São Paulo

Nunca mereceram tanto, mas…

Eu acho que nunca vou conseguir saber se em 2017 vimos o saopaulino de fato invadir o espaço dos “finalistas” e empurrarem o time contra a queda ou se todos, até os “de final”, entenderam o processo e sentiram o peso de ter que ajudar e não só de ir pra festa.

Seja lá como for, o ano que todos chamam de “trágico” tem algo histórico e que pode refletir no futuro do clube. Uma torcida que sempre esperou o título hoje sabe poder ser parte dele. E isso pode deixar o SPFC ainda mais forte.

Eu sei que a torcida surpreendentemente esse ano merecia a vaga na Libertadores. Mas se for só por torcida o futebol surta. Infelizmente a realidade triste é que o São Paulo como time não merece vaga a nada, aplauso algum, nem mesmo ser feliz por nào ter caido.

Alguns, como Hernanes, salvador da pátria, sim. Mas o clube, o time, não. Esses merecem vaias e cobrança, que aliás, é o que sugiro ao torcedor agora que a queda não existe mais.

Esse time não pode sair vencedor do ano. Tem que sair vaiado. Foi ridículo. E com todos os problemas de diretoria possíveis, como elenco, como futebol apenas, esses caras podem dar muito mais pelas condições de treino e jogo que lhes são dadas.

Se milhões de saopaulinos mereciam ir a Libertadores, uns 30 caras não. E são eles quem decidem.

Não lamentemos. Lembre-se que torcemos por um clube “cuja grandeza não consiste em ganhar títulos e sim merece-los”.

E essa, nós merecemos. Mas eles não.

abs,
RicaPerrone

O combustível

Se imagine ator. Você entra no teatro e tem 40% de lotação.  Você fará seu trabalho, é claro, mas não fará o seu melhor. Simplesmente porque a primeira reação que você teve ao pisar no seu local de trabalho foi de frustração.

Aquele público te diminui. Te diz que você não é esse sucesso todo e inconscientemente você produz menos do que poderia.

Quem me explicou isso uma vez foi um amigo ator. E logo levei ao futebol. Quando perguntei, na mesma mesa, para um jogador e um treinador, ambos concordaram que era “exatamente isso” também no futebol.

Um estádio vazio é a garantia de um jogo menor. Toda vez que há um estádio cheio, o jogo tende a melhorar pelo simples fato de haver platéia.  Jogador de futebol vive de vaias e aplausos, e todo jogo que gere interesse é também de maior intensidade.

No Pacaembu, ontem, o ex-morno São Paulo empatou um jogo que deveria vencer. Mas pelas circunstancias, esteve perto de perde-lo.

Não fosse o estádio cheio, o ambiente de grandeza a sua volta, fatalmente o 2×0 viraria vaias, “olés”, melancolia e explicações no final.  Um jogo de futebol tem todo seu sentido na arquibancada. É pra eles que jogam, é pra lá que correm no gol, é pra lá que se viram pra pedir silêncio.

Um jogo sem torcida perde mais do que uma torcida sem um grande jogo.

abs,
RicaPerrone

11 “crises” e uma reflexão

Tente imaginar que dos 12 grandes do futebol brasileiro 11 deles estejam terminando um ano conturbado e com “crise”.  É quase inacreditável, mas é real.  Com a fase do Corinthians e as cobranças, apenas o Grêmio tem um ano de paz. Todos os demais conseguiram curtir suas crises e terminar o ano com alguma insatisfação.

Veja a tabela. O líder hoje é contestado. O segundo colocado há 2 semanas vivia crise e anunciava seu terceiro técnico no ano. O terceiro colocado mandou o treinado embora sábado.

O quarto, o Grêmio, nem sequer disputa o Brasileirão. E é quarto.

O quinto há 2 semanas teve pressão de torcida no aeroporto e cobranças. O sexto até agosto era “fora mano” o dia todo e o time não prestava. Salvo pela Copa do Brasil.

O Flamengo tem na avaliação de sua torcida “um ano ruim”. É sétimo. O Vasco, também com 3 treinadores no ano, chegou a falar em rebaixamento por diversas vezes.

São Paulo, Galo e Fluminense, nem precisamos desenvolver o assunto. Anos ruins.  Crise.

O Inter, subindo, tomando vaias e com o time rachando com a torcida a um jogo da volta à série A.

E assim vamos encerrando a temporada. Com 11 dos 12 times grandes tendo suas torcidas insatisfeitas com o desempenho de seus clubes.

E eu lhes pergunto com a absoluta certeza disso não ser normal: Seria o reflexo de um ano onde todo mundo vai mal ou de uma nova mentalidade equivocada que compara o desempenho aos grandes da Europa e  esquece-se que aqui não tem 2 times ganhando 90% dos jogos?

