semifinal

Eu sei. Você também. Podemos falar sobre…

Porque as meias palavras? Se você de lá sabe e comemora, e eu de cá sei e lamento, podemos falar de forma mais clara sobre o assunto, não?

O São Paulo não suporta ver o Corinthians num confronto eliminatório. Pronto, ta dito.

São números, história, e por mais que vá aparecer algum blogueiro tricolor encantador de burros pra confrontar e aumentar sua tropa, é o fato.

O Corinthians jogou mal, o SPFC também. Mas como se propos apenas a defender o segundo tempo inteiro, até que funcionava. Eram 10 atrás da linha da bola, o Corinthians não sabia como entrar.

Entrou. Aos 47, numa bola parada, mas entrou. E então toda a covardia do SPFC foi mais uma vez castigada pela irritante calma do adversário, que pode estar tomando de 5 ou ganhando de 8 não muda a forma de jogar e trocar passes.

Diego Souza teve a bola do jogo, correu pra lateral. Nã0 é culpa do Carille se o 9 do São Paulo prefere o pau da bandeira ao gol nos acréscimos de um clássico decisivo.

Pra ser como o corintiano gosta, aos 47, depois nos penaltis já nas cobranças alternadas. E pelas mãos de Cássio, herói da noite.

Vai der Palmeiras x Corinthians. E se você excluir os detalhes e focar no que foi o campeonato até então, terá a final dos dois melhores times.

Ganhar do Corinthians é um resultado comum, de jogo. Eliminar o Corinthians é muito difícil. Pelo menos pro São Paulo é uma das coisas que ele pior sabe fazer.

abs,
RicaPerrone

Raça, medo e mimimi

Se era raça que faltava, hoje não faltou.   A técnica, a intensidade, a qualidade tática do time ainda estão longe, mas o Tricolor deu hoje sinais de algo mais urgente: vergonha na cara.

O primeiro tempo foi tão superior que o placar saiu barato. O segundo tão feliz com o 1×0 que saiu justo. Em momento algum o Corinthians fez uma grande partida.

Em boa parte do jogo nenhum deles fez. E para isso basta ver a quantidade de cruzamentos na área, laterais pra escoradas de cabeça e chutões pra ver quem ganha no alto. Quanto mais isso acontece num jogo, pior o jogo.

Mas teve algo de novo. Um São Paulo disposto a ser mandante, propor o jogo e não se postando como azarão. Porque não é, nem nunca pode ser.

Sem Jadson e Rodriguinho o Corinthians emburreceu. Fosse mais ousado, o SPFC poderia ter feito 2×0 hoje e adiantado muito a vaga. Recuou, não quis o segundo gol e ficou feliz com 1×0.

Sob as bençãos de mais um ato que contraria o futebol brasileiro, um cartão pra quem sequer gritou um palavrão. Agora tem direção na comemoração. Nene, que em 15 minutos foi de brigão a artilheiro, a debochado e encerrou tirando da reta.

Era só uma provocação.  Se você é desses que acha que isso faz mal ao futebol, que os dois estão errados, que é um erro tremendo dois profissionais discutirem numa partida, parabens! Voce tem meio caminho andado pra vaga de comentarista de tv.

Se não for o caso, imagino que não tenha seu tampão do dedão invicto. O que aumenta sua credibilidade no tema, óbvio.

Mimimi a parte, o SPFC jogou melhor, mereceu vencer, perdeu a chance ate de resolver.  E como a gente sabe que não se perde chance em clássicos, acho que quarta-feira tem um jogão por vir.

abs,
RicaPerrone

Marra

Era 8 da manhã quando o Flamengo começou a ganhar o jogo de hoje, mais precisamente na padaria do seu Carlos no Méier. Ali, enquanto cada rubro-negro chegava pra comprar o pão falando em goleada, botafoguenses falavam em evitar vexame.

E aí você me diz que “é apenas noção de realidade diante do cenário”, mas você sabe tanto quanto eu que fosse o cenário absolutamente contrário o flamenguista entraria lá dizendo que ia passar o trator hoje e o botafoguense pensaria “só falta perder mesmo com essa fase boa”.

Marra ganha jogo. Marra conquista pessoas. Marra é um adjetivo dado como “ruim”, mas que nem sempre é assim.

