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Jogo de equipe

Na F-1 sempre houve “jogo de equipe”.  E ele é simples, como qualquer outro.

O time analisa a situação, tem claramente quem é seu primeiro piloto e então determina uma mudança para privilegiar aquele que o time entende ter mais chances de brigar.

O jogo de equipe começa entre pilotos.

Felipe Massa recusou uma “ordem” sem sentido na última semana e disse, sem abrir a boca, que seria o primeiro piloto da Williams.  Neste final de semana largou atrás do Bottas e deixou tudo em aberto. Talvez um garoto teimoso, um birrento, vai saber.

E então levou uma curva pra restabelecer o que prometeu na última semana. Mais 57 voltas para confirmar não apenas ser a melhor escolha como também ter sido um dos protagonistas da corrida.

Massa meteu o carro pra cima do Vettel como se disputasse com um Maldonado. A atitude do campeão também foi parecida com a que Maldonado teria, diga-se.

Massa disse pra equipe que queria ser o primeiro piloto. Hoje, confirmou o pedido.

E no próximo GP, não tenha nenhuma dúvida: Se houver uma escolha, será por Felipe.  Hoje, domingo, dia 6 de abril, ele é o primeiro piloto da Williams.

Não por uma decisão pré-estabelecida para possíveis “jogos de equipe”. Mas por ter topado o jogo e vencido o mais importante “jogo de equipe” que há na F-1.

Mais um! Mais um!

abs,
RicaPerrone

Sem teatro

Felipe não é Barrichello.  As condições são parecidas mas a postura não.

E não vou medir muito as palavras para tentar separar os dois. Enquanto Rubens assina e se faz de vítima, Massa não fazia teatro. Porém, ambos escolheram a mesma condição. A de figurante.

O recorde de Barrichello em Gps disputados diz, pra muitos, que ele é um grande nome do nosso esporte. Pra mim diz que foi o cara que mais tentou e não conseguiu. Um esportista do qual sinto vergonha.  Do Massa, não.

Felipe é menos piloto que Rubens. Mas quando entregou, o fez sem teatrinho. Quando resolveu peitar, o fez da mesma forma.

Nós sabemos que sua condição na Ferrari era de segundo piloto. Ele também sabia.  Na Williams, não. E por coerência, optou por desobedecer e estabelecer limites dentro do seu ambiente de trabalho.

Felipe é muito mais piloto hoje a noite do que era quando acordou.

Não tenho nenhuma ilusão que aos 32 anos “surge um campeão”.  Isso é bobagem, tentativa de vender um produto que perde audiência ano após ano. Mas surge, sim, um respeitável sujeito que não nos enganou.

Não se fez de coitado quando optou por ser coadjuvante, nem vilão quando resolveu ser competitivo.

Não ganhamos um campeão. Nem um ídolo. Mas um cara pra torcer domingo que vem.

abs,
RicaPerrone