Atlético MG

Sofre porque quer

Esperei a noite passar porque sou radicalmente contra ser o esfriador de paixão alheia. A noite do rubro-negro deveria ser de festa e não de análise. Líder é líder, e vencer no Horto é altamente comemorável.

O ponto é que não consigo fazer um texto cheio de elogios e paixão num jogo que me reflete exatamente o que penso sobre futebol. Um time que sofre porque não tem nada coletivo e outro que joga mesmo não tendo nada especial individualmente.

O resultado? Ora, você viu o jogo. O resultado aconteceu. Não foi construido. E isso não pode mudar a avaliação que faço de mais um jogo ruim do Flamengo. Mais um bom jogo do Galo, embora o placar me desminta num lance incomum.

“Ah tinha desfalque!”, não se engane. O Flamengo joga mal com ou sem eles. Não faz nem 3 dias vocês, rubro-negros, diziam a mesma coisa que eu.

Você não tem porque sofrer com Diego, Everton, Paqueta e Vinicius em campo.

“Aprendeu sofrer”.

Porque?! É pra sofrer que se investe tanto em reforços caríssimos mesmo tendo na base as soluções mais óbvias e de bons resultados da história do clube?

O Atlético tem um time com limitações bem maiores que as do Flamengo, especialmente na frente. Mas não considero o time do Galo ruim, não. Até gosto do time.

Mas é dele o papel de apresentar um jogo coletivo, bem estruturado, com posse de bola e mais que o dobro de finalizações?

O Flamengo é líder porque tem time, uma boa tabela e jogadores que resolvem jogos. O  coletivo do Flamengo é ruim. O time não joga bem, cria pouco e não condiz com o que se espera desses jogadores.

Mas hoje é líder. Então todos são ótimos. Se quarta-feira não for, ninguém presta. E esse é o lado delicioso de ser o Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Suas idéias não correspondem aos fatos

Quando o Galo abriu mão dos titulares na Sulamericana o recado era claro: não dá pra disputar 3 campeonatos, vamos focar em dois. Sendo óbvio que a Copa do Brasil é o alvo mais realista e bem pago.

Compreendi. Faria também. Acho a Sulamericana um torneio fraco e superestimado por ser “internacional”. Mas entendi que aquele era o claro recado de que o time jogaria o tudo ou nada contra a Chapecoense hoje.

Não foi o que aconteceu.

Em diversos momentos chegou a ser pressionado, não controlou o jogo e seu ímpeto ofensivo foi o de quem jogava pelo empate, não pra vencer.

Na real o Galo que deveria ir babando pra cima da Chape foi lá pra não perder. E não perdeu. Nem se classificou.

Agora o time reserva da Sulamericana será mais contestado, o time ainda que líder do Brasileirão, pressionado a fazer grande campanha onde não era esperado que fizesse.

E veja você, a Chape, que nada tem com isso, segue sendo o time pequeno de maior vocação para o protagonismo em todos os tempos.  A fama a procura. Os feitos dramáticos idem.

Talvez ela nunca aceite o papel, mas nunca poderá dizer que lhe faltou oportunidade. O futebol ama a Chapecoense.

E o Galo vai ter que usar todo pragmatismo desta partida no chato pontos corridos, onde, diga-se, ser pragmático funciona.

abs,
RicaPerrone

Relatório completo de público no Brasileirão de 2012 a 2017

Uma das coisas que o torcedor mais gosta de discutir é o desempenho dele mesmo perante seu clube na arquibancada.

O ADMKT é o Grupo de Pesquisa e Extensão em Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Federal de Goiás (UFG). Fundado em 2012 pelos docentes e pesquisadores Marcos Severo e Ricardo Limongi, professores efetivos da UFG, o grupo foi criado com o objetivo de promover atividades da área de marketing realizadas no âmbito da instituição de ensino.

Pois este grupo fez uma incrível pesquisa sobre o público do futebol brasileiro dos campeonatos brasileiros de 2012 até 2017.

A comparação começa com a Premiere League, na Inglaterra. E logo se tem a discrepância de público dentro dos estádios.

