Atlético MG

Futebol é no campo

Atrapalha, ajuda, é verdade. Mas futebol sempre foi disputado no campo e atrelar resultados a administração, honestidade e transparência nem sempre é muito inteligente.

Basta ver que a maioria dos grandes clubes do mundo tem em seus momentos mais gloriosos algumas de suas diretorias mais corruptas e/ou incompetentes. Tal qual a CBF, hoje muito menos desonesta do que já foi um dia, ganha menos títulos com a seleção do que ganhou um dia.

Ajuda, atrapalha. Mas não é determinante.

O Cruzeiro entrou em campo atolado em uma crise que envergonha seu torcedor. Ao deixar o Mineirão o cruzeirense sentia orgulho. Foram 90 minutos, nada mais.

Um baile? Não chega a isso. Mas uma paulada muito bem dada. Com golaços, raros sustos e um cenário de deixar atleticano assustado.

Nem a dignidade de um destempero o time do Galo teve. O que pra muitos é virtude pra mim é sintoma de fragilidade. Ninguém perde clássico, toma olé e sai de campo sem nem fazer uma falta mais dura, perder a cabeça com um companheiro ou algo assim.

Uma noite de “tanto faz”. Outra de “faz de conta”.

O Atlético não teve vergonha de aceitar a derrota. O Cruzeiro teve vergonha do que falam dele. Entrou pra rasgar, pra mostrar que ali, em campo, ninguém tem nada com isso.

E o Galo, idem. Porque era isso que parecia. Que ninguém ali tinha nada com isso…

RicaPerrone

Ao menos o DNA

Mal em campo por boa parte do jogo. Claramente não funcionando como esperado e prestes a rever o treinador. Esse é o Galo que transformou uma boa classificação na pré-Libertadores em uma campanha de alto risco.

Em casa desde sempre o time joga menos do que pode. Fora, com espaço, mais. Mas time grande não pode viver de contra-ataque pois a iniciativa é dele.

Levir? Não sei se só ele. Mas com certeza ele é um dos que eu não apostaria para um time em 2019.

Se a bola não apareceu, se o time não funcionou e o jogo foi bem pior do que o esperado, ao menos o DNA atleticano na Libertadores foi respeitado.

O senhor dos milagres fez mais um. Ok, não era o Boca, era o Zamora. Mas virar um 2×0 em meio tempo na Libertadores ainda é coisa de raros clubes.

Amanhã? Demitiria comissão, mudaria peças, sei lá! Mas hoje o Galo quase morto respira. E respira com peito estufado. Não pelo desempenho, mas pela alma.

As vezes o torcedor perdoa um resultado quando vê seu clube representado em campo. As vezes ele sente um vazio numa vitória por não enxerga-lo ali.

A bola não foi de Atlético. Mas a virada, muito!

RicaPerrone

 

#TBT: Djair

O uniforme no futebol é uma obrigatoriedade que atrapalhou alguns jogadores. Digo isso porque se pudesse estar de acordo com o jogador e não o clube o traje de Djair seria um smoking.

Calmo, lento, elegante. Irritante até.

Djair passou por 8 dos 12 grandes, e embora tenha sido um jogador de altíssima técnica nunca vingou em seleção, europa ou mesmo conquistou títulos grandiosos.

Toda vez que alguém queria um “volante” que soubesse jogar havia um nome na cabeça: “Djair”. A dúvida vinha junto. “Será que ele vai render?”.

Jogador raro.  Hoje nem sei dizer se jogaria ou se seria um fenômeno.

Djair foi um volante moderno com características de meia antigo. Fosse hoje ele não seria nem um volante, nem um meia. Não há mais Djair no futebol.

Aquele trote cansado ainda no primeiro tempo irritava o torcedor minutos antes do lançamento genial de quem jogava sem olhar pro chão.

Andarilho, saiu sem um clube de identificação forte, mas com vários de boas memórias.

Quem se parece com Djair hoje? Ninguém. Tem que ser muito bom de bola pra jogar “feito o Djair” hoje em dia.

RicaPerrone

Vocês sabem como é

Parece obrigação, mas não é. O campeonato mais difícil do mundo não pode ter sua análise a palavra “obrigação”, e se existe um clube que pode exemplificar isso com sua própria história é o Atlético em sua conquista da América.

Poderia ser mais fácil aqui. Mas também poderia ser bem mais complicado lá. Esperar que o time dê um baile na ida e na volta num mata-mata de Libertadores não é análise tática ou técnica. É quase desconhecimento de causa.

Haverá expulsão, perrengue, uma bola que entra do além, outra que deixa de entrar por um milagre.  E ainda tem o juiz, inimigo número um dos brasileiros na Conmebol.

O Galo jogou menos que podia, não vi os sustos que alguns viram em perder o jogo, nem um futebol que justificasse qualquer euforia. Apenas uma partida burocrática de quem queria passar e nada mais.

