semifinal

O que é justo e injusto

É absolutamente justo o resultado do jogo no Morumbi. Com Maicon, sem Maicon, o Nacional foi melhor, muito mais organizado e teve méritos em vencer a partida.

É injusto que por 2×0, talvez.  Mas não pelo volume, pela expulsão do Maicon.

Essa, pra mim, absolutamente injusta. Absurda, covarde, típica do futebol atual. O jogador empurra o outro que faz cera com a bola, e segue o enterro.

Vermelho direto? Agressão? Ah, juizão! Vai apitar campeonato sub-13 da sua filha.  Se é que sua filha seria bunda mole de pedir uma expulsão se alguma coleguinha dela empurrasse sua cabeça numa decisão.

Bauza, outro mito da mídia brasileira só por ser gringo, fez um festival de cagadas e piorou o que já seria difícil.  Mas é injusto não citar que, sem Ganso, o SPFC é um time bem mais fraco.

O melhor jogador dos caras estava no banco. Quando entrou, só deu andamento ao ataque e matou o jogo. Justo dizer que o SPFC está fora? Justo.  Mas não é verdade.

O gol que saiu cá, pode sair lá. O erro do juiz, idem. E o SPFC sem “nada a perder” pode ser muito diferente do que o de hoje, onde o medo de perder era maior do que a vontade de ganhar.

Embora todos os fatores que construíram a vitória do Atlético tenham sido detalhes, a grosso modo é simples resumir: Foram melhores, mereceram ganhar o jogo.

O resto a gente discute se é justo ou não.

abs,
RicaPerrone

Prioridades

Ao Botafogo o estadual representa desde janeiro a “grande possibilidade” do ano.  No mesmo período o Fluminense fez de tudo para “não jogar” o estadual e promover a Primeira Liga.

Naturalmente o empenho dos dois, tendo ainda o Flu conquistado a Liga no meio de semana, era diferente.

De ressaca, claramente achando que empataria e que jogaria quando bem entendesse, o Fluminense andou em campo e viu o Botafogo jogar tudo que sabia em busca de um gol que, merecido, acabou acontecendo só no segundo tempo.

Acho razoável a eliminação do Fluminense em pós título e coerente por ter dedicado o primeiro trimestre a ele como prioridade declarada.  Se houve alguém incoerente nisso tudo foi o Flamengo, que fez a Liga e poupou titulares nela.

Não coloco a classificação de Botafogo e Vasco nada na conta de Ferj e juiz nenhum. É choro prévio, argumento pré programado pra caso de derrota, já que os dois times mereceram muito a vaga em cima de Flamengo e Fluminense.

A atuação do Botafogo é de superação.  E disso o time vai precisar na série A em 2016, já provando que embora seja bastante fraco tecnicamente, é hoje um time ao menos que propõe uma forma de jogar e se dedica a isso.

É interessante a final se desenhar entre um time rebaixado e um promovido, sendo claramente o rebaixado com muito mais material humano para o ano seguinte. O Vasco só não é “favorito” porque isso não existe em clássicos.  Fossem camisas diferentes, time por time, seria.

E o Botafogo, que vem brigando contra um passado terrível administrativo semana após semana, sim, merece destaque e aplausos pela superação e pelas condições encontradas.

Teremos final, “revanche”, Maracanã e a grande chance das duas torcidas concordarem com seus clubes, encherem o estádio e dizerem que “sim, preferem o estadual!”. Ou, na falta delas, assinar o atestado de óbito do único campeonato estadual que terá dois times grandes na final em 2016.

abs,
RicaPerrone

Jogo é jogo, clássico é clássico

Nos últimos 10 anos o futebol brasileiro faz esforço para rasgar sua identidade.  Faz-se tudo para que os jogos sejam todos uma questão de pontos na tabela, torcidas com “mandante e visitante”  mesmo em clássicos, menores campos, ingressos caros, arenas de mármore e entradas em campo toscas em casalzinho como se fossem padrinhos do juiz, o noivo.

E no vestiário antes de um clássico muito do jogo se decide pelo que se diz.  Não porque devemos acreditar que uma bravata bem colocada seja melhor do que treinamento. Não é isso! Longe disso! Mas o treinamento é para ganhar jogos, não para ganhar clássicos.

Nessa hora você acrescenta tudo que puder e então torna o jogo diferente. Por ser diferente, equilibrado e imprevisível. E por ser tão especial, você não tem o direito de entrar nele com a mesma atitude do dia-a-dia.

O Vasco entrou pra eliminar o Flamengo com ódio. O Flamengo entrou pra jogar mais uma partida e “se deus quiser, com ajuda dos companheiros….”.