O que estamos vendo é um erro de avaliação ou um padrão de exigência que não aceita apenas os pontos, mas também cobra desempenho?

Qual a leitura afinal?  Eu não tenho ainda certeza do que isso significa. Mas sei que algo está muito errado. É inaceitável que todos os times tenham tido um ano contestável, mereçam trocar seus treinadores, viveram crises em determinados momentos e que sejam ainda assim os protagonistas da temporada.

Trata-se de uma nova cobrança, uma forma burra de ver futebol ou de um imediatismo sem fundamento?

Não sei a resposta. Sei que vamos terminar 2017 com todos os torcedores insatisfeitos, menos o do campeão brasileiro e o do Grêmio. Com boa vontade também o do Cruzeiro, que deve ter engolido o festival de “fora todo mundo” com o caneco da Copa do Brasil. E isso se não inventar uma nova crise até dezembro, é claro.

abs,
RicaPerrone

Sobre “reconhecer” e unificar

Quando a CBF dá aos campeões da Taça Brasil o mesmo rótulo do Robertão, ela comete um erro de direito para ser aceita politicamente.  Quando a Conmebol não dá ao Vasco o rótulo de bicampeão da América, ela comete um erro parecido.

Quando a FIFA diz que os campeões mundiais são todos campeões mundiais, ela acerta. E acerta porque ela mudou muito pouco, baixou o nível do torneio e mais nada.  Tivesse a FIFA feito uma Copa do Mundo de Clubes, por exemplo, com 32 times, e dali saísse um campeão… pobres dos campeões anteriores.

Seria sim um torneio diferente. Hoje também é. Mas é pra pior.

Você adiciona times de merda na condição de franco atirador para eliminar numa zebra qualquer e fazer uma final ainda menos interessante. Tem no campeão cada vez mais a óbvia potencia européia rica que vai lá de férias e joga toda a carga de responsabilidade no sulamericano, que leva a sério e não é levado.

A FIFA é burra. Mas dessa vez ela é razoável.  Se fosse inteligente daria mais prestígio a quem valoriza seu torneio, não a quem o ignora.  E nós, sulamericanos, mandamos na parte técnica do futebol do mundo desde que o inventaram. Os craques são quase todos nossos, mas a grana não.

Um dia haverá um mundial de 32 times e seremos massacrados por aqueles 5 que ganham sozinhos  num ano o que a liga do Chile inteira ganha em 3 nos. É natural. Triste. Podre. Mas é o que se tornou o futebol.

Os campeões do mundo de hoje são tão campeões ou menos do que os anteriores. Porque antes era briga de cachorro grande, frente a frente, ida e volta, sem caô.   Hoje é um europeu fingindo que nem liga, o sulamericano se matando pra não passar vergonha, um convidado local pra encher estádio, outros campeões de franco atiradores.  E finais cada vez menos possíveis.

Eu queria saber era se os campeões do mundo das décadas de 80 e 90 reconhecem os atuais, isso sim.

abs,
RicaPerrone

Quem é quem?

Se me contassem só o enredo eu até desconfiaria, mas como vi com meus próprios olhos, não tenho dúvidas.

O São Paulo empurrado pela massa, jogando com  faca nos dentes e dividindo cada bola compensando qualquer falta de técnica com vontade.

O Flamengo jogando de ladinho, olhando pro adversário, tentando o toque mais bonito.

O gol “de mão” ou não, não importa. O importante ali é ver o time do Flamengo absolutamente conformado com o gol e sem sequer fazer uma pressão para anula-lo. E convenhamos, se a TV  até agora não sabe se foi, o mínimo é que a “vítima” jure por deus que tenha sido.

E segue o baile.

Um primeiro tempo desmoralizante. Um time que prometia o céu assistindo ao que até ontem brigava pra se manter longe do inferno. E tome pressão, Hernanes vibrante, carrinho sem direcão, bola pro mato. Isso aqui é…! Opa, essa frase não era deles?

Jogaram pelo pouco que apresentam, mas pelo tanto que desejavam o resultado. O São Paulo até a alma, o Flamengo até onde der se não for dar trabalho.

Eu não sei quem deste elenco do Flamengo eu contrataria. Mas deixaria minha filha escolher um marido ali no grupo de olhos fechados. Como não tenho filha, o Clube de Regatas Meninos de Jesus não me causa qualquer cobiça.

Tal qual a campanha do agora raçudo, valente e popular São Paulo. Mas ja que é pra perder a identidade, que se perca pra melhor.

E nessa aí, convenhamos, o São Paulo mereceu.

abs,
RicaPerrone

Mascotes modernos

O ótimo ilustrador Eddie Souza fez uma releitura dos mascotes dos times brasileiros.  E olha que maneiro ficou! O do Bahia tem um detalhe genial! 