Dessa forma, o objetivo deste relatório é responder diversos questionamentos relacionados ao Campeonato Brasileiro de Futebol, não somente aqueles que tratam do público pagante e da taxa de ocupação nos estádios, como também os que se relacionam ao desempenho das equipes de futebol.

O contexto brasileiro é particularmente marcado pela existência de 12 grandes clubes, que concentram 53 dos 59 títulos dos campeonatos brasileiros disputados desde 1959, época da primeira edição da Taça Brasil.Conhecer detalhes da dinâmica do principal campeonato de futebol do País é importante, principalmente se for considerado que os principais clubes brasileiros ainda se veem diante de problemas estruturais e organizacionais crônicos, como más condutas de gestão.

Dirigentes e profissionais de marketing que atuam nessa realidade pouco sabem dos fatores que determinam a presença de público nos estádios ou o desempenho das equipes no campo.Poucos são os clubes realmente prossionalizados que organizam ações administrativas baseadas na racionalidade da análise de dados. Entretanto, esse cenário começou a mudar nos últimos anos, com isoladas iniciativas de prossionalização e responsabilidades scal e administrativa. A apresentação do “Relatório ADMKT de Presença de Público nos estádios brasileiros”acompanha esse movimento e se apresenta como fonte de informação para gestores de clubes, prossionais de gestão esportiva e da imprensa especializada

O primeiro gráfico mostra o público médio e também o “desvio” padrão. O “desvio” é como uma margem de erro. É a média de público oscilando pra cima e pra baixo perante o público médio.

A seguir temos um gráfico para mostrar em ordem essas médias de público ao longo deste período.

A seguir a taxa de ocupação, que está sempre diretamente ligada ao público médio em virtude da capacidade de cada estádio.

Temos, então, outro gráfico interessante. A comparação entre começo e final de campeonato, para verificar se as torcidas se comportam regularmente, só nas finais ou só num começo empolgante.

Em seguida uma série de gráficos que indicam o comportamento do torcedor para ir ao estádio no Brasil, e até a sua relação com o resultado.

Esse trabalho detalhado e muito interessante para discussão sobre o futebol brasileiro foi feito pela equipe abaixo, a quem agradeço pela preferencia em ter disponibilizado a este blog primeiro.

Mais que o título

O Cruzeiro precisava mais dessa conquista pela temporada do que pela taça em si.  Ameaçado de ver o sonho virar crise muito rápido, a conquista de hoje se tornou bem mais do que um título estadual.

O time é nuito bom. Perdeu Fred, viu seus dois primeiros jogos importantes do ano se tornarem derrotas e a torcida que estava sonhando começou a cobrar.  O paraíso é muito perto do inferno pra um time que cria expectativas. E o Cruzeiro de 2018 é um time de quem muito se espera.

Não assisti ao jogo final ainda. Vi os gols, os melhores lances, a expulsão e a polêmica toda. Sim, concordo com a maior parte dos atleticanos. A expulsão era dupla. O Edílson não só deixa o pé como imediatamente após levar a paulada, devolve com o braço.

Acho que friamente se tirassem as camisas e colocassem camisas vermelhas e amarelas, nem mesmo o presidente do Cruzeiro discordaria disso. Mas sendo azul e a outra preta e branca, é claro que o Edílson não fez nada na visão de metade de Belo Horizonte.

Mudou o jogo? Provavelmente.  Uma final com 10 contra um time que naturalmente já é melhor que o seu no papel faz diferença. E deve ter feito.

Independente da polêmica da arbitragem o título dá ao Cruzeiro uma breve tranquilidade para buscar o que ele realmente almeja no ano e as finais deram ao Galo uma sensação que “dava” pra ter batido o rival não fosse o arbitro.

Mais notável que isso só constatar que de novo, como sempre há anos e anos, o gol decisivo de um título foi de quem?  Thiago Neves….

abs,
RicaPerrone

Quando tá valendo…

A piada é velha, mas o contexto é novo. O Cruzeiro que é candidato a melhor time do país em 2018 enfrentou o rival, que vive um ano de poucas expectativas até por não estar na Libertadores, e tomou 3×0 no primeiro tempo, aliviando pra 3×1 no segundo, mas evitando tomar mais uns 2 ou 3 no segundo tempo.

