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O que a TV ainda não sabe


A TV brasileira ainda não vê futebol como deveria e isso se mostra no dia a dia dos clubes. Bato nessa tecla há mais de uma década que ao regionalizar o futebol brasileiro e enfiar o europeu na goela do torcedor você é incoerente e prejudica o seu negócio.

Exemplo simples: Porque em SP eu nunca vejo jogos do Cruzeiro? Porque na cabeça imediatista da tv é melhor passar só paulistas pra SP, só cariocas pro RJ, e assim dá audiência e tá resolvido. Se fosse verdade que não há como aumentar a perspectiva do torcedor em relação ao que assistir não haveria jogo internacional na tv.

Então, sejamos ainda mais práticos: olha o Grenal de ontem. Foi só ele, sem que dividisse atenção com outros jogos um em cada estado. O que aconteceu?  Repercussão nacional. Todo mundo viu o jogo, todo mundo está discutindo o jogo e os dois times tendo uma exposição de mídia enorme.

O Galo e o  Cruzeiro decidem sábado. Vai acontecer a mesma coisa. E porque toda rodada do Brasileirão se enfia os melhores jogos na mesma hora?

Porque não se espalha os grandes jogos para termos 3 destaques nacionais ao invés de um regional por estado?

A rivalidade pode surgir entre times de estados diferentes, isso é nítido. Basta ver que tem pivete discutindo por causa de Barcelona na escola. Se a distância sumiu, porque insistimos nela internamente?

A final do Paulista devia ser quinta, a do mineiro sábado e carioca domingo, por exemplo. Teríamos tido 4 dias de total atenção a cada decisão, cada time, patrocinador, evento.  Mas vamos ter todos o mesmo mundinho de bairro no mesmo dia e hora.

Porque? Porque é mais fácil ter 30 pontos domingo e vender pra casas Bahia do que ampliar o futebol nacional, valoriza-lo, torna-lo mais caro e não poder pagar pra renovar.

RicaPerrone

Cara a Tapa – Sandro Rocha

Sandro Rocha é mais conhecido apenas pelo sobrenome. Em Tropa de Elite fez o miliciano mais famoso do país e se consagrou com frases divertidas. Hoje na Record, estreando filme novo no cinema, Rocha fala sobre futebol, o meio artístico, política e até sobre a Telexfree.

“Mortos”

“Depois da chegada da internet…”, pára! Já tá errado. Internet é meio de transmissão, não uma forma de mídia. Mídia é impressa, video, áudio. A forma com que isso é transmitida às pessoas é outra coisa. Logo, não foi a internet que “fudeu tudo”.  Foi a falta de leitura do cenário.

Quando o Flamengo diz a um reporter que “você não”, logo vem os intelectuais falar em censura, blá, blá, blá.  Mas acontece, meus caros, que a mídia em geral não entendeu ainda que ninguém precisa mais dela pra porra nenhuma. E que se ainda a usam é por mera opção.

Diferente de quanto éramos reféns de emissoras e jornais, hoje temos ligação com a fonte, canais oficiais, mil “opiniões” e “informações” que, tal qual a imprensa tradicional faz, podem ou não ser verdade.

Duvida? Olha eu aqui! Chegou aqui por que emissora?

Olha quem são os maiores influenciadores do país.  Vê se foi a Globo que fez ou se eles se fizeram sozinhos.

Ninguém mais precisa da Globo. Ninguém mais é 100% direcionado pelo que diz o cara do jornal da noite. O ator da novela não é mais o galã do país. Esse cara está fazendo video no youtube e postando prato fitness no instagram.

Se você quer continuar dando furo em 2017, meu amigo, você ultrapassa a burrice. Não há qualquer importância em “furo” quando uma informação se propaga em 30 segundos pelo planeta. Ninguém sabe “quem deu”, porque quando sair “todos já deram”.

Então dê direito. Porque aí sim, quem sabe, você ainda faça alguma diferença.

Clubes, empresas, ídolos. Eles não dependem mais da imprensa para falar com os fãs. Logo, o refém agora é você, veiculo de comunicação disputando pauta com a rede social oficial do cara.

E se mentir, fizer merda, vai ficar pra fora do treino sim. Porque?

Porque você não tem DIREITO algum a estar ali. É uma permissão que o clube te dava por necessidade, hoje te dá ou não por opção.

O ídolo não precisa mais te aturar. Ele pode te destruir. Os fãs dele estão reunidos nas mãos dele, não mais na nossa. Toda notícia mentirosa será bem pior pro jornal/jornalista do que pra vítima. É uma tendência natural porque hoje nós não somos a única via.

Pior. Diria que sequer somos a principal.

O jornal Extra faz um jornalismo de merda, um sensacionalismo tosco e usa um método de 1980 tentando impactar em 2017. É óbvio que vai ladeira abaixo. Só que agora ele não tem mais a única coisa que o mantinha em pé: importância.

Ninguém liga pro jornal, pra emissora, pro jornalista famoso. Todos tem o que querem quando querem, basta querer chegar a informação que você terá. Nós somos os caras que dão de mão beijada e superficialmente, e portanto atingimos os menos interessados e/ou capacitados.

O mercado sabe ler melhor que a imprensa. Todo mundo já percebeu. Quem quer algo mais sobre política não lê o Globo de manhã. Ele vai nos mais conceituados sites de política do mundo e se informa lá.

