Sào Paulo

SPFC 2×0 Botafogo: Distantes

Um placar de 2×0 não é exatamente o que separa hoje São Paulo e Botafogo. Tecnicamente a diferença é brutal, financeiramente e estruturalmente idem.  Em campo, porém, essas coisas as vezes ficam de fora e o peso das camisas igualam jogos.

O Botafogo teve momentos. Quando 1×0, no começo do segundo tempo, o Fogão até controlou o jogo. Mas é muito grande a diferença das possibilidades quando uma bola cai nos pés do Pimpão e do Pato. Primeiro pelo domínio, e em seguida pelas opções em volta.

Pro que tem, pelo tempo de trabalho do treinador, o Botafogo fez um bom jogo.

O São Paulo, que pra muita gente é surpresa, fez o que tinha que ser feito e alternou altos e baixos no jogo. Mas ganhou, teve bons momentos e marcou muito bem.

O Cuca não dirige time com sono. Se tiver ele acorda. E se não acordar ele muda. A pegada do Tricolor é notável. Em 20 minutos tinha 3 amarelados no Botafogo e o São Paulo marcando homem a homem o tiro de meta dos caras.

Há 1 mês eles assistiam o adversário criar a jogada.

A expectativa pro SPFC é boa no Brasileirão. Talvez a minha seja até mais otimista que a maioria. Eu falo até em título. O Botafogo em não cair, porque é isso que o seu time sugere.

Mas embora o jogo de hoje tenha confirmado a deficiência técnica, houve melhora.

Com perspectivas extremamente opostas para o campeonato, ninguém fez mais do que podia hoje. Nem menos.

RicaPerrone

Roteiro adaptado

Quando São Paulo e Corinthians decidem nós conhecemos o final provável. Muda-se a forma, o herói, o minuto do gol e até os estádios. Mas a história se repete e o Corinthians acaba eliminando o São Paulo.

Há no futebol doses cavalares e inexplicáveis do sobrenatural que costumam não apenas se repetir no evento como pro mesmo lado.

O Corinthians é mais seguro contra o São Paulo. Começa a ganhar na véspera, tem uma dose de “fé”  misturada com fatos que o leva à confirmação de ambos.

Aos 41 o goleiro do São Paulo se jogou porque queria pênaltis. O Corinthians, que nada vem jogando, tentava ainda ganhar o jogo. Sem pressão, mas ainda não havia optado pela cera.

E então, neste caso, o futebol premiou o lado certo.

São meninos no Morumbi. Carregando nas costas anos e anos sem títulos e tendo que enfrentar justo o maior dos fantasmas. Não dá pra culpa-los, condena-los ou cobrar-los.

Dá pra fazer o que o Carille fez após o jogo, que é algo raro: ao invés de meter que “é contra tudo e todos!”, “cade o time que joga mal?”, ele foi calmo, parabenizou, disse que tem méritos (e tem!) e que o time está muito abaixo do que pode.

Não precisou nem tapar sol com a peneira e nem se fazer de gênio. No ponto.

O Corinthians não joga bem, não convence nem a seu treinador. Mas um tricampeão tem que ter algo que os outros não tenham. Hoje, no caso, foi apenas mais vontade de ganhar e mais maturidade.

Ano passado foi com raiva. No outro, futebol.  E assim, ano após ano, mudam-se os “porquês”, só não muda o campeão.

RicaPerrone

Então, Pai…

Meu pai tem perto dos 70. Eu, 40. Nossa vida e relação sempre foi muito baseada no futebol. Ontem quando acabou o jogo o São Paulo foi a final e ele me telefonou pra comemorar. Moro no Rio, ele em São Paulo. Caso contrário estaríamos juntos vendo a partida, é claro.

Eufóricos comemoramos a vaga. Comentamos a defesa, o Cuca, enfim, as coisas do jogo. Ele sabe que no domingo que vem não poderei ver o jogo, estarei viajando. Mas no outro, na grande final, eu estarei em São Paulo. E então avisei entusiasmado:

– Pai! No dia da final é páscoa! Eu vou estar ai! Vamos na final!

