Campeões de audiência

O contrato

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Enfim, o que todos os torcedores de Fluminense, Botafogo e Vasco sempre desconfiaram chega a conhecimento público.  Este blog conseguiu com exclusividade um termo de contrato assinado em 1895 que pode explicar muito das viradas espetaculares do Clube de Regatas Flamengo.

Confira.

CONTRATO DE PARCERIA

Parceiro Outorgante: Clube de Regatas Flamengo, com sede na Av. Borges de Medeiros, 997 – Lagoa Rio de Janeiro – RJ – Brasil. CEP – 22.430-040.

Parceiro Outorgado: Lucifer Gallardo, com sede no Inferno, sub solo, sem cep, próximo a Bangu, Rio de Janeiro, Brasil.

As partes acima identificadas têm, entre si, justo e acertado o presente Contrato de Parceria, que se regerá pelas cláusulas seguintes e pelas condições descritas no presente.:

DO OBJETO DO CONTRATO

Cláusula 1ª – O presente contrato tem como OBJETO a troca de favores entre as partes. Sendo o Flamengo capaz de proporcionar momentos de muito terror aos seus quando tudo caminha para a paz e vice-versa. Sempre que precisar, porém, o Flamengo terá uma ajuda não justificável no plano físico do Lucifer.

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGANTE (C. R. Flamengo)

Cláusula 2ª – Se manter sempre numa divisão igual ou acima dos três concorrentes da cidade sede.

Parágrafo primeiro – Prometer, sempre, mesmo que seja impossível, estar num nível incrivelmente superior a maioria

Parágrafo segundo – Exalar fé e confiança mesmo sem motivos para tal.

Parágrafo terceiro – Aumentar de forma constante o número de fiéis seguidores.

Parágrafo quarto –  Causar dúvida na presença divina sempre que possível contrariando a lógica com algum milagre que cause dor a seus fiéis.

Parágrafo quinto – Usar em seu uniforme sempre um pedaço de cor vermelha em respeito ao Lucifer

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGADA (Lucifer) 

Cláusula 3ª –  Lucifer fornecerá ao Clube de Regatas Flamengo, a força do mal suficiente para manipular zagueiros, árbitros e até mesmo tufos de grama tendo como objetivo o resultado acordado entre as partes.

Parágrafo primeiro – Não negará jamais uma queda rival de, pelo menos, 10 em 10 anos.

Parágrafo segundo – Havendo necessidade e interesse, Lucifer solicitará ao Clube de Regatas Flamengo um vexame de proporções nacionais para gerar sofrimento entre os seus.

DAS COMPETIÇÕES

Cláusula 4º –  O Clube de Regatas Flamengo fica responsável por se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Lucifer será responsável por evitar a queda quando o Clube de Regatas Flamengo não for auto-suficiente.

Parágrafo primeiro – Será de responsabilidade de Lucifer a conquista de um torneio mata-mata de alto nível por década. O Clube de Regatas Flamengo não precisa manter um elenco digno para tal.

Parágrafo segundo – Em torneios continentais, o Clube de Regatas Flamengo poderá solicitar uma vez por década ajuda a Lucifer para conquistar o título.

Cláusula 5º –  Não haverá ajuda entre as partes nas decisões contra clubes mexicanos

DA PRIVACIDADE E SEGURANÇA

Cláusula 6ª – Fica proibida a captação de dados particulares dos clientes do Clube de Regatas Flamengo pela parte de Lucifer e vice-versa.

Cláusula 7ª–  O contrato em questão jamais será divulgado.

DA RESCISÃO CONTRATUAL

Cláusula 8ª – A parte que desejar rescindir o presente instrumento, notificará de forma expressa sua intenção à outra parte, com antecedência mínima de 60 (sessenta) anos.

Parágrafo primeiro – No casso do disposto da Cláusula 9ª, não caberá indenização em nenhuma hipótese.

Cláusula 9ª – Estará rescindido automaticamente o presente contrato de parceria, em ocorrendo a violação de qualquer cláusula, por dolo ou culpa, constante neste instrumento pelo Clube de Regatas Flamengo.