Adivinha quem ganha os clássicos desde a volta do Eurico?

Porque o Eurico é bom pro Vasco? Porra nenhuma! Mas porque nesse dia, onde o futebol ainda teima em resistir aos modernos números e métodos, o que ele acredita faz diferença.

Não é o que determina o resultado. Mas ajuda, faz parte do jogo.  Eurico eleva um Flamengo x Vasco ao patamar que merece. Muricy e o Flamengo/empresa o desmerecem a 3 pontos.

Já são alguns jogos desde que essas duas filosofias se confrontam. Os resultados são bem claros. Falta ao Vasco o pragmatismo financeiro do Flamengo atual.  E ao Flamengo, pasmem, falta a gana vascaína em enxergar um clássico como o que ele realmente representa.

Se a final tivesse que escolher um dos lados, pediria o Vasco. Porque ele a queria muito mais que o Flamengo. E não “encontrou”.  A conquistou. É diferente.

abs,
RicaPerrone

Sem direção

Se me mandassem apostar os meus últimos reais num clube que estaria priorizando uma competição no país, diria “Flamengo e a Liga”.  É óbvio, ele que brigou pra ela existir, ele que fez o maior barulho pra ela valer.  Ninguém quer mais que essa Liga exista do que o Flamengo.

E então, numa quarta-feira qualquer, de olho num Volta Redonda x Flamengo do sábado seguinte, Muricy resolve poupar jogadores titulares.

Perdeu, está fora. Não haverá Fla-Flu na final e não fosse o Paulo Vitor o final da partida poderia ter sido ainda pior, desta vez já com os titulares em campo.

Eu não vou entrar no mérito do Muricy e sua filosofia de trabalho que prejudica seu desempenho em mata-mata.  Ele é contra qualquer motivação extra e portanto seu time entra igual em todos os jogos.  Em jogos decisivos, costuma jogar como outro qualquer, logo, leva desvantagem.

Mas se não bastasse essa preferencia contestável, porque diabos o Flamengo entrou com alguns reservas hoje?

Sob qual argumento aceitável isso aconteceu? Vou além: Orientado por que tipo de liderança essa decisão foi tomada?

Em que momento numa hierarquia profissional alguém permitiu que o “gerente” tivesse escolha sobre as prioridades da empresa determinadas pelo presidente e diretoria?

Que merda foi essa que o Flamengo pregou e fez durante os últimos 3 meses para chegar onde queria e “poupar” time?

Não faço idéia de quem foi a decisão, mas desconfio que a autorização seja do chefe. E sendo, me soa um tanto quanto fora de rumo tudo que foi dito até aqui sobre a temporada, as prioridades e o que o clube tem como objetivo.

Hoje, taticamente, tecnicamente, tanto faz. Não entendi nada. Apenas a eliminação, por sinal, justa.

abs,
RicaPerrone

“Praticamente”

O Fluminense tropeçou na primeira rodada da Liga em casa diante do Atlético PR. Ali, com o Cruzeiro pela frente em pleno Mineirão, jogando mal e ensaiando crise, o Fluminense estava “praticamente” eliminado na primeira fase.

A vitória no Mineirão na única grande noite do clube na temporada até aqui. Depois disso mais jogos ruins até a queda do treinador. E não sozinho. Com ele foram VP de futebol, diretor, todo mundo!

Não satisfeitos, bom lembrar que a estrela do time está suspensa desde o primeiro jogo e portanto não disputa o campeonato.  A segunda estrela, Diego Souza, pediu pra sair na véspera da semifinal.

E não é que o Fluminense jogou melhor que domingo, que já havia sido melhor do que na semana anterior, e dessa vez foi suficiente para lhe colocar na decisão?

“Praticamente” fora, agora na final.

Não cometendo o erro de se considerar pela camisa que tem “praticamente” campeão até o apito final do dia 7 de abril, tem tudo para que assim seja.

Abençoado seja o futebol, “praticamente” inexplicável.

abs,
RicaPerrone

Palmeiras 2×1 Fluminense: Os números e os lances decisivos

Pois vamos ao povo que quer polêmica.  Os lances discutíveis do confronto em tópicos e no final os números do jogo exclusivo pra vocês.

