tite

A lista só tem um defeito

Tite foi como sempre coerente. Competentíssimo, levou o que avaliou em todo o período pra Russia sabendo que não está sendo injusto com ninguém.  Ele seria se não levasse Geromel. Os demais são todos bem argumentáveis.

Alguns dos argumentos faço pelo Tite, inclusive.

Arthur – Perdeu a vaga por contusão. Era dele, mas como tudo na vida funciona assim, o ruim de se machucar é exatamente abrir espaço pra outro. O Fred entrou, treinou muito bem, ganhou a vaga e ficou. É do jogo. 90% dos jogadores quando ganham posição são em cima da contusão do outro. Ele estará na próxima.

Taison – Eu não vejo o Shakhtar jogar. Ao contrário dos outros 99% dos jornalistas esportivos, sou capaz de dizer sem me sentir menor por isso: eu não vejo o campeonato ucraniano.

Luan – Não se encaixa em posição nenhuma da formação da seleção.  O 4141 do Tite não tem espaço pra um meia/atacante de pouca recomposição e centralizado. O Luan infelizmente, pra esse esquema, sobra. Mas, poderia ter ido pelo exato motivo que encontro o defeito da convocação.

Cássio – É um grande goleiro. Acho o Grohe em melhor fase, mas não tem nenhum absurdo em ele preferir o Cássio. Normal.

Fagner – Justo. É o melhor lateral do Brasil. E se precisar dele, joga e dá conta.  /

Enfim, esses são os “polêmicos”. Dito isso, vou para o que achei um erro.

A seleção reserva é um espelho da titular. Tite tem absoluta certeza que esse time jogando dessa forma irá vencer a Copa. Se precisar do centroavante alto que ele tanto buscou, não tem. Um meia mais central de frente pro gol (Luan), não tem. Ele tem 11 e mais 11 reservas que atual na mesma função.

Uns mais pra cá, outros pra lá. Mas você não vai olhar pro banco e ver uma chance de mudar o jogo pra bola alta, pivô, um cara que entra driblando mais pelo meio. É o banco do que se tem em campo. Vamos trocar 6 por meia duzia e rezar pra meia duzia estar numa tarde mais feliz.

Esse é o erro pra mim. A seleção não tem opção de surpreender ninguém. Todos sabem como ela joga e ela jogará exatamente dessa maneira.

Tem dado certo. Mas acho que não custava ao menos um jogador pra quebrar isso. Seja um Luan pelo meio, um Talisca pra bater de fora ou até um William José pela bola alta.

Como em 2010, se olhar pro banco estará olhando pro campo. De resto, nada a contestar sobre a lista e o ótimo trabalho da comissão técnica da seleção desde que assumiu.

abs,
RicaPerrone

Aos 23

Caras, hoje é o melhor dia da vida de vocês.  Estar entre os 23 eleitos para representar o país onde mais nos orgulhamos, esperamos algo e somos referência mundial não é um sonho de jogador. É um sonho de todos nós. Até porque ser jogador é o primeiro sonho de todo menino.

99,9% deles não conseguem. Dos que conseguem, 0,02% chegam a times grandes. E destes, 1% chegam a vestir essa camisa amarela. Numa Copa do Mundo, nem 0,0001% destes.

Se vocês estão embarcando nesse vôo, não sejam tolos de carregar na mala o peso da responsabilidade ou do medo. Levem com vocês apenas a esperança, o sonho e o prazer de terem chegado até ai.

Em 2014 um medo de todo jogador de seleção foi assassinado publicamente:  o que vai acontecer se perdermos?  Pois bem. Perdemos em casa da pior forma possível. Aconteceu rigorosamente nada. Críticas, rótulos, todos no vôo seguinte pros seus países e salários em dia, brilho na Europa, conquistas por clubes… nada mudou.

Ou seja. Perder não mata ninguém.

