ricardo

Qual a cara do Mengão?

Você com certeza já viu ou participou de uma discussão sobre as formações do Flamengo no returno do Brasileirão. Pra alguns Ricardo anda errando na escalação, para outros mexendo mal. Outros o consideram o melhor do campeonato.

Pois eu peguei o gráfico de posicionamento médio estatístico dos últimos 5 jogos do Flamengo para tentar encontrar o time ideal, a formação que funciona e qual a cara desse time.

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Observações:

  • A linha defensiva e os 2 volantes não mudam. É rigorosamente definido o sistema de defesa do Flamengo. Arão de um lado, Araujo de outro, os dois zagueiros e laterais que mudam nos gráficos conforme o time atacou ou defendeu mais por ali naquele jogo. Mas basicamente, uma linha de 4 e dois volantes a frente.
  • Quando o Flamengo tentou jogar mais centralizado, sem os dois jogadores abertos na frente, teve mais dificuldade.  Contra Fluminense e Corinthians, embora tenha vencido o Flu, o time não rendeu tão bem quanto, por exemplo, contra o Galo.
  • O gráfico do Atlético x Flamengo é a definição mais clara do posicionamento do time em campo.
  • Diego tem a função “10” livre.  Ele parece não ter obrigação nenhuma de preencher linhas, no entanto aparece em todos os lugares do campo. Mas se posta sem a bola atrás do Guerrero.
  • Quanto mais abertos os meias/atacantes, mais a frente atual os laterais. Note.
  • Quanto mais centralizado o jogo, mais pra frente vai William Arão e menos atuam Jorge e Pará.

As conclusões são de cada um. Notei aqui uma fácil identidade tática naquele sistema que hoje o mundo não abre mão. São 4 atrás, um volante mais preso, um meia armador e meias atacantes abertos para servir o centroavante. É basico. O que se discute é, talvez, se esta é a melhor escolha.

Pra mim o bom treinador faz um time com o que tem, não tem uma formação e busca jogadores pra ela.  Gabriel, Everton e Cirino não precisam estar em campo. Estão por causa da formação.

Seja como for, o Flamengo do Ricardo funcionou. E ainda briga por título.

abs,
RicaPerrone

Um Flamengo “pra casar”

Em alguns momentos de sua gloriosa história, é claro, o Flamengo jogou um grande futebol.  Também viveu raros períodos onde rascunhou um futuro brilhante, organizado e profissional.

Já teve sua torcida carregando no colo e levando o time até onde ele nem sabia que poderia ir.  Já vimos jogadores medianos jogarem o fino da bola sem a menor explicação, tal qual sua nação invadir cidades que não o Rio de Janeiro para fazer jogos fora virarem “jogos em casa”.

Vimos também o Flamengo sobreviver sem o Maracanã. Longe do Rio, dos seus.

Mas nunca vimos tudo isso acontecer ao mesmo tempo.

O que torna esse domingo memorável?

O Pacaembu rubro-negro, o bom futebol, a vitória, a paz, a campanha regular e constante de um Flamengo que sempre prezou pela loucura e pela irregularidade.

Um torcedor que não sabe como lidar com o cenário construído planejadamente e que ainda olha pro campo tentando encontrar o causador do “milagre”.  Só que dessa vez não tem milagre. É colheita.

Há 10 anos o Flamengo teria reintegrado Adriano, comprado o Diego pelo dobro do valor e estaria em crise porque não paga salários mas contrata um camisa 10. Esse 10 estaria sendo o dono do time pedindo bola com a mão na cintura e a torcida protestando o décimo sexto lugar na gávea.

Rodrigo Caetano teria caido quando pressionado e não ganhado o crédito de mostrar a qualidade que tem. E um treinador novato teria sido esculachado no anúncio. Lembra?

É o Flamengo que não pode morrer, mas que quer ser um plano B. O Flamengo do imponderável dá espaço ao clube que planeja e conquista metas, não apenas vitórias e títulos improváveis.

Ao contrário. Esse Flamengo é cada vez mais provável.  Faz campanha de Cruzeiro, paga em dia como São Paulo, usa a base como Santos, mas ainda tem em sua torcida algo que só o Flamengo tem.

O Pacaembu hoje celebrou mais do que 3 pontos ou uma “invasão” a outro estado.  Celebrou um Flamengo que colhe o que plantou, e não um místico clube que consegue o que nao era pra conseguir.

Confesso sentir um amor bandido pelo outro. Mas que esse é pra casar, é!

abs,
RicaPerrone

Como caiu Ricardo Drubscky

Foi uma contratação de risco. Na minha opinião, um erro.  Mas pra evitar outro erro a diretoria do Fluminense preferiu se colocar como “culpada” do que deixar o time perder mais jogos.

Explico.

O treinador cometeu um erro grotesco interno. Chamou o grupo, fez um discurso derrotista, disse que nem mesmo se ganhasse domingo saberia se ficava no cargo. Os jogadores reagiram muito mal, óbvio.  E entre várias coisas ditas, o que Ricardo conseguiu passar pro grupo foi: “Eu não sei como comandar vocês”.

A reação instantânea do time foi levar a insatisfação a diretoria, mesmo que informalmente.  E olhando o cenário após um 4×1 com um grupo que acaba de perder a confiança no treinador, tinham duas escolhas:

1) Esperar ele perder mais 2 jogos e colocar tudo nas costas dele e demitir “fazendo o que a torcida quer”.

2) Assumir o erro em contrata-lo e demitir agora, evitando talvez as próximas derrotas.

Erram, mas erraram sem covardia. E pensaram mais no clube do que no emprego deles, dirigentes. O natural era dar a corda pro Ricardo se enforcar e depois “agradar a torcida” com a demissão.  Acho que o Fluminense correu um risco ao contratá-lo, deu errado, mas parou na hora certa.

Segue o bonde. E alguém vai ter que pegá-lo andando.

abs,
RicaPerrone