sapucai

Imagine um lugar especial

Imagine um lugar onde todo mundo fosse feliz.

Onde todas as pessoas estivessem minimamente fazendo o que gostam. Onde o pobre e o rico alternassem a importância e o protagonismo, onde os gays fosse tão respeitados que se tornariam até referências em cargos de poder.

Um lugar de negros e brancos onde se discute pacificamente o racismo, a cultura, nossos valores e pontos de vista. Cheio de político sendo ridicularizado pelo povo e tendo que aplaudir de camarote pra não ficar feio.

Onde o artista fala menos e atua mais. Onde o som ambiente não remete a nada triste. Um lugar colorido, regado a sonhos e pessoas dispostas a se abraçar quando se encontram.

Um raro lugar onde o Brasil dá certo. Onde um lixeiro fosse aplaudido por empresários e “patrões”.

Onde alguém pode passar dizendo que é de esquerda e ninguém liga. Onde quem é de direita não se importa em aplaudir um espetáculo feito por maioria contrária.

Que lugar.

Imagine também que nesse lugar até mesmo a competição pelo melhor não fosse mais importante do que estar junto. Que embora derrotado você pudesse estar feliz pelo que fez.

Onde a roupa te dá um lugar especial, a falta dela um ainda mais especial.  Onde o crente assiste e canta pros orixás, o batuqueiro pede benção, o ateu agradece a Deus por estar lá.

Um lugar onde as músicas não te mandem chupar e descer, mas sim contem histórias da nossa cultura, homenageiem personagens de nossa história e lugares de nosso país.

Onde não há violência, foco em problemas e hora pra acabar.  Só pra começar. E se chover, a gente atrasa.

Agora imagine que esse lugar que o mundo “briga” pra criar já exista e que na cabeça de algumas pessoas seja apenas uma putaria, música ruim e motivo bandido pra lavar dinheiro?

Pois é. Cada um vê o que pode ver.

Bom carnaval.

RicaPerrone

Não é “justo”. É apenas coerente

Eu disse antes de começar a polêmica que a Grande Rio não cairia sob o argumento do carro ter quebrado.  E portanto, se em 2017 carros quebrados feriram pessoas e não foram rebaixados, o dela que sequer feriu alguém teria um argumento enorme pra se manter.

A verdade é que escola grande não cai. Há até um acordo velado, e obviamente a Grande rio não era parte disso quando foi feito.

Mas vimos ao longo dos anos passadas de pano memoráveis na Sapucai. Não vejo qualquer diferença entre manter a Grande Rio na canetada e manter a Vila Isabel no ano em que desfilou sem fantasias.

É a mesma coisa. Política. Só que uma escancarada, a outra sob notas.

Porque o Império Serrano ficou? Não faço idéia. Ao contrário de 2017 onde os problemas haviam sido semelhantes e usaram a mesma decisão para ambas, em 2018 ela não chega a fazer sentido. Mas pô… vamos ser honestos?  Se a Grande Rio tem o alvará pra reclamar e ficar, porque vamos rebaixar o Império que todos amam?

Ficam as duas e foda-se.

Senhores, o carnaval do Rio de Janeiro só vende ingressos em dinheiro vivo.  Todo mundo sabe quem são os organizadores dele, e ninguém na cidade é maluco de peitar nada disso.

É delicado. Mas quem frequenta sabe que não necessariamente é um problema. O bicheiro tem os problemas dele com a justiça, pois é contraventor. O que não implica nele ser ruim pra escola/comunidade.  Então você tem uma situação complicada onde por um lado não é certo, mas por outro não é problema seu.

E não sendo, você não vai ser o idiota a peitar isso. Porque qualquer moralista que diga o contrário, se morar no Rio e receber um telefonema de um bicheiro marcando um almoço, vai! Juro por Deus que vai. Porque ele pode ser moralista, hipocrita, mas não é burro.

A gente sabe quem manda. E quem tem que fazer isso funcionar legalmente é a justiça, não nós. E nós, como passageiros do bonde, só podemos jogar o jogo.  Não há nada escondido.

As escolas de “patronos” mais fortes não caem. Eles são os donos do carnaval, o Rio precisa do carnaval, a escola precisa deles e essa relação não é problema de quem está embaixo. Portanto, continuará.

