Seleção Brasileira

E olha que eu nem gostava muito de você…

Nunca fui um puta fã do Daniel Alves.  Sempre achei que como defensor ele deixava muito a desejar e, tal qual o Marcelo, era um ótimo jogador mas que acabava dando “trabalho” lá atrás.

Enfim. Tem dias que o processo de analisar futebol deixa de ter importância. Esse dia determina a troca de categoria entre o alvo e a referência.

Um belo dia você olha pro campo e no meio da sua “análise” tem um sujeito de 36 anos, 40 taças, capitão da seleção brasileira, campeão e… não faz mais sentido “achar” nada.

Daniel deixa de ser avaliável. Se torna história, e gostar dele num setor do campo ou não é absolutamente insignificante. Não vou entrar no debate se é ou não o melhor lateral. Vou na verdade é me retirar de qualquer discussão sobre Daniel Alves.

Simplesmente porque tem coisas que não se discutem. Daniel se tornou uma delas.

Parabéns! Que carreira brilhante, cara!

RicaPerrone

Evidências

A gente se engana mas no final tudo volta a ficar claro. Nossa relação é intensa, covarde, abusiva. Queremos tudo de ti, damos nada em troca. Sendo você “a” seleção, diria até que somos machistas opressores. Afinal, somos “o” torcedor.

Sendo essa gangorra de amor e ódio onde a você só vale a conquista e a nós o direito a tudo, compreendo a distância.

Dessa vez nem precisamos de 4 anos para comprovar que as redes sociais são uma aberração de opinião popular não legítima validada por um mundo paralelo. Precisamos de apenas um.

Lá estavam, fingindo insignificância, sugerindo amadurecimento ao ponto de ignora-la, quando na real é só recalque mesmo. Vontade de se declarar não permitida pelo mundo moderno onde devemos odiar, contestar, cobrar e pouco se enxergar.

Nas cidades, gente na rua. No estádio cheio, cantoria. Nos bares, camisas e gritaria. E de nada valia, imagina se valesse?

A Copa América é pretexto. Nós paramos é pra brigar com nosso ego e tentar nos convencer de que não, a seleção não é mais importante.

E aí vem os fatos e quebra nossa cara. O Maracanã cheio, o soco na mesa ao apito final daquele mesmo senhor que aos 12 do primeiro tempo dizia “eu nem ligo mais. Se ganhar ou perder, tanto faz”.

Mentiroso.

Na década de 80 o Telê era pisoteado, criticado por todo lado. Em 2019 a gente jura que só queria aquele time de novo. Aquele que massacramos quando perdeu. Diferente desse que será contestado mesmo vencendo.

Brasileiro reclama. E não há nada mais nosso do que a seleção. Não há assunto com mais entendidos do que futebol. Logo, é o alvo predileto.

Vamos assim, já acostumamos. “Negando as aparências, disfarçando as evidências”…

Mas hoje, campeão no Maracanã lotado, acho que dá pra abrir uma exceção e “dizer que é verdade, que temos saudades, e que ainda pensamos muito em ti…”

RicaPerrone

É muito melhor

O Galvão tem razão. É muito melhor contra eles. É diferente. Temos apenas nesse jogo a sensação de ganhar de um rival com a seleção.

Por mais que Itália e Alemanha sejam consideravelmente maiores que a Argentina, a gente não se odeia. A gente se respeita.

Por mais que seja o Uruguai que nos calou em 50, a gente não se odeia. É uma vontade de ganhar desportiva.

Contra eles parece que mesmo quem “pouco se importa”, se importa.

Jogando bem, jogando mal, de 1×0 ou goleada. Não tem a menor importância. É um raro momento onde o clubista assume a camisa da seleção, ignora análises e quer apenas vencer. Basta.

Aquele “meio a zero tá ótimo” que nunca serviu pra seleção e é mantra no clube, enfim, pode ser unificado. E é só neste jogo, porque domingo é preciso ganhar e jogar bem.

Hoje, não. Bastava ganhar “deles”.

Feito, como sempre. Quando não há nada de “estranho”, o resultado é quase sempre o mesmo.

Lá se vão 26 anos de fila, uma insistência tosca de boa parte da imprensa brasileira em querer coloca-los onde não merecem e, pasmem, até virar casaca.

Nada muda.

Nós na final, eles em casa. Nós discutindo se poderíamos jogar mais, eles explicando como podem não jogar nada.

Se domingo formos campeões, será bom. Mas nem mesmo o título será melhor do que hoje.

Como diria o Galvão, ganhar é bom. Ganhar da Argentina é muito melhor.

E é mesmo.