DA VALIDADE E PRAZO DO CONTRATO

Cláusula 10ª – O presente instrumento de contrato de parceria, passa a vigorar na data de assinatura de ambas as partes.

Cláusula 11ª– O presente contrato de parceria vigorará pelo prazo de 12000 anos, a contar da data de assinatura.

DISPOSIÇÕES GERAIS

Cláusula 12ª – Fica compactuado entre as partes a total inexistência de vínculo trabalhista entre as partes contratantes, excluindo as obrigações previdenciárias e os encargos sociais, não havendo entre CONTRATADA e CONTRATANTE qualquer tipo de relação de subordinação.

Por estarem assim justos e contratados, firmam o presente instrumento, em duas vias de igual teor.

Rio de Janeiro, 13 de março de 1895.

(Lucifer Gallardo)

(Clube de Regatas Flamengo)

4 anos no Rio

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Hoje, dia 1 de agosto, completa 4 anos que cheguei ao Rio de Janeiro. O texto de quando completei 1 ano na cidade viralizou, depois fiz outros menos populares sobre o tema, como o 600 dias no Rio e o 900 dias no Rio.  Nesse meio tempo também comparei Cariocas e Paulistas.

Hoje eu quero lhes dizer umas verdades, cariocas queridos.  “Filhos da puta!”.

É isso que vocês são.

Um bando de arrogantes filhos da puta que não perdem a piada, a praia, a morena, a cerveja, o pagode, a chance de cortar caminho ou furar a fila, nem mesmo de contar uma mentira bem contada.

Mulheres cariocas, as mais “filhas da puta”.  A marquinha de biquini é de uma crueldade ímpar.  Só perde pro endemoniado shortinho que revela “sem querer” a poupa da bunda como se nada fosse. Esse sim, “filha da puta”!

Tá, tá, eu desisto! É biscoito. Foda-se.

Aqui eles chamam a “periferia” de subúrbio.  É tipo uma união de gente simples onde todo mundo se conhece, compra as coisas nos mesmos lugares, moram nas mesmas casas há séculos e mesmo encontrando mil problemas no bairro, dizem que não trocam aquela porra por nada.

É engraçado como o carioca se divide por áreas e se orgulha delas. Se o cara nascer na cadeia é capaz de passar a vida preso só pra dizer que nunca saiu de onde veio.

Aliás, antes que algum não carioca possa estranhar, “filho da puta” aqui é tipo um termo simpático entre amigos, não uma ofensa.  Tal qual “porra” é o termo que inicia todas as frases da região, o “viado” é a forma que os heteros se tratam diariamente nos bares e esquinas.

Cá estou, há 4 anos tentando entender como aceitar a idéia de, talvez, um dia, ter que sair daqui.

Quando digo que amo o Rio de Janeiro, tem gratidão nessa história. Minha carreira foi feita aqui, mesmo quando eu morava lá. Meus amigos dobraram aqui, minhas histórias pra contar então… eita! Deixa pra lá.

Eu vim em família, hoje moro sozinho. E é impressionante como o carioca não te deixa sozinho.  Mesmo que você queira, que desligue tudo, alguém vai dar um jeito de te arrastar pra rua.  A depressão e o Rio de Janeiro não combinam. Você não é bem vindo aqui enquanto estiver triste.

Nunca fui assaltado aqui.  Nem tomei um tiro de bala perdida. Aliás, na real, quanto mais próximo da pobreza menor o perigo. Me sinto bem menos ameaçado num ensaio na Vila Isabel do que num dia de praia na Barra.

Acho maneiro quando os cariocas dizem que sou o paulista mais carioca do mundo. Me soa como elogio, pois pra mim é um elogio parecer com eles.  Usar chinelo, não julgar pela roupa, rir de tudo, fazer piada de desgraça, dar uma de esperto mesmo fazendo papel de tonto.

Eu queria que o Rio fosse uma pessoa só pra eu poder dar um abraço e agradecer.  Não é o caso.  Mas se fosse, existiria pessoa mais incrível que o Rio de Janeiro?

abs,
RicaPerrone

600 dias no Rio

Escrevi algo quando completei 1 ano no Rio de Janeiro.  Depois, as diferenças entre paulistas e cariocas.   Agora, já falando “sinistro” e “maneiro” sem notar,  vou mandar o papo.

