Volta Redonda

Marra

Era 8 da manhã quando o Flamengo começou a ganhar o jogo de hoje, mais precisamente na padaria do seu Carlos no Méier. Ali, enquanto cada rubro-negro chegava pra comprar o pão falando em goleada, botafoguenses falavam em evitar vexame.

E aí você me diz que “é apenas noção de realidade diante do cenário”, mas você sabe tanto quanto eu que fosse o cenário absolutamente contrário o flamenguista entraria lá dizendo que ia passar o trator hoje e o botafoguense pensaria “só falta perder mesmo com essa fase boa”.

Marra ganha jogo. Marra conquista pessoas. Marra é um adjetivo dado como “ruim”, mas que nem sempre é assim.

O que sobra ao Flamengo falta ao Botafogo.   É um time bonzinho. Minha filha se casaria com o Botafogo. Eu levaria ela pro altar. Com o Flamengo eu ficaria bolado.

Óbvio que numa disputa entre Flamengo e Botafogo, ela vai querer o Flamengo.

Ela pode ser minha filha. Ou a bola. Tanto faz. A tendência é bem parecida de ser igual.

O Flamengo debocha, peita e jura ser bem maior do que de fato pode. O Botafogo se apequena e não aceita nem mesmo seu real tamanho. Anda de ombros altos, cabeça baixa. Como quem se protege de algo que ele não pode enfrentar.

Pois aí está a diferença.

Até pra morrer tem que ser grande.  Tem gente que morre atirando, gente que morre de costas. Você sabe como cada um morreu sem ter que perguntar nada.

O Botafogo hoje sangra pelas costas. O Flamengo faz piada, porque pode.

abs,
RicaPerrone

Sem climão, Flamengo é melhor

O que faria de um Flamengo e Vasco um jogo igual, hoje, é apenas o fato de ser um Flamengo e Vasco.  É evidente que o rubro-negro está melhor, tem mais time e joga mais futebol há algum tempo. Mas por ser clássico, por ser quem é, o Vasco iguala as condições pré jogo rapidamente.

Mas não parecia um clássico. Num estádio vazio, longe, num sábado onde o jogo foi ofuscado pelo carnaval, o Vasco até que tentou levar os nervos a flor da pele, causar empurra-empurra a cada lance e equilibrar na camisa. Mas, não houve “climão”.

O jogo ficou simples. Era o de vermelho e preto contra o de branco, sem grandes extras para incrementar e equilibrar.  E então, deu Flamengo, como daria se os times não vestissem qualquer uniforme.

É uma daquelas decisões pouco comentáveis.  Não há muito o que se constatar além do fato do Flamengo ser melhor que o Vasco hoje e por isso ter vencido a partida.

Ah! Achei que aquela bola entrou, antes que digam que esqueci da polêmica.

Nada anormal. Nem a derrota do Vasco, nem a vitória do Flamengo.


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abs,
RicaPerrone

Prioridades

Ao Botafogo o estadual representa desde janeiro a “grande possibilidade” do ano.  No mesmo período o Fluminense fez de tudo para “não jogar” o estadual e promover a Primeira Liga.

Naturalmente o empenho dos dois, tendo ainda o Flu conquistado a Liga no meio de semana, era diferente.

De ressaca, claramente achando que empataria e que jogaria quando bem entendesse, o Fluminense andou em campo e viu o Botafogo jogar tudo que sabia em busca de um gol que, merecido, acabou acontecendo só no segundo tempo.

Acho razoável a eliminação do Fluminense em pós título e coerente por ter dedicado o primeiro trimestre a ele como prioridade declarada.  Se houve alguém incoerente nisso tudo foi o Flamengo, que fez a Liga e poupou titulares nela.

Não coloco a classificação de Botafogo e Vasco nada na conta de Ferj e juiz nenhum. É choro prévio, argumento pré programado pra caso de derrota, já que os dois times mereceram muito a vaga em cima de Flamengo e Fluminense.

A atuação do Botafogo é de superação.  E disso o time vai precisar na série A em 2016, já provando que embora seja bastante fraco tecnicamente, é hoje um time ao menos que propõe uma forma de jogar e se dedica a isso.

É interessante a final se desenhar entre um time rebaixado e um promovido, sendo claramente o rebaixado com muito mais material humano para o ano seguinte. O Vasco só não é “favorito” porque isso não existe em clássicos.  Fossem camisas diferentes, time por time, seria.