Ele se empolgou. Começamos a planejar mais uma decisão num estádio, talvez a gente nunca tenha deixado de ir em uma desde 1978. Toda vez que nosso time decidiu um campeonato a gente esteve lá.

E logo enquanto planejávamos a ida me caiu a ficha.

– Pai, esquece…. Não pode. É torcida única.
– Como assim? Pode sim.
– Nao pode, pai. A gente nem ia poder comemorar.

Aquele silêncio.

Então tá. A gente combina durante semana, de repente vemos o jogo juntos em SP após o almoço. Sei lá.

Mas em 40 anos é a primeira vez que eu e meu pai “não podemos” ir a uma final.

Pagamos cativa, pagamos o clube, frequentamos ativamente desde que me conheço por gente. Mas nessa decisão eu não posso ir. E talvez se o meu time levar mais 10 ou 15 anos pra voltar a uma decisão eu nunca mais possa ir com ele a uma final.

Porque? Porque o estado tem medo de um bando de menos de 50 marginais organizados, uniformizados e com sede e cnpj que impede que pessoas como eu e meu pai estejamos no estádio do rival.

Já que 1% é imbecil, a gente pune os 99%.  É mais fácil, mais covarde. E assim morre o futebol, que no fundo é só um pretexto. Em casa na tv o abraço será diferente. Mas pra quem fala de futebol nada disso importa. Importa o 442, a política da CBF, com quem transou o Neymar….

RicaPerrone

A cura

Talvez falte algo no ataque, na defesa, numa lateral. Talvez seja má administração, talvez azar. Eu não sei diagnosticar um São Paulo que não funciona há tempo tempo e de tantas maneiras. Mas sei de algo que o clube precisava, buscava e só um treinador poderia lhe dar: paixão.

Cuca não é responsável por qualquer nó tático neste domingo. Mas chamar de coincidência a presença dele em algo emocionante e memorável é um pouco de covardia.

Este sujeito tem o DNA do futebol pulsando nele. Perde, ganha, mas por onde passa deixa uma história e momentos inesquecíveis. Vocação pra eternidade. Pacto com a bola.

Quando o jogo foi pros pênaltis o futebol em si não sabia bem o que fazer. Dar a Felipão, o rei do mata-mata, ou a Cuca, que está voltando de um problema de saúde?

Escolheram bem. O Palmeiras, diferente do São Paulo, quer o título mas não “precisa”.  O São Paulo “precisa”. O Cuca “precisava” voltar. A cura do treinador virá em doses cavalares do que melhor sabe fazer: história.

A do São Paulo, talvez, pela paixão de quem não está ali a passeio ou por mera obrigação. Cuca ama futebol como poucos.  Não é por acaso que as grandes histórias recentes o procuram.

Seja bem vindo. E que seja a cura. Sua e nossa.

RicaPerrone

Cenários

O Paulistão chegou às semifinais com um cenário encantador. Embora o campeonato em si seja ruim como todo estadual, a reta de chegada criou dois jogos muito interessantes.

Se o Corinthians vinha mal e se classificou nos o pênaltis contra a Ferroviária em casa, o Santos fez com campeonato e tem o badalado Sampaoli. Esse jogo coloca, portanto, o Santos como o grande favorito.

Só que existe uma linha tênue entre ser favorito e ser obrigado a vencer. Essa linha torna as semifinais interessantíssimas.

O cenário do outro lado é parecido. Até sábado passado o São Paulo não tinha a menor chance. Agora enfrenta o Palmeiras, que pela teoria, tem todas as chances por ter disparado o melhor elenco do país.

Na medida em que o São Paulo e o Corinthians vão chegando pra semifinal mais enfraquecidos, maior se torna o “problema” para Santos e Palmeiras.

O futebol é covarde. Se São Paulo ou Corinthians passarem cobrarão Palmeiras e Santos pelos times e campanhas. Se for o contrário, pouco farão por considerarem “lógico”.