Alguns dos bicheiros e milicianos envolvidos no carnaval são mais adorados pela sua gente do que santo. E a maioria deles faz muito mais pela sua comunidade do que o governo. Logo, o governo não pode peitar, a política depende de voto. A polícia nada pode fazer porque contravenção não é crime. E é assim há 100 anos.

Talvez você não saiba mas mora sob a benção de um deles. Procure saber.  Algumas coisas não passam no Jornal Nacional. Outras são só motivos idiotas criados por gente burra pra misturar tudo num só bolo.

Não, o carnaval não é um problema por ter contravenção nele. Tal qual a ponte que fizeram no seu bairro não é culpada da corrupção da obra.  Isso é argumento de gente burra.  Gente que adora cagar regra sobre um sistema que ela só ouve falar e desconhece a realidade para sugerir sair dele.

O carnaval é uma festa. O resto, pouco importa.  A LIESA faz o que suas escolas decidem. É uma LIGA, não uma dona do carnaval. E se elas são do mesmo bolo, elas votam para que seja assim, e assim será.

Talvez em 20 anos não seja. Mas hoje ainda é. E a Grande Rio apenas está usando o argumento coerente de que se valeu em 2017, vale pra ela em 2018.

O erro aconteceu em 2017. O que está acontecendo agora é o que QUALQUER um de nós, na condição da escola, faria:  “também quero ter os mesmos direitos dos outros”.

Ninguém quer um país onde precise dar um a mais pro guarda cuidar do seu boteco. Mas se você tiver um boteco, você vai procurar o guarda.

O jogo é esse. E só sabe quem joga.

A Beija Flor faz mais por Nilópolis que o governo. Se você concorda, gosta ou não… tanto faz. As coisas são como são, não como o manual de instruções do mundo escrito por gente que não sai do computador acha que deveria ser.

Eu não concordo com a decisão. Mas é tão fácil entende-la quando  não se faz esforço pra ser hipócrita…

abs,
RicaPerrone

 

Quando simplesmente não funciona

Quem diria que o samba, um dos mais belos do carnaval, nao aconteceria?  Quem diria que com 34 graus em plena madrugada a escola entraria na avenida morta pela manhã?  Quem diria que a Grande Rio atrasaria o desfile?

Enfim. As cotas de emoção da Mocidade foram gastas pelo caminho.

O processo até o carnaval 2018 parece ter sido muito mais importante que o desfile em si. A escola se reinventou, trouxe o povo de volta, pisou grande na avenida e fez um bom desfile. Mas passou. Só passou.

As 5 da manhã de domingo a concentração da Mocidade era de pessoas cansadas.  Foi um calor infernal, uma demora sem fim e naturalmente a escola sentiu e entrou na avenida bem menos forte do que até mesmo o ensaio técnico.

A força estava ali, no chão, no resgate. E a Mocidade passou bonita, tendo que explicar suas alas de leitura muito complicada pra qualquer cidadão não familiarizado com a Índia e as relações com o Brasil. Resultado um publico que assistia também morto de cansado, sem grandes manifestações,

Embora seja sim uma candidata, é uma candidata que pode disputar por “errar pouco”.  Trabalho bem feito, bem conduzido. Mas sem brilho.  O que esperava da Mocidade era exatamente a explosão que não aconteceu.

Sim, sai meio frustrado da Sapucaí. Mas não pelo que a escola apresentou. Pelo que eu esperava que ia acontecer. O samba não vingou, o povo não cantou, a escola passou.

Não tem muito o que se fazer . Foi tudo bem feito, mas por algum motivo não explodiu.

Odeio desfiles técnicos. A Mocidade fez um ontem.  E ainda que tivesse feito, teve problemas na evolução.  Talvez porque o forte desse desfile não era pra ser a técnica, mas sim a pegada. E a pegada foi muito prejudicada pela hora, pelo calor, etc.

Valeu! Mas pra mim, seja qual for o resultado, o que a Mocidade fez em 10 meses de trabalho foi muito melhor do que ela colocou na avenida.  E eu honestamente prefiro viver carnavais com menos notas 10 invadindo a Vintém e chorando em ensaio do que levantar caneco porque “errei pouco”.