E o Botafogo, que vem brigando contra um passado terrível administrativo semana após semana, sim, merece destaque e aplausos pela superação e pelas condições encontradas.

Teremos final, “revanche”, Maracanã e a grande chance das duas torcidas concordarem com seus clubes, encherem o estádio e dizerem que “sim, preferem o estadual!”. Ou, na falta delas, assinar o atestado de óbito do único campeonato estadual que terá dois times grandes na final em 2016.

abs,
RicaPerrone

A dura missão de avaliar estaduais

Analisar futebol não é uma das profissões mais difíceis do mundo. Pelo contrário, é uma das mais simples e que não exatamente cobram qualidade por parte do analista, desde que dê audiência.

Eu gosto, mas de janeiro a maio, é difícil.

Os jogos são toscos, a motivação dos times grandes beira a má vontade, os torcedores não vão aos estádios e embora seja previsível o resultado, ele precisa de análise. E a análise não pode ser feita por falta de parâmetro.

O Flamengo que joga mal contra o Madureira é contestável porque “não pode jogar mal assim”.  E quando goleia “um Madureira” qualquer, “não fez mais que a obrigação”. E então?

Onde termina o dever e começa o elogiável/contestável?

O que quer dizer o campeonato estadual a um time grande num futebol que cada dia mais estrutura e dinheiro determinam possibilidades?

É muito difícil dar ao torcedor o “oba oba” esperado após vitória, tal qual menosprezar conquistas.

Fato é que nada disso até agora importa. Falta 1 mes pro Brasileirão e, portanto, as finais dos estaduais estão aí.  Agora sim, quem sabe? Afinal, é justo avaliar um trabalho por uma decisão de mata-mata num clássico?

Talvez também não seja.  E haja paciência para os “rumo a Toquio” e “esse ano cai” de toda segunda-feira.

abs,
RicaPerrone

As idéias e os fatos

Suas idéias não correspondem aos fatos.  Embora seja “meia verdade” que estejam jogando demais, é menos verdade ainda que o time não tenha condições de se manter num estadual mediocre e numa Copa do Brasil em fase inicial enquanto vive a “maratona” de jogos.

Nos últimos 6 jogos o Flamengo fez 1 gol, e de pênalti.

Criação, sabemos, não é o forte dos times do Muricy.  Ele quer que retome a bola, marque em cima e pronto. O que o time fará com a bola rolando e dominada é problema dos jogadores. Treina-se para retomar a posse e bolas paradas. É isso desde 2006, tenho muitas dúvidas quanto a possibilidade de evolução.

Você tem problemas com o cansaço? Ok. E então faz uma alteração no jogo porque? Poupa titulares quarta e é eliminado pra jogar sábado e perder também no torneio que não interessa.

Não era melhor ter classificado quarta e perdido hoje com reservas?

Os motivos vão se multiplicar na medida em que a bola não entrar. É gramado, calor, calendário, sorte, juiz.  Fato é que o Flamengo hoje tem em campo um time melhor organizado defensivamente do que tinha antes. E só.

abs,
RicaPerrone

O jogãozinho de Volta Redonda

 

A diferença brutal entre o Fluminense e o Botafogo, hoje, é que apenas um deles sabe o que tem em campo.

Enquanto o Fluminense toca a bola esperando que um de seus talentos resolva o jogo, o Botafogo assume o papel de um time tecnicamente mediocre e faz o básico do básico, compensando com “noção” o que lhe falta nos pés.

Não fosse Emerson e sua personalidade de veterano, diria que não tem nada além do coletivo que chame atenção. Tirando o goleiro, é claro.  E então entra Ricardo Gomes.

Eu não sou fã do que vi ele fazer até hoje por onde passou. Mas neste Botafogo fadado ao sofrimento ele faz um trabalho diferente.  Talvez porque seja uma situação “nova” e curiosa ser treinador de um time grande que não é possível cobrar. Talvez por mero amadurecimento profissional. Talvez seja só um estadual.

Mas parece, pelo pouco que se testou, que o Botafogo joga perto do seu limite. A “altura” dele não é problema do treinador.

Já o Fluminense fica pouco contestável já que o treinador chegou outro dia. Vai cobrar dele o que? Mas do time, poderiamos.

Parado, previsível, esperando passe nos pés. Monojogada, dependendo de lampejos e tendo que ver seu até ontem vilão virar herói num lance isolado aos 47 para empatar um jogo que merecia perder.

Merecia. Porque Renato poderia ter sido expulso ainda no começo da partida, não fosse a falta de coragem do árbitro, que viu ali uma clara oportunidade de gol ser interrompida pela falta.