Aí sim podemos ter uma questão: o “nada a mais”.

Pra ser campeão da Libertadores você tem que ter tudo e “algo mais”. O Galo tem um bom time, fez dois bons jogos fora de casa, passou hoje sem inspiração, sem ousadia mas também sem sustos.

Não, não é hora ainda de encontrar isso. Estamos saindo da pré temporada, organizando os elencos e times e portanto esperar qualquer brilho neste momento é um exagero enorme.

Passou. Missão cumprida. Agora o Galo tira das costas a obrigação e parte pro sonho. E desde que me entendo por gente não vi ninguém fazer de um sonho tão real quanto o próprio Atlético na Libertadores de 2013.

Não ousarei ensinar o padre a rezar uma missa.  Mas agora a missa está confirmada.

Dizem que ir a missa é pra quem tem fé. E ter fé é acreditar.

Deus que me livre falar sobre isso com atleticano.

RicaPerrone

Eu não sei do que vocês estão falando

As vezes eu vejo tv em programas esportivos. Não gosto, vejo 99% das vezes pra rever gols e lances, mas a gente pesca uma coisa ali, outra aqui.  Ao Galo ouvi críticas. Fui numa rede social e li criticas.

Não entendi bem.

Assisti apenas a 4 jogos no ano, é verdade. Mas foram 3 de Libertadores, um no estadual com time titular. Eu gostei do que vi. Teve altos e baixos, normal. Estamos em fevereiro. Mas o Atlético fez dois jogos na Libertadores onde o primeiro tempo parecia um treino.

Se enrolou no segundo.

Hoje, de novo, parecia dono do jogo. O campo parece sempre mais largo quando o Galo ataca. As chances surgem, o time adversário tem raros surtos no jogo e o controle é quase todo do Galo.

Mesmo fora de casa, mão na vaga de novo.

No estadual, embora ninguém se importe, é líder com melhor ataque e defesa.

Há momentos de muito bom futebol. Há também alguns apagões. Mas não há motivos para críticas e cobranças exageradas.

O Galo vai muito bem, obrigado.

RicaPerrone

Mercenários

Tardelli é anunciado no Grêmio e vejo a mesma reação dos atleticanos como fizeram so rubro-negros no caso Renato Gaucho.

“Ah mas ele disse que ama o clube e foi pra outro”.

Porra gente… 2019 né? Já deu pra entender como a banda toca, não ser mimado, hipócrita e nem tentar se fazer de burrinho pra pagar de fanático.

O Tardelli disse que ama o Galo. E ama.

O Renato disse que quer treinar o Flamengo. E quer.

Mas ué.

O Atlético disse ontem através de seu treinador que NÃO TEM DINHEIRO pra pagar o jogador. Ponto. Decisão correta do clube, dele mais ainda porque é um profissional e vai jogar em outro clube onde receberá o que o mercado lhe diz que vale.

Você, atleticano, faria rigorosamente a mesma coisa.

O Diego não deixou de amar o Galo, apenas não pode voltar pra lá agora. É o trabalho dele, não a organizada que ele frequenta.

O Renato pode querer ir pro Flamengo um dia sem ter ido agora. É óbvio! Eu quero um monte de coisas que não posso agora. Se a minha escola de samba que tanto amo me pedir pra trabalhar lá e eu não puder em 2019 eu sou filho da puta porque disse que a amava anos e anos?

Parece que torcedor de futebol insiste em ter 14 anos pra sempre.  E eu acho legal que tenha em diversos fatores, mas não para desfazer uma relação de idolatria por causa de uma decisão simples e que você faria exatamente o mesmo.

Mercenário é um termo no futebol que o tempo provou ser mero folclore. Todos nós somos, e mesmo que a gente possa ponderar situações, não estamos falando de rivais diretos da mesma cidade. Os dois mantiveram seus desejos de voltar um dia, o carinho pelo clube, mas… a vida não é exatamente como a gente quer.

Ninguém foi mercenário. Foram profissionais e aceitem algo simples e óbvio: hoje o Grêmio é mais seguro. Paga em dia, está forte, estruturado e competitivo.

Porque não?

Não joguem seus ídolos fora porque eles não são seu playstation e você não comanda 100% das ações deles. O seu “desejo pessoal” pode desequilibrar uma disputa equilibrada. Não há qualquer equilíbrio entre “não posso te pagar e quem eu deveria pagar não estou pagando” x “pago em dia e estou oferecendo mais”.

Por favor. Menos hipocrisia.  Ele não foi pro Cruzeiro por 50 mil a mais. Foi pro Grêmio.

RicaPerrone

O eterno “vexame”

Todo ano acontece a mesma coisa. Nós olhamos a tabela, os elencos, achamos que estamos na Espanha e decretamos que tal time não vencer é vexame.