RicaPerrone

Messi jamais será Pelé


Quando vejo um argentino comparar Maradona com Pelé eu logo entendo porque são nossos rivais e porque os odeio. Quando vejo um brasileiro sugerir essa discussão eu entendo outra parte do Brasil, a do lado colonizado, vira-latas e auto-destrutivo.

Quando ligo a tv e vejo alguém com mais de 40 sequer sugerir tal debate eu sinto pena. Mas quando um garotinho brasileiro bota a camisa da argentina e defende que Messi é melhor que Pelé, eu sinto é vergonha.

Dos pais, da mídia, de nós mesmos. Da auto estima que carregamos desde garotos, da vocação pra ser o “paga lanche” da turma e de como somos estupidamente cegos pelo auto menosprezo.

Pelé não tem discussão.  E quem discute é por falta de conhecimento ou vontade de aparecer.  Talvez seja uma bela discussão Messi, Maradona, Zico, Zidane, Ronaldo. Enfim, humanos.

O que Pelé fez, ganhou e representou nenhum deles tem sequer a oportunidade de igualar. E portanto não igualarão.

Futebol foi um dia algo que pulsava em nossas veias e nas deles. Hoje é um negócio cada vez mais frio correndo por antenas e não mais por veias saltadas em nossos braços.

O torcedor virou fã. A referência não é mais o pai e sim o YouTuber favorito e a história foi totalmente pisoteada em nome de promover um futebol mediocre e “craques” de mentira pra entupir o rabo da pivetada.

Eles compram. As marcas compram. Compram canais no youtube, compram jornalistas, empurram fanatismo a distancia, futebol na sala e o “fã”.

Ora, fã é a puta que pariu. Fã eu sou do Will Smith.  Do meu time eu sou devoto. Da minha seleção, idem.

Mas não.

O futebol que hoje disputam não permite que um novo Pelé exista, nem mesmo se um dia existir. Simplesmente porque o futebol que nós amávamos hoje é feito pra que vocês assistam, comprem, não pra que amem e se apaixonem.

Pelé é lenda de um esporte muito melhor do que jogado hoje. E sem volta, sem nenhuma chance de retomar a pureza do futebol e o quanto ele era “do povo”, simplesmente não haverá e nem pode haver outro Pelé.

Não há mais aquele futebol. E o que o substituiu é consideravelmente pior do que aquele. E não, não me refiro apenas a parte técnica, que já é gritante. Mas ao que ele representa, a forma com que é tratado e nossa relação com ele.

Pelé fazia nossos pais chorarem, tomarem chuva, irem até outro estado pra vê-lo. Seus netos ouvirão o jogo do Chelsea que você viu pela ESPN em casa comento batata frita.

Não. Não há comparação. Nem entre eles e Pelé, menos ainda entre o futebol que amamos e o que vocês amam.

Esquece o negão. Discutam entre os seus mortais.

RicaPerrone

Agora é sério, “meninos”


O Brasil tem diversos jogos importantes em sua temporada. Existem vários bons adversários e especialmente Itália e Alemanha, que juntamente com o Brasil formam o trio de ferro das seleções.

Mas de todos os jogos possíveis há apenas um “grenal” pra seleção. Aquele jogo onde não se trata de futebol apenas. Se trata de honra, de força, de equilíbrio e postura. É o jogo onde a única coisa que importa é o resultado. E este jogo vai acontecer na terça-feira.

Brasil x Argentina, aqui, valendo vaga e mandando um pra casa. Casa cheia, com Messi, nós favoritos. Se temos hoje uma desconfiança sobre a força mental dessa seleção, é o grande teste. É o dia de responder a nossa dúvida.

Uma final contra Colômbia? É uma final contra um adversário. Dar a vaga na decisão à Argentina dentro do Brasil e correr o risco de tira-los da fila aqui dentro é algo “divertido” e “curioso” pra nossa imprensa e pra molecadinha fã de futebol. Pra eles, lá, seria o caos. E pra nós, aqui, deveria ser também.

Esse jogo representa mais do que a própria Copa América.

A hora é agora, “meninos”. O que nós queremos de vocês é essa vitória. O resto a gente negocia, se convence, relativiza, culpa o juiz. Foda-se. Mas terça-feira vocês escolhem entra a seleção que passa gel pra entrar em campo ou a que elimina a Argentina e sai sambando.

Não preciso dizer qual o povo ama. Boa sorte.

Deles, não.

RicaPerrone

Hoje, não!

O discurso fácil é o de “contra o Paraguai com um a menos é obrigação”. Ok, mas quem de fato acompanha futebol sabe que as coisas não são mais assim. E que se um time se propõe a não jogar, dificilmente tem jogo.