  • Acho que o Fluminense jogou melhor a soma dos 2 jogos do que o Palmeiras
  • Achei que não foi pênalti pro Palmeiras no Maracanã
  • Achei que o jogador do Palmeiras não estava impedido no gol anulado do Maracanã, embora saiba que é um lance bem polemico e dificil.
  • Achei falta fora da área no lance do pênalti no Allianz Parque. Embora também ache bem dificil esse lance.
  • Achei que o erro maior do lance foi do Marlon quando tenta fazer drible de corpo pra sair jogando ao invés de enfiar a bica após a defesa do Cavalieri.
  • Acho que o Fred foi o melhor jogador do confronto. Pela entrega, pelos gols, pela liderança. Enfim.
  • Achei que o Eduardo não errou ao escalar o Gum pra bater pênalti. Mas errou ao não treinar pênaltis ontem.
  • Acho que a arbitragem interferiu no resultado como interfere em 50% dos jogos pelo mundo.  Na minha avaliação, prejudicando o Fluminense porque eu não daria o penalti aqui e sim falta. Mas insisto: Lance difícil, longe de ser “roubo”.
  • Os erros do juiz podem tirar a culpa de um time pela derrota, mas não tiram os méritos do outro pela vitória.

A fábrica de quase heróis

Era noite de para super herói.  O Fluminense é aquela cidade violenta onde quase toda semana alguém aparece para salvar o povo e permitir uma noite feliz.

Semana sim, outra também, Fred é a esperança tricolor.

E o roteiro hoje era impecável.  Uma perna só, no sacrifício, tendo a favor de vosso discurso um pênalti mal marcado no Maracanã que fatalmente, não fosse uma goleada, seria o grande “motivo” da derrota.

Ele joga, fica, grita, marca o gol e leva o jogo pros pênaltis. Lá, onde toda a história do futebol diz que ele tende a perder a façanha dos 90 minutos, se coloca pra bater o decisivo.

Quis o destino que Fred não terminasse vilão de seu próprio show.

O Fluminense jogou melhor que o Palmeiras em 180 minutos, teve um pênalti mal marcado no Maracanã (embora também ache que o gol do Palmeiras tenha sido mal anulado)  e hoje teve um discutível pênalti que começa fora da área e termina dentro.  Eu não daria. Daria falta. Mas passo longe de chamar isso de “roubo”.

O discurso da eliminação, salvo uma goleada, estava pronto de véspera. E a imagem do pênalti no Maracanã será reprisada pra sempre quando o assunto for Fluminense/Arbitragem.  Previsível.

O ponto mais interessante do jogo hoje é que Fred teve seu dia de Thiago Neves, nas devidas proporções, é claro.

Fez tudo que tinha que fazer pra salvar a cidade em mais uma noite de super herói. Mas, como o mocinho morreu no final, ninguém vai contar essa história pros netos. Por mais que ela merecesse.

abs,
RicaPerrone

Allianz Parque – Capítulo 1

Era uma vez um estádio.  Durante um período não muito feliz dos anfitriões ele foi ao chão e, no melhor negócio da história do futebol mundial em todos os tempos, uma nova Arena surgiu.

Para alguns, covardes, oposição velada ao futebol brasileiro, ele se chama “Arena Palmeiras”.  Não. Não se chama. O nome é Allianz Parque, nascido em 19 de novembro de 2014, numa derrota. Mas a história é escrita como nos convém, logo, pro capítulo “estréia”, fica valendo a de 1933, 6×0 no Bangu, e foda-se.

Voltemos no tempo. Ou melhor, corremos.

Chega o esperado 29 de outubro de 2015 e o Palmeiras tem sua primeira partida inacreditável em sua nova velha casa.  Sim, eu sei que o Cruzeiro já esteve lá sendo eliminado. Mas existem jogos decisivos, jogos importantes e jogos para sempre.

Pela primeira vez o Allianz Parque sediou um jogo que nunca vai terminar.

Naquela eufórica torcida que clama por grandeza e títulos do tamanho de seu estádio, havia uma mistura de medo e fé. Um roteiro digno para um primeiro capítulo.

Os gols, a queda de rendimento, o herói do jogo pintando do outro lado, toda a história sendo escrita para uma página de superação e dor comandada por Fred, o injustiçado. E não diga que não, porque todo torcedor enxerga essa história do dia seguinte sendo escrita durante o jogo.

Quando terminou, o Fluminense tinha uma classificação épica. O Palmeiras, um gostinho de “jogo perdido” por ter sofrido o último gol do jogo.

Mas tinha que ser assim, sofrido, nos pênaltis, devagarinho, com todos os olhos na mesma direção, para que fosse eterno.

Prass, Gum, nenhum herói nem vilão de fato, pois no capítulo primeiro do Allianz Parque a estrela maior teria que ser o Palmeiras como um clube, não como pano de fundo para um jogador se eternizar.

E acabou. Pra que nunca mais tenha fim este Palmeiras 2×1 Fluminense que trouxe de volta tanto “palmeirismo” ao palmeirense.

