito. Normal. Mas o cargo não remunerado de prestidente pra gestor do comprador com salário é conflitante. Mesmo que não haja nada de errado, é praticamente como sentar nas duas pontas do negócio e achar um bom acordo sendo que cada lado quer o melhor pra si.

Tem em outros casos? Tem. Eu já acho ruim a Leila ser presidente e patrocinadora. Imagine se ela vende pra Crefisa? É quase a mesma coisa. Ela teria vendido pelo Palmeiras algo pra onde ela vai continuar. Poderia? Poderia. Deveria? Hum…

Tem um fator nessa discussão que é enorme. Chama-se Brasil. Você parte do principio que é preciso vetar qualquer chance de algo errado porque é normal no nosso país que façam errado. A gente nunca parte da presunção de honestidade em nada. E é injusto, mas é aceitável.

Num país de “malandros” e num mercado onde só se sobrevive por ego ou dinheiro, é mais natural ainda que haja receio. Eu não gostaria que o presidente do meu clube fosse trabalhar na empresa que o comprou. Morreria com a dúvida de ter sido o melhor pro clube ou pra empresa.

A parte que mais me chama atenção mas não me assusta porque já fomos amigos próximos é a natureza do Mário em conviver com o “All in”. O que ele tem a ganhar? E quanto a perder?

Ele é o presidente da Libertadores. Tá lá na história e vai andar na rua pra sempre com apertos de mão por onde for. Mas se ele segue e rebaixa o clube, ele pode perder isso. E ganhar além disso não vai pra conta dele. Então… pra que?

Você pode me dizer “quem manda é quem compra”, e é exatamente esse o argumento que tira o sono. Porque quem compra vai querer os vícios do passado num sistema que nunca funcionou?

RicaPerrone

Adriano – Uma lição

Talvez você entenda como sucesso ganhar muito dinheiro. Talvez pra você seja ter uma família grande. Talvez viajar o mundo. Talvez você só queira dormir até as 11.

O sucesso é algo muito particular e nesse mundo de coachs e vendedores de cursos sobre como viver bem virou um enlatado.

Adriano me ensinou muito mais sobre a vida do que qualquer mega empresário que ostenta na web o que tem pra compensar o que não é. E veja, entre ser e ter há um abismo invisível que cada dia mais ignoramos por aparências.

Você pode pensar: “ele poderia ter feito muito mais”. Essa frase é comum sobre atletas e beira o absurdo se você trocar de lugar. O que você quer dele é resultado e entretenimento. O que ele quer da vida dele só ele sabe.

Mas vamos determinar valores aqui. Se você estaria disposto a viver uma vida infeliz por parecer rico, famoso e ter mais e mais dinheiro, ok.

Adriano teve tudo que você não teve, alcançou trabalhando, mas não se sentia feliz. Ele largou mão de boa parte de tudo que o mundo diz pra ele que o fará feliz pra ser, de fato, mais feliz.

Qual de vocês dois tem mais sobre a vida pra ensinar?

Pra mim é fácil. Pra muito coach de vida prospera vai ter “porém”. Porém, todavia, contudo, a unica coisa que faz sentido nessa equação é a vontade dele de acordar feliz. E se ele é feliz de chinelo na favela, que seja!

Pega seu terno, ostenta seu carro, posta sua mulher de fio dental. É problema seu. Mas não tente definir que esse enlatado de bosta é a fórmula do sucesso.

Sucesso é ser feliz. E não há fórmula para ser feliz.

Feliz, pra mim, é o cara que abre mão de tudo que todos querem pra ser o que de fato ele é e aos 40 anos ri igual uma criança. Adriano ri igual uma criança.

Ele deve ter mil problemas. Todos tem. Mas o caminho mais fácil em determinado momento estava ali, desenhado pra ele.

Dinheiro, mulheres, fama, poder… tudo! O enlatado do sucesso aos seus pés. Agora? Apenas seja feliz, ué! Tá tudo aí.

Talvez por ter o que curso nenhum vende esse cara abre mão de tudo mesmo que tenha sido um processo duro até se aceitar como um sujeito simples que não vê nisso a sua felicidade.

Eu conheci o Adriano em 2008. O encontrei nos últimos anos umas 3 ou 4 vezes pelo Rio de Janeiro. Ele é rigorosamente o mesmo cara. Com a mesma roupa, o mesmo tipo de carro, os mesmos amigos e fazendo as mesmas coisas.

Se eu faria? Não. O estilo de vida dele faz ele feliz, não a mim. Mas se eu fosse ouvir sobre a vida e me dessem um coach de terno sufocado pelas proprias teses e Didico de chinelo com o povo aos seus pés, adivinha quem eu escutaria?

Adriano parou de jogar há muito tempo. Hoje não foi a despedida dele. Foi só protocolo. Eu aposto meu braço que ele se divertiu mais na prévia do jogo com os amigos bebendo sem camisa do que no estádio com 200 jornalistas tentando entrevista-lo.