Se quiserem falar em bola parada, que digam. Mas o Atlético jogou mais do que o suficiente pro placar que fez. A forma que sairam os gols não muda o fato do Galo ter conquistado a vitória e não achado numa bola qualquer.

Resolvido? Não, claro que não.  O Cruzeiro pode fazer 2×0 em qualquer time do mundo e não será nada anormal. Imagine num clássico.

Mas do primeiro turno pra final, a brincadeira foi séria. “Quando tava valendo….”.

A diferença de foco na temporada existe. Mas naqueles 90 minutos eu duvido que justificou. O Galo é mais um time de um treinador novato jogando um futebol de fato novo e crescente.

O Cruzeiro tem um grande time, joga bem muitas vezes, mas a realidade é que jogou 2 partidas que importavam em 2018. Perdeu as duas.

Tem sim diferença. O Cruzeiro precisa vencer um jogo importante, não só os protocolares. O Galo venceu o único que precisava (até aqui) no semestre. Tem jogo que vale, tem jogo que não vale.

E quando tá valendo…. tá valendo.

abs,
RicaPerrone

Fala, Wright!

Acordei assistindo pela primeira vez um famoso jogo de 1981 entre Flamengo x Atlético Mineiro, onde a arbitragem é acusada até hoje de favorecer o time carioca.

Nunca tinha visto. Vi, avaliei, deu maior polêmica em redes sociais e então recebi o contato do filho do Wright, que colocou o pai a disposição para esclarecer os lances. Adorei, claro! E então ele me deu a versão dele das polemicas, e divido com vocês.

“O que você considerou um erro foi o maior acerto que eu tive.  O jogo tava difícil, pegado, muita pancadinha. Chegou uma hora eu não tinha mais condições de segurar na base da bronca. Chamei os dois capitães e disse “O primeiro que der, sai! “.
O que eu vou contar agora é a primeira vez que revelo. Quando chamei os dois capitães e avisei que expulsaria, o Reinaldo virou pro Nunes e disse “duvido, não vai expulsar ninguém!”.
Então foi uma expulsão mais do que logica. Ou você se impõe ou é engolido”, contou o ex-arbitro.

Ainda que este lance do Reinaldo seja entendido, há também a expulsão do Éder logo em seguida, que o arbitro explica.  “O lance do Éder por exemplo, deu uma pisada e jogou o corpo em cima de mim. Resultado: saiu na hora.  Eu nunca abri mão da disciplina. Nunca falei um palavrão pra jogador, e olha que sou desbocado no dia a dia.”.

Para Wright, o Galo foi vitima do próprio presidente, que não soube separar as coisas e acabou deixando o time mais nervoso do que deveria.

“Que deus o tenha, mas o Kalil nao teve equilíbrio para poder desforrar-se da derrota do ano anterior. Mas eu não tive nada com isso. Nao apitei o jogo. E com isso ele não trabalhou a cabeça dos jogadores para ter tranquilidade. Ganharia tranquilamente, o time do Atlético era muito bom! “, disse.

José Roberto ainda conta que encontrou o ex-presidente do Galo e o recém falecido Bebeto de Freitas, e que foram cordiais com ele. Mas que na mídia não tiveram o mesmo comportamento. “Outro dia encontrei o Kalil e o Bebeto de Freitas em Buzios. Ali batemos papo, normal, tranquilamente. Quando teve Flamengo x Galo me esculhambou, falou um monte de besteira.
Engraçado porque nao falou na minha frente lá em Geriba? Com todo respeito a torcida do Atletico, eles pagaram pelos erros do seu ex presidente, que Deus o tenha. “, revelou.

Voce pode tambem ouvir a íntegra do audio de José Roberto Wright explicando as polemicas da partida.

Assisti Flamengo x Atlético de 1981

Como a maioria das pessoas de menos de 40 anos, ouço falar do polêmico Flamengo x Atletico da Libertadores de 81 como um dos maiores roubos da historia do futebol. E como a maioria deles, também nunca havia assistido ao jogo na integra.

