Inter

Classificação Planejada 2024

A classificação planejada consiste numa ideia simples retirada do conceito dos proprios treinadores ao planejar o campeonato. Em busca de aproximadamente 72 pontos para brigar por título, cada clube faz as contas onde pode ou não perder pontos. E então se planeja estar com X na rodada X sabendo que nas próximas haverá confronto mais fácil ou mais difícil.

Exemplo prático da planejada: O time que tem 10 pontos e enfrentou Gremio, Corinthians, Palmeiras e Galo fora de casa não tem os mesmos 10 pontos de quem enfrentou Cuiabá, Criciuma e Goianiense. É isso que a planejada indica.

Ela não faz previsões, uma planilha não tem relação com a do outro time, e nada do que está ali é um palpite. Apenas a dificuldade do caminho em cada momento do campeonato.

Dito isso, as dúvidas mais comuns são:

– Todos os times, se cumprissem os pontos sugeridos, chegariam a 72 pontos.
– Alguns times podem perder clássicos, outros não. Isso porque alguns tem 2 clássicos por ano, outros 6.
– “Ah mas se meu time perder um jogo que era pra ganhar, ja era?” Não. Você calcula por outro jogo que “não era pra ganhar” e equilibra. Compensa.
– Eu não entendi! Facilitando: O importante não é seguir a risca os resultados. É chegar a rodada X perto ou com mais dos pontos planejados pra rodada X. O percentual diz o quanto seu time fez de pontos perto do que DEVERIA ter feito até aqui para brigar pelos 72 pontos. Só isso.

Saldo de compra e venda dos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos os grandes clubes do Brasil alternaram momentos. Alguns em profunda crise, outros nadando em ouro, mas todos ainda tendo nas receitas de jovens uma grande parte do seu faturamento.

E portanto, considerando as temporadas 14/15 até a 23/24, fizemos um balanço de acordo com os dados do Transfermark sobre o fluxo de compra e venda de jogadores de cada um dos 12 grandes.

Claro que existem salários, luvas, “compras” sem repasse ao ex-clube por fim de contrato. Mas aqui consta apenas o que é valor final e oficial.

Quanto seu clube comprou e vendeu nos últimos 10 anos?

Algumas curiosidades sobre:

  • O Fluxo de compra e venda do Grêmio, somado a resultados, nos últimos 10 anos é muito bom.
  • O Fluminense segue vendendo suas jóias e comprando pouco tendo recentemente conquistado títulos em 2023.
  • O Flamengo é uma máquina de ganhar e gastar.
  • O Botafogo tem uma divisão de base terrível. Não gera quase nada ao clube.
  • O investimento do Vasco foi quase todo feito em 22/23.
  • A temporada de maior gasto foi a do Flamengo de 19/20, com 250 milhões em contratações.
  • A maior janela de vendas também foi do Flamengo em 18/19 com 483 milhões de reais.
  • Nenhum dos 12 grandes comprou mais do que vendeu no saldo dos últimos 10 anos.

Rica Perrone

Um Inter campeão desmonta teses

O Inter está na semifinal. São, portanto, 3 jogos para um título sem igual. E essa possibilidade de conquista assusta muita gente pelas teses jogadas de um viaduto numa noite de penaltis no Beira-Rio.

O tal do processo existe. Mas no futebol ele não garante absolutamente nada. O fator humano no futebol é muito mais relevante do que qualquer gestão ou tese. Basta um time de camisa, um choque com treinador, um reforço, um jogo épico e pronto. O cenário de fracasso beira o sucesso absoluto.

É óbvio que o Brasil por exemplo fez um processo melhor do que a Argentina pra Copa. Só que um jogador, 5 penaltis e um gol perdido pela França aos 120 da prorrogação nos fazem ter que buscar novas teses pra explicar os fatos sem invalidar o que tanto repetimos por meses.

Os fatos são mais faceis que as teses. O Inter tem camisa, jogador de desequilibrio e encontrou confiança pra chegar. Chegou. E agora se tudo der certo as receitas de bolo todas irão pro lixo.

Merece? Ué? Não é porque não planejou o trajeto que não mirou o destino.

Claro que o Inter não imaginou trocar treinador, viver crise, contratar esse ou aquele e que fulano ou beltrano não vingariam. Nem poderia prever um jogo contra o River que mudasse o ambiente todo.

Mas quem tenta planejar tudo no futebol é um imbecil insistente. O futebol é a prova dia após dia que você não controla o seu entorno.