Se uma das 24 bolas chutadas por nós entra, golearíamos em seguida. Enquanto não entrasse eles iam praticar o anti jogo escroto porém legítimo.

Uma coisa é não merecer. A outra é não conseguir. O futebol é um esporte que não tem lógica e quando isso se constata contra nós também tem que valer. Merecemos vencer e bem. Um 5×0 hoje tava justificado.  Mas não entrou.

Arrebentar a seleção por esse 0x0 e avaliar os mesmos 90 minutos com euforia caso 3 bolas entrassem é o que DEVERIA diferenciar torcedor e analista. A seleção jogou bem. Jogou MUITO melhor que o adversário, mereceu a vitória e saiu com ela.

Críticas? Tenho. O William e o Paquetá são respectivamente “ponta direita” e meia. O Jesus e o Coutinho não são. Se é pra levar pra seleção é pra usar.

Tite adapta o time a sua idéia e não suas idéias ao material que tem.

Tá bom? Ainda não. Ruim? Longe disso. A seleção é a melhor da Copa América, a que mais ataca, a que menos sofre na defesa, a que mais tem posse, a que mais dribla, a que mais finaliza, etc, etc, etc. Todos os números, e também o volume de jogo, são claros ao mostrar bom desempenho.

Dessa vez, embora eu discorde muito do que o Tite vem fazendo em alguns casos, o Brasil vem de 3 bons jogos na Copa América e merece a classificação.

Corremos. Tentamos. Criamos. Não nos omitimos do jogo.

O que falta? Adivinha… “o cara”. E se não tem, não tem.

RicaPerrone

Representados


Nós não queremos só a vitória. Não queremos ter que ir na rede social fingir que não nos importamos. Nem mesmo fazer o ridículo papel de torcer contra.

Queremos ser representados. É simples.

O que nos representa? Vitórias? Não só isso.

Irreverência, alegria, ousadia. Não somos burocráticos com a bola, não somos a zebra nunca, nem temos medo de fulano ou beltrano do outro lado.

Se aqui se acordou pensando “tem Guerrero e Farfan”, imagine o que eles não acordaram pensando lá?

Zagallo tem razão. Nós somos o problema deles. Quem não dorme são eles, quem fica bolando formas de anular o adversário são eles. Nós somos o time a ser parado.

É assim que somos, é assim que vemos a seleção. Talvez por isso nós adoremos a seleção que perdeu e nem tanto algumas que ganharam.

Representem-nos. Como hoje. E nos terão a seus pés e ao seu lado.

RicaPerrone

Porra, Tite!

Serei breve. Direto. Quase grosseiro.

O Coutinho não é meia armador pra jogar atrás do atacante centralizado. Na Copa isso nos prejudicou, segue prejudicando.

Arthur e Casemiro são dois “meias” que jogam a bola de lado a maior parte do tempo. Não são volantes que entram como era o Paulinho, por exemplo. O time fica previsível, o único armador é o Coutinho e ali nem é a posição dele.

O Neres tá cru. O Cebolinha entra e faz rigorosamente o que dele se espera.

Neymar faz muita falta. Não só pela técnica, óbvia e gritante, mas pelo senso de protagonismo.  Ser fominha as vezes é ruim, outras vezes é a representação do cara afim de correr o risco de errar mas também de resolver o jogo.

O Felipe Luis é muito bom lá atrás, muito fraco na frente. O Marcelo era bom na frente, fraco atrás. A seleção segue sem ter equilíbrio daquele lado. E não tem opção.

Jesus e Firmino são bons. Mas passam muito longe de serem os substitutos de Careca, Adriano, Romário e Ronaldo. Muito longe.

E por fim, o Tite.

Brilhante até a Copa. Confuso nela, perdido depois dela.

Decisões sem critério. Falta de coerência com o que pregava, prejudicial aos clubes e sem ousadia alguma. Buscando na “mesma praça, no mesmo banco as mesmas flores e o mesmo jardim….”

Mexe nesse time, professor. Ou vão mexer em você.

RicaPerrone

Matemática não lacra

Muitas  reclamam da diferença de salários no futebol entre homens e mulheres. Eu odeio ter que ser o “não lacrador” que diz isso, mas estão levantando uma bandeira absolutamente sem sentido.

Não é uma ONG. É um negócio. O futebol masculino gera 700 bilhões, distribui 700 bilhões. O feminino gera 50 milhões, distribui 50 milhões.