Pois de curiosidade, abrindo uma série no blog sobre jogos antigos, resolvi assistir pra encontrar o meio termo entre os exageros atleticanos e a defensiva rubro-negra.

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Cenário: Jogo de desempate da fase de grupos da Libertadores de 81. O empate era do Flamengo por ter feito mais gols. Jogo em Goiânia.

O arbitro Jose Roberto Wright foi escolhido em comum acordo pelos dois clubes para apitar o jogo.

6 minutos – Cerezo para um contra-ataque fazendo falta em Leandro e toma amarelo. (Cerezo jogava contrariado e obrigado pelo Galo em virtude de ter sido expulso em 79 e ficado 2 jogos fora, o que no entendimento do clube prorrogava seu contrato)
8 minutos – Atlético tem mais chances de gol, jogo intenso, arbitragem dura com os dois lados dando todas as faltas.
13 minutos – Jogo muito intenso com muitas faltas para interrompe-lo e todas bem marcadas até então. Nenhuma polêmica.
17 minutos – Atletico tenta esticar bolas e o Flamengo tenta chegar tocando. Nenhum dos dois consegue. O jogo segue calmo sem nenhuma polemica.
21 minutos – Palhinha faz a segunda falta seguida no meio campo e toma merecido cartão amarelo.
22 minutos – Reinaldo pede pênalti em possível mao na bola do zagueiro. Não da pra ver sem replay, o repórter atrás do gol diz que não aconteceu.
23 minutos – Waguinho deixa o pe na dividida com Junior e toma amarelo merecidamente.
25 minutos – Terceira falta para o Atletico próximo a área. Todas foram.
27 minutos – É assustador como a qualidade técnica era determinante pro jogo. Os dois times apostam 100% no talento pra criar jogadas.
29 minutos – Eder toma um cartão amarelo. Não há imagens nem replay. Os repórteres não explicam o que houve.
30 minutos – Cartão amarelo para Mozer. Correto.
33 minutos – Reinaldo faz falta por tras no Zico e é expulso. Exagerada. Um amarelo estava bem resolvido. Jogo era leal até entao. Tele Santana nos comentarios da tv ao vivo diz a mesma coisa.
34 minutos – Eder expulso. Ele tromba no arbitro e fala alguma coisa. Nao tem replay, nao da pra saber se ele expulsa pelo que foi dito ou se porque acha que a trombada foi proposital.
– Em conversa com o arbitro neste mesmo blog horas depois ele afirma ter sido pisado pelo jogador e não xingado. Neste caso considero a expulsão um erro também. 
34 minutos
– Invasao de campo por parte da diretoria do Atletico. Jogadores se revolvam, imprensa entra e cercam o juiz.
37 minutos – Diretoria pede que o time se retire de campo. Muita confusão. Jogadores do Atletico começam a xingar o arbitro e tomam cartoes em sequencia. Chicão expulso. Palhinha também xinga o arbitro e é expulso.
38 minutos – Carlos Alberto Silva pede para simular contusões para que o jogo termine pelo numero minimo de jogadores.
40 minutos – Os atleticanos revoltados afirmam que estava tudo armado, o time do Flamengo não se mete em nada e fica treinando faltas no gol.

Já não ha mais contagem de tempo. O Flamengo em campo, o Atletico deixou o gramado. Policia pra todo lado, imprensa pra lá e pra ca. E o Wright espera porque com 7 jogadores ainda há jogo pelo regulamento.

Antes que o Wright encerre o jogo, o Galo volta pro campo e quer jogo. O Wright diz que acabou. Que o tempo prometido para esperar o Galo havia acabado, mas o Atletico esta em campo e quer jogar.

Um torcedor invade o campo para abraçar os jogadores do Flamengo em meio ao caos.
Em nenhum momento os jogadores do Flamengo tomaram qualquer atitude. Desde o começo da confusão se afastaram e apenas esperaram.

Wright manda os dois times cada um pro seu lado e vai recomeçar o jogo. O Atletico tem sete em campo, se reune no gramado e combina o que vai fazer antes da bola rolar novamente.

O arbitro expulsa todo o banco do Atletico, provavelmente pela invasao a campo no momento da expulsao do Eder. O Galo tem 7 em campo, literalmente, e mais nada.

