ricardo goulart

Sim, Kaká!

No meu ideal de seleção, “futebol não é momento”.  Momento é quando um jogador mediocre pega confiança e começa a fazer o que ele não faz por rotina. Ou quando um genial jogador começa a errar por algum problema pessoal, enfim.

Fato é que sabemos que em breve os dois voltarão ao normal. E pra mim a seleção devia ser um time, um cargo por merecimento a médio prazo, onde pra ser convocado você tivesse que passar por etapas e então, quando convocado e parte do grupo, não perderia sua vaga ao primeiro rapaz que jogasse 6 rodadas bem no Brasileirão.

Kaká nunca foi na seleção o que foi no Milan, e depois do Milan nunca mais foi em lugar algum.  Mas é um jogador de alto nível, experiente e melhor que William e Oscar ainda.

Aos 32 anos contesta-se a “renovação”. Não tem que haver renovação forçada, nem com data. Ela acontece todos os dias, o tempo todo.  Quando ele não for mais o melhor meia, entra outro. Quando esse outro perder espaço, entra outro. Não precisa a CBF ou a mídia determinar que “agora é pra renovar”.

Kaká hoje é um meia que a seleção não tem e precisa.  Sua convocação não é apenas justa como também sorte da seleção. Não por perder Goulart, óbvio, mas por ter em Kaká e Robinho dois jogadores que tiram um pouco o peso dos meninos que não apenas tem pouca idade como também tem um 7×1 pra carregar nas costas.

O Hulk e o Daniel Alves me causam espanto. Kaká, não.

abs,
RicaPerrone

#SomosTodosComuns

É uma merda dizer isso, mas infelizmente a convocação do Dunga levou muito perto do que de fato temos de “melhor”.  E note que o que hoje é considerado melhor há pouco tempo estaria no patamar do “mediocre”.

Note também que muitos dos nossos craques não vingaram por culpa deles mesmos e que essa conta não cabe ser depositada no treinador, na CBF, na Globo ou em qualquer outro alvo fácil para se justificar qualquer coisa.

Na real, quando concordamos com a lista que fracassou na Copa e com a primeira após a Copa significa não que somos bipolares, mas que não temos mais tanta opção.

Chover no molhado é entrar no discurso vazio de que “não temos mais” isso ou aquilo, sem que ninguém consiga dizer exatamente porque. Mas não choverei nessa água.  Quero entender algo maior do que isso.

Porque nossos jogadores não são mais protagonistas? Ok, o nível mundial de “foras de série” diminuiu MUITO e hoje a seleção campeã, por exemplo, não tem esse puta craque no time.  Isso nos enfraquece, já que nosso jogo sempre foi muito mais técnico e individual do que coletivo.

Mas porque apenas Neymar é “o cara” no time dele, ao lado do Messi, enquanto os outros ou são apenas muito bons ou no máximo craques de times médios?

O Cruzeiro, líder do Brasileirão e atual campeão, não tem um fora de série. É a “Alemanha” brasileira. Jogam todos, pra todos, sem um fator de desequilibrio indvidual e previsível.

Mas se somos criados desde o primeiro chute na bola para desequilibrar, como agora dizemos pra nossos garotos todos que procuramos menos erros e riscos, e que tudo que ele fazia de melhor hoje é condenável?

Nossa geração de Robinho, Pato, Ganso e Neymar não conseguiu evoluir pra jogar junta. Mas aqui, quando juntos, deram um show de futebol recente pelo Santos que não sabemos repetir.

Eu concordo com quase toda a lista do Dunga.  Mas concordo porque o futebol me convenceu a aceitar menos brilhantismo e mais simplicidade em busca de errar pouco.

Essa seleção, que é pouco contestável, me faz imaginar uma partida contra outro time, formado por lúdicos “craques” nacionais como por exemplo Diego, Robinho, Ganso e Pato.  Que seja.

Em quem você apostaria seu dinheiro num jogo desses?

Eu sei. Eu também apostaria.

abs,
RicaPerrone

A cara do time sem “o cara”

Quem é o craque que leva este Cruzeiro nas costas? Daqui 10 anos, quando se referir a este time, vai falar do “Cruzeiro de quem”?

Talvez, como da Alemanha de 2014, te falte um ícone pra representar o que é representado exatamente pela coletividade.

Depois de um primeiro tempo ruim,  o campo secou, o gol saiu, o Cruzeiro teve um adversário que não estava mais apenas disposto a não perder e tivemos um jogo. Ou melhor, um passeio.

Qual o esquema tático deste Cruzeiro? Você é capaz de desenha-lo com clareza?

Você pode me dar com facilidade e sem “poréns” a posição que joga Everton Ribeiro ou, por exemplo, o Goulart?

Não pode. Simplesmente porque não existem “volantes” mas sim meias. Não tem “atacantes”, “centroavantes”, mas sim um time comprometido em dar opção para quem tem a bola.

É quase um banquete. E ela não pára.  De pé em pé, tonteando zagueiros e até certo ponto humilhando adversários que ou perdem de pouco e abrem mão do jogo ou assumem com o placar que não sabem como pará-lo.

Marcelo, o técnico, é na dele. Só trabalha e mesmo sob enorme contestação no turno de 2013, insistiu. Funcionou.

O Cruzeiro que goleia e passeia não é responsabilidade do Dedé, nem do Éverton, menos ainda do Goulart.  É de uma mentalidade que joga sem a bola e que sorri com ela. De um time que marca gols pra se divertir e que retoma a bola para poder fazê-los, não para evitar sofrê-los.

É o sopro que nos garante, ainda, que mesmo que o futebol mude ainda podemos nos adaptar e ser os melhores.

abs,
RicaPerrone

Passeio no Mineirão

Quando você pensa num time imediatamente atrela a suas características. Ao lado mais forte, a jogada fatal, ao estilo de jogo e aos resultados recentes.

O Cruzeiro tem deixado a gente confuso. É rápido, contra-ataca bem, mas quando encara um time mais fechado também consegue achar o gol.  Logo, não há antídoto eficaz comprovado.

Se perdendo, sufoca e vira. Se sai na frente, goleia.

Não, não é no papel o que sugere na prática.  E, pela primeira vez na história do universo, o papel está sendo menos otimista que os fatos.

Se desenhado para ser um time de conhecidos titulares, as coisas funcionaram lançando diversos anônimos e sequer garantindo vaga aos mais galáticos, como Julio Batista, que ainda amarga banco.

E não, ele não está em péssima fase. Os outros é que estão ótimos.

Willian, Goulart, Bruno, até mesmo Dagoberto e Moreno, considerados “refugos” de outros clubes. Talvez a explicação esteja no banco, em pé, pulando a cada gol feito um garoto.

Talvez não.

Deu liga. Seja lá pelo motivo que for, é ruim parar este Cruzeiro. E não porque venceu a Universidad de Chile, mas pela forma com que faz as coisas acontecerem em 90 minutos.

Imprevisível, rápido, sério.

abs,
RicaPerrone