Há um “confortável” cenário para São Paulo e Corinthians neste momento em virtude de sua própria incompetencia.

RicaPerrone

Ajuda. Não resolve

Pato é muito bom jogador. Tecnicamente, um craque. Mas isso não basta e se bastasse ele não estaria longe da seleção desde os 24 anos.

Jogador que o futebol ajudou a estragar lhe dando precocemente tudo e mais um pouco. Retirou toda a fome antes do rodízio e portanto gerou uma frustração no estrago que ele “faria”.

Não fez.

O que não significa que não tenha sido até aqui um bom jogador. Mas o Pato que nós esperamos e o Pato que nós vimos são dois jogadores muito distantes. Talvez porque ele estreou estrela. Talvez porque fosse tudo aquilo, ou meramente – e é a minha aposta – porque tudo lhe foi dado antes dos gols.

Volta ao SPFC onde jogou bem em 2015. Mas ainda que seja uma solução na frente, não pode carregar nos ombros a responsabilidade de colocar um clube nos eixos.

Talvez o ataque. No máximo.  E já estaria bom.

Milhões de euros, aos 30 anos, vindo da China. Não sei.

Pato é aquele cara que estando no seu elenco você sempre vai considerar a hipótese dele estar afim de jogar bola e se tornar o melhor atacante do Brasil.

Estando no rival você o considera um modelo que não está nem aí pra futebol.

Eu considero as chances dele voar. E as dele dormir.  Mas também as chances razoáveis dele ser mais um num grupo que não consegue sair do lugar há anos, onde entra jogador, sai jogador e nada muda.

Talvez porque Pato seja uma solução pontual ao ataque de um clube que está a deriva. Mas é melhor estar a deriva com o Pato do que com o Trellez. Isso é.

RicaPerrone

#TBT: Carlos Miguel

Nem genial, nem comum. Chamar de “útil” seria menosprezo. De craque um exagero. Carlos Miguel é uma daquelas peças de pouco marketing e que se faz fundamental para que um time com “estrelas” funcione.

Foi o meia esquerda do Grêmio ao lado de Arílson na conquista de…. tudo! Dos 20 aos 26 anos foi o apoio tático/técnico fundamental a quem estivesse a sua volta.

Carlos Miguel nunca jogou pra tv. Nunca tentou ser o mais importante do time, e de tanto não tentar, por vezes acabou sendo.

Chegou na seleção. Fez apenas 5 jogos. Foi um “Danilo” de anos atrás. Merecia mais. Mas naquela época o meio campo da seleção não era um lugar vago.

No São Paulo formou um time campeão paulista que tinha tudo para voar no Brasileiro. O ataque era Carlos Miguel, Fabiano, Rai, Dodo e França.  A chance disso não funcionar era mínima. Ou uma contusão.

No mesmo dia ele e Raí sairam machucados contra o Cruzeiro no Morumbi. Era dia das mães, nunca me esqueço. Um time com sintomas de eterno se desfazia antes de ser devidamente testado.

Passou pelo Inter, sem sucesso. E tudo bem. Porque voltou ao Grêmio. “Perdoado”.  Adorado. Reconhecido. Eternizado em taças e jogos memoráveis.

Sem o devido valor nacional porque não fazia pelo show, mas pelo time. O que hoje chamam de futebol moderno e coletivo, Carlos Miguel jogava há 25 anos.

Precipitado. Tivesse nascido um pouco mais tarde hoje seria “craque”.

RicaPerrone

#TBT: Vágner

Para tricolores, vascaínos e torcedores do Celta não precisa apresentar. Para a nova geração talvez seja mais fácil dizer que houve um “Pogba” sem grife há 20 anos e que por falta de sorte, juizo ou algo que não sabemos, nunca se tornou o “oito” da seleção.

Nosso futebol é cheio desses caras. Era muito craque pra pouca camisa amarela. Vágner foi um cometa que passa, some e te faz questionar do porque foi tão rápido.