Curtiu? Eu também!

Boa, Eddie!
https://www.eddiesouza.com.br/

abs,
RicaPerrone

Experiência ruim

É uma merda dizer isso, mas o Fluminense sabe como escapar de um rebaixamento. Por diversas vezes disputou, outras chegou a cair.  Um amigo meu diz que a diferença entre o SP e o Flu é que o Flu tem pavor de cair, o SPFC ignora a hipótese. E pra ele, por isso, cairá o Flu.

Eu digo exatamente o contrário.

O Fluminense sabe que não pode mais cair. E sabe como cair. O SPFC acha que sabe o que está fazendo e só ele acha. Todos já notaram que não. Caminho aberto pra queda. Até porque só se cai de cima, e o São Paulo jura sempre estar por cima.

Os dois gols do Flu hoje são de quem precisava de uma bola. Os mesmos dois gols sofridos pelo São Paulo de quem acha que está tudo bem.

A diferença das campanhas é nula. Mas o SPFC tem muito mais estrutura, dinheiro, elenco, etc. Logo, o Fluminense faz um ano melhor que o do São Paulo.  Mesmo jogando pouco, e joga pouco há meses, foi suficiente.  Porque o São Paulo é ainda pior.

Tão incapacitado de ler o cenário que nem usar a porra da camisa do clube, que é a unica coisa que restou daquele clube glorioso que todos temiam, eles sabem. E olha que o cara que cuida do futebol é do marketing, não do futebol.

O que aliás, explica muita coisa do futebol, confunde na questão da camisa, mas somando as duas, explica o Z4.

O Flu não está livre, mas está respirando bem. Faltam menos de 10 jogos, é confortável o cenário agora.  Respirou.

E o São Paulo, que vem vencendo algumas jogando muito mal, hoje só jogou muito mal. E segue achando que está tudo bem. Até que não dê mais pra achar nada…

abs,
RicaPerrone

É assim, sim!

Não me venham os esquerdistas da bola fazer de cada possibilidade de polêmica uma discussão hipócrita sobre comportamento, violência e educação.

“Mulheres e crianças no estádio e o jogador coloca a mão no pau”.  Ah, e nos demais 90 minutos onde ele foi xingado de todos os palavrões do planeta por 50 mil pessoas a volta das mulheres e crianças… tudo bem?

Estádio é estádio. Desde que se permitiu culturalmente que os dois lados se provoquem sem limites o tempo todo, não é aceitável e nem muito honesto querer que um dos lados não possa reagir.

“Ele é jogador. Não pode”.

Pode!

“Se fosse no teatro…”

Você não xinga um ator no teatro. E se xingar vai expulso.  É parte do futebol o seu direito de passar a tarde provocando alguém, a dele de reagir e deveria ser a sua de aceitar isso com alguma naturalidade.

Mas é 2017, não tenho qualquer perspectiva de bom senso enquanto o mimimi vencer no grito.

Pedra no ônibus pode machucar alguém. Teve. Nenhuma polêmica sobre. Mão no pinto, manchetes e mais manchetes.

Somos viciados em procurar o problema menos problemático para resolver com mais urgencia.

O que fica deste jogo pra mim é a boa apresentação do SPFC perto do que vinha jogando, o controle do Corinthians em não se apavorar e fazer um bom segundo tempo, e alguns lances isolados.

O chororô do final sobre arbitragem eu não concordo, acho o Petros um puta de um hipócrita, pois se “sabe de algo” porque só falou quando virou rival? Quando convém é silêncio?  Vindo do mesmo cara que bateu no juiz e tentou dizer que foi uma trombada, não me espanta.

Me espanta é mídia fazer do jogo, do Z4, do líder isolado e de tudo que houve no Morumbi uma discussão quase policial sobre tudo, menos sobre futebol.

Resultado normal.  Lances discutíveis, nenhum “assalto” a lado nenhum. E nervos a flor da pele, como deve ser um bom clássico.

Segue o jogo. E pára de viadagem.

abs,
RicaPerrone

A torcida já estava falando com eles

Uma vez um “chefe” disse no ar que era um absurdo sem tamanho o clube X ter contratado um técnico sem experiência pro cargo. Porque time grande não era lugar de fazer experiência, o cargo era pra profissionais e não pra amadores. Criticou por 5 minutos no ar o fato do treinador não ter uma longa carreira de sucesso até chegar num clube daqueles.

Ele era chefe da equipe de esportes da rádio.  Dias depois revelou-se que jamais havia trabalhado em rádio e seu primeiro emprego no setor era o de chefe. Não a toa ajudou a afundar a rádio, não a toa é um dos mais decadentes incompetentes do mercado jornalístico.

