scarpa

O que vocês estão fazendo?

Normalmente acho que torcedores exageram quanto ao desespero. Dessa vez, eu também estou tentando entender e não consigo, o que me faz compreender o pânico.

A diretoria do Fluminense conseguiu perdeu uma ação de milhões pro Levir porque não foi na audiência. Teve um ano “ok”, diz estar quebrada, sem grana, culpando a gestão anterior que por acaso foi a “situação” que a elegeu. Não entendo.

Sabe que sua maior chance de ganhar dinheiro se chama Scarpa. Adivinha qual o jogador do grupo que eles deixaram ter meses de atraso suficientes pra ir na justiça e sair “de graça”?  Ele mesmo.

Feito isso, perdem a chance de receber 30 milhões e ainda deverão 10.  É uma das maiores cagadas da história do clube. Um “prejuizo” de 40 milhões por algo que todo clube pequeno sabe fazer: Não atrasa mais do que a justiça permite para rescindir.

O Scarpa tem razão.  Não em sumir, achei um absurdo! Mas em entrar na justiça e sair de graça? Ele tá certo. Ele tem propostas, o clube atual não paga, ele usa os recursos legais e vai pra onde quiser. Todos nós faríamos isso. Provavelmente sem sumir, é claro.

Em meio a dever pra elenco, proposta por Fred.  Com o jogador já na justiça, pagam o que devem e deixam o elenco que ficará a ver navios.  Piora o ambiente. O time se desfazendo, jogadores se recusando a vir pro Flu com medo de não receber e rebaixamento.

E vocês querem que o torcedor não esteja em pânico? Aí vem o Corinthians e manda oferta pelo Dourado, o único que sobrou. E o clube pode vende-lo porque a situação que era ruim se tornou ainda pior com a “perda” do Scarpa.

É surreal.

Não tem explicação. Como você pega um jogador de 30 milhões e o transforma numa dívida de 10?

Eu não sei o que a diretoria do Fluminense está tentando fazer. O problema é que desconfio que ela também não saiba.

abs,
RicaPerrone

Vai malandro…

Jogador de futebol é normalmente um cara pouco preparado pra vida. E essa tese vem de um dirigente que notou isso com considerável razão.

Ele cresce num CT rodeado de gente pra fazer sua comida, dizer que horas come, que horas corre, que horas dorme. Um empresário cuida de todos os negócios dele, alguém da família é o “faz tudo”, e os amigos puxa-saco arrumam até mulher pro cara.  Ele não faz nada. Não aprende a se virar com nada. Tudo lhe cai no colo.

Ao virar profissional, piora. Alguem pega suas malas, leva até o onibus, que o leva pro aeroporto. Lá, alguem faz o chek-in dele. Sobe, dorme, acorda pra comer quando mandam. O levam pro estadio, joga, o empresário responde por ele.  Treina, come, dorme, tudo na hora que estipulam.

A mulher normalmente cuida de tudo pela ausência do pai constante, e ele só chega em casa, descansa e o faz tudo trocou até a lampada pra ele.

É um processo que imbeciliza o ser humano. Mas ele nem culpa tem, pois quem recusaria isso tendo os deveres que eles tem? Diriam até que “é o mínimo”, diante de ser pressionado por milhões de pessoas duas vezes por semana.

Mas aí vem a hora da transferência, entra o empresário, as vontades de terceiros, o brilho no olhar por mais dinheiro, e foda-se como você chegou até aqui. Foda-se quem pagou tudo isso que você passou pra chegar aqui. Quem carregou suas malas, quem gritou sem nome antes mesmo de você estrear. E quem te deu uma camisa grande o suficiente pra te tirar do anonimato.

Scarpa me parece um jogador inteligente, e por isso me espanta o que está acontecendo.  Ele sabe sua limitação, sabe que não é craque. Ou sabia até outro dia.

Agora ele simplesmente “abandona” o clube que o tem sob contrato?

Deve. O Fluminense tá muito mal das pernas. É fato.  Mas aí você larga tudo, manda o empresário resolver e some?

O que o futebol precisa aprender com urgência é que o William Arão vai deixar o Fla na justiça se puder. É que o Scarpa vai forçar transferência amanhã no novo clube se puder. O Rodrigo vai te foder quando quiser trocar de clube ou tiver insatisfeito. E o Sheik vai causar um puta tumulto quando tiver no banco do seu time. Porque atitudes se repetem quando não repreendidas.