E não, eu não estou relativizando a óbvia busca por dinheiro e sucesso profissional. Estou apenas reverenciando alguém que tem uma escolha que 99% das pessoas nunca chegaram perto de ter: ser feliz ou parecer feliz.

Ele teve. E com o mundo dizendo o que ele deveria fazer, ele fez o que ele queria fazer.

Se ele se arrepende? Não faço idéia. Se ele é feliz? Idem. Mas, de novo, a aula não é essa. A aula é a prioridade.

Entre ser e ter, Adriano quis ser. Entre sorrir pra foto e gargalhar de verdade, ele tentou a segunda.

E você pode se perguntar aos 48 do segundo tempo. “Porque todo mundo ama esse cara? “

Essa é a resposta, não a pergunta.

Adriano seria menos amado se treinasse tanto quanto o Cristiano. Seria menos admirado se andasse com a melhor roupa em eventos internacionais lutando por alguma causa que ele desconhece mas o assessor mandou ele falar.

Adriano foi Didico, virou Imperador e, nos braços do povo na rua, literalmente, virou Didico de novo.

A gente gosta, analise e comenta sobre o Adriano Imperador. O Didico a gente adora.

Ser o que é, sem fingir, sem pensar, e ser querido é um curso que ninguém deu ainda.

Adriano é adorado porque erra. É o Belo de chuteiras. As pessoas gostam de quem erra, cai, levanta. Simplesmente porque elas são assim.

Didico só quer ser feliz, andar tranquilamente na favela onde nasceu. E você? Tá feliz ou só postando?

RicaPerrone

Habilitação

Cá estou. Há quase 3 meses vivendo sob regras, horários e sem cheddar McMelt. Longe dos amigos, do meu pagode, mas ainda que respirando por aparelhos tentando me adaptar a outro mundo, estou bem.

Os EUA é um pais que eu admiro muito por diversos motivos. Sempre que posso paro aqui um pouco desde 2011 e fico admirando o óbvio que pra nós é tão complexo. Dessa vez tive que tirar minha habilitação no país e por consequencia fiquei muito irritado.

Tinha prova em ingles e espanhol. Eu falo ingles do mesmo jeito que jogo futebol. Espanhol do mesmo jeito que jogo tenis. Eu jogo tenis melhor que futebol. Estudei um pouco e notei logo que eu não saberia entender aqueles termos técnicos em outro idioma. Faltava um dia pra prova. Foda-se, vou reprovar feito homem mas eu vou.

O pouco que estudei foi espanhol. Uma parte em ingles, mas eu não entendia nem as perguntas nem as respostas logo só decorei as figuras.

Era as 10h40. A moça nos chamou as 10h40. Eu fiquei puto.

E meu direito ao atraso? Eu hein. Passei a última década no Rio e, que eu saiba, 10h40 é entre 11 e meio dia. Gente implicante. Mas fui, já tava lá mesmo.

No meio da conversa de sinais com a moça ela disse que não precisava me preocupar porque a novidade é que agora tem prova em portugues. Ela me dando a boa notícia e eu ficando puto porque o pouco que sabia era em espanhol.

Ela disse que nos chamaria em 10 minutos. E em 10 minutos, chamou mesmo. Que ódio. Eu só conseguia pensar numa coisa: como que eu vou fazer essa prova sem ter ligado pro amigo do amigo que conhece alguém no Detran? Isso nunca tinha me acontecido.

Peguei minha senha e fui lá ser atendido em outro departamento, que encaminhava pra prova teorica de vez.

A outra moça me atendeu bem. Eu queria saber que diabos eles tem na cabeça pra atender as pessoas bem em orgãos publicos? Mas enfim, se ela quer… “bom dia pra você também”.

Me deu a prova em portugues. Eu passei, não me pergunte como. Na saída a moça me parabenizou e me encaminhou educadamente pro último setor.

Outra moça me atendeu sorrindo. Que ódio desse povo educado as 10 da manhã! Marcou pra mim a prova prática, juntou meus documentos, anexou num grampo bonito, me entregou de volta e se despediu.

Eu fiquei na mesa dela uns 30 segundos ainda. E ela me olhando tipo “vaza, gordo”. E eu ali esperando o problema que ia dar ou algum esboço de mal trato da atendente. Nada. Fui embora frustrado.

Dias depois teve a prova prática. Aí sim, drama! Porque mano… sejamos honestos. No Brasil voce tem que ser legal pro cara te passar. Aqui você tem que saber dirigir! Absurdo isso.

Em espanhol. Fudeu. “Deternese!”. Que? Deter quem? Eu paro? Acelero? Fico nu? Parei né? Deter, sei lá. Ela anotava e seguia. Porra, nem pra me mostrar com os olhos se eu tava indo bem. Que nervoso.

Teve uma hora que ela mandou eu fazer algo em não sei quantos pés. E eu lá sei quantos pés da um metro, porra? Fui no instinto.

E outra coisa que irrita. “Vai pra leste”. Leste é meu piru! Eu tö sem bussula, não sei se a senhora notou.

