san lorenzo

Sempre tem um “Zé”

Toda vez que um time perde o brasileiro precisa encontrar um “Zé” qualquer para colocar a culpa.  A cultura do herói é a mesma que sustenta o vilão, e por isso sempre tentaremos encontra-lo e condena-lo, mesmo que isso seja um absurdo.

Zé Ricardo não é o Tite. Não tem outro Tite. O Flamengo tem um treinador novo, moderno, que vai cometer erros e acertos de quem acaba de chegar com novas idéias. Ontem, nas alterações, ele errou. Mas o Flamengo não “perdeu” a Libertadores por causa disso.

Foram muito mais determinantes e absurdos os erros do Guerrero e do Damião contra o Atlético PR, por exemplo. Bolas na frente do gol, chutadas pra cima, cabeceadas pra longe.  Foram determinantes erros individuais como o do Muralha outro dia, o do Sávio ontem, ou o do Vaz em outra partida qualquer.

O conceito de coletivo passa também por saber dividir os méritos e as derrotas.

Mas sempre precisamos achar um “Zé”.

O Flamengo tem padrão de jogo, perde muito pouco, joga e controla o adversário na maioria das partidas e tem aproveitamento de 70%. Bem acima da média.  É campeão carioca invicto, foi terceiro no Brasileiro…

“Ah, mas com esse time!”…

Que time? Um bom time.

Onde que Pará, Vaz, Marcio Araujo, Berrio, Everton, Gabriel formam um timaço? Eles são parte de um time que o rubro-negro colocou num patamar que não deveria, mas que sua megalomania não conseguiu se conter. O Diego joga muito, o Arão, o Réver, embora já com idade, e o Rômulo, quando jogar o que jogou no Vasco.

O timaço não existe. O Flamengo tem setores bastante carentes de qualidade técnica e se isso não faz dele um azarão, pois não está abaixo do nivel da maioria, também não faz dele um timaço.

O trabalho do Zé é muito bom.  Talvez a idéia de assistir campeonato alemão e espanhol nos faça esperar dos nossos times um festival de 4×0 com show de bola, mas…. lamento informar, aqui na América do Sul ainda há jogo.  Esse super time que goleia todo mundo não existe, se deus quiser nunca vai existir.

O trabalho do Flamengo entre diretoria, comissão técnica, departamento de futebol, em geral, é muito bom. O resultado neste torneio não foi, mas ainda assim não é um absurdo pelos adversários do grupo. O Flamengo não perdeu NENHUM jogo onde o vencedor fosse uma zebra.

Analisar resultado é o que todos fazem e se afundam em dívidas. Analisar desempenho é o que deveríamos fazer para evita-las.  Para piorar, o Flamengo agora joga uma sequencia de partidas fora. Só volta ao Rio dia 4 de junho.  Se permitirem achar a “crise” que a mídia tanto procura, tudo vai pelo ralo.

Siga. Embora seja irritante todo ano passar vergonha na Libertadores,  o caminho tá certo.

abs,
RicaPerrone

Uma nova forma de cair

O Flamengo tem na Libertadores um desejo incompatível com seu histórico. Fazem dela uma “meta” comum quando na realidade o rubro-negro jamais fez parte dos protagonista dos torneio.

Pelo contrário, joga mal pra cacete. É eliminado toda hora das mais diversas formas e sob as mais repetidas crises que tornam o dia seguinte no previsível “Brasileiro é obrigação”. E não é, porque não tem como ser.

Mas pela primeira vez o Flamengo caiu na Libertadores e não causará a irá de ninguém.  Claro, o torcedor está triste. Mas triste é diferente de revoltado.  E não há porque se revoltar, apenas se lamentar.

Jogou bem os 6 jogos. Foi melhor que o adversário em todos eles e entendeu, na marra, que na Libertadores jogar futebol é parte do necessário. Em qualquer outro grupo seu futebol o teria colocado nas oitavas antecipadamente. Mas nesse, no mais difícil de todos, a gente sabia que seria no último jogo. Não sabíamos que no último minuto.

Não condeno um jogador. Não faço uma mudança no que acho sobre o trabalho do Zé Ricardo. O Flamengo perdeu 3 jogos em mais de 7 meses, e jogou melhor os 3.  Fique triste, chore, se revolte com a vida, questione Deus. Mas não faça neste Flamengo a bagunça que outros tantos mereceram.

Esse não.

Trabalho bem feito, eliminação precoce mas dentro de um cenário que passa longe de ser vexame. Perdeu 3, ganhou 3. Grupo duro, resultados todos absolutamente normais. O “anormal” foi a vitória do CAP hoje. E então, a “lógica” do grupo se foi.

Existem eliminações e eliminações. O Flamengo coleciona quedas ridículas em Libertadores. Essa não foi uma  delas.

abs,
RicaPerrone

O reencontro

O Maracanã está para o Flamengo como qualquer estádio particular está para seu dono no mundo todo. A idéia de um estádio de todos é bastante contestável toda vez que o Flamengo entra em campo.

