Fluminense

A “vida loca” do Flu

Convenhamos, não sou o maior fã do Atlético PR, mas eles em casa são casca dura. Tanto que dificilmente se ganha um jogo lá.  É daqueles que você olha na tabela e vê, no máximo, um ponto. Três, só num grande acaso ou numa grande fase.

O Fluminense tem os dois. A fase e o acaso.

Fred não é acaso, nem fase. É jogador caro porque decide, tem personalidade pra não cair com as críticas estúpidas e os rótulos covardes.  O homem que decide, adivinha…? Decidiu.

Renato acertar um cruzamento, isso sim, tem dose de acaso após suas 245 tentativas frustradas na mesma partida.

Mas não é só disso que se faz um campeão. É de lances como aos 10 do segundo tempo quando, já vencendo por 1×0, o Fluminense sofre um ataque do CAP e o jogador adversário bate forte, cruzado, e um zagueiro do Flu de carrinho corta.

Olha a imagem. Os jogadores todos aquecendo do lado vibram e pulam como se tivessem feito um gol.  É um sentimento coletivo em busca de alguma coisa. Um raro momento onde o futebol consegue fazer todos os egos e interesses serem menores do que o do clube.

O Fluminense pode não ter o time mais espetacular do mundo, mas é competitivo. Pode não ser rico, mas tá pagando. Pode não jogar um grande futebol, mas está ganhando!

Mas ninguém hoje olha pra taça com tanta vontade e motivos para tê-la quanto o Fluminense.  Que sim, é diferente de merece-la, mais longe ainda de conquista-la.  Mas é o time que emocionalmente mais entende a importância dela em 2015.

Pode ser este o fator a leva-lo até lá. Como o que destrói o sonho.  Mas está nos olhos dos caras. É nítido como os jogadores do Fluminense ganham jogos e fazem cara de “não acredito!”.  No que? Em poder “acreditar”, oras.

Então, acreditem.

abs,
RicaPerrone

Não tem golaço sem goleiro

Não quero saber em março de 2016 o que alguém terá pra dizer sobre R10 no Fluminense. Lá será fácil avaliar o negócio, mas ele tem que ser avaliado hoje, com os riscos que envolve para as duas partes.

E numa boa, por mais que eu não confie no Ronaldinho e odeie a idéia dele ter alguém sempre respondendo por ele, é inegável que trata-se de um gênio.

Com 35, talvez sem interesse. Talvez seja caro. Talvez seja uma dívida anunciada.

Mas e o contexto?

O Flu sem Unimed não podia nada. Ele diz pro mercado que pode e tem hoje o time mais “estrelado” do Rio, talvez até do país.  São 4 de seleção sub 20, um ídolo mundial, um centroavante diferenciado, um volante de seleção, um goleirão.  Não deve nada a ninguém.

Estrelas resolvem? Nem sempre. Mas o futebol é feito de ídolos e isso que move o mundo atrás dos craques do Barça. Ninguém acompanha tudo aquilo pra ser campeão espanhol.  É pelos caras.

E Ronaldinho é inegavelmente o maior nome do futebol mundial ainda em atividade. Logo, traze-lo, significa mídia.  O Fluminense num patamar internacional que jamais esteve.

Farão bom proveito disso? Outros 500. Potencial, tem.

Como jogador? O meia armador?  Eu não espero nada dele. Mas não tem quase nada que o Wagner fizesse que ele, dormindo, não possa fazer.

No grupo? Gostam dele. Pros jovens, blinda. Pra mídia, dá notícia. Pro futebol brasileiro dá cartaz.

É caro? Aí sim, temos uma discussão. Ronaldinho por 400? Puta negócio. 500? Legal. 600? Arriscado. 700? Pode ser que funcione. 800? Um risco grande.  900? Um puta risco! Um milhão? Fodeu! Vai dar merda.

Mas porque condenar o risco?

Até porque, é de golaços que vive o futebol. E só faz um desses quem arrisca alto.

Não tem golaço sem goleiro.

abs,
RicaPerrone

Eu vi

Não sei de devia contar, mas foda-se.  Eu não gosto da idéia de que jornalista não pode ter amigos, acho exatamente o contrário. Quanto maior seu convívio pessoal com pessoas do meio, mais respeitoso é sua forma de julgar as coisas.

Era começo desse ano. Fui jantar com Mário Bittencourt e ele ligou pro Simone (diretor de futebol) ir também.  Fomos com as famílias, esposas, filhas, enfim.  E neste jantar informal e sem qualquer interesse jornalístico, conversamos muito, óbvio, sobre futebol. E sobre o Fluminense especialmente.