O jogo recomeça, Joao Leite, goleiro do Galo, se joga no chão para que o jogo termine com 6 jogadores. E mesmo com o goleiro caido Wright mantem o jogo e não pára para que ele seja atendido.

A bola para em falta pro Galo. O médico pede para que a maca entre em campo, não tem mais reservas, já fizeram substitutiçoes. O Wright manda os medicos pra fora e Joao Leite segue deitado. Ele entende que é uma contusao armada. Leite é expulso pela cera, se levanta imediatamente.

Fim de jogo no Serra Dourada.

O arbitro sai de campo culpando o Galo, dizendo que é um time que ja entrou para isso em campo. Todos os comentaristas da transmissão e o treinador da seleção Tele Santana também condena o arbitro.

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O que vi?

O jogo estava muito bom, os dois times jogavam lealmente e o arbitro apitava corretamente até o lance do Reinaldo.

Não há como alguns dizem uma sequencia de roubos até conseguir tirar o Galo da Libertadores. Há um erro grave e o resto do que houve é consequência deste erro. Ele não deveria ter expulsado o Reinaldo.

Vem o lance do Eder, que ele alega ter sido pisado pelo jogador e não há replay que mostre isso. Logo, considero que errou.

O que vem a seguir são expulsões “justas” por comportamento, mas naturais em virtude do erro do arbitro. Ou seja, um roteiro bastante previsível até. So que ao invés do arbitro ver que errou e fingir que nao está ouvindo, ele bancou a expulsão e deu vermelho pra quem o xingava.

Há um erro grave no jogo. A expulsao do Reinaldo. O restante é consequência disso. Então não consigo ver como um resultado armado, mas sim como uma arbitragem que transformou uma falta na maior bola de neve da história.

Sim, o Galo foi muito prejudicado. Mas por um lance,  não por 10 erros como alguns entendem ter acontecido. Partindo do principio de que ele achou a falta pra vermelho, as demais expulsões sao todas por algo que foi dito e invasão a campo. Logo, todas corretas.  Mas todas elas causadas por um erro dele.

Dá pra pegar o que estou dizendo?

Em resumo, não é o maior assalto da história porque há um erro de arbitragem apenas. Mas é sem dúvida a pior condução de um jogo que já vi. Mesmo errando ali, o juiz poderia ter se acalmado, ignorado uns 5 minutos de xingamentos do time do Galo e segue o jogo. Ele quis bancar, peitar e ter razão… virou o maior vilão de todos os tempos.

E se você ficou curioso e também quer ver, são apenas 35 minutos. Segue o video abaixo.

abs,
RicaPerrone

Vocês precisam entender a Florida Cup

Há no Brasil um erro grotesco de interpretação quanto ao torneio norte-americano.  “Não vale nada”, diz o torcedor.  Mas é óbvio que não! E nunca foi intenção do torneio que valesse algo, tanto que nem tem final.

A idéia é muito mais simples e mais interessante do que a disputa de um torneio.

Ninguém quer disputar título com 5 dias de treinamento. Mas treinar a 20 graus ao invés de 35, com estrutura de primeiro mundo, onde as famílias dos jogadores curtem os parques enquanto eles trabalham, com 5% de imprensa por perto pra perturbar e ainda jogar dois amistosos maneiros contra times de fora é um problema?

Tudo que fazem no futebol brasileiro é criticado.  É quase um hábito. Mas as vezes eles conseguem boas coisas, como por exemplo o Florida CUP.

Nao é pra dar audiência, público, título. É pra ser uma pré temporada diferenciada, em paz, aproveitando para fazer negócios e relacionamentos com clubes do mundo todo e dezenas de personalidades do esporte que estão aqui de férias e vão ao evento.

A sala vip da Florida Cup é surreal. Tem desde os craques do passado até os donos de empresas gigantes do mundo. E ali se faz negócios, enquanto os times em campo jogam amistosos e treinam pro ano que vem aí.

Parem de discutir o quanto vale o torneio. Ele não é feito pra valer título, mas sim pra valer a pena. E vale. Eu lhes digo de perto, após alguns anos, que vale!