Enfim, podia errar até 30 pontos. Errei 29. Aqui é Curintia, tia! Passei.

“Uhu! Estoy dientro! Bamoooos, tiazita!”, e ela achando que era uma dança local ou uma reza brasileira, sei lá.

Me deu um provisório. Perguntei pra um amigo se ele conhecia alguem no Detran daqui. Ele não entendeu. Que inferno! Paz.

RicaPerrone

Não tem treinador no Brasil

A frase é velha, repetitiva e pouco criativa. Mas ela vai se tornando verdade na medida em que muita gente repete. Mas nem todo treinador está aqui, como os bons gringos que aqui estão também não são falados em sua terra.

Lembra do Micalle? Foi pra semifinal da Olimpíada com o sub 23 do Egito. Mas quero falar de outro que só ontem fiquei sabendo do feito.

Lembra do Jardine? 45 anos, gaúcho, treinador de base até 2019 quando assumiu o São Paulo rapidamente. Em 2020 ele ganhou a Olimpíada pra nós. E depois “sumiu”. Pois ele está em alta, tão em alta que desconfio que nem vá voltar.

Foi parar no gigante América do México, onde a pressão é enorme. Pouco conhecido, no melhor estilo Abel, ele tinha que mostrar pra se apresentar. E passados 18 meses no clube ele enfileirou títulos e gera debate na mídia local se ele é um dos melhores treinadores que já passaram por lá.

Está na final de novo. É hoje, inclusive, contra o Monterrey. Ele é o maior vencedor do América, tendo feito “só isso” nesse período.

🏆🇲🇽 Apertura 23
🏆🇲🇽 Clausura 24
🏆🇲🇽 Supercopa MX 24
🏆🇲🇽 Campeão dos Campeões MX 23/24
🏆🇲🇽🇺🇸 Copa dos Campeões 24 (MLS x MX)
🎖️🇲🇽 Prêmio de Melhor Técnico da Liga MX 23/24

Contra o Monterrey pode garantir mais um caneco e se tornar uma lenda local.

E isso é so pra registrar o que a gente não tem por habito no Brasil: o sucesso dos nossos.

Boa sorte, Jardine!

Rica Perrone

E aí, moleque? Falta o que?

Craque. Desde a base, sempre foi craque. Oscar foi de promessa do “10 da seleção” por uma década para um jogador que brilha na China e não faz parte do nosso dia-a-dia do futebol há anos.

Saiu do SPFC de forma ruim, passou pelo Inter e foi brilhar na Europa. Em 2014, mesmo com 2 gols e 2 assistências na Copa, saiu rotulado pelo 7×1 como todos os demais.

China em 2016. E desde então Oscar sumiu de nossos radares. Um dos melhores contratos do mundo, um dos mais ricos de todos e absolutamente merecido. Ao contrário de muitos que saem de cena pra encostar e ganhar o dele, Oscar é invariavelmente o melhor jogador da China ano após ano.

Nesse, inclusive, bateu seus próprios recordes.

Rico, vencedor, tendo jogado Copa, na Europa, em 2 grandes do Brasil, o que Oscar pode querer? Eu lhes digo: uma camisa.

Aos 33 anos Oscar ainda joga em alto nível. E joga por pelo menos uns 4 anos se quiser.

Mas o vazio de jogadores como ele ao parar deve lhe dar uma nova direção. Se não é por dinheiro e nem por “sonhos”, o que fazer agora após deixar o time chines?

Buscar a camisa, talvez. Pelo menos era o que eu faria.

Daqui 5 anos Oscar vai andar na rua e sentir falta de ser o herói de uma torcida. Talvez daqui 5 anos ele passe na rua e apontem “lembra daquele cara do 7×1?”, o que seria injusto mas a cara do Brasil.

Oscar… Oscar de onde? Que Oscar? O do Chelsea não impacta, menos ainda o da China. Oscar de quem? Falta isso.

Ronaldinho foi buscar no Galo o que perdeu no Grêmio. Ronaldo foi no Corinthians fazer o mesmo. Todos querem uma camisa tatuada pra sempre.

Se eu tentaria trazer pro meu time? Dificil. No meu, especificamente, complicado pela forma que saiu. Mas no de vocês, seja lá qual for, é a melhor aposta pra 2025 no mercado.

Não há indícios de que Oscar esteja em queda, contundido ou de sacanagem. Ao contrário, talvez a saída da China indique uma vontade de estar na próxima Copa. E sim, ele tem futebol pra estar lá.

Adoramos contratar jogadores de alto talento que estão em baixa pra recupera-lo. E porque tanto “porém” pra listar quem está em alta?

Oscar só disputou o cargo de melhor do ano na China quando teve 2 caras pra competir: Renato Augusto e Hulk. Acho que a volta dos dois não requer explicação sobre rendimento.

Temos no mercado hoje a melhor opção pra 2025.

E quem contratar pode ter no time o meia da seleção em 26.

RicaPerrone