E toda vez que que saímos daqui com obrigação de ganhar, perdemos. Porque a obrigação tira o prazer. E não há prazer maior do que ser campeão do mundo pra um jogador de futebol.  A obrigação não existe.

Existe a oportunidade. Talvez a responsabilidade.  Mas por nos representar bem, não por nos fazer melhores. Somos os melhores, isso nunca mudou. Nem mesmo o 7×1 mexe nesse óbvio fato de sermos os donos do futebol, a referência dele no planeta e a maior fábrica de talentos do mundo.

Caras, não deixem que nossa mídia e nossa ansiedade transformem o sonho em obrigação. O que vocês tem é nada, e o que podem ter na volta é absolutamente tudo. Não tem como voltar com menos do que estão indo. Então viagem sorrindo, leve, felizes.

A gente precisa de educação, saúde, políticos menos filhos da puta e segurança. Não precisamos ganhar a Copa. Nós QUEREMOS ganhar, é diferente.

Ao contrário de 2014, onde corriam para evitar o pior, corram pra fazer gols, divirtam-se, driblem, façam dancinhas, pagode no vestiário e não leiam jornais.

Nós bordamos 5 estrelas nessa camisa sorrindo e não jogando por medo e pressão. Vocês são nossa esperança de algo bom em 2018, não nossos escolhidos para evitar uma frustração.

Sou ateu, mas vocês não são. Que Deus os acompanhe, os abençoe e lhes protejam. Nós queremos ser representados, não necessariamente coroados. Algumas das melhores seleções que tivemos não venceram, mas jogaram futebol.

Levem com vocês apenas a certeza de que a única hora que esse país é referência é quando se coloca uma chuteira nos pés. E isso não é “culpa” de vocês. É graças a vocês.

Boa sorte! Não pra vocês. Pra “nós”!

abs,
RicaPerrone

Sem pânico

Primeiramente, lamento muito a contusão do Daniel. É nosso melhor lateral, deve ser uma pena ficar fora de uma Copa pra um jogador ainda mais aos 35 anos e tendo jogado o 7×1. Ele com certeza sonhou com essa redenção e não terá. Lamento muito.

Daí pra frente a discussão é o tamanho do estrago.

Daniel é um grande campeão, um grande vencedor, um grande jogador. Pra mim sempre foi um cara uns 30% acima do que de fato joga por estar nos times que esteve na hora em que esteve. Tanto que na seleção por exemplo nunca fez metade do que fazia nos clubes.

Fará falta? Sim, porque mesmo aos 35 era o melhor que nós tinhamos e já é titular há uns 8 anos.  É insubstituível? Hoje, aos 35, não.

Há algum tempo os jogos da seleção tem no Daniel seu ponto fraco defensivo. É pra mim disparado o jogador de defesa nosso de pior rendimento. Portanto, não acho um absurdo perde-lo.

Perder o Neymar muda o cenário. O Paulinho, talvez. Peças chave do time. O Daniel, hoje, não me causa nem 10% do pânico que tenho lido por aí.

O Fagner, se controlar sua mania de dar pontapés, está jogando muito, em time grande, acostumado a pressão e aguenta. Danilo aguenta. Mariano talvez.  Seja quem for, inclusive o Rafinha, nós perderemos em nome, alguma técnica, mas ganharemos na questão física e talvez na defensiva.

Hoje lamento muito mais pelo Daniel do que pela seleção.  Nosso lateral fundamental, em ótima fase, que pode decidir jogos, atua do outro lado, e com a 6.

abs,
RicaPerrone

Se vira, Tite!

Meu professor, eu sei que você sabe o que está fazendo como jamais alguém soube nesse cargo.  Já procurei entender os critérios, entendi, mas ainda assim, quero argumentar.

Esses 4 caras da foto (Geromel, Arthur, Luan e Grohe) são os melhores jogadores de suas posições no país há mais de 1 ano. Eles além de boa conduta e ótimo futebol conquistaram títulos importantes, jogaram diversas decisões e se comportaram bem em todas elas.