A culpa do interesse das pessoas ser maior não é de entidade alguma. Talvez, do jogo ser ruim. Mas dizer isso é um crime. Eu pago por ele, sem problemas. O futebol feminino paga mal porque o jogo é ruim, não gera interesse, portanto não gera rendas compatíveis com os salários do futebol masculino.

Embora seja lacrador ir reclamar e vitimizar a mulher na mídia, neste caso estamos falando de matemática, não de direitos.

O nado sincronizado masculino também não deve ganhar igual as mulheres. Tal qual modelos masculinos não ganham como a Gisele. Existem mercados e a libertação de um país melhor passa pela aceitação natural de competição dele.  Se vende mais, ganha-se mais. Se vende menos, ganha-se menos.

O caminho pro futebol feminino ganhar mais não é gritar, nem forçar um interesse midiático mentiroso num torneio. Menos ainda dar feriado pra parecer simpático politicamente as mulheres. É melhorar o jogo até que ele se torne interessante. Simplesmente isso.

Mais fácil usando a possível discriminação num discurso? Claro! Dá mídia.  Mas não é justo, nem real. Menos ainda possível. Matemática não lacra. Ela simplesmente segue a lógica.

Enquanto o futebol feminino for mal jogado o público não vai assistir. Especialmente esse bando de hipócrita que está usando a seleção pra lacrar em rede social e não assiste a um jogo de mulheres o ano todo. Faz 25 anos que existe Copa do Mundo feminina. Só agora descobriram ou só agora fizeram um movimento pra usa-la pra parecer engajada?

Ganha-se menos e vai ganhar por muito tempo, talvez pra sempre. Simplesmente porque o esporte tem muito do interesse no “limite físico”. E o limite físico do homem é maior por questões naturais.

Essa  briga não existe. É causa de influencer, não de mercado. E se duvidar, espere o mercado responder. Em 10 dias ninguém, nem quem anda brigando por ele, estará assistindo futebol feminino. Nem as emissoras que brigam por isso hoje estarão transmitindo.

E então a resposta estará lá, gritante: Não paga igual porque não gera receita igual.

Matemática. Sem machismo, causas nobres ou algo parecido. Apenas matemática. Meu patrocinio é mais barato que o do programa do Sportv. Ele fala pra 500 mil pessoas, eu pra 50 mil.  Simples assim.

RicaPerrone

O que vale a Copa América?

Num mundo pragmático que muito se cobra e pouco goza, ser campeão se tornou um alívio e não mais uma glória. Aos megalomaníacos brasileiros é ainda pior, pois Olimpíada não vale, Copa América não vale, Confederações idem. Só vale Copa, e mesmo sendo o país que mais a conquistou, vivemos sob críticas e crises.

A Copa América é a Eurocopa que nos cabe. E portanto é altamente importante. Tal qual a Copa das Confederações, que é um torneio de campeões continentais.

A cultura do “só vale Copa” é bastante tosca e pobre. Mas é nossa.

O Brasil entra em campo pressionado pra ser campeão ignorando os rivais de alto nível como Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia. O mesmo sujeito que discursa que o futebol mudou, que não há mais fronteiras e que está tudo muito equilibrado é o cara que exige da seleção títulos sem considerar suas dificuldades.

O que vale a Copa América?

Talvez mais que a Copa América.

O fato de que essa geração não vá disputar mais nada em casa tão cedo. O fato de termos saído da Copa humilhados em casa e termos que recuperar a relação com o torcedor. Talvez encerrar uma era de vários desses jogadores sem o 7×1 nas costas apenas.

Ganhamos a Confederações, é verdade. Foi incrível. Mas entra ela e o dia de hoje houve o 7×1.

Por mais imbecilizado que seja o papo de “eu não quero ser o país do futebol, quer hospitais e escolas”, uma coisa não anula outra pra quem tem meio cérebro. E embora eu saiba que meio cérebro é muito pra uma boa parcela de pessoas, ainda acredito no bom senso da maioria.

Não é legal pro americano perder o basquete. Pro alemão com sua cerveja. Pro japonês a referencia tecnologica. Ninguém gosta de perder algo que você é referência.

A nossa é o futebol e disso muito me orgulho, o que não exclui querer outras coisas pro país. Ver o Brasil não ser mais o todo poderoso no futebol é um risco que machuca. Bem ou mal, gostem ou não, é o que temos.

Perde-lo não nos dará uma escola nova sequer. Apenas nos tirará o único posto de “melhor do mundo” que ostentamos.

Então, meus caros, a Copa América é uma chance. Uma possibilidade real de meter a camisa amarela com uma taça grande nas mãos de novo. E em casa, diante do seu povo.

Vale. E vale muito.

Simplesmente por valer bem mais do que uma Copa América.

RicaPerrone