O que sobra ao Flamengo falta ao Botafogo.   É um time bonzinho. Minha filha se casaria com o Botafogo. Eu levaria ela pro altar. Com o Flamengo eu ficaria bolado.

Óbvio que numa disputa entre Flamengo e Botafogo, ela vai querer o Flamengo.

Ela pode ser minha filha. Ou a bola. Tanto faz. A tendência é bem parecida de ser igual.

O Flamengo debocha, peita e jura ser bem maior do que de fato pode. O Botafogo se apequena e não aceita nem mesmo seu real tamanho. Anda de ombros altos, cabeça baixa. Como quem se protege de algo que ele não pode enfrentar.

Pois aí está a diferença.

Até pra morrer tem que ser grande.  Tem gente que morre atirando, gente que morre de costas. Você sabe como cada um morreu sem ter que perguntar nada.

O Botafogo hoje sangra pelas costas. O Flamengo faz piada, porque pode.

abs,
RicaPerrone

Maior que a taça

A Copa Sulamericana é presenteada constantemente com alguns marcos históricos que não merece.  Pro bem e pro mal, diga-se. De finais históricas que não terminam como o tosco jogo do SPFC em 2012 ao acidente da Chapecoense, esse torneio teima em não firmar mesmo que a vida insista contra ele.

Campeonatos vão ganhando peso pela sua história, não pela premiação. A Supercopa da Libertadores foi o melhor torneio que já fizeram no continente e não tinha vaga pra nada, dinheiro algum. Era só pela grandeza de quem participava e toda edição foi espetacular. Até que a Conmebol percebesse que ali havia um rival pra Libertadores, então o destruiu.

O Flamengo não estava nem aí pra Sulamericana, como ninguém está enquanto ainda puder ter um grande ano em outros torneios. É sim a “sobra”. Mas a sobra é melhor que passar fome, sempre.

Esse Flamengo bunda mole precisa muito mais de um título de superação do que de uma conquista técnica e regular.  Talvez a esse elenco seja mais importante um perrengue mesmo. E pra diretoria, que contrata tanto, seja importante aprender a olhar pra casa.

Sem Guerrero, Rever, Muralha… os meninos resolveram.  Não foi uma grande atuação, mas foi à lá Flamengo. Na medida em que ficava “impossível” aos olhos críticos, mais possível aos olhos deles.

Diria que se tivesse um expulso seria 3×0, tamanha a vocação pra gostar de passar perrengue.

Assim sendo, que perca na Argentina o jogo de ida. Porque Flamengo que é Flamengo não pode decidir nada por um empate.

A Sulamericana ganha mais um presente da vida. O mais popular do Brasil contra o maior campeão do continente que há anos não ganha nada.  Final de gente muito grande e com muita fome de vencer.

Quando o jogo em si é maior que o torneio.  Mas não é pelo torneio. É pela glória.

abs,
RicaPerrone

O mico, o mito e o burro

Mico foi o River Plate conseguir repetir o mesmo cenário que há décadas lhe deu o rótulo de “galinhas”.  Mito que hoje mais uma vez foi justificado através de sua considerável incompetencia em ser campeão sem que haja um escândalo de algo extra campo para lhes acompanhar.

Burro foi o técnico do Lanus, que mesmo sabendo não ser verdade, menosprezou o Grêmio e se colocou como favorito na decisão antes mesmo dela existir. Agora depois do jogo já meteu um pano quente, diz que não era bem isso, etc, etc.

Mas meu caro, agora aguenta. Diriges um time pequeno, faz história e antes dela se completar avança etapas e se coloca como favorito perante um time 10 vezes maior que o seu.  É uma burrice sem tamanho, embora eu goste dela por motivos óbvios.

O jogo, épico! Não vi esse espetáculo tudo do Lanus, ao contrário, vi muito mais um segundo tempo ridículo do River do que um show de bola do Lanus. Mas é merecido, incrível, surreal, inimaginável.

A decisão será na Argentina. Talvez em outro estádio que não o do Lanus, inclusive. Seja onde for, cabe ao Grêmio ser Grêmio. Deixar claro de amanhã as 23h45 minutos até o apito final do último jogo que há um time grande nessa final e um time disposto a ser a zebra.

Não gosto de time grande que se iguala ao pequeno pra dividir responsabilidades. Nem do pequeno que se acha maior do que é. Gosto das coisas limpas e claras, como são.