Eu disse que morava no Rio e logo que aquele texto fez sucesso meus amigos cariocas me corrigiram. “Você não mora no Rio, mora na Barra!”.

A Barra, meus caros, é um bairro do Rio de Janeiro.  Pra quem vem de fora, é talvez o mais bonito lugar da cidade pra se hospedar. Pra quem mora aqui, a Barra faz fronteira com a Bolívia.

Não há frase mais assustadora pra dizer a um carioca do que responder um “onde fica?” com “Lá na Barra…”.

É a materialização da “casa do caralho”.

Nestes 235 dias após o primeiro texto, andei explorando melhor o estado. Fui a Búzios, e então descobri que nada pode ser perfeito.  O lugar é lindo, as praias, idem. Até mesmo as simpáticas pousadas ou os luxuosos hotéis.  Mas alguém jogou um argentino Gremlin naquele lugar e eles começaram a se multiplicar até transformar aquilo numa sub sede de Buenos Aires.

Búzios é fantástico. Mal frequentado, mas ainda assim, fantástico! Ao lado, um tal de “Arraial do Cabo”.  Cidadezinha em volta é comum, quase feia. Até pegar chegar nas praias.  Ali você descobre que Cancun fica a 100 km do Méier.

Notei também que aqui todo mundo é “irmão”, “cumpadre” ou “padrinho”.

E não pense que é uma forma abusada de demonstrar intimidade.  Cariocas se conhecem. Isso é uma Vila onde moram cerca de 500 pessoas, o resto é tudo figurante.

Duvida? Adicione um carioca no seu facebook e veja os incríveis “50 amigos em comum”.   Ou então fale mal de alguém e descubra, quando já revelou que o alvo é viado e sua irmã viciada, que eles estudaram juntos com quem ouvia.

Cuidado. O Rio é uma máfia de pessoas interligadas pelo passado que não te permite fazer algo que não passe a ser de conhecimento público em questão de dias.

Famosos? Aqui tem muito. Eles nem ligam, é quase normal. Mas pergunte de um famoso que tu vai ver…  Todo carioca conhece alguém que conhece um famoso que jura saber um podre dele. E vão repetindo. Vai virando verdade. Lenda urbana.

O mais notável após estes 600 dias, porém, é a moeda local.   Quando o jornal dá o dólar turismo, comercial e paralelo, devia dar o Real e o “Real Carioca”.  Pois sim, eles tem valores diferentes.

Em qualquer lugar do mundo o dinheiro determina se você pode ou não pode. Aqui no Rio, o dinheiro é uma segunda opção aos contatos.

Eu explico.

Ninguém vai a lugar nenhum perguntando quanto custa. Cariocas perguntam quem vai estar lá. E então, tentam cavar um ingresso, um convite, um desconto. Se não conseguirem, pagam.

Mas pagam meia.

O Rio de Janeiro é o lugar mais educado do mundo!  Sim, pois aqui todo mundo é estudante.

Contatos, no Rio, valem muito mais do que dinheiro.  Quanto mais gente você conhece, mais possibilidades você tem. Se tiver muita grana, vão tentar te explorar. Se tiver muitos amigos, vai entrar de graça.

É quase melhor ser pobre do que rico.  Só não chega a esse ponto porque os preços nesta cidade estão criminosos.  Mas até nisso, há uma dose de lenda urbana.

Sabe o omelete de 99 reais? Então. Foi um caso isolado. Ele custa 25 na verdade.

Entendeu?

– No, i do not speak portuguese…
– Sem problemas, brother! Omelete is 99 reais! Vai?!

abs,
RicaPerrone

900 dias no Rio

Ginga pra lá, bunda pra cá, aquela pele bronzeada, o jeitinho de falar. Cariocas são sedutores por natureza, e mais do que isso, por sobrevivência.

Aqui, não é uma questão de “dever”, mas sim de conquista. Do posto de gasolina ao chopp mais geladinho, há um jogo de sedução não necessariamente sexual. Mas em tudo, pra tudo, o tempo todo, o carioca sensualiza.