Salve a Mocidade! Foi um grande ano!

abs,
RicaPerrone

Eu preciso falar de você

Não vou conseguir fazer uso de um personagem ou de algum detalhe para fazer uma crônica bonita a seu respeito. Se o fizer, eu choro de novo. E se eu chorar de novo, não consigo retomar meu trabalho após 5 dias onde só conseguia pensar em você.

Mas eu preciso escrever alguma coisa. Como meu coração não foi alfabetizado e é burro de doer, escrevo eu mesmo em seu lugar.

Te ver passar grande de novo foi uma das melhores sensações que já tive. Foi como ver um filho querido acidentado voltar a andar. Era como uma ressureição de quem nunca morreu, sei lá.  Mas eu precisava olhar em volta e parar de pedir aplausos pra você. Queria vê-los surgirem arrancados e não doados.

Não suportava mais o tapinha nas costas ao final do desfile e a frase “Até que foi maneiro”.  Maneiro é a Vizinha Faladeira, porra! Com todo respeito. Eu sou Mocidade, eu não faço carnaval “maneiro”.  Eu passo o rodo, carrego a avenida, escrevo a história e saio dali aos gritos de “é campeão”.  É assim que é.

No penúltimo ensaio eu encontrei Marquinho Marino, pra mim o maior responsável pelo desfile deste ano, e o abracei dizendo: “A gente volta entre as 6?”. Ele disse: “Entre as 3, Rica.”.

Daquele dia em diante eu não tive mais uma noite de sono completa sem pensar nessa possibilidade tão surreal há 14 anos.  Na concentração os rostos serenos, as fantasias em ordem, os carros prontos, nenhum problema.  Parecia outra escola daquela que vinha se apresentando.

E quando passou, eu não tinha visto.  Foi tanta adrenalina, nervoso, correria, vai pra concentração, ajuda a destaque, passa na frisa, camarote, corre pra dispersão, enfim… eu vi sem ver. E então olhava em volta pra saber o que alguém me dizia sobre o desfile. O Alex Escobar, da cabine da Globo, foi o primeiro a fazer um sinal pra mim que estava ótimo! Ele também é Mocidade.

Dali pra frente eu olhava meu whatsapp e tinha noção de que acertamos. Não era mais “valeu!”, era “caraaaaaalho!!! que desfile!”. E então eu sabia que não acabava ali. Mas nem no meu mais abusado sonho eu disputaria o título.

Até que no quarto quesito a Mocidade liderava e a quadra aparecia ao vivo na tv com as pessoas esperando o título.

Título? Não é possível.  É, sim.

Então parei de andar em círculos em casa e fui pra quadra. Enquanto eu dirigia as notas iam sendo dadas e faltando uma nota eu cheguei. Sabia que iríamos ser vice, o 9,9 já havia sido dado. Mas quando entrei ali esperava ver um velório pela “derrota” há instantes. Nada! Era um orgulho tremendo, uma bateria espancando os tambores e o povo gritando alto o samba do ano em que, de fato, “voltamos”.

A taça chegou, os diretores e membros da escola foram chegando. Abraços, sorrisos, alívio.

Não era uma festa de campeã. Porque não fomos. Mas há algo tão importante quanto o título que é ver sua escola passar e representar as pessoas e a sua história.  Eu prefiro um “circo místico” do que um irritante desfile técnico que nos leve a algum lugar de destaque.

O que pensam os jurados não é o mais importante. O que deixamos na avenida, sim.

E dessa vez, como há muito tempo não acontecia, deixamos saudades e não frustração.

Avisaram. “Sonha, Mocidade!”.  Sonhamos, acordamos, e continuamos sonhando.

Voltamos. Não apenas nas campeãs, mas a gerar o delicioso “lá vem ela” quando anunciada na Marquês.

Era pra voltar nas campeãs, pois “Cá estou”.

Refletindo a noite iluminada…
Voltando à nossa escola tão amada
Verde e branco, que orgulho! que saudade!