O Grêmio não precisa ser burro como o técnico do Lanus de expor em palavras, mas deve saber o tempo todo quem manda neste confronto.

A surpresa são eles. O grande é o Grêmio.  Os dois querem igualmente a taça, e nenhum deles tem obrigação de nada numa final.

A obrigação que o Grêmio tem é de não tentar se colocar no nível deles, saber que é melhor e tentar fazer disso uma taça. Mas em momento algum, seja campeão ou vice, se colocar como Lanus.

Simplesmente porque não é.

abs,
RicaPerrone

O fim do mundo está próximo

Para fazer escolhas é preciso coragem. Para fazer análise basta ter boca. E para fazer história é preciso ter muito mais do que a maioria das pessoas que lhe apontam durante a vida costumam ter.

O Grêmio aumentou a pressão contra ele mesmo toda vez que não usou os titulares no Brasileirão. Eu vi gente esfregando as mãos pela pauta de amanhã cedo: “Vai tomar uma paulada no Equador e eu quero ver o Renato no outro dia…”.

 

Ah, Renato… seu merda.  Onde já se viu um sujeito de sunga na praia tomando chopp ousar chegar mais longe pilotando esse avião do que as dezenas de pilotos de fligth simulator que surgiram nos últimos anos?

Só porque tu leu o manual não significa que sabes voar. Renato sabe. E como sabe.

O baile do Equador é o oposto extremo da batalha dos aflitos. Não marca pela dor, nem pelo drama, mas pelo tamanho.  E novamente não pelo torneio, ou pela conquista, mas pela camisa ostentada de forma rara, imponente e didática.

Fez-se ali um novo santo. Ou você ousará não chamar Marcelo de São Marcelo a partir do milagre desta noite?

Tenho poucas palavras para acrescentar ao baile. É quase inenarrável o sentimento gremista nesta madrugada de sonho.  Eu não sei o que dizer, o que vai ser, nem mesmo porque diabos ainda irei a Porto Alegre semana que vem com o jogo resolvido.

 

Mas vou até la me despedir do Guaiba, da cidade e das belas gaúchas.

Me contaram. Não sei se é verdade. Mas me juraram que “vão acabar com o planeta”. E não vai demorar.

abs,
RicaPerrone

A web de todos os santos

Ao final de mais uma decisão, polêmica. Normal, é disso que vivemos.  Mas essa polêmica passar perto de se cobrar de um jogador o “fair play” de avisar o juiz sobre um impedimento que óbviamente ele não faz idéia se estava ou não, beira a sacanagem.

É a polêmica a todo custo. É a vontade de dar voz a 10 como se fossem 100 mil.  A comparação com o lance do Rodrigo Caio é quase inacreditável.  Mas essa geração que joga FIFA e acha que é atleta por isso não pode mesmo saber a noção que se tem de um impedimento em campo.

E mesmo se tivesse noção, Jô estaria numa situação diferente, em outro patamar de fair play. Talvez se ele tivesse feito o gol com a mão, ok! Caberia a discussão.  Embora eu não tenha a menor dúvida que mais uma vez o discurso virtual é o oposto extremo do bar da segunda-feira.

Eu confio no bar. Ali ninguém dá like, nem o deseja.

O saopaulino odiou o que fez o Rodrigo. Mas fingiu que não, porque é correto dizer e porque não se pode ir contra a corrente.  E hoje, fosse o Jô um santo com ultra poderes capaz de saber sua condição na hora do passe, o torcedor também não ia aprovar.

Mas estaria no facebook falando em “honestidade”, “caráter” e “fair play” por um país melhor, enquanto guarda a carteirinha falsa de estudante que lhe dá 50% de desconto em todos os eventos mesmo tendo largado a escola há uns 20 anos….

abs,
RicaPerrone

Sobre meninos, lobos e bobos

Meninos que correm por prazer, lobos que já não sabem porque correr. Meninos atrevidos, imprevisíveis e que mereciam mais gente.

Lobos que não merecem o chefe da matilha, e que talvez nem mesmo aquele tanto que os acompanha.

Os meninos bailaram, pintaram um quadro no segundo gol e só não fizeram ainda pior porque não forçaram.

Bobos, seus torcedores não foram ver. Aliás, como é difícil convencer a torcida do Fluninense a ir ao estádio acompanhar seu time. É na festa ou na tragédia, não há meio termo.