Que discutam os pênaltis, o juiz, a sorte.  A história está escrita. E é só o começo.

abs,
RicaPerrone

Os “Flus” e suas “torcidas”

Existe um Fluminense com Fred, um sem Fred.  Talvez o que vá ao Allianz seja sem, o que torna o jogo muito mais equilibrado do que o que, com ele, fez vantagem no Maracanã.

O Tricolor é um clube de duas verdades.   E isso é claro desde um raio de 500 metros em volta do estádio.

A torcida do Fluminense também não é uma só. São várias.  Existem 15 mil torcedores que merecem ganhar todos os jogos, receber honras do clube e serem tratados como parte do elenco.

Deve ter uns, sei lá, 40 ou 50 mil, dispostos a fazer festinha e postar no face. Essa galera que passa o ano na web enchendo a porra do saco e quando o time dá motivos ou pede sua ajuda, ele se recusa a ir porque…. “é muito tarde”, ou talvez porque “é longe”.

Tarde será quando você perceber que é um mero oportunista de tudo isso e que suas reclamações virtuais “de direito” não são tão de direito assim, já que você não é parte disso.

Mas hoje quero falar dos 15.

Dessa galera que, mesmo me irritando com algumas argentinisses desnecessárias (risos) é incrivelmente fiel a seus valores e as tradições do clube que os representa.  Uma turma que se junta pra comprar bandeira, que briga com sua própria torcida (sem violencia) para pedir que ela seja parte deles.

E não. A resposta é quase sempre “não”.

Eu já fui um torcedor desses, como esses 15 mil tricolores. Sei como é juntar seu dinheiro, comprar camisa, fazer bandeira e a puta que pariu pra chegar lá e ver meio estádio vazio porque estão esperando que você ajude a levar o time pra final pra irem lá comemorar.

Eu sei a raiva que dá.

Tricolores sentem raiva de outros tricolores em dias como hoje.  Porque 35 mil pessoas, hoje, foi um público ruim. Eles esperavam os outros 35 mil que deveriam estar lá com eles e não foram.

E o Fluminense sai de campo com um 2×1, um penalti mal marcado contra, e a um empate da final. Do clube falido que morreria sem a Unimed, abandonado o ano todo pelos seus torcedores e que mais uma vez pode lhes convidar pra uma festinha de fim de ano.

Infiéis.

Eu sinto não por vocês, que não tem cura. Que não amam futebol e seus clubes.  Que se acham mais importantes do que o clube e que sua presença é um “favor” que você faz a quem a vida toda te fez mais feliz.  Mas sinto pelos 15 mil.

Eu não sei se vocês merecem o Fluminense, se o Fluminense os merece. Sei que os 15 mil não merecem ter que dividir o rótulo “torcedor do Flu” com vocês.  Foi um ano de abandono. Time chegou ao G4, comprou Ronaldinho e você? Nada.

Mas calma! Se tudo der certo semana que vem vocês estarão fazendo fila pra, quem sabe, tirar desses 15 mil os ingressos da final que eles ajudaram o Flu a chegar.

E se ganhar, mesmo que você diga aos 4 cantos e “compartilhe” nas suas redes sociais, vocês sabem quem poderá dizer “nós ganhamos” e quem vai ter que se referir ao título como “eles”.

abs,
RicaPerrone

Quase lá!

A grande diferença entre São Paulo e Santos hoje no Morumbi foi a fase de cada um deles.

Em 90 minutos o São Paulo criou 7 chances reais de gol, o Santos 4.  Veja você, 3×1 pro Santos.

E baseado neste fato, insisto em não determinar o confronto como encerrado.  Embora seja altamente previsível a classificação do Santos, que merece e que faz um trabalho brilhante com um time que ninguém acreditava, o futebol já nos ensinou que de véspera só ingresso.

Acho fácil jogar no treinador, num esquema tático ou num jogador. Tem time que entra em campo porque é pago pra isso, tem time que entra sorrindo e se diverte jogando.

Invariavelmente o que sorri enquanto joga, vence.

A grande arma que o SPFC tinha pra cima dos garotos do Santos era um Morumbi lotado e uma experiência nova pra eles, que era uma decisão numa casa cheia contra.  Ao pedir 80 reais na mais barata arquibancada, o SPFC cruzou pro Gabriel fazer o primeiro.

Na Vila, onde nem isso o SPFC terá a seu favor, terá apenas o gostinho de ser grande e franco atirador. Convenhamos, é uma raridade em clássicos e costuma causar algumas surpresas.

Acho que dá? Não. Acho que o Santos ganha de novo.

Então porque não crava que “já era”?

Porque eu respeito muito os motivos pelos quais me apaixonei por futebol o suficiente pra respira-lo até hoje.

abs,
RicaPerrone