Em diversos momentos do jantar eles esqueciam de mim e discutiam entre eles algumas coisas que eu não entendia muito bem. Mas a cara de cansaço e o medo de dar errado eram nítidos. Por mais que eles digam que não, que tinham certeza que tudo acabaria bem, eu apostaria um braço que havia incertezas de tirar o sono naquele momento.

Vai dar pra pagar? Vamos ter que vender?  Somos mesmo tão menores assim sem um patrocinador/torcedor?  Quando sentarmos de novo aqui, em julho, estaremos brindando ou chorando as magoas?

E se eu discordei e discordo de diversas opções deles, como é natural no futebol, eu nunca duvidei do esforço e do quanto é covarde ter que trabalhar contra uma situação e também contra uma mídia que ao invés de te empurrar pra cima, te pisoteia.

Passaram os meses. E durante esse período eu discuti com o Mário algumas vezes. O tema mais comum? Que eu achava que tinha time pra brigar, ele que “ainda não”.

Toda rodada desde a estréia no Brasileirão eu mando uma mensagem pra ele dizendo: “Ainda acha que não dá?”. E ele responde cada vez menos convicto que é “muito difícil”.  Não porque ele duvida dos caras, longe disso. Mas porque ele acha muita responsabilidade nas costas de garotos. E que seria muito difícil todos eles responderem bem ao mesmo tempo.

De fato, é mesmo. A história diz isso.

Mas aí a bola continuou a entrar. E mesmo trocando de treinador, alternando partidas sonolentas e mais empolgantes, o Fluminense se fez protagonista do Brasileirão, que já passa da décima segunda rodada.

Eu não sei o que vai acontecer, nem eles. Eu sei que já se foram 6 meses do “fim do Fluminense” e ele me parece bem longe de acabar. Pelo contrário, o que vemos em campo é de uma juventude ímpar no Brasil. De um clube que se puder compra, se não puder, cria.

O jogador mais cobiçado do Brasil hoje é moleque do Flu. A maior venda da janela, moleque do Flu.  O time que terminou o jogo de hoje, vencendo o atual campeão brasileiro com 5 ou 6 da base? O Fluminense.

Talvez termine o ano brigando pra não cair. Mas duvido. Talvez seja campeão, e eu não duvido.

O que na verdade pouco importa, desde que ao final dessa longa caminhada essa geração de novos tricolores consiga se convencer por fatos incontestáveis que nunca foi a Unimed, o Muricy, nem o Conca.

Era o Flu.  Sempre foi. E vai continuar sendo.

Mário…  Dá! Você sabe que dá.

abs,
RicaPerrone

Guerrero ou Fred?

Em maio eu fiz um post comparando Fred com Guerrero. Ele ainda negociava com o Flamengo. Na época a reação foi: Você é maluco? Nunca que vão comparar Fred e Guerrero.

Agora ele foi artilheiro da Copa América e estreou bem. A pergunta que já foi “cretina” hoje é a mais feita na cidade.

Afinal, quem tem o melhor centroavante? O Flamengo ou o Fluminense?

Vou facilitar argumentos dos dois lados e publicar os dados exclusivos da Opta quanto ao Brasileirão de 2014.

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E aí? Quem tem o melhor centroavante do Rio?

abs,
RicaPerrone

O fim

E chega 8 de julho de 2015. Um ano após nossa grande derrota, enquanto a mídia se delicia com tragédia, o Maracanã é palco de outra. Na minha opinião bem maior, inclusive.

Eurico Miranda, o oitavo gol da Alemanha, resolve brigar pelos seus “direitos” e não entende que em 2015 há diferenças logísticas do que foi acordado em 1903.  Mas não me espanta.

O que me deixa maluco é ver a CBF concordar com o assassinato do que resta de nós. O Maracanã é o último lugar dessa merda toda que as torcidas dividem o estádio num clássico. Onde podem sentar juntos e dividir o mesmo metrô pra ir e voltar.

É o que sobrou de um futebol não tão estúpido como o atual.

Eu vejo vascaínos contra e com medo de se posicionar contra o próprio clube. Vejo tricolores cheios de raiva, rubro-negros e botafoguenses ignorando a decisão que pode determinar o fim do último espaço democrático do futebol brasileiro.

O Maracanã se posicionou contra. Porque qualquer sujeito de bom senso sabe que é tempo de colocar o interesse do futebol acima da vaidade política. O que não sabemos é que ou vendemos nossos clubes ou seremos sempre vaidosos torcedores de terno e gravata brigando por ego.