Um jogo que foi corrido e interessante até o gol do Botafogo. Depois disso o Fluminense se viu obrigado a armar, e não consegue. O Botafogo a se defender, e não era difícil faze-lo.

Um jogãozinho em Volta Redonda.

abs,
RicaPerrone

Um péssimo resultado

Pouco importa a atuação quando nela faltam tantos titulares e o melhor do time surta e vai expulso. Fica difícil avaliar qualquer coisa relevante nesse cenário.

O que importava, então, era o jogo e o campeonato. Em “casa”, num grupo onde deu o azar de enfrentar o grande fora (Cruzeiro)  o Fluminense tinha esse jogo como chave.

Era vencer o CAP, tentar algo com o Cruzeiro e vencer o Criciuma, também em casa.  É curto, tipo Copa do Mundo, daquelas onde a Costa Rica passa no grupo da Itália e Inglaterra, sabe?

Pois é.

Sem Fred, suspenso, o Fluminense volta a jogar pela Liga no Mineirão contra o Cruzeiro, onde pode selar sua eliminação ou encontrar forças para retomar a condição de um dos favoritos.

Hoje, a pior das estréias deixaria o Flu sem pontos, o Criciúma vivo e o Fred fora do próximo e mais difícil jogo do torneio.

E foi exatamente o que aconteceu.

abs,
RicaPerrone

É tudo “ilusão”?

Liderar um estadual há muito tempo não quer dizer muita coisa. E não, não acho o fato desprezível muito menos determinante pra qualquer avaliação. Mas será que é tudo ilusão?

O Botafogo, que tem um time de mediano pra ruim, não vai dar espetáculo. Nem no estadual, nem na Série B. Estamos falando de um clube que quase faliu há alguns meses, perdendo meio elenco, sem pagar há meses, sem patrocinador, enfim.

O que dá pra esperar desse time é competitividade, alguma perspectiva pro futuro com garotos da base e um time bem armado em campo.

Não gosto do Renê. Acho uma mentira bem contada. O time tem sua consistencia defensiva mas ofensivamente acho muito previsível. O Jobson abre pra receber, prende, o Bill se posiciona e ele cruza. Falta aproximação, falta jogada entre laterais, atacantes, meias. O time ainda é muito setorizado.

As peças não ajudam, óbvio.  Quando se contrata o Bill por exemplo podendo explorar uma promessa qualquer por aí, assina-se um atestado de foco a muito curto prazo.

O estadual não é uma emergencia, mas as vezes me parece ser tratado como se fosse. Como se o Botafogo tivesse mais necessidade de garantir “1×0” jogando na defesa contra um Barra Mansa do que formar um time competitivo de fato para o restante do ano.

O hoje no Botafogo conseguiu se tornar menos preocupante do que o amanhã. E olha que ontem havia um pânico generalizado ali dentro.

abs,
RicaPerrone

Exército sem armas

O roteiro é de cinema, mas nem sempre a vida ignora o óbvio para nos dar uma linda história de superação.  A maioria das pessoas que estão perto da morte, morrem.  Os raros casos que a evitam viram histórias incríveis.

O Botafogo tenta escrever uma história incrível.  Seus homens lutam com toda a dignidade do primeiro ao último minuto tentando evitar a queda. Mas é um exército sem suporte algum.

Não tem armas, apoio, condições, sequer o mínimo combinado para o cumprimento de suas tarefas.

Estes sim, hoje, podem dizer que fazem “por amor à pátria”.

A guerra tende a ser perdida. E com todos os motivos que justifiquem a derrota, fico realmente comovido de ver o tamanho da luta dos comandados, pagando sozinhos pelos erros dos comandantes.

Se com todos os soldados é quase impossível, com um a menos é batalha perdida.

Não, eu não acredito que o Botafogo consiga escapar esse ano. Mas o meu senso de justiça é conflitante e ao mesmo tempo que entende ser merecido o rebaixamento pelas enormes “cagadas” administrativas na temporada, também pondera o esforço desse time que nem é “pago pra isso”.

Ainda dá. Cada vez menos, mas ainda dá.  E honestamente, se fosse Botafoguense, seja qual for o final dessa história, faria questão de agradecê-los indo ao Maracanã mostrar que não é “por ninguém”  essa luta.

Mas sim por um monte de gente que, tal qual o próprio clube, as vezes desiste antes do fim.

Ainda não acabou.

abs,
RicaPerrone