Onde quero chegar? A coisa toda está errada desde que não me beneficie. E este é o SPFC hoje do presidente ao torcedor.

Quantas vezes blogueirinhos que vivem de SPFC e a mísera fama de parecerem influentes no clube já detonaram receber torcida? Quantas vezes fizeram chacota do Corinthians por isso?  Mas dessa vez foram convidados e, logo, estavam todos lá dizendo que “veja bem, nesse caso é diferente, enfim, todavia, contudo…”.

Pinotti é um profissional de marketing que do nada assumiu o futebol do clube. Fosse ele na cativa do Morumbi gritaria que é um absurdo dar o futebol de um gigante a quem não o conhece.  Mas não tem problema, porque nesse caso o beneficiado é ele. E como todos nós, quando o esquema me favorece, ele não me revolta.

Leco, um grande saopaulino que conheço desde pequeno,  é passional demais pra ser gestor. Mas sua boa fé o colocou lá pra tapar o buraco feito pela corrupção dos anteriores. Logo, se eu discordo dele como gestor, nada tenho a dizer sobre sujeito e o saopaulino que sempre foi.

Mas tenho sobre o oportunismo de muita gente que quando convém concorda, quando não, é radicalmente contra.

Os áudios vazados de um tal de dono de rádio mostram o risco que é convidar pessoas loucas por micro-fama para um evento qualquer que lhes dê condição de ser fonte.  Vazou tudo, mentiu, inventou clima hostil e os caralho pra parecer super herói. E encheu a mídia de munição pra polemizar mais e mais com o clube.

E esse cara, como outros, estão dando entrevista, falando em nome da torcida. Presidente de organizada explicando na mídia o que será dito na “preleção” deles ao elenco profissional do São Paulo.

Senhores, eu não tenho nada contra que se abra uma chance de pela milésima vez comprovar que torcida no CT não ganha porra nenhuma.  Mas tenham ao menos o critério de não refletir a torcida do SPFC que tem lotado jogo apos jogo numa duzia de oportunistas que querem ser alguém as custas do clube.

Já nos basta os últimos 10 anos de diretores entrando e saindo porque são filhos de alguém, trouxeram patrocinador, porque injetaram do bolso pra não fechar no vermelho.  Porque o ego é a única coisa maior que o amor por um clube nessa vida.

E haja ego. Ainda bem que “haja clube”.  Porque o SPFC é tão grande e forte que se sustenta em pé mesmo com tanta gente querendo uma tetinha pra mamar.

E não pense em dinheiro apenas. O dinheiro gera poder. O fim nunca é dinheiro, mas sim o poder que ele dá. E poder se conquista também com fama e influência. O SPFC alimenta os próprios ratos.

Ainda bem que nossa história não é feita de queijo, mas sim de concreto.

abs,
RicaPerrone

 

Não adianta homeopatizar a queda

Todo saopaulino que encontro puxa o mesmo assunto: o possível rebaixamento. Diante de um rival bancamos firmes e valentes que “nem fudendo”. Entre nós, como toda torcida, a conversa é outra.

Saopaulino é o cara que menos quer cair no mundo. Ele passou a vida jurando que “ele não”. E quando alguém sugeria a idéia de um dia, talvez, quem sabe, a brincadeira virava arrogancia e de fato era tratado como “impossível”.

Não é. Nunca foi. Hoje menos ainda.

E na medida em que as rodadas passam a gente tenta blindar nosso próprio coração do impacto da dor da queda. Então, mesmo mentindo, porque vamos acreditar até o último ponto possível, a gente finge que está se adaptando à queda.

Não adianta homeopatizar. Vai doer se acontecer, e vai ser só no dia que de fato acontecer.

Aos poucos, aceitando devagar, tentando racionalizar paixão, perda de tempo. Você pode até estar esperando, mas a sua dor não será menor.

E será nova, se for. Por isso mesmo você não saberá como tratá-la.

Com incentivo, Morumbi cheio, fé, a única chance. O Titanic afundou tocando violino, não adianta fazer de conta que está tudo bem, porque quem tocou violino também se afogou.

É hora do panico.

“Ah, veja bem…”.  Veja bem é o caralho. O time apanha em casa de Coritiba, empata com lanterna, com a Ponte, toma goleada do Palmeiras… não tem “veja bem” mais.

Troca o técnico, compra jogador e faz dívida.

Se é pra ser rebaixado “como os outros”, tenha a humildade de se nivelar e tentar o que muitos deles tentaram e escaparam quando nessa situação.

Diretoria, faça uma “besteira”! Não será maior dos que as que vocês planejam. Prometo.

abs,
RicaPerrone