Não há perda. Se ganha em todos os sentidos. E quando o Galo manda o sub 23, por exemplo, apenas comete mais um dos mil erros que cometemos no Brasil ao desvalorizar um negócio que estamos dentro. E depois não sabemos porque nos falta dinheiro…

abs,
RicaPerrone

Claro que faz diferença

Eu adoro o Robinho. Não o conheço pessoalmente, mas como personagem e jogador, gosto muito.  Carinhosamente o chamo de “Nego Robson” nas minhas postagens e não sei o quanto acredito num estupro envolvendo seu nome.  Mas, hoje, ele está condenado pela justiça italiana por isso.

Eu não tenho a menor condição de julgar, e tal qual 99,9% de vocês, só posso respeitar uma decisão da justiça e entender que mesmo cabendo mil recursos, há um processo bem ruim para o jogador em andamento.

Enquanto acusação, ok. Quando condenado, muda de status e sim, tem que mudar mesmo. Não é possível que a gente tenha que ser radical pra um lado ou outro e achar que ele é um estuprador, nem mesmo insinuar que uma condenação de estupro não interfira na sua imagem profissional.

É natural e aceitável que clubes rejeitem a idéia de ter Robinho, como era com o Bruno. Como talvez seja em outra proporção com o Breno, por não envolver terceiros em seu crime. Mas ter uma condenação muda sim o status de qualquer pessoa. E deve mudar. É natural.

Robinho é um jogador diferente. Caro, mas que vende, joga bem, é carismático. Eu sempre gostei da idéia de tê-lo no meu time. Hoje eu pensaria. Porque sim, amanhã você pode ter um condenado por estupro no seu time tendo que estampar a porra da foto em tudo que é jornal com a camisa de voces e seu patrocinador.

Sim, tem um peso.

Eu espero mesmo que ele seja inocente e que seja um erro da justiça italiana. Mas enquanto isso não mudar, é realmente complicado contratar o jogador.

E por mais que cobrem da imprensa um massacre como fizeram com o Bruno, é compreensível o pé atrás em falar sobre. Amanhã pode haver uma segunda decisão e ele ser absolvido. Mas falamos de hoje. E hoje ele foi condenado.

Que merda. Mas é isso. Hoje, é isso. Infelizmente.

abs,
RicaPerrone

Identidade

Acho incomparável a possível troca de Fred pelo Fla com a ida ao Cruzeiro.  Como falei sobre Kaká outro dia, o mesmo se aplica ao Fred. Ter revelado o jogador não faz dele um ídolo do clube.

A ligação Fred/Cruzeiro nem a esse ponto chega porque ele veio do América. Ou seja, é só um cara que jogou lá (e bem) por 1 ano e meio. Não vi a ida dele pro Galo como “trairagem” ou sequer “polêmica”, idem pra sua volta, embora tenha sido direta.

Ele também não é um ídolo do Galo. Foi só um grande jogador que atuou lá.

Separemos.

No Fluminense ele é um dos maiores, se não for o maior. Ir ao rival tiraria dele uma parte considerável da relação torcida/ídolo que construiu ao longo de 8 anos de clube. Lá foi campeão, jogou Copa, outro patamar.

A ida pro Cruzeiro me chama mais atenção pelo timaço que eles tão montando do que por qualquer dor de corno ou polêmica em terceiros.

Outro dia falava sobre o pensamento pequeno da diretoria do Flu e em massa sua torcida concordava.  Mas sim, achei meio “pequeno” por parte de parte torcida do Flu “comemorar” a ida dele ao Cruzeiro. Afinal, se houve proposta, ele também recusou a sua. Embora “não ir pro Flamengo” seja uma vitória, não se posta festa em família porque o primo saiu de cadeia, né?

Entre os “vencedores e vencidos”, acho que ficou bom pra todos. Eles segue ganhando uma grana, morando perto da família e jogará a Libertadores.

Ah, mas a organizada é contra!

Mais um indicativo que o clube agiu certo. Ótimo reforço. Ainda o melhor do país na posição.

E azar de quem não levou ou não pode pagar.  Simples assim.

Queria eu ter o Fred no meu time.

abs,
RicaPerrone