Eu respeito critérios táticos e técnicos, mas também entendo que é parte do cargo de treinador da seleção valorizar o futebol brasileiro. E portanto dizer para nossos jogadores que estando tão bem aqui quanto um jogador que atua num time mediano na Europa, que ele tem sim a preferência.

Eu jamais pediria o Grohe na vaga do Alisson. Mas do Neto, eu tenho certeza que ele merece estar.

Eu não quero que o Thiago Silva saia da seleção. Mas o Geromel é muito melhor e tem feito muito mais do que o ainda garoto Rodrigo Caio.

O Arthur é caso simples pra mim. Eu sou um grande fã do Fred. Mas quando dois jogadores de alto nível jogam parecido e um deles está no Brasil e outro optou por um clube médio europeu, acho que é SIM papel do treinador da seleção privilegiar o nosso desde que não haja perda técnica. E não haverá.

O Luan, por fim, eu entendo facilmente olhando pro plano tático que ele não se encaixa no time. A função do Luan não existe na seleção. Os dois jogadores que atuam centralizados são quase “volantes”e não meias que fazem o “10” antigo na meia lua adversária sem tanta força de recomposição.

Eu juro que entendo!

Mas o melhor jogador da América, o garoto que entrou no time olímpico e mudou o time trazendo o caneco inédito não teria lugar na seleção de seu pais mesmo como opção EXATAMENTE para mudar o jogo embora não seja o ideal no plano tático original?

Tite, meu ídolo, eu sou desses que discuto até o dia da convocação e naquele momento os torno meus 23 protegidos até o último jogo porque entendo que o jornalismo é um detalhe irrelevante perto de ganhar uma Copa. Entre torcer pra vocês e fazer meu trabalho, eu juro por Deus que prefiro ver o Brasil campeão.

Mas professor… se for seis por meia dúzia, dá pros “nossos”. Diz que “jogar aqui” não é um mau negócio. A gente precisa.

abs,
RicaPerrone

 

Essa revanche é de 82…

Nós estamos prontos. Como jamais em toda a história da seleção estivemos. E afirmo isso com absoluta certeza, pois até algum tempo atrás a preparação era secundária e desde que se tornou fundamental passamos longe de ter o que temos hoje.

Temos um grupo, comando, um respaldo absurdo por trás do Tite e um trabalho que pouca gente tem ideia de observação e coerência.  Ele sabem de tudo, acompanham detalhadamente tudo, planejaram tudo e fizeram tudo certo.

A seleção está pronta. Os 23 são pouco contestáveis. Talvez um ou outro, como em todas haverá. Mas a linha está mantida, nenhum absurdo estará na Copa e todos estão correndo muito atrás dessa conquista.

O que vamos fazer na Russia não é o que fomos fazer em 2006, nem 2010, menos ainda em 2014.  Também não estamos indo como em 94, onde eramos duvida. Longe de 90, mais ainda dos “veteranos” de 70.

Essa seleção pode ganhar ou não. É do jogo. Mas se ela perder, será como em 82. Nós vamos chorar, não ficar putos. Vamos como favoritos, vamos brilhando, com tudo dando certo. Sim, somos os melhores 11 que a Copa tem. E isso pode não refletir numa taça.

Tem gente incapaz de entender que dentro da CBF há coisas boas e ruins. E a seleção é algo que funciona e muito bem. Tite e Edu montaram um time maravilhoso, fizeram tudo certo e agora vão virar ver qual rótulo eles carregarão nos ombros pro resto das vidas.

O futebol não é justo e se fosse ninguém assistiria. É chato, os jogos ruins são maioria, tem poucos “pontos” e é o único esporte onde a defesa se sobressai ao ataque.