Talvez agora os meninos tenham dado a festa que eles esperavam e portanto lá estejam na próxima semana. Mas hoje, bobos, não foram.

Voltemos aos lobos. Que alternam entre a perspectiva do que já foram seus jogadores e o que são hoje.  O chapéu no Rodrigo, o destempero do Nenê, a inutilidade do Luis Fabiano e a ainda rara contribuição do Wagner são casos simples: barriga cheia.

Não tem ali um time formado para ir buscar algo que nunca tiveram, mas sim para empurrar o final bem abaixo do que se acostumaram a ter.  Nenhum ator da Globo encerra a carreira feliz no SBT dando pouco ibope. Esses caras são campeões, não jogadores que brigam pra não cair.

Errado desde o presidente, e principalmente por ele, o Vasco tomou um baile tático. As chances criadas vieram de talento, lances isolados, não de um coletivo forte. O Fluminense, não. Jogou muito bem os 90 minutos, sabia exatamente o que fazer e quando fazer.

Não fosse o erro do arbitro teria feito 1×0 no começo, no pênalti, e seria ainda mais fácil. Mas mesmo permitindo dificultar, não foi difícil.

É menos glamouroso no papel, não está se colocando como favorito a nada no grito, mas o que apresenta é de encher os olhos.

O que te falta pra abraçar esse time, tricolor?

abs,
RicaPerrone

No limite

A diferença entre o Corinthians e o São Paulo, hoje, é de consciência. Enquanto o Tricolor ainda acredita ter Jucilei, Nem, Pratto, Cueva e Maicon voando, o Timão consegue enxergar exatamente até onde seu time pode ir tecnicamente.

E então entre  o treinador e a busca pelo coletivo.  O Corinthians não tenta jogar um grande futebol porque consegue olhar pro seu time e ver que, em 2017, não tem um grande time. Pelo contrário, tem diversas peças até contestáveis.  Mas aceita, se molda a isso e joga em cima disso.

O São Paulo do Ceni tem nomes bem mais interessantes, mas a maioria deles ou não está bem, ou não está devidamente colocado no contexto.  Fato é que o time espera uma atuação técnica que não consegue reproduzir.

O Pratto e o Gilberto esperando bolas de ninguém no final do jogo era a cara de um  time que espera algo que não vai fazer. Ou talvez faça, em outro momento, com outro nível físico e tático. Hoje, não.

O Corinthians não espera do Jô um lance individual. Não é uma formação baseada na expectativa de que algo do tipo vá acontecer pra resolver o jogo. E então os dois times se dividem entre expectativa e realidade.

Na realidade o Corinthians venceu porque sabia até onde podia ir, onde o SPFC iria errar e como chegaria ao gol. O São Paulo não sabia. Perdeu o Nem, e então nem o que sabia existia mais.

Não está resolvido. Mas está bem perto disso.

abs,
RicaPerrone

“El milagro de Medellin”

Porque não?

Me diz aí. Qual seu motivo para desistir enquanto ainda está na Libertadores a um passo da decisão?

Vai jogar contra o Barcelona, lá? Vai começar com 8 em campo?

Te falta camisa? Nasceu ontem? Nunca viu futebol?

Até as 22h nós, tricolores, estaremos na Libertadores. Ninguém pode nos eliminar antes disso, muito menos nossa própria fé.

O pior que pode acontecer é o que já aconteceu. Se já vivemos no pior cenário, o que esperar que não algo melhor pra hoje?

Se acho que dá? Não. Acho não.

Mas até a hora do jogo, me forçarei a relembrar todos os resultados impossíveis que já presenciei no futebol e me convencerei de que hoje é dia de milagre. “El milagro de Medellin”.

Eu sei que dá vontade de dizer “já era” porque assim evitamos o tanto de sacanagem do pós jogo. Mas só tem um torcedor que está na Libertadores hoje. É você. Só um pode ser tetra. Só um tipo de torcedor pode acordar hoje e passar o dia tenso esperando uma decisão.

E repito: porque não?

Temos mil motivos para acreditar que não, hoje não.  Mas temos 3 estrelas no peito pra dizer que sim, que ainda dá.

E se ainda dá, ao seu lado estaremos.

Boa sorte, São Paulo.

abs,
RicaPerrone