Ignoramos o fator “formador”, que nivela muitas vezes pelos jovens talentos, o fator campo, a pressão, o estilo de jogo em cada país das Américas e no final tentamos jogar pros clubes a “vergonha” que fizemos ao avaliar o cenário.

Passa o Galo? Sim. Todos achavam. Mas aí começa a palhaçada de achar “vexame” se não passar. A mídia transforma a glória em alívio, a vontade em pressão e o jogo se torna um inferno.

Vamos sim perder algumas vezes em pré Libertadores e em semi de Mundial. Porque? Porque somos passionais, a mídia transforma nossos jogos em obrigação e quando erram ao invés de reconhecer que “não era tão fácil”, dizem que “quase foi vexame”.

É uma puta tática. Funciona. Mas de covardia ímpar.

Jogo de Libertadores é duro. Sempre foi, e embora hoje seja menos do que já foi um dia em virtude dos campos padronizados, a proibição das festas e a palhaçada de se achar europa que a mídia sempre apoiou (essa pica ninguém assume né), ainda há um fator de equilíbrio muito forte.

Há favoritos, mas não “vexame”.

O Galo foi só o primeiro a ver uma “conquista” virar  “obrigação” e virar um quase “vexame”. Outros virão.

Porque pode até ser uma “zebra” perder pra um time menor. Mas repetir a mesma avaliação arrogante e equivocada ano após ano eu chamo de “vexame”.

RicaPerrone

Negócio, bom senso e bairrismo

Estava sem dormir na noite anterior, aguentei até metade do segundo tempo e acabei pegando no sono. Não vi o Galo fazer 2×1 e nem sofrer o empate, logo, quando acordei hoje fui direto olhar quanto tinha sido o jogo.

Lembrei de uma época onde os torcedores de Grêmio, Galo, Cruzeiro e Inter brigavam comigo no twitter dizendo que eram injustiçados e marginalizados pela mídia mesmo com todos os títulos e torcida que tem. Eu teimava em achar exagero, e até acho de alguma maneira. Mas…

Na página de ESPORTES da Globo, é o vigésimo segundo destaque. No UOL, uma opinião sobre o jogo na décima segunda chamada. No Terra, a quadragésima chamada da capa de esportes. Na ESPN o jogo é citado após 5 chamadas para Real x Barcelona, 3 pro UFC, 4 de NBA e até uma do Vasco não tem “quente”.

Eu não sou hipocrita. Flamengo e Corinthians vendem bem mais e por isso colocamos bem mais. É um negócio, não uma ONG. Ao contrário do que pregam os jornalistas, em total desacordo com o comercial de suas empresas, ainda se trata de algo com fim lucrativo e não ideológico.

Mas também não sou burro. Tratar como algo menor do que a goleada óbvia do Flu na Copa do Brasil já é um erro. Praticamente ignorar enquanto se destaca notícias de dia-a-dia de outros clubes é de um bairrismo inacreditável.

Hoje senti um pouco do que o pessoal do Sul e Minas tanto reclamam. E de fato causa uma certa sensação de desprezo. Você sabe que seu lugar era a manchete numero 1 hoje. E está entre a décima segunda e a quadragésima dos portais de esporte nacionais.

Ou seja, há sim algo mal feito e com critérios absurdos.

Embora eu tenha a absoluta convicção de que não sou parte dessa turma, há muita gente que precisa olhar pros lados e tirar o cabresto na hora de ver o futebol brasileiro. Ou vão continuar a vê-los ganhando títulos e mais títulos e acordar discutindo “como o Mengão deixou escapar” um campeonato onde ele raramente vai bem.

RicaPerrone

Sete clubes entrarão na rodada 37 de “férias”

Alguns acham que o Brasileirão de pontos corridos é justo por ser “todos contra todos”. Eu lhes digo há anos que é exatamente esse um dos fatores que o torna bem mais injusto do que terminar em confrontos diretos de interesses iguais.

A partir da próxima rodada 7 clubes entrarão em campo sem nada pra fazer. E não, ninguém “disputa” vaga na Sulamericana. É a consolação da consolação.

Do Cruzeiro até o Flu, contando o Paraná, ninguém tem o que buscar. Botafogo, Bahia, Santos e Corinthians estão nessa lista.

Dos 7, cinco destes clubes estarão em confrontos que decidem para seu adversário ou Libertadores ou rebaixamento.

Essa tal “justiça” do todos jogam contra todos não existe quando você depende da sorte de ter no final da tabela adversários interessados ou não.

RicaPerrone

Flamengo segue liderando o ranking digital

O Ranking atualizado do mês de novembro mantém o Flamengo no topo e tem como única grande curiosidade o Botafogo ser o único dos 12 grandes que não está no “top 13”.

O “top 13” existe em virtude do acidente da Chapecoense, onde o mundo todo passou a seguir o clube nas redes sociais.

Sport e Botafogo estão praticamente empatados.

Fonte: Ibope

RicaPerrone