O Inter pode chegar, sim. E tenho dito há meses no meu canal que por pior que seja a fase não se menospreza time grande. O risco de ter que explicar o “inexplicável” é pavoroso no final.

E o erro é achar ou vender a idéia de que o futebol é explicavel.

Os méritos de quem vence nem sempre são os da cartilha do vencedor. Porque coach só ganha dinheiro explicando o que ele não conseguiu fazer na pratica, caso contrário estava rico com o feito e não com a tese.

O Inter é enorme. E time grande não precisa de porques pra ser campeão.

RicaPerrone

Classificação Planejada 2023 – #18

Todo ano aquela tabela polêmica que mostra o caminho dos clubes pra buscar 72 pontos e brigar por título.

Pra que? Pra você saber se um caminho foi mais fácil que outro ou não. Pra entender quem jogou mais partidas difíceis em casa ou fora e portanto compreender o que a tabela lhe ofereceu até aqui.

As tabelas não tem relação entre si. Cada tabela é pensada pro clube em questão apenas.

Nascemos pra apanhar

Brasileiro é otário. Sempre foi. Somos o “paga lanche” da escola, o bobão que apanha de geral e conta pra mãe pra ouvir “filho, o errado é ele que é mau e violento. Você é fofo”. Só que o fofo apanha todo dia.

Entre fofo otário e o menino mau, a geração atual tem dúvida. Mas não deveria.

Renato foi claro e honesto: “Não tenho um time de freiras”. Outros tantos, hipocritas. “Nossa! Veja que absurdo! Uma briga num grenal!”.

Dos mesmos criadores de “Boca e River é isso minha gente! Futebol raiz, sinalizador, empurra empurra, expulsão, briga!”, vem aí “Que vergonha um jogo terminar em briga no Brasil”.

Ora, ora, meu caro colega. Sai do estúdio, vai pra geral, desliga a tv e cai na real.

Ninguém apóia ou quer uma briga. Mas ela existe. Na sua pelada, na Libertadores, onde for. Somos latinos, não temos o sangue alemão.  Brigamos, seguimos, trocamos camisas, tudo certo.

O cartão vermelho tá lá pra isso. E foi usado.

Agora, dizer que torcedor não gosta? Gosta. Gosta e muito. Basta 2 jogadores se empurrarem num jogo que o estádio pulsa. Quem não gosta tá no estúdio, de terno, falando merda na tv. Quem tá ali torcendo, vibrando, vivendo a experiência que é um jogo de futebol ao vivo adora esse momento.

Não significa que seja bom. A Nascar, como sempre digo, é cheia de acidentes e as pessoas pagam pra ver isso. É bom que o cara se acidente? Não. Desejamos o acidente? Não. Mas ele acontece e vamos lá sabendo disso. Ponto. Pára de show.

Se a América dos pontapés, dos argentinos escrotos, dos uruguaios violentos, dos chilenos que não deixam a gente cobrar um escanteio sem chuva de pilha está chocada com o grenal, ela que procure terapia.

Das mil formas de violência no futebol o Grenal apresentou a mais honesta delas. O destempero. O envolvimento com o jogo. Não o que tranca jogo, o que busca machucar, o que tenta ganhar na porrada. Aquele que vocês jornalistas adoram e vivem exaltando pelo continente.

A América não está preparada pra um Grenal pelo simples fato de achar que todo brasileiro é o otário que vai sempre apanhar quieto, ser eliminado e chorar em casa.

Não sou a favor de violência. Não torço por ela. Mas a compreendo. Ela existe, não vai acabar nunca. É uma reação humana. Tal qual o ódio, o amor, a paixão. É o “descontrole” de suas ações.

Basta ter jogado futebol uma vez na vida que você compreende facilmente um destempero durante uma decisão. Seria ridículo levar a briga adiante, se pegarem após o jogo, com calma e serenidade. Mas ali, no calor do lance? Ah deixa pra lá.

É só uma briga. E não, não influencia em nada. Torcedor que briga no estádio (ou fora dele) vai lá pra isso, é organizada e marginal. Nenhum pai de família vê o Paulo Miranda dando soco e sai do estádio batendo no Seu Zé do Bar por isso.

É só mais um delírio da imprensa de estúdio que abandonou a paixão há muito tempo pra viver num conto de fadas.

Sabe o que aconteceu agora? O Grenal da volta não será assistido por 2 milhões. Será por 5. E você acha que engana quem com esse papo de que a mídia está chateadinha com a briga?

Pára de show.

RicaPerrone