segue o lider

Mais que líder

Grêmio e Inter vivem um do outro. Por mais impossível que seja o reconhecimento de um deles, são dois gigantes que se sustentam na rivalidade mais forte do país.

Quando o jogo acabou hoje e o time do Inter se abraçou no centro do gramado havia ali muito mais do que a liderança provisória (ou não) do Brasileirão.

Por 2 anos o Inter assiste o que mais lhe dói. O Grêmio ganhando e ele esteve penando fora dos holofotes até conhecer a série B.  Já foi o contrário e com absoluta certeza os dois se lembram da alegria e da dor deste momento.

Ambos sairam dela. Ambos tem compromisso com o protagonismo, e sua gente não sabe conviver com menos do que isso.

Nesta noite o Inter, recém promovido da série B, assumiu mais que a liderança do Brasileirão, mas sua identidade e a resposta que pediram a ele.

O torcedor colorado nunca quis subir pra série A. Ele queria o time dele de volta. E pra isso apenas um marco real e de seu digno tamanho poderia convence-lo.

A liderança é um detalhe perto do sentimento de “voltei” que o Colorado sentiu hoje ao olhar sua camisa.  O abraço no fim não era fazendo contas pra domingo que vem, mas sim apagando todos os domingos dos últimos anos.

Ser grande não é uma fase. É uma condição. Alguns são, outros não.

O Inter é mais do que líder hoje. É Inter.

abs,
RicaPerrone

Escolha!

O Flamengo tem 3 campeonatos grandes em disputa. Na megalomania de sua gente tentaria ganhar os 3.  No que podemos chamar de cenário real, baseado em 100 anos de história, é fundamental fazer escolhas. 

Não estamos falando de estadual e Brasileirão. Ou de uma Copa e um campeonato. Estamos falando de 2 copas em fases decisivas e um campeonato longo e competitivo. 

A Copa do Brasil e a Libertadores são os mais interessantes campeonatos a todos os clubes hoje, fruto da premiação, grandeza continental e da porcaria que é o sistema de pontos corridos como entretenimento. 

Os 3 o Flamengo não vai ganhar. Então porque não toma decisões e arca com elas agora do que preparar o discurso pra reclamar do calendário no fim? 

Abrir mão de um deles, que seja. E então a lógica é simples:  O Flamengo não tem qualquer cenário nas Copas. Elas recomeçam do zero fase a fase. No Brasileirão tem ótima situação. Não dá pra abrir mão de um campeonato onde até ontem você era líder. Entre Copa do Brasil e Libertadores, simples decidir.

Porque não mete os reservas logo na Copa do Brasil e o que vier ali é lucro? É mesmo mais interessante ter a desculpa do físico em caso de derrota do que a cobrança em cima da escolha? Claro que sim. Mas os grandes campeões escolheram. 

Escolha. Antes que lhe reste argumentos para explicar. 

abs,
RicaPerrone

Segue a receita

Parece clichê, e é. O Flamengo quanto mais compra jogadores mais atrasa seu natural processo de evolução.  Como “quase” sempre, bastou precisar apostar em garotos e a aposta deu certo.

Flamengo x Botafogo não foi um jogão. Foi um jogo de 7 minutos onde o Fla fez 2 lances pela esquerda com o já massacrado Matheus Sávio e resolveu o jogo.

O Botafogo não tem elenco pra reverter uma situação dessas num clássico contra um time como o líder Flamengo. Teria, talvez, contra um time mais fraco que acha 2 gols. Não era o caso.

Dali pra frente o Flamengo não forçou, o Botafogo não encontrou um jeito de empatar e a partida caminhou pro final sem grandes novidades.

O ponto interessante é que, mais uma vez, quando o Flamengo “precisa” de algum moleque pra suprir a falta de um dos medalhões, ele faz melhor que o medalhão e o time vence.

Foi assim quando perdeu a zaga, foi assim quando perdeu Everton, quando o Diego machucou, quando o Guerrero saiu, e se me permite, é assim desde 1895.

Mais garotos. Menos salários astronômicos para jogadores comuns. O futebol brasileiro já exagera nas compras e nos salários. Tratando-se de Flamengo, então… beira a loucura.

abs,
RicaPerrone

A Cinderela nem sempre encontra o principe

As histórias que o mundo ostenta são quase todas educativas. No final da trama o vilão se dá mal, a princesa sai feliz, o mocinho é lindo e os mais humildes saem exaltados. A Disney é maravilhosa.

Mas não é ela quem faz todos os roteiros do mundo, embora reconheça que se fosse o caso viveríamos muito melhor.

Hoje o moço mal não teve dó, nem medo das “viradas da vida”. Se debochar com 3×0 é “desrespeito”, com 1×0 é um pedido formal com firma reconhecida para se dar mal.

O Flamengo flertou por 90 minutos com o final mais previsível do mundo. E de tão marrento, tão ousado e folgado, o driblou.

Abel escalou mal. O Fluminense entrou em campo pra ver o jogo e não pra jogar. Por um tempo, viu. O Flamengo fez 1×0, mandou no jogo e a partir do momento que fez o gol passou a fazer o que adoramos ver, mas que condenamos quando não funciona.

Toquinho, drible, provocação e nem sempre na direção do gol. Era claro a tentativa de desestabilizar o Flu. O Flamengo quis ser malandro, jogador machucado voltando pro campo, aquele passe com risadinha olhando pro outro lado.

Mas o futebol é um filho da puta.

Fosse em qualquer outro cenário no mundo o Fluminense voltaria melhor, viraria o jogo e os “humilhados seriam exaltados”, “o mundo precisa de humildade”,  “esses meninos pensam que são o que?”, entre outros óbvios discursos encerrariam a quinta-feira com uma “lição”.

O Flamengo pediu pra sofrer o empate, foi no fio da navalha e mesmo batendo na bola com “nojinho” fez o segundo.

Porra, cadê Deus? Tudo que aprendemos dizia que o final era outro. Os marrentos debochados arrogantes sofreriam o empate. O combinado era esse, não?

Não.

O combinado é que você se torna um babaca quando já vencedor humilha os derrotados. Estava 1×0, eles fizeram o tempo todo. Foram talvez irresponsáveis. Mas não foram covardes.

E se esse estádio se chama “Mané Garrincha” é exatamente porque nos orgulhamos de como jogamos e encaramos o futebol.

A Cinderela não é virgem, o principe deve ter amante e aquele sapatinho nem era de cristal.

abs,
RicaPerrone