Não sei se vamos ganhar. Mas eu tenho absoluta certeza de que tudo que estava ao alcance da seleção para chegar lá pronta foi feito. E agora, juntos, vamos chorar ou festejar. Mas xingar, duvido.  Duvido mesmo!

abs,
RicaPerrone

Grandes, pequenos e as opções

Eu acho que no futebol há uma hierarquia. Quando a seleção vai convocar o time, deve pesar também que tipo de jogador ela está levando, e não apenas o quanto aquele rapaz parece jogar bem ou o quanto vem jogando.

Explico.

Jogar bem no Náutico é uma coisa. Já vimos uns 30 meninos despontarem na Portuguesa por exemplo. Talvez 3 ou 4 tenham conseguido jogar fora de lá. Idem pra qualquer time médio/pequeno.  O cenário é diferente, o dia-a-dia é absolutamente mais pesado, o convívio diminui o jogador e nem todos conseguem crescer.

Coloca o craque do Juventude no vestiário do Grêmio. Ele vai de dono do vestiário ao mais humilde em 24 horas. Tem muita gente que não sabe lidar com isso.

Futebol passa bem longe de ser a ciência de números que tentam implementar hoje.  Na Europa pelo estilo mais frio do povo, talvez até faça mais sentido. Mas na América do Sul sabemos que jogadores vingam ou não com enorme interferência do psicologico.

Eu não convocaria um jogador da Ponte Preta até que ele fosse pra um time grande e me mostrasse que aguenta. Eu convocaria o Dener ainda na Lusa.

A exceção é o gênio. E não temos nenhum gênio atuando no futebol mundial hoje que não seja o trio Cristiano, Messi, Neymar. Portanto, não há com o que se preocupar.

O Talisca jogou no Bahia, foi pro Benfica (grande) e de lá emprestado porque estava mal. Agora brilha na terceira força do futebol turco.  Ele disputa posição com o Luan, que foi melhor da América e brilha há 3 anos no Grêmio.

Essa disputa pra mim nem deveria ser discutida. Talvez o Talisca em 3 anos seja o 10 do Barcelona e o Luan o reserva do Coritiba. Mas não é essa a questão.

Tu vai dar nas costas desses caras 50 kilos. Alguns brilham com 10, outros já brilharam com 30 ou 35.  Eu sempre foi dar a camisa da seleção que pesa 50 kilos a quem já conseguiu segurar 35 se ele for semelhante ao que carrega 10.

O William José foi mal no SPFC, Santos e Grêmio. Então rodou por times insignificantes na Espanha até estacionar na porcaria do Real Sociedad  e hoje brilha “disputando nada”.  Sim, porque não tem mata-mata grande pra ele, e o campeonato espanhol é uma tabela para ser cumprida enquanto dois times passeiam.

Esse cara tá mais apto a seleção do que Jô, Fred, Tardelli, entre outros?

Não se trata do “medalhão”. Se trata do quem aguenta e de quem não sabemos se aguenta a camisa pesada.

Quando digo que levaria o Grohe como segundo e o Ederson talvez como terceiro, não é porque acho o Grohe melhor que o Ederson. É porque um deles acaba de passar 2 anos voando e ganhando tudo num time enorme como protagonista enquanto o outro está jogando muito, mas num time muito menor.

Jogou no Benfica. Isso o credencia, sem dúvidas. Sou fã do Ederson. Mas acho que hoje o reserva do Alisson é o Grohe. E o Ederson reserva do Grohe.

Nessa discussão entra também a nova geração, que são pessoas criadas de 2000 pra cá e que tem uma visão de futebol mais do que deturpada. Eu diria que manipulada pelo dinheiro investido em cega-los. E conseguem.

O futebol que você paga e ganha é novo. E em Copas do Mundo não funciona, porque você não paga.  Ali joga camisa, história, tradição, coragem, bagagem, postura, etc.

Não estamos montando um time pra ganhar a porra do campeonato Francês. Estamos montando um grupo pra encarar a maior pressão que um jogador pode suportar na vida: jogar pelo maior time do mundo na maior competição do mundo e como favorito.