Clubes brasileiros deveriam não contratar jogadores que fazem isso. Pois assim não fariam.  Scarpa só esta fazendo a palhaçada de “sumir” e foda-se porque sabe que amanhã tem uma proposta na mesa dele.

Se não tivesse, se fossem clubes minimamente organizados e com noção coletiva das coisas, ele estaria treinando de cabeça baixa feito um bom menino.

Mas… em terra onde não manda ninguém, todo mundo se acha malandro.

E vamos ver quem será o “malandro” a apoiar um jogador que abandona o clube sem atender telefone e amanhã, fatalmente, repetirá a dose. Só que em você, malandro…

abs,
RicaPerrone

Diminuído

Eu vou escrever algo que não vai soar familiar aos não sócios, talvez agressivo aos sócios. Mas eu sinto tanta falta de escrever sobre a mística do Fluminense que me incomoda muito vê-lo cada vez mais longe dessa pauta.  Reclamam que passei a falar mais desse ou daquele, mas na real é o Flu que não me dá pauta alguma.

Eu não conheço o Abad, conhecia o Peter, tinha ótimo relacionamento com ele e tenho com o Mário.  Na real eles são todos pedaços de um processo de anos que cobrou deles uma postura individual após a saída da Unimed. E então separaram idéias.

Não quero concordar com um ou com outro, pois na real são anos de gestão, anos de diretoria e meses de um trabalho. Situações muito diferentes as dos três, mas que refletem muito do que o Fluminense tem por valor institucional.

Algumas pessoas na diretoria do Fluminense consideram o Flu um time menor. Essa frase não é uma coisa minha, já foi comparado ao Fulham da Inglaterra internamente dito em conselho. Parte concorda por conta da receita, outra parte discorda. Eu sou a segunda parte.

O Fluminense não pode “não ter 20 mil pra pagar” conforme áudio vazado. E mesmo se tiver, tem que fingir ter. Parte da grandeza é parecer grande o tempo todo.

O Fluminense não pode vender seu maior ídolo pra um rival e ele dizer na cara do presidente “eu não estou saindo porque quero”.

O Fluminense não pode negociar seus jogadores top com times brasileiros. Isso o inferioriza. O sucesso no Flu representa a ida pra Europa, não pra um outro time brasileiro antes desse estágio. Os clubes procurarem o Flu pelo Scarpa já me incomoda.

O clube não pode ter alvos e metas tão tímidos. Por menor que seja a condição financeira, ousar não é “loucura”. Loucura é tratar o Fluminense como Figueirense.

O clube precisa de ídolos, expectativa, movimentação de mídia, casa cheia.  Outro dia o Flu tinha a Unimed mas mais do que a grana deles, a loucura e megalomania do Celso, que não via o Fluminense como um time “menor”.

Na saída, o racha se dá muito em virtude de alguns tentarem ousar sem a Unimed e outros quererem o Flu conservador ao ponto de ser coadjuvante.

Nem um, nem outro.

É fim de ano morno, o Flu não promete nada pra 2018, nem sonda nomes que possam coloca-lo na briga. Sugere negociar com times internos seus jogadores. E o torcedor ainda vê seu ídolo negociar com o rival porque há pouco tempo o clube quis se desfazer dele.

A auto estima do torcedor é parte do patrimonio do clube.

Pés no chão é bom, mas quem tem os pés no chão não voa. E time grande tem que voar.

abs,
RicaPerrone

A copa do Fluminense

Talvez o Fluminense não seja o campeão da Sulamericana. Talvez tenha sido só mais uma tentativa frustrada de conquista de um torneio sulamericano.  Talvez seja pela vingança de 2009, algum resto de 2008, tanto faz.

Fato é que desde a estréia do torneio existe um clube que o deseja de fato e este clube é o Fluminense.

São 35, 45 mil pessoas em cada jogo pra ver um campeonato que quase ninguém prioriza. Quase ninguém, porque o Flu, empurrado pela motivação involuntária de sua torcida por essa taça, fez dele o objetivo do ano.

Joga sua própria Libertadores num torneio bem menor. Mas faz dele maior do que de fato é, o que deveria fazer com que a Sulamericana agradecesse o Flu pelo traço de grandeza que o clube tem dado a ela, não o contrário.

A LDU vive uma puta crise, o resultado é bom, poderia ser bem melhor. Pouco importa. É tão envolvente o clima de decisão que a torcida do Fluminense está fazendo na sulamericana que até o adversário joga mais do que jogaria se encontrasse um cenário comum.