Chega. Infelizmente não dá mais. É hora de encontrar uma forma de vender os clubes do Brasil por dinheiro. Transformar isso num arrogante cenário capitalista e que se foda as consequências culturais.

Entre um clube que não é mais meu e um clube que não me representa, fico com a primeira opção.

abs,
RicaPerrone

O público nos pontos corridos

Lá se vão 12 anos de pontos corridos. O que eu mesmo defendia há mais de uma década, hoje sou radicalmente contra.  Mas ainda tem uma parte dos torcedores que gosta do formato, especialmente cruzeirenses, sãopaulinos, colorados e santistas. Porque será?

Durante estes 12 anos os públicos variaram de acordo com os que disputavam título e os que ficavam de férias mesmo jogando. Mas nada diferente do que acontecia na era dos mata-mata.

Veja as estatísticas de público desta nova era.

Wellington Paulista no Flu

De todos os “porquês” possíveis, nenhum me convence.  Wellington Paulista é um jogador comum que vai ser reserva do Fred e até aí, tudo bem.

Meu ponto é o critério da escolha.

Wellington é bom? Hum…. ok.  É nota 5.

Serve pra reserva? Até serve.

Mas porque um reserva de 31 anos ao lado de outro de 41 anos?  Porque não dar o cargo de substituto do Fred a alguém que, talvez, um dia, venha de fato a substitui-lo?

Eu me refiro a um garoto. Qualquer garoto. Da base, da série C, de outro clube. Não sei. Mas entre a aposta no brilhante e a certeza do mediocre eu sempre aposto no brilhante.

Você sabe até onde Wellington Paulista pode ir. E não é longe.

Neste Brasileirão jogou 6 partidas. Fez um gol, mas os números não são muito interessantes.

Finalizou 10 vezes, deu 3 dribles, acertou apenas 61% dos passes. A média é 80%.   Cometeu 16 faltas, nenhuma pra cartão.

Aos 31 anos passou por diversos clubes grandes e só conquistou 3 estaduais, sendo dois no Cruzeiro e um no Inter.

É um jogador que pode ser reserva do Fred? Pode.  Eu traria alguém de fora nota 5 pra isso? Não.

Tem na base? Não sei. Mas deveria ter.

E se tiver e for abaixo de nota 5, manda embora.

Não concordo com Magno Alves, não concordo com Wellington Paulista pelos mesmos motivos.

É pela sequência, não pelo jogo de domingo que vem.

abs,
RicaPerrone

Selando fases

O São Paulo que não ganha, o Flu que não perde.  Fica combinado assim.

O empate no Morumbi é fruto de um jogo que começou bom e caiu muito. Mas ainda que tudo estivesse a favor dos dois clubes, não seria muito diferente.

O São Paulo aposta num esquema de jogo com 4 caras na frente, abre mão de seu melhor armador para empurra-lo para a linha lateral onde vira quase um simples cruzador de bolas.

O Flu, que tem em Gérson seu único ser pensante, faz o mesmo. Abre lá na ponta, na perna ruim, e ele não consegue render.

Some isso ao time do Flu entrar em campo com muita vontade de não sofrer gols, o SPFC com vontade sabe-se lá do que. Mas sem salário em dia é tudo muito justificável.

O juiz prejudicou o Fluminense sim. O Edson devia ser expulso e o penalti aconteceu. Mudaria muito o rumo da partida, é claro. Mas independente disso, falta ímpeto ofensivo ao Fluminense.

Contra o Santos já disse isso, repito hoje. O time cria muito pouco e parece não se importar com isso, desde que consiga marcar bem o adversário.

O ponto é: Hoje, o Fluminense sai do Morumbi com uma puta campanha. E o SPFC em crise.

A leitura do momento não pondera salários, atuações ou qualquer outra coisa. Para o Fluminense o ano que seria trágico está se tornando interessante, e para o SPFC o título possível vai cada vez ficando mais distante.

abs,
RicaPerrone

 

A nova tentativa de Enderson

Esse aí foi o Fluminense contra o Santos.  Mapa de posicionamento médio da Opta, exclusividade do blog.  Ou seja, onde os jogadores mais atuaram no jogo.

Por ali você nota facilmente que Enderson não abriu mão dos seus jogadores abertos como sugeriu a escalação e como viu-se em momentos do primeiro tempo quando Wagner e Gerson se aproximaram do meio campo.

