vitinho

Logo você?

Logo você, Flamengo? Estranhando o que houve hoje no Beira-Rio sob qual argumento? De desconhecer o que um time grande em casa quando inflama sua torcida é capaz não deve ser, afinal, te conhecemos de longa data.

Não era imprevisto. O Inter em casa jogaria a vida, e mesmo jogando pouco, seria muito duro.  Casa cheia, torcida entre a pressão e o empurrão, e eis que o gol do Flamengo gera tudo que já cansou de gerar a favor do rubro-negro no Maracanã.

Uma coisa é estar pressionando pra virar. Outra pra ganhar ou segurar uma liderança. O Inter tinha medo de perder até a hora que esteve perdendo. Ali, o Inter passou a ter que conseguir o “milagre de ganhar”.  E então toda pressão virou força, toda corneta virou canto e o Internacional assumiu sua condição de Internacional.

Demérito do Flamengo? Não, ele mesmo faz isso com frequência no Maracanã. O próprio veneno, a imposição da força da camisa em sua casa pelo grito. Os gols sabem-se lá como.  “Isso é Flamengo!”.  É, mas é também Inter.

O Colorado fez uma partida dentro do que pode jogar hoje. O Flamengo em queda livre de rendimento está claramente sentindo o desgaste da temporada. É físico, há algumas semanas o time rende menos a cada jogo. É compreensível, não teve casa, viajou 200 vezes mais que os outros.

Os outros não tem nada com isso. E se tantas vezes “foi dia de Flamengo no Maracanã”,  é dia de saber se coadjuvante em “Dia de Inter no Beira-Rio”.

abs,
RicaPerrone

“Praticamente”

O Fluminense tropeçou na primeira rodada da Liga em casa diante do Atlético PR. Ali, com o Cruzeiro pela frente em pleno Mineirão, jogando mal e ensaiando crise, o Fluminense estava “praticamente” eliminado na primeira fase.

A vitória no Mineirão na única grande noite do clube na temporada até aqui. Depois disso mais jogos ruins até a queda do treinador. E não sozinho. Com ele foram VP de futebol, diretor, todo mundo!

Não satisfeitos, bom lembrar que a estrela do time está suspensa desde o primeiro jogo e portanto não disputa o campeonato.  A segunda estrela, Diego Souza, pediu pra sair na véspera da semifinal.

E não é que o Fluminense jogou melhor que domingo, que já havia sido melhor do que na semana anterior, e dessa vez foi suficiente para lhe colocar na decisão?

“Praticamente” fora, agora na final.

Não cometendo o erro de se considerar pela camisa que tem “praticamente” campeão até o apito final do dia 7 de abril, tem tudo para que assim seja.

Abençoado seja o futebol, “praticamente” inexplicável.

abs,
RicaPerrone

Falô, moleque!

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Não quis renovar e aumentar a multa, não quer ficar, não fique. O Botafogo perde sem Vitinho, mas em alguns anos talvez ele entre na estatística daqueles que não suportaram o gelo e voltaram pedindo qualquer 100 conto pra ficar “perto da familia”.

Jogador é foda. Empresário é apenas mais inteligente que eles.

E o Fogão? Merece sua revolta? Talvez. Talvez.

Honestamente eu fico um pouco “sem jeito” de condenar um clube que perdeu o controle financeiro graças a uma obra mal feita por uma empresa alemã. Acho o caso Engenhão um “azar” que foge do controle da diretoria que jurava ter alugado um estádio novo.

Mas enfim. Tem quem ache que faltou visão ao não renovar com Vitinho com uma multa alta. Tem quem esqueça que ele só virou titular há 2 meses.

Tem quem não saiba que a multa se atrela ao salário e para subir demais a multa tem que subir também demais o salário do menino. Quando o fez, ouviu um “não”. Vitinho já tinha tudo arrumado com os russos.

Provavelmente seu empresário correu atrás de um time qualquer assim que ele virou titular. Vou condenar o moleque de 19 anos com vida difícil por aceitar?

Sim.  Até a página 2, mas vou.

Quem viveu com salário mínimo sabe o que são 200 mil reais. Talvez não saiba o que é plano de carreira, médio prazo, investimento, etc. Em tese este é o papel do empresário.

Mas não é. Empresário quer vender e dane-se o resto.

O Botafogo perde um jogador promissor. O cara que mudou o time este ano. Mas mudou um time que já era líder, não um rebaixado que virou líder as custas dele.

Com Vitinho, um dos grandes favoritos. Sem ele, ainda um candidato ao título.

Sem vocês, torcedores que sustentam o clube, nem isso.

Não abandonem o Botafogo. Não agora.  É um erro pior do que ir pra Russia.

abs,
RicaPerrone

O detalhe

Sabe aquele time ajeitadinho, quase pronto, faltando apenas um detalhe?  Então.

O Botafogo vendeu Fellype Gabriel  e achou que tinha perdido uma peça importante. De fato, perdeu. Mas obrigou Oswaldo a dar uma chance a Vitinho, garoto, ousado, que erra muito, mas que joga diferente de todos os caras que tem do meio pra frente no time.

O Fogão era um time quase sempre “de lado”. A bola roda, roda, roda e alguém vai cruzar na área pro Rafael. Ou, pelo meio, uma enfiada de bola do Seedorf.  Até certo ponto, por mais entrosado que esteja, o time ficava meio previsível.

E não seria o Fellype Gabriel o fator de desequilibrio, convenhamos.

Trocando passes você espera o adversário abrir um espaço. O brasileiro não tem a paciência do espanhol (graças a Deus) pra jogar de ladinho 90 minutos. E então, queima a bola.

Vitinho entrou e deu ao Botafogo uma jogada ousada, direta, que quebra uma zaga num drible, coisa que antes não acontecia.  Ele deixou o time mais rápido, sem que ninguém tenha que correr mais por isso.

Quando o Botafogo ataca ele não vai mais obrigatoriamente tocar até encontrar um espaço. Pode arriscar uma jogada no garoto, que dribla e chuta, as vezes irresponsavelmente, até.

Mas é novo. Vai errar. Só vai aprender errando.  Ao torcedor, paciência. Deixa errar. O problema é o grosso em grande fase, nunca o bom jogador tentando se afirmar.

Vitinho mudou o time e deu opção pro Seedorf crescer ainda mais. O seu passe agora pode ser na frente, não mais nos pés. Ele cria, puxa marcação e dribla na direção do gol, coisa que este time do Botafogo não fazia nunca.

Quando não descola um lance de gol, arruma uma bola parada. Ou, pelo menos, um rebote.  O garoto perde chances incríveis de passar a bola, toma “pito” do negão, mas no lance seguinte chuta de novo.

Teimoso?

Não. Confiante. Personalidade. Qualidade, nunca defeito.

Faltava um detalhe. Não falta mais.

É Botafogo pra Libertadores, no mínimo.

E porque não o título?

Gostei demais do que vi no Maracanã ontem. Gostei do que vi na quinta-feira contra o Vitória.

Quem disse que tem que escolher entre ganhar ou jogar bem?

abs,
RicaPerrone