Esse torneio mal feito e que respira por aparelhos a anos ganhou duas chances de sobreviver. Uma foi o acidente da Chapecoense, que fez da sua final algo muito mais importante do que de fato seria como jogo apenas. E agora um grande clube do Brasil o escolhendo como prioridade.

Se eu fosse a Sulamericana me jogava no colo do Fluminense. Mas ela é tão burra, tão cega, tem tanta vocação pra não vingar, que é capaz de cair no colo de alguém que nem se importe.

abs,
RicaPerrone

Scarpa e o Flu sem glamour

Não é pelo gol. Prometo. Mas Scarpa chama atenção por ser um dos primeiros “não craques” modernos fundamentais a qualquer time. Nosso primeiro Robben, nosso garoto que entende até onde pode ir e explora o que sabe melhor. Sem firula, sem colorir o que não precisa.

Scarpa cruza bem, chuta muito bem.  E o faz. Não faz firula, não inventa drible que não sabe dar, não virou um pop star e não passa a semana falando em “realizar o sonho de jogar na Europa”.

Ele é feliz. Tá na cara dele, nas redes sociais. Scarpa se basta com o que tem.

E ao fazer isso ele se entrega dentro das limitações dele e acaba se tornando um jogador acima de muitos caras com mais condições técnicas que ele, como Ganso, por exemplo.

É útil, prático, objetivo e não faz a menor questão de ser aquele brasileiro que não satisfeito em sambar tem que fazer malabarismo com os pés. Scarpa se basta.

E ao Fluminense não bastou tê-lo. Trouxeram alguns bons nomes para formar um time ao seu lado e o resultado tem sido simples como ele: Vitórias, bom futebol, nenhum glamour, muito resultado.

E que golaço, moleque!

abs,
RicaPerrone

Dono do jogo

Não existe qualquer argumento para oba-oba após vencer o Resende no estadual. E honestamente, mesmo se não vencesse, o post seria o mesmo. O resultado pouco importa.

O Fluminense montou um time “humilde”, foi se reforçar no Equador, achou um volante que dá pinta de ser muito acima da média, um bom meia, tem no Scarpa ainda a condução das jogadas de gol e um bom zagueiro. Nada demais, mas que vi funcionar em dois formatos e gostei.

No domingo, contra-atacando. Hoje, com a bola nos pés. Nos dois casos o Fluminense teve total controle do jogo. Quase o tempo todo, com intensidade e qualidade alternando a forma de atacar mas sem perder o controle.

Pode parecer pouco, mas quando um time tem limitações ele precisa ter algum controle da situação, ou então ele ficará preso a lances isolados que cada vez menos vão aparecer. O Flu teve em seus dois ultimos jogos o absoluto controle da partida.

E mesmo que hoje a bola tenha demorado a entrar e teimado em não entrar mais vezes, gostei do que vi. O time ataca com 9, defende com 10, se movimenta bem e tem bola parada, chute de fora, bola conduzida, jogada de velocidade e trabalhada. É um time equilibrado.

O problema é que são só 11.  Mas com os 11, tudo tem começado muito bem.

abs,
RicaPerrone

Fluminense “surta” e chega perto do G4

 

Chapecoense 2×1 Fluminense. Fim de jogo, de sonho, de qualquer expectativa.  O torcedor contesta Levir, os “eu avisei” comemoram nas redes sociais e “o ano acabou”.

Três rodadas depois o Fluminense vence Gremio e Corinthians fora, algo inimaginável até mesmo para o mais otimista dos tricolores, e garante os 3 pontos com o Sport em casa.  Pronto, o G4 é logo ali. E se bobear, vai ter G5.

O ano morto renasce. O que ‘acabou’ começa de novo e “agora é pra valer”.  Tem pessimista falando em título, outros pedem Levir em 2017 após pedirem sua cabeça há 2 semanas.  Esse é o futebol, e o futebol, sabemos, é uma das boas crias do Flu.

Não há nenhum argumento aceitável que faça o tricolor imaginar não vencer o Santos e o Flamengo nesta sequência. Nem mesmo insinuar que o Scarpa não seja o melhor jogador da América do Sul.

O que sabemos ainda é que o Fluminense é um time altamente dependente de lances individuais. E os encontrou hoje mais uma vez.   Tal qual o rival, o Flu precisa do Maracanã para decidir o ano.  Esse negócio de jogar “por aí” dá até algum lucro mas não dá identidade e sensação de “dono da casa”.