Cá estou
A Mocidade é a razão da minha vida
Mesmo distante pelo espaço e pelo tempo
A estrela brilha sempre em nosso sentimento

Cá estou
Vamos lá, a hora é essa de ecoar a nossa voz
Voltei pela Brasil, estou em casa!
Padre Miguel, Olhai por nós!
E a bomba explode em harmonia
Prazer de viver
Brilha no céu brasilidade
Até morrer sou Mocidade

Mocidade minha vida!
Ah, meu amor quanta saudade!
Cantar minha paixão na avenida

abs,
RicaPerrone

 

E olha que eu nem gosto de você

Eu daria o título à Unidos de Padre Miguel. Embora seja bastante razoável imaginar que a queda da porta bandeira prejudique a escola nas notas, eu ainda assim acho que eles devam subir.

E digo isso com a maior propriedade de todas, que é de quem não gosta da escola. E quando digo que “não gosto”, não me entenda mal, nem relacione a “ódio” ou qualquer sentimento ruim. É mero ciúmes.  Eu não gosto que outra escola divida a comunidade que sempre foi da minha Mocidade. Eu tenho ciúmes da Unidos de Padre Miguel.

Mas o desfile apresentado na Sapucaí foi de grupo especial. E se no critério adotado pelos jurados a escola entra com 10 e perde pontos na avenida – critério que discordo, diga-se – a Unidos tem quase nada a perder.

Talvez por protocolo você considere tirar algo da Porta Bandeira. Mas eu nem nisso mexeria, acho. Já vi outras errarem e sairem da avenida com 40 pontos. Ela se machucou.  Não é um “erro da escola”  a menina torcer o joelho.  É um acidente possível com qualquer um de nós. Até com quem cobre o carnaval andando de um lado a outro na avenida.

A Unidos de Padre Miguel podia desfilar sem comissão de frente que ainda assim seria merecedora do título.

Bateria impressionante, comunidade dedicada, cantando alto, público em pé aplaudindo e sambando, riscos nas paradinhas, carros bem feitos, fantasias bonitas, enfim, um desfile impecável.  Sim, porque se machucar não é pecado.

E repito: E olha que nem gosto de você…

abs,
RicaPerrone

“Se você fala de mim, não sabe o que diz…”

Faz 20 anos. Era carnaval de 1997, meu pai me levou pela primeira vez à Sapucai. Eu gostava, via pela tv, decorava os sambas mas nunca tinha visto de perto.

Eu já era Mocidade. Acho que sempre fui.

Naquele dia eu descobri algo pelo qual me apaixonaria e nunca mais conseguiria largar. Era um ingresso só pra domingo, mas que evidentemente na segunda-feira eu gastei minhas economias para comprar de um cambista e voltar a Sapucaí.

São 20 anos. Eu deixei de ir em alguns deles por compromissos, dinheiro, problemas pessoais. Mas de maneira geral, são 20 anos de Sapucaí.

As vezes as pessoas resumem tudo aquilo a um festival de bunda e gente dançando. Eu fico constrangido.

Só para alguem muito ignorante o fato de haver uma inversão social como o desfiles das escolas, onde a comunidade vira a estrela e o “patrão” o fã, é “bobagem”.

Só sendo bem superficial para não entender a beleza que há em uma “disputa” de 3 mil componentes de comunidade contra comunidade em absoluta paz, tocando gratuitamente o ritmo do nosso país e contando numa musica e num desfile a história de um escritor, um poeta, uma cidade, algo assim.

Não é possível que ver a velha guarda desfilar não te diga nada sobre a vida. Não quero crer que aquele choro de milhares de pessoas na hora de um grito de guerra te passe como um mero “berro” a troco de nada.

Tem que ser pequeno demais pra não enxergar nada disso e ficar na bunda da Sabrina Sato que, aliás, é também maravilhosa.

“Ah mas o contraventor…!”, pára! Ele está ali sim, mas ele não é maior do que a mobilização de 3 mil pessoas para levar o nome da sua comunidade pro mundo em forma de samba. Há algo errado em tudo que é belo, e há beleza em tudo que é errado.

Lá se vão meus 38 anos de vida. E eu sou o típico cara que não sabe construir nada. Eu não tenho nada guardado, mudei de casa 9 vezes nos últimos 13 anos. Me casei e separei duas vezes, fiz festa em ambas. Me arrependo da forma que gastei meu dinheiro até hoje.