Na verdade a entrada do Marcos Junior deu uma maior mobilidade ao setor, mas não deu o apoio lateral que o Fred precisa.

O que funcionou?

O setor defensivo. A proposta da linha de 4, os 2 volantes e um linha de 3 começando a marcação lá na frente deixou o Santos perdidinho.

Foi muito competente o esquema nesse sentido.

O que não funcionou?

A criação.  O Fluminense chutou miseras 8 bolas pro gol, criou muito pouco e passou os segundo tempo todo buscando uma jogada lateral pra cruzar na área.

Onde aceita-se a idéia de que é uma forma de jogar, pra mim quando se enfia 4 na área e joga lá é exatamente falta de jogada.

Gerson e Wagner vivem de lampejos. Não se movimentam e participam do jogo o quanto deveriam pra esse esquema funcionar.

Não gosto deles abertos. Quando vi pensei que ele usaria os dois como meias e o Marcos Junior de atacante. Não aconteceu exatamente isso. Embora pela presença do Marcos Junior Gerson e Wagner tenha se postado diversas vezes menos abertos do que antes.

A novidade

Ao lado você vê todos os toques na bola de Marcos Junior.  Em vermelho o que errou, em verde o que acertou. Em amarelo as bolas que retomou.

Não é um gráfico de um atacante. Mas também não é um jogador fixo esperando a bola.

Tudo que Gerson e Wagner não sabem fazer ele fez. Correu, não telegrafou onde estaria e abriu espaços.  Não usaram.

Gosto de Marcos Junior ali? Não. Prefiro na frente num 442 basicão.

Mas hoje está mais fácil Osvaldo e ele formarem o “trio” de frente com Fred e Wagner/Gerson brigarem pela posição central do que ele mudar a idéia tática que faz da equipe.

Enderson

Na minha cabeça quando um treinador espera a chegada de jogadores para aplicar o que tem por conceito tático ao invés de melhor aproveitar o que tem em  mãos ele comete um erro enorme.

O Fluminense não tem os jogadores para usar dois meias/atacantes abertos pelas pontas. Tem pra centraliza-los.  Mas ele prefere encontrar uma forma do time jogar como ele quer do que uma forma de usar melhor o que tem.

É um método. Eu não gosto.

Mas com muita disciplina tática defensiva e Fred na frente, tá dando certo.

abs,
RicaPerrone

Porque vocês não acreditam?

E então? Qual é o fator motivacional que te empurra pra um estádio que ainda falta, Tricolor?

Ou melhor, vamos listar os motivos que podem fazer os milhares de tricolores que não foram ao Maracanã hoje não terem ido. Obviamente excluindo os 13 mil que lá estiveram e muito ajudaram, assim como os tantos que não puderam ir.

19h30 é cedo.
22h é tarde.  
Time sem idolo
Estádio ruim
Não tem metrô perto
Má fase
Falta de perspectiva
Adversário fraco
Não vale nada

Você aguentou uma série C, ouviu que estaria acabado quando saísse a Unimed. Eles sairam.  O teu time está em terceiro lugar no campeonato, brigando por título,  e já passamos da décima rodada.

O que você quer? Uma briga pra não cair milagrosa?

É um caso raro de um ex-esfomeado que só aceita caviar?  Quem é você, tricolor? Porque você não estava lá?

Eles tem que te provar que te merecem? Você é parte disso ou apenas um consumidor infiel e oportunista?

Porque se fosse o Flamengo tinha 45 mil lá hoje…

Ah, ficou puto, né?

É a frase que mais te irrita.  Porque é verdade.

Porque eles são assim, eufóricos.  Em dois jogos acham que vão pra Libertadores, e não vão. E vocês, ao contrário, vão teimar em duvidar até que de fato tenham razão?

A quem querem enganar? Ou será que tem medo de acreditar e quebrar a cara?

Talvez dê. Talvez não.  Mas se não der, você é uma das coisas que terá feito diferença na derrota. Ou melhor, sua ausência.

Torcedor, quando você diz “é nóis”, saiba o que está sendo dito.  Para poucos, o Fluminense vencedor sem Unimed “é nóis”.  Para a maioria, ainda “são eles”.

Quinta-feira que vem tem outro jogo em casa. Aí você escolhe se quer dizer que “nós pegamos o Cruzeiro” ou se “eles enfrentam o Cruzeiro”.

Tá dentro ou tá fora?

abs,
RicaPerrone

PS – Sim, a parte do Flamengo tem a intenção de te irritar profundamente.