Diria que se os dois pudessem falar, implorariam aos dirigentes para jamais sequer sugerirem a idéia de um outro estádio.  Complementares, parte de uma mesma história.

Hoje o camisa 10 fez de falta. Colocou com a mão, devagarinho, sem defesa. A massa rubro-negra explodia a sua volta e ele corria com o punho direito fechado.

Ah, quem não pensou no passado quando viu essa foto?

Passado brilhante, passado vivido neste palco, e hoje, especificamente, rodo passado no tal de San Lorenzo.

Foram só 45 minutos. Bastou. O Maracanã precisava deste jogo mais do que o Flamengo precisava dos 3 pontos. E os dois aconteceram sob a benção da torcida que já era confiante, agora é quase delirante.

Se hoje o bi era dúvida, agora é questão de data.  O rubro-negro bipolar megalomaníaco que ontem discutia estádio próprio quer o Maracanã. E o time que domingo gerou dúvidas já gera euforia.

O único que nunca mudou de idéia nesta relação é o Maracanã. Este nunca sequer cogitou viver sem ti, Flamengo. Não abandone-o. Vocês são menos quando longe um do outro.

abs,
RicaPerrone

Elias desequilibra o Timão

Se houve uma mudança considerável no setor de criação do Corinthians nesta noite ela se deve a inteligente anulação de Elias.

O treinador do San Lorenzo deixou uma linha de 4 homens prendendo os volantes do Corinthians. Elias era o cara que vinha de trás, que pegava a defesa armada e desequilibrava com a movimentação rápida e tabelas. Sem poder sair tanto pro jogo, a formação do Corinthians ficou com um buraco.

Veja nos desenhos abaixo das estatísticas exclusivas da Opta a posição média do Corinthians em campo contra o San Lorenzo e contra o Danúbio.
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A única diferença considerável é Renato Augusto sozinho na linha de criação e Elias atrás do meio campo, longe dos meias.

Se o treinador do San Lorenzo fez pensando nisso, acertou em cheio. Se não, deu muita sorte.

Abaixo, como extra, ainda deixo aqui o mapa de calor do Elias na partida desta quinta-feira.

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abs,
RicaPerrone

Estatísticas: San Lorenzo 1×0 SPFC

Em parceria exclusiva com a Opta, maior plataforma de estatísticas do futebol mundial, o blog mostra algumas curiosidades de San Lorenzo 1×0 São Paulo.

Passes errados:

Primeiro o gráfico de passes/lançamentos errados do Tricolor. Um festival.

Jogada ideal: 

Depois disso podemos destacar a “jogada ideal” do time. Ou seja, a troca de passes mais comum do goleiro a finalização.

Rogério Ceni –>  Hudson  –>  Denilson –> Ganso — > Pato –> Centurion.

Esta foi o caminho mais usado pelo SPFC na partida para chegar ao gol adversário. Sem sucesso.

Posicionamento Médio:

Este gráfico mostra onde exatamente cada jogador atuou de acordo com sua posse de bola, combate, enfim.  Não há interpretação no posicionamento. E assim jogou de fato o SPFC:

Mapa de Calor

mapacalor

abs,
RicaPerrone

Puta que pariu!

35 do segundo tempo. O São Paulo está morto em campo. Se arrasta, perde a bola, arma um contra-ataque e quase consegue a proeza de perder pro time do San Lorenzo que sequer tinha intenção de fazer gols nesta noite.

A torcida já canta por obrigação. O time sabe, sente.

Não havia um sãopaulino no mundo que não estivesse pensando: “Porra, sair na primeira fase pra um argentino e pro Corinthians não…”.  É o ápice da derrota. É o 7×1 em etapas.

Ganso deixa o campo. Vaias.  Porra, Muricy! Mas o único cara que podia fazer uma jogada genial ali tu tira??!

42 minutos. Silêncio. Os próximos 3 minutos determinam agora se vivemos uma “noite heróica” ou um “fracasso histórico”. E tome bola pro mato.

Michel Bastos tentou um calcanhar nas últimas 2 jogadas. Errou ambas. Ele domina, olha, vira o jogo pra Carlinhos, um dos piores em campo hoje. E o lateral, que errou quase tudo, cruza no segundo pau para Michel, que se arrastava, enfiar a cabeça.

E eu vou deixar esse “enfiar a cabeça” livre para interpretações, já que o “coitado” é argentino, logo, não requer qualquer cerimônia de minha parte.

E então, aos 44, no Morumbi, numa Libertadores, o São Paulo transforma suor em lágrimas e o pesadelo em sonho.  Não há qualquer análise tática possível diante de um jogo desses. Há apenas o sentimento mais forte que o futebol pode causar, a reviravolta mais deliciosa que existe e uma única frase a se livrar do nó na garganta:

“Puta que pariu!”

abs,
RicaPerrone

Jogo Rápido: Léo Moura e o Flamengo

17.12.2014

– Mundial de Clubes
– Léo Moura e o Flamengo

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