Mas se um dinheiro que gastei na vida e não trocaria nada para tê-lo de volta é o dos dias de Sapucaí.

Se é pra ser feliz que vivemos, e se trabalhamos para viver bem, eu não posso sugerir a idéia de renegar o melhor investimento em alegria que já fiz na vida.

A Sapucaí é a maior contradição do planeta. É o único lugar do mundo onde o pobre é estrela, o rico platéia. É o único momento onde o brasileiro deixa de ser vira-latas e se torna orgulhoso do que faz. E é o maior momento que prova que vir de baixo e passar dificuldades não torna ninguém bandido.

Vou sorrir por 4 dias sem relógio, sem hora pra voltar, sem ninguém pra me aborrecer. Apenas abraços para distribuir, amigos pra rever, música boa pra escutar, mil motivos pra me emocionar e muitas escolas para se orgulhar.

É só uma disputa? Não, nunca foi. É uma festa, uma confraternização, um momento onde nos permitimos sair do chão por 4 noites para sermos, de fato, felizes.

Obrigado por dividir comigo quem também ama. Um abraço pra quem não entende, não gosta e reclama.

Feliz carnaval!

abs,
RicaPerrone

Meu malandro favorito

Mesmo as impressionantes obras do traíra genial – embora me convençam – não foram capazes de me fazer sair daquela Sapucaí com nada mais forte na memória do que o povo e o Salgueiro juntos no coro do malandro.

Foi meu pequeno “Ita”, ja que não era frequentador quando o original aconteceu.

Não decido nada, logo, até a autista Beija Flor pode ganhar. Fosse meu o poder de coroar, o malandro sairia com aquele sorrisinho maroto e a taça debaixo do braço.

Não porque tenha sido “melhor” do que as outras, mas porque foi um desfile de Salgueiro, com samba de Salgueiro, cores do Salgueiro, enredo de Salgueiro e até erros de Salgueiro.

Malandro que é malandro não muda pra agradar ninguém. Malandro é o Salgueiro, que perde sendo Salgueiro.

Agora durmo, até porque não te protejo. E quando acordar, na quarta feira de cinzas, pouco me importa o que dirão as notas.

O que vi na dispersão quando o malandro enfim parou, nunca tinha visto em míseros 19 anos de sapucai.

Obrigado Salgueiro. Lavaste minha alma verde e branca invejosa.

abs,
RicaPerrone

Os sambas enredos para 2015

O cd está sendo gravado. Mas os sambas para 2015 já estão todos escolhidos e devidamente anunciados em suas respectivas comunidades.  Eu não sou especialista, apenas um fã. E como tal, gostei da Beija-Flor, da Viradouro e da Imperatriz.

Acho os sambas da Mangueira e da Portela muito bons também. E o samba que mais gostei de toda a safra de sambas enredo para 2015 não entrou, que era o de Lequinho na Mangueira. Mas ainda assim a escola está muito bem representada.

Minha Mocidade teve uma safra fraca, o que aliás, é comum em sinopses do ótimo Paulo Barros. O que ele ajuda no desfile, não ajuda no samba enredo. Venceu o Ricardo Mendonça.

Como todos hoje em dia apresentam boa qualidade de gravação já como concorrente, então curta ai os 12 sambas que farão o maior espetáculo da terra em fevereiro de 2015.

Grande Rio

Enredo:  “A Grande Rio é do baralho!”
Compositores: Rafael Santos, Lucas Donato, Gabriel Sorriso, Leandro Canavarro e Rodrigo Moreira

Salgueiro

Enredo:  “Do Fundo do Quintal, Sabores e Saberes na Sapucaí”
Compositores: Xande de Pilares, Jassa, Betinho de Pilares, Miudinho, Luiz Pião e W. Corrêa

Beija-Flor

Enredo:  “Um Griô Conta a História: Um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade”
Compositores: J.Velloso, Samir Trindade, Jr Beija flor, Marquinhos Beija flor, Gilberto Oliveira, Elson Ramires, Dílson Marimba e Silvio Romai

