socio torcedor

Epidemimimia

Só há uma coisa pior do que a mensagem que “pode gerar violência”.  É a condenação à piada e não ao imbecil que a usou para ser violento.

O Conar atingiu chegou ao limite da epidemimimia que controla o mundo ao mandar censurar um comercial do Sócio Torcedor do Flamengo porque 3 pessoas se sentiram ofendidas. Sim, três.

E aqui estão as reclamações.

Esse acha que o Flamengo é incendiário.

Esse fala em morte porque atrelam coração a paixão e sangue a garra.  Cada um atrela a imagem ao que tem na sua vida.

Esse é quase humor.  É um negro que acende o fogo no final.

E diante de toda essa comoção popular de gente super bem qualificada e com argumentos esclarecedores, o Conar resolve ter seu dia de princesa no Gugu.

Dignidade da pessoa humana. Preconceito. Causar medo nas pessoas.

É tão ridículo que eu dispenso as linhas que escreveria argumentando contra. Pois nem mesmo o mais vascaíno dos torcedores acharia algum problema nessa propaganda. Mas para cada “bom dia” há um ofendido, e assim será sempre.

O problema é que dar voz a minorias é uma coisa, fazer delas a ampla maioria é outra.  Verdades absolutas estipuladas por quem grita mais alto. E em alguns casos, só por quem grita para parecer engajado a alguma merda.

Conar é o STJD da publicidade. Quando tudo está bem e ele está quase esquecido, faz um absurdo pra que vire pauta e voltem a falar dele. Ambos deveriam buscar justiça e bom senso, mas passam longe disso quando precisamos deles.

É só mais um retrato de um país sem rumo, sem princípios, sem lei e sem critérios.

Pais que evolui para trás, buscando num passado ruim as soluções para um futuro melhor.  Entendendo que ouvir qualquer chororô é igualdade, que evitar a piada pelo mau entendimento resolve a burrice de quem não a entende.

Segue o jogo. Até que o hino seja proibido, porque “na regata ele me mata, me maltrata….”.

abs,
RicaPerrone

 

Um Fla-Flu dos “sonhos”

Os 73 mil torcedores que foram ao Maracanã não devem estar arrependidos. Embora nenhum deles tenha saído de la com a vitória, o que viram valeu cada centavo.

Não, eu não concordo com a decisão do árbitro em expulsar o Felipe Melo no fim. Achei lance pra amarelo. Mas concordo menos ainda com o amarelo que “intimidou” Thiago Silva após o primeiro gol.  Portanto, sem chororô. Arbitragem errou pros dois lados.

A provocação de Thiago Neves antes do jogo fez efeito. “Putos”, ao som “créu” vindo da torcida rival, entraram com uma vontade exagerada, até passando do ponto em alguns lances. Mas os 2 gols em 25 minutos não sairam por acaso.

Sheik e Robinho não podem ter a liberdade que Thiago Silva e Marcelo deram a eles pelo lado esquerdo. Tiveram e fizeram aquela pintura. Em seguida a bola aérea e novo vacilo do Flu.  Quem não sabe que o Vidal sobe tudo aquilo de cabeça?

Aí entra o mérito do capitão. Thiago Silva com a bola debaixo do braço gritando com o time antes de recomeçar o jogo explica muito do que vinha em seguida.  Seu gol de coxa, empurrando a bola entre os zagueiros do Flamengo levou o Maracanã e o clássico para outro patamar.

De deixar qualquer um maluco os dois times não terem descido pro vestiário no intervalo. Nunca vi o Maracanã pulsar daquela forma com a bola parada.

E rendeu. Pro jogo, e mais ainda pro Fluminense.

Eu não gostei da alteração quando feita, mas o Wellington Nem deu velocidade e acabou resolvendo o jogo.  A cabeçada do Cícero foi de cinema. Perfeita, no angulo de Julio Cesar.

Ainda tem a polêmica discussão entre Diego e Robinho, companheiros novamente, agora veteranos e de vermelho e preto. Eu acho tempestade em copo dágua. Em campo você cobra, é assim mesmo.

Um grande jogo. E o Flamengo que reclamou da “sorte”, precisa agradecer a ela. Sábado que vem, contra o Santos na Vila, Neymar tomou o terceiro amarelo e não joga.

abs,
RicaPerrone

Este jogo não aconteceu. Mas poderia ter acontecido se você não apenas torcesse pelo seu time mas também fizesse parte dele. Clique aqui e saiba como transformar este jogo em realidade.