As mulheres do Rio de Janeiro exalam sensualidade. Das marquinha de biquini já inclusas no pacote básico ao espetacular dourado que mantém o ano todo. As roupas curtas usam o argumento do calor, mas me arrisco dizer que se nevasse no Rio as mini-saias continuariam.

Cariocas querem sempre ser invejados. Pelo corpo, pelo time, pelo bairro, pelo quanto bebe de cerveja. Pouco importa. É sempre uma disputa vaidosa pelo olhar alheio.

O curioso lugar onde o favelado não reclama, mas sim se defende dizendo ser ali o “melhor lugar pra se viver”. Não é. Mas ouse dizer que não.

Entre a pena e a inveja, nunca titubeiam. Querem sempre a segunda opção. E conquistam, seja por mérito, discurso bem feito ou uma marra as vezes incompreensível.

O pobre exalta a comunidade. O rico finge que não se importa com ela. Os dois frequentam os mesmos lugares e de sunga não podem dizer pro garçom quem atender primeiro. Então, sensualizam no chamado. Pelo nome, um apelido carinhoso, um sorriso malandro. Até que o garçom escolha qual chinelo de dedo vai atender primeiro.

Eu aprendi a amar o Rio de Janeiro quando o entendi. E pra entendê-lo você também precisa seduzir o povo local não tentando ser melhor do que eles, mas sim parte deles.

O carioca tem defeitos. Claro que tem! Folgado, marrento, desafia a lógica, o tempo, o chefe, até o bom senso as vezes. Mas sorri. E sorri com uma facilidade irritante.

A troca do “S” pelo “X” é uma determinação cultural pra que a mulher carioca gostosa se torne ainda mais gostosa quando abre a boca.

As vogais puxadas e os intermináveis “erres” também fazem parte de um cuidadoso esquema para seduzir você. Mesmo traídos pela vontade de economizar palavras, as vezes transformam em gíria. “Ax muliéreix do Riii” também podem ser “ÁrrMulé”.

“Ox bróderrr” podem ser “ÓrrMuleque”, e isso vai variando de acordo com a vontade de sensualizar.

Tem dia que o mar aqui fica como no Caribe. E nós, “visitantes”, ficamos espantados. E eles também! Mas não podem demonstrar. Numa risadinha marota de canto de boca fingem achar tudo aquilo natural.

Natural é o caralho! Onde que é normal o mar mudar de cor, cacete?

“No Riiii, irrrrmão”.

Eu vou ficando. Cada dia mais assustado com a violência, cada dia mais otimista com tantas e tantas obras. O Rio jamais será a cidade modelo. Até porque modelo é algo que se copia. Não haverá outro Rio de Janeiro no mundo por mera falta de matéria prima.

O cartão postal tem um símbolo religioso entre mares e montanhas, o garoto propaganda é um gari que samba. Pode tentar, rodar o mundo, ir a cada cidadezinha que existir.

Não há nada parecido.

abs,
RicaPerrone

Leia também:
– 365 dias no Rio
– Cariocas e Paulistas
– 600 dias no Rio

365 days in Rio

O amigo leitor Pedro Elias traduziu o texto “365 dias no Rio” para que mais gente além dos brasileiros possam ler.  Obrigado!


And then I stopped the car, pulled the handbrake and thought, “I came home.”

It has been one year. I landed with wife, dog and some bags. The move came the next day. It took me 33 years imagining “how would it be”, and now I have one to tell “how it was”.

Rio de Janeiro is my Paris. I do not dream of such a tower, nor care about the Louvre and do not even think it would be cool to drink coffee in that Champs Elysees. I find it charming to go to Copacabana beach, drink beer wearing slippers in Leblon and go to a samba at one of the big samba schools.

I heard a thousand lies and a thousand truths about Rio while I lived in another state. All fair in the end.

A Carioca exaggerates everything, for better and for worse. If he compliments the beach, he praises it saying it’s “the best beach in the world.” Talk about Rio being dangerous, he does not deny. He says it is “dangerous as hell.”

He treats his city as his child. Only he can criticize.

Cariocas don’t make plans to meet up they just meet up.

Confirming an invite here doesn’t mean anything. You suggest “let’s go?”, I say “Let’s.” Which does not imply necessarily accepting the suggestion.

