valentim

O Vasco é melhor perdendo

Existem times de futebol com vocação pra fazer gols, outros com vocação pra defender. Mas tem times que se forçam a um dos dois sem o menor sentido técnico e acabam atrapalhando sua natureza.

O Vasco joga um bom futebol quando perdendo ou até empatando. Basicamente precisando fazer gols. Quando não precisa parece que a bola pega fogo nos pés dos jogadores como se estivessem sendo eliminados e não se classificando.

Valentim? Ok. Ele recua. Mas além dele o time tem diversas bolas em contra-ataque quando ganhando e simplesmente não consegue fazer o óbvio.

Não foi ontem. Tem sido sempre.

O Vasco faz a vantagem, pára de criar, quando tem a chance queima a bola e o treinador recua e causa a pressão contra o próprio time.

Talvez por insegurança no elenco. Talvez por convicção. Mas de fato o Valentim está assistindo um time que tem espaço e chances de matar e não mata. E neste caso, convenhamos, não se trata de treinador um time perder gols em contra-ataques de 4×2 por exemplo.

Insegurança com a vitória. Raras vezes vi isso no futebol. Poderia ser justificável num elenco cobrado com obrigação de vencer. Mas não é o caso.

Diagnóstico difícil.  Mas dentro da idéia de que o Vasco tem tido dificuldade em resolver jogos quando eles ficam mais fáceis, era melhor os titulares do Flamengo do que os reservas. Porque a tal “obrigação” vai pesar.

RicaPerrone

O medo também é um “risco”

Primeiro registrar que independente do foco do texto o jogo entre Vasco e Avaí foi um jogão! Dois times dispostos a vencer, buscando o gol, razoavelmente organizados e bem intensos.

Dito isso, vamos ao “drama”.

Do inferno ao céu, do céu à Terra. Isso define os 90 minutos do Vasco.

Saiu perdendo, se recuperou logo, cresceu muito no jogo e fez 3×1.  Neste momento, com boa atuação e uma virada, São Januário flertava com a euforia.  E então Valentim correu um risco.

Na verdade ele já havia corrido um quando mudou no intervalo em busca da virada. Virou, se consagrou por ousadia (e necessidade). Quando vencendo por 3×1 podia manter, arriscar matar ou recuar.

E recuar também é um risco.

Pode acontecer o que aconteceu. Uma bola do Avaí entrou, a vantagem ficou pequena pro jogo de volta e o ambiente favorável virou vaias.

Merecidas? Não diria. Mas compreensíveis.

Além da frustração do gol no final, houve também uma boa atuação, uma grande virada e um time em evolução.  A vantagem não é muito boa, mas o que o Vasco apresentou é.

Eu sairia de São Januário confiante se fosse vascaíno. Mas não nego que também sairia puto com o resultado da “prudência” do treinador.

RicaPerrone

Feito Botafogo

Acho que não era difícil entender a diferença entre perder e ser humilhado. Embora sem placares elásticos, o Botafogo perdeu dois jogos pro Flamengo tão diferentes que nem parecem o mesmo time.

Nem vou entrar na pilha da arbitragem. Teve erro pra todo lado, o juiz era péssimo. Todo clássico o derrotado enxerga na arbitragem a culpa pelo resultado. É histórico.

Mas o Botafogo perdeu feito Botafogo dessa vez.

Peitou mesmo sem armas e quase empatou o jogo. Ao olhar pros dois elencos, só a camisa equilibra o jogo. E ainda assim o Botafogo entrou em campo disposto a olhar o Flamengo de frente, dividir bola sem pedir desculpas e dar problemas pro adversário.

Perdeu. Mas morreu atirando, coisa que o time do primeiro turno não fazia. Perdia feito um pivete assustado correndo do cara grandão na rua. Esse não. Esse encarou.

Se fosse botafoguense não estaria feliz, óbvio. Mas passaria longe de estar revoltado, como estiveram há 1 mes.

abs,
RicaPerrone