Separem as coisas. Não importa só o quanto você corre. Importa com quantos kilos nas costas você ainda aguenta correr.

abs,
RicaPerrone

A lista

Tite levou 25 pra experimentar os últimos e fechar os 23 da Copa.  O que não está aqui não faz sentido imaginar que estará na lista final.  Ainda mais os pouco testados.

Isso me faz imaginar que um jogador alto que vem de trás e entra na área pra finalizar, pro Tite, é o Talisca e não o Luan. O que me faz obviamente discordar.

O Rodrigo Caio é uma dúvida no clube. Não pode ser convocado pra seleção brasileira num momento onde o clube vive péssima fase e ele é um dos mais contestáveis.  Já mereceu. Hoje não merece.

Fred, ex-Inter, gosto muito! Desde que saiu daqui. Agora, não me pergunte como joga lá. Não sou hipócrita de dizer que assisto aquilo.

Idem pro William José. Mas duvido, apostaria um braço, que o William José não nasceu de novo ao ponto de ter se tornado um jogador melhor que Jô ou Fred estando num time de merda da Espanha.

Os demais.

GOLEIROS

Alisson (Roma) Ederson (Manchester City) Neto (Valencia)
– Prefiro o Grohe que Ederson e/ou Neto. Mas tanto faz 

LATERAIS

Marcelo (Real Madrid) Daniel Alves (PSG) Filipe Luis (Atlético de Madrid) Fágner (Corinthians)
– Acho o Alex Sandro melhor que o Felipe. Mas entendo a convocação como defensiva e não um espelho do Marcelo. Uma segunda opção de estilo.  Na direita, o Daniel é o nome mais forte embora não ache que ele jogue 50% do que sua fama representa. E o Fagner é tão bom quanto o Danilo, mas joga em time grande com pressão. Eu prefiro. 

ZAGUEIROS

Marquinhos (PSG) Thiago Silva (PSG) Miranda (Inter de Milão) Pedro Geromel (Grêmio) Rodrigo Caio (São Paulo)
Já falei sobre o Rodrigo. Acho errado. Mas nessa lista está a maior correção de rumos do Tite. O Geromel é o melhor jogador do país em sua posição.

MEIAS

Casemiro (Real Madrid) Willian (Chelsea) Fernandinho (Manchester City) Fred (Shakhtar Donetsk) Anderson Talisca (Besiktas) Paulinho (Barcelona) Philippe Coutinho (Barcelona) Renato Augusto (Beijing Guoan)
– Só o Talisca que não discordo da chance, mas discordo dele estar ali e não o Luan. O Luan joga na posição do Talisca há mais de um ano. E ainda está sendo discutido no ataque. Acho desconhecimento de causa de quem debate. E o melhor jogador da América TEM que estar na seleção. E se não for estar é por ter um craque em seu lugar. Não o Talisca. 

ATACANTES

Gabriel Jesus (Manchester City) Roberto Firmino (Liverpool) Douglas Costa (Juventus) Taison (Shakhtar Donetsk) Willian José (Real Sociedad)
– Já falei do José, e digo o mesmo do Taison. Não assisto jogo do Shaktar, acho que ninguém assiste. Nem passa.  Então… acho pouca coisa.

Enfim, a seleção me parece unanime se você perguntar pro torcedor. Pro Tite não é. E eu entendo porque ele olha situações táticas que nós não conseguimos olhar.

Mas alguns deles… contesto. Especialmente a opção Talisca diante do Luan. Os dois jogam rigorosamente na mesma função. Não faz sentido.

abs,
RicaPerrone

Luan e Geromel precisam ir à Copa

Eu nem acho o Thiago Silva tão fundamental assim. Aliás, a história prova ano após ano que sua apurada técnica não basta para ser o que ele almeja.

Acho que ele é melhor que o Geromel se você der a mesma bola na altura do joelho para ambos. O Thiago vai dominar melhor, sim.