Inacreditável FERJ e seus filhotes

Vamos entender, se é que um cidadão de bom senso é capaz de fazer isso com tamanho absurdo.

A FERJ representa o interesse dos clubes. Os clubes lutam bravamente para conseguir sócios torcedores. Nas semifinais do campeonato, a FERJ pede que o repasse dos 10% dos ingressos a ela seja integral, ou seja, mesmo o ST que paga 30 teriam que dar 6 reais a FERJ.

Os clubes, que burramente também não fizeram alarde pra isso no começo do ano, foram pegos de “surpresa”.  O ideal, mais inteligente, digno, óbvio e menos estúpido seria que, sem mando, os dois STs valessem nas semifinais.

Mas não.

Eles conseguiram não chegar a um acordo e por isso os Sócios Torcedores, que pagam o ano todo, não terão benefícios nas semifinais e provavelmente na decisão, a não ser que a final seja disputada por 2 clubes não rachados politicamente.

Será que Botafogo e Vasco não tem vergonha de apoiar isso diante do seu torcedor? Será que ainda há algum ser humano em pleno 2015 que consiga achar “vantagem” ir contra o crescimento do próprio negocio em troca de birrinha clubistica de dirigente velho caindo aos pedaços?

Porque, meu Deus? Quem ganha com isso? É mais importante um ou dois sujeitos mostrarem que tem poder pra prejudicar seus inimigos do que todos eles sairem ganhando juntos?

Não sei quem será o campeão. Mas se um dos clubes, especialmente Fla e Flu, que se posicionaram contra isso, se recusarem a entrar em campo na decisão por respeito ao seu sócio torcedor, terá conquistado muito mais do que um estadual.

Chega! Liga dos 12 já!

abs,
RicaPerrone

A lógica brazuca dos ingressos

Torcida-Flamengo-comprar-ingressos-Goias_LANIMA20131104_0044_1Imagine você que tenho um restaurante. Ele é antigo, já bem tradicional na cidade, mas anda meio caidão. A comida tá meia boca, faltam opções, o refrigerante nunca tá gelado. Os clientes estão sumindo aos poucos, migrando pra outros restaurantes.

Mas reformei a casa. Então, como ela anda vazia e preciso que ela volte a lucrar, resolvi colocar os pratos com o dobro do preço. Assim, vendo mais caro, pego mais dinheiro e só depois faço de fato uma comida melhor.

Mas obviamente com os preços mais caros e a comida ainda ruim, posso perder mais e mais clientes, indo a falência.

Ainda assim, contrariando a lógica de qualquer mercado, eu vou tentar apelar pra “fidelidade” dos meus clientes e dizer a eles que, pagando o dobro hoje para comer mal, amanhã poderão voltar e comer bem pelo mesmo valor.

Não me parece justo. Nem sequer razoável. Mas acredite: tem quem queira ir por este caminho.

O nosso futebol é um restaurante antigo indo a falência. O reformaram, investiram nas cadeiras, mesas, até na propaganda. Mas não adianta, o prato continua “comum” e pra piorar os preços são de restaurantes de primeira linha.

Não há cliente no mundo que pague um Porcão pra comer no Bob’s. E se ele fizer isso, não é você um grande negociador, mas sim ele um grande idiota.

O valor praticado nos ingressos do futebol hoje em dia são tão estúpidos e injustos que o valor de uma arquibancada equivale a um mês de PPV, onde você assiste a TODOS os jogos daquele período (cerca de 50) ao vivo na sua sala, de chinelo, tomando cerveja a 3 reais e não a 12.

O apelo do Sócio Torcedor é quase tosco. Mas ainda assim, é aceitável que se venda uma promessa e não um produto. Você pede ajuda para amanhã devolver em resultados. É um investimento.

Isso não tem sentido quando falamos da compra simples de um evento.

Não custa mais do que um cinema de quarta-feira (20 reais) uma partida de futebol as 22h entre um time grande sem nenhuma estrela e um time de série C.

Não pode custar 60 reais, o valor de um teatro confortável com grandes atores, um jogo entre o misto desinteressado do São Paulo e o time do Mogi Mirim.

Não há argumento pra isso. Nem mesmo a “logística do Sócio Torcedor”, pois trata-se da venda de um produto e não de um ideal.