O Fluminense pode sonhar com G4. Desde que tenha em mente que não pode nem ousar pensar em título.

abs,
RicaPerrone

2×1 foi pouco

Usarei aquela frase irritante sobre os “7×1” para o clássico deste domingo. Não porque tenha acontecido um baile ou qualquer coisa do tipo, mas porque a soma dos méritos pela vitória e do quanto o Flu mereceu perder me fazem chegar a essa conclusão.

Se havia uma coisa que deixaria o jogo do jeito que o Flamengo queria era sair na frente.  Seu esquema é formado para tiros rápidos e não pra chegar em bloco tabelando. O adversário tendo que se adiantar é o paraíso pro time do Muricy. E foi.

O primeiro tempo não terminou com o jogo resolvido porque o Flamengo não conseguia fazer o último passe sem transforma-lo numa tentativa apressada de encontrar o finalizador.  Fosse mais calmo, trabalhasse a bola melhor, resolveria ali mesmo.

O inexistente Fluminense  dos primeiros 45 minutos voltou cheio de idéias. Mas, de novo, um gol fez tudo ir pelos ares.  O Flamengo então recuou, sentou no resultado e não abriu mão dos 3 homens de frente.

Você pode – e deve – se perguntar porque saiu Mancuello e não Emerson.  Mas na cabeça do Muricy o fato de ter 3 jogadores na frente, sendo 2 abertos, é uma forma dos laterais do Flu apoiarem menos e portanto cruzarem menos bolas pro Fred.

O jogo estava nas mãos, e o Mancuello era uma arma para criar e fazer mais gols. Não era prioridade.

O Fluminense pesado, parado, previsível e sem nenhuma inspiração assistiu a derrota como poucas vezes num Fla-Flu.  Até que Scarpa achou um gol de falta e deu ao final do jogo uma dramatização que não cabia.

Foi pouco.

O Flamengo até jogou para ganhar por 2×1. Mas o Fluminense, pra perder de bem mais do que isso.

abs,
RicaPerrone

Salvador

Com o gol, salvou o time, o ingresso e o pescoço de Ronaldinho e Gérson, que tiveram atuações horrorosas no Maracanã.  O jovem Scarpa é um dos menos “empolgantes” novatos do clube tecnicamente e, veja você, foi o autor do mais belo gol de todos eles.

De útil e tático a “decisivo foi Scarpa. De decisivo a “volante tático” foi Cícero.  E de gênio a peso morto, Ronaldinho Gaúcho segue de férias mesmo em campo.

Um erro escala-lo, outro insistir nisso. Eduardo acabou de chegar, quer testar, pois bem, está testado. Ronaldinho não está apto para jogar futebol em alto nível. Se é físico, psicologico ou mera vagabundagem, só ele sabe. Mas em campo, um a menos.

Foca no gol.

Foi só isso.  O Fluminense fez outro jogo ruim, especialmente no primeiro tempo, onde o time ficou parado cada um em sua posição esperando a bola.  Gérson, Fred e R10 fica complicado esperar movimentação. Fácil de marcar, dependente de uma jogada isolada, o Flu está longe de competir em alto nível de novo.

As entradas no segundo tempo de Oswaldo e Marcos Junior deixam isso claro não exatamente pelas suas atuações, mas pelo fato de terem o mínimo de vontade de buscar um espaço em campo e expor o quanto são nocivos, hoje, nesse esquema, Gérson e R10 juntos do Fred.

Fred que, mais uma vez, fez a parte dele. Tirou lá atrás, marcou o dele, empurrou o time e até brigou com a torcida pedindo aplausos. É um capitão invejável.

Mas vamos falar do gol. É o que tiramos desta noite no Maracanã.

Um surto de genialidade do menos genial dos garotos que o Flu inventa na fábrica de Xerém.  É dele o lance que separa Fluminense e Goiás na noite de hoje e, por consequência, coloca o Flu de novo numa situação ainda não tão dramática no campeonato.

Scarpa é um garoto que se mexe, já atuou em 3 posições diferentes e que num momento difícil do jogo puxou pro “pé ruim” e fez o gol.

Quantos jogadores de 30 e tantos anos caem sentados quando a bola vai pro pé errado?

Talvez Scarpa não seja o “menos genial” dos garotos do Flu. Talvez seja o mais moderno, o que tenha entendido melhor o jogo e suas novas cartas.  É rápido, versátil, tem qualidade e joga pro time.

Um time que depende tanto de um lance individual, veja você, quem diria, voltou a vencer num lampejo de brilhantismo de um de que privilegia o simples.

E o futebol é simples.  Mesmo quando genial.

abs,
RicaPerrone