“Nichou”.  A cobertura palmeirense é feita por torcedores do Palmeiras, não mais por nós. Modéstia a parte notei isso em 2005 quando fiz um site que cobriria o SPFC, não que replicaria notícia alheia apenas.

Hoje todo time tem 5 sites e eles todos são mais influentes em suas torcidas do que os jornais, rádios e revistas que insistem em arrotar caviar quando não comem nem mais a mortadela.

Acabou, gente. Nós não disputamos espaço mais entre nós. É contra “todos”. E a “censura” que você chora hoje por corporativismo se chama “direito”. O seu de a vida toda falar o que quer, o deles em hoje poder dizer que “Você, não”.

Eu apóio. Do lado de cá, ainda que não pratique o “jornalismo”, eu apoio.

Enquanto vocês estão preocupados em transitar bem entre colegas, tem gente que transita bem no futebol.

E é aí que a sua conta não fecha e você “morre”.  Todo mundo sabe que jornalista não tem NENHUMA especialização em futebol que o credencie a avaliar porra nenhuma.

Tem coisas que não se ensina em faculdade. Futebol é uma delas. Economia, política, culinária, também.  Ou seja, ser “jornalista”não te faz especialista em nada.  Acabou o caô. Fomos descobertos.

Descanse em paz.

abs,
RicaPerrone

É um complô?

Não, prometo que não sou um desses caras que acha que a mídia se reúne pra decidir quem vai manipular ou que clube vai colocar em crise desta vez.  Não acredito em complôs.

Só os não organizados. Estes sim, funcionam.

Estádios modernos e bonitos para que os 12 maiores clubes do país joguem. Alguns como o Internacional sempre recheados de atrações, grandes nomes, topo da tabela, enfim.

E nada faz com que o torcedor volte ao estádio.

Aí surge aquele monte de teoria de quem não sobe numa arquibancada há 10 anos tentando entender o motivo.

Não é um motivo. Nem dois. São vários. Mas hoje, destaco o resultado de um verdadeiro complô contra os estádios de futebol brasileiros.

Você começa com o calendário, o enorme número de jogos inúteis e passa pela curiosa perda de talentos que tivemos em 2013, após anos melhorando e segurando a molecada.

De novo: Cuidado com a ejaculação precoce.  Não significa que 2013 tenha sido o ano da retomada do fim do futebol brasileiro, e nem é tão simples assim entender o porque dessa debandada após tanta melhora.

Assunto pra outro post. E provavelmente sem resposta, pois se alguém a tivesse estava rico e não num blog criando teorias.

O ingresso de um mero Flamengo x Bahia custa, no mínimo, 60 reais. Se você tomar um refrigerante e comer um sanduiche, mais 15. Se estacionar o carro, mais 20. Você vai fazer um programa de 100 reais pra ir sozinho a um estádio ver um jogo fraco.

Se você pagar 60 reais assiste o campeonato todo na tv. Todos os jogos, em hd, com amigos, gastando o resto em cerveja e salgadinho, sem precisar se locomover e ainda com a chance de dividir o custo entre colegas.

Ou, talvez, num bar do lado de casa onde sequer você paga pra ver o jogo.

Ainda assim, quando apelativo pelo interesse, a tv resolve transmitir o jogo pra cidade do evento.  Desleal.

A nova geração já foi afastada dos estádios por violencia. Não tem o mesmo hábito que tinhamos, e não sente falta de estar presente podendo ver em hd.

Eles “vibram” com Arsenal, Wigan, essas coisas que passam na tv deles. Que diferença faz?

Faria, no estádio. Não vai fazer, pois estão os incentivando a ficar em casa. E então, é óbvio, tv por tv, o molequinho vai ver Cristiano Ronaldo e não Carlos Eduardo.

O PPV é muito barato. Calma, não me odeie. Eu adoro que seja, mas… é!

Ele não pode custar o preço de um ingresso por mes pra te dar todos os jogos do campeonato no sofá.

Ou pode.

Desde que o ingresso de arquibancada custe 10 ou 20 reais.

Gênios do futebol moderno querem apaixonar e aproximar torcedor pela tv.  Provavelmente todos eles cresceram em condominio e viraram torcedores na cativa. Não tem idéia do que estão fazendo, com quem estão lidando e do tamanho do reflexo que isso terá amanhã.

Concorrência desleal. Quase um complô.

Te dou um transporte ruim, um jogo a noite, sem segurança no caminho, um time fraco, um campeonato pouco interessante e que se arrasta por 8 meses, e cobro de ti mais do que cobraria por 1 mes de futebol na sua tv todos os dias, ao vivo, em hd.

Qual sentido dessa merda?

Que a tv pague 100 milhões por ano a um clube e queira resultado, entendo. Que o resultado seja menos gente apaixonada, mais garotinhos achando que futebol é torcer pra um time na tv e estádios vazios sem ambiente pra um grande jogo, não.

Porque transmitir o clássico Fla x Bota pro Rio? Porque Gremio x Corinthians pra São Paulo?

Dá ibope. Eu sei. Mas… é isso? É um Fifa Soccer sem controle?

É pra ver ou participar? Pergunta pra 100 torcedores apaixonados se eles são assim porque assistem ou porque se sentem parte daquilo.

E aí, talvez, tenhamos a resposta do porque está dando errado.

abs,
RicaPerrone