Mangueira

Enredo:  “Agora Chegou a Vez, Vou Cantar: Mulher da Mangueira, Mulher Brasileira em Primeiro Lugar!”
Compositores: Renan Brandão, Cadu, Alemão do Cavaco, Paulinho Bandolim, Deivid Domênico e Almyr

Imperatriz

Enredo:  “Axé-Nkenda! Um Ritual de Liberdade – “E que a Voz da Igualdade Seja Sempre a Nossa Voz”
Compositores: Marquinho Lessa, Zé Katimba, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna

Mocidade

Enredo:  “Se o Mundo Fosse Acabar, Me Diz o Que Você Faria Se Só Lhe Restasse um Dia?”
Compositores: Ricardo Mendonça, Tio Bira, Anderson Viana e Lúcio Naval

Portela

Enredo:  “ImaginaRio, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal”
Compositores: Noca da Portela, Celso Lopes, Charlles André, Vinicius Ferreira e Xandy Azevedo

São Clemente

Enredo:  “A Incrível História do Homem Que Só Tinha Medo da Matinta Perera, da Tocandira e da Onça Pé de Boi”
Compositores: Leozinho Nunes, W Machado, Hugo Bruno, Diego Estrela, Ronni Costa e Victor Alves

União da ilha

Enredo:  “Beleza pura!”
Compositores: Djalma Falcão, Carlos Caetano, Gugu das Candongas, Beto Mascarenhas, Roger Linhares e Marco Moreno

Unidos da Tijuca

Enredo:  “Um Conto Marcado no Tempo – O Olhar Suíço de Clóvis Bornay”
Compositores: Gustavinho Oliveira, Caio Alves, Rafael Tinguinha, Cosminho, Josemar Manfredini, Fadico, Zé Luiz e Carlinhos

Houve uma junção de 2 sambas, por isso não há gravação ainda.

Vila Isabel

Enredo:  “O Maestro Brasileiro Está na Terra de Noel, a Partitura é Azul e Branco, da Nossa Vila Isabel”
Compositores: Carlinhos Petisco, Serginho 20, Machadinho, Paulinho Valença e Henrique Hoffman

Viradouro

Enredo:  “Nas Veias do Brasil, é a Viradouro em um Dia de Graça”
Compositor: Luiz Carlos da Vila

Ah! Já tem os horários dos desfiles também se você quiser se programar.

abs,
RicaPerrone

O que vi na Sapucaí

Não vou repetir o discurso padrão de que é maravilhoso, maior show da terra, etc.  Todo mundo sabe, e quem não sabe, deve ir até lá pra saber.

O nível de 2014 foi alto. Muito alto.

Descobri, de vez, que do chão não se vê o que a escola quer mostrar. Talvez por isso a imprensa erre tanto na avaliação do carnaval.  Os carros são feitos pra olhar de cima, não de lado. E tudo, absolutamente tudo, é apresentado de baixo pra cima.

Império da Tijuca  – Apaixonado.  Assim me sinto pela escola.  Entrou sem timidez, sem cara de quem veio fazer turismo e já já volta pro grupo A. Levantou, sambou, ousou, se divertiu! E principalmente, “nos divertiu”.  A mais grata surpresa do carnaval. Não merece cair de forma alguma.

Grande Rio – A mais bela escola do primeiro dia, achei. Misturando carros não repetitivos, inteligentes, um desfile alegre e um samba que funcionou mais do que o esperado.  Acho que briga por título, inclusive.

São Clemente – Não assisti.

Mangueira – Tradicional, um tanto quanto frio, claramente sem dinheiro sobrando. Um desfile comum. O interessante é sempre a entrada da Mangueira na avenida. Não tem igual. As pessoas parecem prontas para ver um desfile da Disney, e ela quase sempre diminui essa euforia. Parte por erros bobos, parte pelo peso do nome que carrega.  Não volta nas campeãs.

Salgueiro – Volta, briga por título, belo desfile, mas esperava mais.  Talvez porque eu esperasse demais, é verdade. Mas achei que o samba renderia melhor, que haveria mais interação com o público. Mas briga pelo caneco. Um grande desfile. Renato Lage é genial.