Se der a bola nos pés de um rival frente a frente, na velocidade, possivelmente o Thiago roube a bola antes do Geromel.

Mas se você for jogar uma grande partida, fora de casa ou contra um time muito forte, eu também não tenho a menor dúvida em quem confiar mais.

Luan é a mesma coisa. Não deve jogar mais que o Jesus, Coutinho, Firmino, talvez.  Mas se você precisar jogar contra o Boca em Buenos Aires, desses todos o único que vai entrar na área dos caras andando e dar um tapa por cima é o gremista.

“Bandido”.

Não o que comete crimes. O que não tem medo de cara feia. O que adora o desafio. O sujeito que quanto pior, melhor.

Copa do Mundo são 7 jogos, 3 pedreiras, sem jogo de volta. É matar ou morrer. E toda vez que ganhamos isso tivemos em campo ou ao menos no grupo diversos jogadores que se divertiam com o pânico.

Não me interessa quem vai sair. Me interessa saber que teremos na defesa e no ataque os jogadores mais decisivos possível. E que eles não gostem tanto de brilhar no domingo a tarde.

Craque brilha na quarta-feira.

abs,
RicaPerrone

Nós, a seleção!

Uma das coisas que eu mais amo na vida é ver a cara de merda de quem duvidou de mim ou me desmereceu.  O prazer da “vingança” é natural, é instintivo e pobre do sujeito que se considera evoluído ao ponto de não ter esse gostinho.

Esse time do Brasil foi um saco de pancadas. Nós ouvimos pós Copa de 2014 diversas vezes que seria difícil classificar, que pela primeira vez existia um risco real da seleção ficar fora da Copa.

Que eram mimados, irresponsáveis. Que não fabricávamos mais talentos.  Que só queriam dinheiro, que não se importavam.

Ouviram que a favorita era a Argentina, o Chile, não nós. E ouvir isso jogando futebol deve ser ainda mais revoltante do que o conhecendo, porque é tão absurdo que chega a motivar.

Esse time atropelou todo mundo e terminou uma eliminatória de 18 jogos com 10 pontos na frente do segundo colocado. Brincando nas rodadas finais, dando olé, chapéu e ganhando de time motivado.

Somos favoritos em 2018. E não, sua anta! Não é porque a fase é boa. É porque somos nós, o Brasil. A seleção mais foda do planeta, os donos da porra toda, o time do mundo, a referência de todos.

Esses meninos dormem hoje com a seleção recolocada no seu óbvio lugar na mais torturante fase para ser um deles. Eles pagam por algo que nem participaram, pela desconfiança de uma geração que ainda não venceu e pelo ódio jornalístico nacional que se nega de toda forma a assumir um lado. E que deveria ter sido, desde o primeiro dia, ao lado deles!

Com Tite, Dunga, a puta que pariu. Tanto faz. O nosso LADO é o da seleção.  Eles nos deram o ouro, nos deram a vaga pra Copa, nos deram a dignidade de volta. Nos deram o favoritismo.  Nos deram alegria e orgulho.

E nós, porrada. Hoje, aplausos.  Merecidos, os dois. Mas é preciso ter um lado.

Dá pra aplaudir do lado deles. Dá pra criticar também.  Mas do lado deles. Sempre, todo dia, até o último jogo da Copa. “Nosso time”, “nossos meninos”. Não tem CBF, dirigente, nada.

Eu tenho orgulho desse time. Tenho orgulho da seleção e especialmente de ter sido um dos que não mudou de lado em momento algum, nem mesmo na noite após o 7×1.

Aconteça o que acontecer daqui pra frente, fique do lado certo. E não corra pro outro na primeira turbulência. Seja parte da vitória e da derrota. Aprenda a usar com dignidade o “nós”. Ou em 2018, se campeão, diga “eles”.

Obrigado meninos. E desculpa qualquer coisa.

abs,
RicaPerrone