Appointments in Rio are “around this time”. Sunday is Sunday. And relax, brother. Why the rush?

Within 5 minutes you become childhood friends, the second time you meet they embrace you and put a nickname on you!

They don’t take you home. They invite you to the streets. It is curious. But it is that the “street” here is so beautiful that being confined at home is a waste.

Cariocas walk in flip flops with no self judgement. They are free, devoid of any sense of sophistication.

On the contrary, they seem to feel bad in a formal setting and some refinement.

“Porra”(word with many meanings all considered at least rude) is a term that opens any sentence in town. I am still to go to a church to check, but I suspect that even Mass begins with “Porra, Our Father who art …”.

Cariocas are not competitive. I think it’s wonderful, after all, I come from the most competitive land in the country. And I confess: to compete all the time tires you.

I find it funny when they defend the rival club by the mere pride to say that “Rio’s football ” is well. They don’t even notice, but sometimes protect themselves.

They love this shit. It’s impressive!

Carioca is the person who is most Brazilian but they are so proud of who they are that they don’t even seem Brazilian.

Carioca has a nice smile, an arrogant air of “I know what’s up”.

Big mouthed, slick, short fused. They talk a shit load. And they know they are exaggerating.

They think they know what cold is. Imagine, they make fondue at 20 Celsius!

Barra (few miles away) is far. Buzios(beach paradise much further), right there!

Niteroi is a piece of Rio they don’t tell tourists about. Only they get enjoy it.

Nilópolis is far. Bangu too.

Cariocas, in general, think they are doing you a favor even if they are working. It’s all absolutely personal, informal.

If they like you, they serve you well. If not, they don’t.

You in a hurry? You gonna get irritated. They are in no hurry for anything.

You know that tasty(hot) girl “gostosa”who knows she is hot? Cariocas know where she lives.

Their localism is unique. Neither separatist nor playing victim. Just proud. Instead of hating a neighbor state, they make fun of it and kill themselves laughing at whom it offends.

Rio is meant to be happy.

They are traditional, they don’t like the world to evolve. A new building in place of the old house on the block is not seen as progress, but missed dearly.

They are loose and very outgoing. They swear to be the luckiest people in the world.

And who’s to say otherwise?

In Rio you become even more religious. That Christ looks at you every single day, with open arms. You can’t! You get to like the guy …

And here comes Friday and the gift to change the environment without moving at all. The Rio that labors turns into a vacation town. The clothes disappear, candid smiles appear for no reason, the sun, football, samba, Rio.

I’ve heard a guy tell me one day that “Rio is a lie well-told by the media.” He was from São Paulo, hated Rio, had never been here.

And he’s a smart guy. If you do not like Rio de Janeiro, stay away from it.

It’s the only way to keep your opinion …

In almost every major city I will notice an extreme effort to make tourists feel at home. An Italian in Sao Paulo is in Italy depending on where it is. A Japanese, ditto. An Argentinian goes to restaurants and an Argentinian environment in any major city.

In Rio de Janeiro no one gives you what you already have. Here, or you turn “carioca”, or you will waste too much time looking for a piece of your land.

It is not true that they are prejudiced to others. One must understand that the Carioca doesn’t claim to be Carioca for being born in Rio. Carioca is a profile!

Renato, the Gaucho(term for people from south of Brazil) is one of the most Carioca guys in existence.

There’s a whole ritual, a little way of approaching.

Call the waiter by their first name, the fellas “brother.” Smile, hug when you see someone you know. Accept the invitation, even though you won’t go.

Make plans for tomorrow, forget them 10 minutes later. Make friends, as many friends as you can.

The more friends, more beer, more laughter, more barbecues, more Carioca you get.

And the more Carioca you are, more you love Rio. As they do.

I like them. I like to look ahead and not see where it ends. I like the sun, hugs, to laugh too loud and not feel like shit for being broke.

I like how they make it happen. I like the simplicity and informality that approaches them to amateurism.

Life does not have to be professional.

It has to be “Gostosa”(tasty)

And of tasty ones, lets face it, Rio is full!

Oops! Sorry love! It escaped.
abs merrrrmão!
RicaPerrone