Beija-Flor –  Então…   Vamos lá.  Lindo. Brilhante. Incrível.  Chato. Morno. Um desfile autista.  A comunidade canta, participa, leva a escola nas costas seja qual for o samba, mas faz isso pra ela. A impressão é que a Beija-Flor tem tido uma relação entre ela, a comunidade, a mídia e os jurados. E que o público não está ali.  Falta emoção, interatividade, risco! A bateria quase nunca para, a escola não ousa. É quase perfeita, mas não mexe comigo.  É gosto.  E eu não gosto deste estilo técnico de desfile.

Mocidade – Pobre, com algumas alegorias de mau gosto, uma infeliz idéia de cutucar meio sambodromo com uma camisa do Sport absolutamente sem necessidade, mas com um puta samba e um povo muito disposto a virar o jogo. Não virou ainda. Mas já tomou a bola. Sair aplaudido do sambodromo, pra mim, juro, vale tanto quanto um titulo de jurados.  Salve a Mocidade. Mas não volta sábado, acho.

Ilha –  Incrível! Enredo sem penas, pavão, faraós, mumias e bois.  Simples, de fácil entendimento, se comunicando com o público. Alegre, feliz, brincalhão.  Meu conceito de bom carnaval passa muito perto disso.  Espero que volte nas campeãs.

Vila Isabel  –  Não tem o que ser feito se não elogiar a comunidade por tentar salvar e esperar que os jurados a rebaixem por ter desfilado faltando ala, fantasias, pedaços e até gente de calcinha e cuecas.  Não é digno da campeã. Não sei o que houve, mas… é injusto com a Sao Clemente não rebaixar uma escola que entra sem roupa na avenida contra quem tentou, ao menos, fazer tudo direitinho.  Pra mim, deve cair. Infelizmente.

Imperatriz – A deliciosa homenagem ao Zico rendeu. É bom ver a Imperatriz levantar o publico, coisa que não é muito dela. Bom desfile, bonito, mas muito óbvio, repetitivo, cheio de bola, chuteira e mais nada.  Não acho que volte, por mais merecido que tenha sido a homenagem e mais claramente sem inspiração estivesse o carnavalesco sobre o tema.

Portela – Enfim, Portela. Desfile de campeã. Grandioso, colocando o Louzada um degrau acima de onde estava seu nome até então no carnaval.  A nova Portela parecia a velha. Aquela, bem mais velha.  Pra mim, merece ser campeã. O último carro foi o melhor do desfile.

Tijuca – Eu não entendi o enredo e acho que pode dar confusão. Foi dito que era Senna, e não era. O enredo era velocidade COM o Senna, não sobre ele. Só que desfiles como o da Imperatriz fazem o Paulo Barros ter razão em misturar. Pois entre fazer essa mistura as vezes sem muito sentido e repetir 30 alas, mil vezes misturar o enredo.  Disputa o título.  E o Paulo Barros é, disparado, o melhor pro carnaval do Rio. Pra quem compra ingresso existe o desfile dele, onde passam 80 minutos olhando e se surpreendendo, e o dos outros, onde dá tempo de sentar, levantar, tomar alguma coisa, enjoar, surpreender, enjoar de novo, levantar, sentar, etc, etc, etc.

O que acho que vai dar? 

1- Portela
2- Tijuca
3 – Beija Flor
4- Salgueiro
5- Grande Rio
6- Uniao da Ilha
7 – Imperatriz
8 – Mangueira
9- Mocidade
10 – Imperio da Tijuca
11- Vila Isabel
12 – Sao Clemente

O que aconteceria se eu pudesse determinar o resultado?

1 – Portela
2 – Tijuca
3- Grande Rio
4- Ilha
5 – Salgueiro
6- Imperio da Tijuca
7 – Beija Flor
8- Imperatriz
9 – Mocidade
10 – Mangueira
11- Sao Clemente
12 – Vila Isabel

Enfim. Mais um ano onde volto contestando a forma de se determinar o campeão, a falta de envolvimento com as arquibancadas, o peso de cada quesito e esperando, desde já, uma grande polêmica com as notas.  Vai ser apertado.

E viva o carnaval do Rio de Janeiro!

abs,
RicaPerrone