O ideal você vende pelo Sócio Torcedor. O espetáculo você vende pelo espetáculo. E não é espetacular o que estamos vendendo hoje. É bom, o terceiro melhor nacional do mundo, mas não pode custar o que eles mesmos entendem ser o valor cheio de 50 jogos na televisão.

“Ah mas todo mundo paga meia”. Foda-se. Está errado. A meia, que nem deveria existir, já que estudante não é doente, é uma condição e não um valor.

Valor é o total cobrado por uma entrada convencional a um evento. E não, não tem como cobrar mais do que 20 reais (a mais barata) num jogo comum de Brasileirão, quanto mais de um falido estadual.

O torcedor é apaixonado, cego, mas também sabe fazer contas. Entre o boteco da esquina passando o jogo pra 10 amigos com cerveja a 5 reais e o estádio, com mais um ou outro, a 60 paus, com cerveja a 12 (sem álcool), a escolha é óbvia.

Só que além da idéia de “ir ao estádio” deveria ter um conceito de que é lá dentro que se descobre futebol e paixão. Pela tv se tem alguma idéia, mas não tem 30% do que você sente dentro do campo.

É ali que se fideliza gerações, que se gera paixão e que se planta pra colher sempre.

Não faça biquinho porque você “ama seu time mesmo não indo no jogo”, pois você sabe tanto quanto qualquer um que adoraria poder ir. Pois fatalmente um atleticano que estava no Independência no dia do Tijuana amará mais o Galo do que um que não frequenta.

Fatalmente quem viu o gol do Pet do Maracanã tem muito mais idéia do que é Flamengo do que aquele que vê pela Tv.

Paixão não se mede. Mas o estádio é parte fundamental do futebol. Estar nele, poder tentar comprar seu ingresso, se sentir parte do resultado e viver aquele drama por 90 minutos é a essência do jogo.

E se te entregar isso por 90 minutos e ter você por uma vida como cliente fiel é menos negócio do que ganhar 60 paus pra te fazer ver a bosta do Fluminense x Madureira, eu lamento. Merecemos mesmo a CBF.

Pensamos como ela.

abs,
RicaPerrone

Tantos, tão poucos

Faz um ano que o Flamengo, clube de maior torcida do país, lançou seu sócio torcedor.  São 63 mil cadastrados levando o clube a uma renda extra considerável.

Trata-se do maior crescimento no primeiro ano de um programa do gênero na história.

Mas são 63 mil, um número que pode ser ótimo e também pequeno. Afinal, se são 35 milhões e consideremos que 500 mil sejam de fato engajados em participar, ainda tem por baixo mais 440 mil sócios para buscar.

De 30 reais por mes a 200, os planos são variados. Mas vamos fazer uma média baixa? Supondo que todos eles paguem o menor plano, são 1,9 milhões por mes ao clube. Isso paga boa parte dos salários que não a toa andam em dia.

Agora, caro rubro-negro, imagine que 400 mil torcedores façam parte do sócio torcedor do Mengão. Seriam 12 milhões a mais por mes. Mais de 140 milhões por ano. A soma de todos os patrocinadores do clube não dá metade disso.

Na prática? O Elias teria ficado e ainda teriam buscado mais 2 ou 3 nomes de seleção. Estamos falando de uma receita suficiente para colocar o Flamengo (ou qualquer time brasileiro) no nível europeu de salários.

40% dos sócios do Mengão estão fora do Rio. É uma paixão nacional, onde claramente muitos pagam não em troca de ingressos, mas sim dos descontos e da ajuda ao clube.

Pelo Movimento por um Futebol Melhor, os sócios-torcedores já tiveram milhões de reais em descontos em suas compras. A rede de benefícios está sendo ampliada com diversas outras parcerias com empresas de peso, como Walmart, Mabe, Centauro e Chef´s Club e isso deve crescer com novos contratos nos próximos meses.

E você, torcedor, está esperando o que? Acha mesmo que sua participação muda “pouca coisa”?  Já notou que se os nossos grandes clubes tiverem 200 mil sócios cada um em média, teríamos um futebol cheio de craques?

Faça o seu. E chame os amigos a fazer o futebol brasileiro ainda mais forte.  Ou você quer chorar a saída de mais um garoto daqui 6 meses por não ter como competir com o salário da Ucrânia?