Do Santos a Roma, da Roma ao Vasco e daquela lateral direita campeã da Libertadores ao São Paulo que quase ganhou a Copa do Brasil.

Virou volante. E que puta volante.

Técnico, com chegada, passe e visão de jogo. Não era um tocador de lado embora pudesse em sua função na época. Na semifinal contra o Atlético no Morumbi me lembro que com 3×0 no placar a torcida do São Paulo gritava “Fica Vágner” com uma força surreal para um não ídolo.

Era premonição. Sem ele não daria. E não deu.

Foi pro Celta, se firmou lá. Voltou pro Galo, não jogou praticamente e encerrou cedo.

Vágner é meu #TBT de hoje.  E o #TBT é um alvará pra saudosismo.

Se era um jogador de seleção?

Depende. Qual?

A de hoje? Amarrado.

RicaPerrone

 

O cansado Diego Souza

Diego Souza não é um craque, nem um jogador comum.  Aos 26 anos deveria decidir campeonatos e jogos grandes, não era o caso. Aos 30, talvez, ser uma referência na sua posição eternamente indeterminada.

Isso já responde.

Diego é cansado. Joga porque parece ter que jogar.  E joga mais que a maioria.

Fosse um obcecado por resultados estaria em outro patamar. Se tivesse talvez não fosse no Brasil.

Uma aposta durante toda a vida. Jamais alguém contratou Diego Souza sabendo o que estava fazendo. Sempre foi uma aposta.

Justificada, porque dá certo e errado na mesma intensidade de apostas.

Pro São Paulo podia ter servido. Até fez seus gols, mas entra e sai de campo como de clubes: sem conseguir criar laços.

Um jogador de alto nível que parece esperar pelo fim da carreira desde os 23 anos.

Pro Sport é atração.  Pro Vasco seria uma recordação.

Pro São Paulo um gasto.

E pro Botafogo?

RicaPerrone

Mercado, incapacidade e o amanhã


Você sabe, embora alguns socialistas neguem, que tudo que não tem dono acaba ficando nas mãos de quem pouco se importa. Se não será seu daqui 10 anos ou se o que você plantar não lhe renderá nada a médio prazo, que se faça o hoje e se consagre por ele.

É assim em qualquer porcaria onde alguém não esteja com o seu dinheiro em cima pra cobrar resultados, planejamento, cargos por méritos e explicações.  Clube de futebol é um retrato fiel do porque o Brasil não funciona, basta traçar o paralelo.

O presidente não vai ficar. Não há um chefe acima dele e nem quem pense e espere algo de fato a longo prazo. Se ele plantar e não puder ver a colheita não apenas não lhe ajuda como também lhe faz mal. Veja você que estupidez, mas se o presidente do clube hoje plantar para colher em 7 anos ele consagrará o seu inimigo político que provavelmente estará no poder.

Vendas inexplicáveis, compras absurdas. Aposta na base rejeitada porque não dá tempo de colher. E tome dinheiro jogado fora em jogadores comuns com salários astronômicos. Mas é pra você, torcedor.  Tudo isso é feito pra você aplaudir e se empolgar. No fundo todos eles sabem que a médio prazo funciona bem melhor.

Mas você esperaria? Não.

Tratando-se de Brasil, empresa sem dono, apenas politicagem e favores, nada nos conforta. A espera pela eleição destrói clubes.  É o prazo final do trabalho seja ele bem feito ou não. E como trata-se de paixão e resultados esportivos, você faz qualquer idiotice pra ganhar naquele período.

Houvesse um dono no clube ele acordaria hoje e refaria a tabela de preço do seu elenco todo quando vê que o Militão ontem valia 4 e em 6 meses na Europa vale 50.

É preciso fazer hoje pra dar algo amanhã já que seu pagamento oficial é apenas o tapinha nas costas. Então que sigam os tapinhas.

Embora em 90% dos casos a vontade era de ser um tapão, e não nas costas.

RicaPerrone