0x0

Sim, é pra comemorar

O rubro-negro estranha. “Tão comemorando empate?”. O tricolor sorri, porque sim, estamos.

O melhor time do país com alguma sobra técnica para os demais contra um time que teve um dia com o novo treinador em crise. Se perdesse de 1×0, 2×1 eu já estaria aliviado. Empate? Porra…

É o que dá. Mas não acostuma. O SPFC contratou um treinador que gosta de futebol, portanto a tendência é que em breve a última coisa que esse time vá fazer é se acovardar.

Hoje podia. Tinha alvará.  Há anos o SPFC não preza por futebol. Tal qual o Flamengo em diversos momentos da sua história conturbada onde um empate poderia render até um não rebaixamento. Faz parte.

Hoje no alto, mas ainda sem a coroa, o Flamengo é o time a ser batido.  E a soma disso com uma reprimida demanda megalomaniaca de décadas esperando por esse momento causa certa euforia perigosa.  O adversário do Flamengo, hoje, é a ejaculação precoce. Fora isso, nada vai detê-lo.

Ao SPFC cabe reerguer. E sim, eu sei o que você pensou com essa frase após ler sobre ejaculação precoce.

Fato é que hoje não teve. E se não teve justo no improvável duro encontro com o cabisbaixo São Paulo, há sim que sair do Maracanã feliz.

Tu quer o “mundo de novo”. Nós, hoje, só a vaga na Libertadores.

RicaPerrone

Não é esse o time

Eu acho que o Cuca vai encontrar. Mas não consigo imaginar que seja esse. Gosto dos volantes, da defesa, mas não acho que o Daniel vá funcionar ali, nem vejo no JuanFran isso tudo.

Pato, Pablo e Raniel. Os três fora num mesmo jogo é de fato muito difícil. Mas ainda assim, o que me incomoda é a criação.

Aberto não dá porque tiraria o Antony. De lateral tira o JuanFran. Ok! Então. E aquele bom e velho 352  que tanto funcionou já no Morumbi?  Porque não?

Pato e Antony na frente, Daniel e Reinando abertos como alas, Juan na zaga onde pode fazer o que sabe que é defender. Acho uma idéia que potencializa muito mais alguns jogadores do que esse time preso ao sistema que TODO MUNDO usa hoje em dia quase como regra.

O empate com o Grêmio reserva é bem ruim. Óbvio que é. Em casa time que briga por título tem que ganhar, de reservas então, mais ainda.

Mas o empate me incomoda menos do que ver o Daniel no meio e em virtude disso o time todo afunilando jogada pra busca-lo.

É um mero palpite. Mas acho que funcionaria melhor, e acho que o Cuca vai rodar e acabar testando isso uma hora.

RicaPerrone

Hoje, não!

O discurso fácil é o de “contra o Paraguai com um a menos é obrigação”. Ok, mas quem de fato acompanha futebol sabe que as coisas não são mais assim. E que se um time se propõe a não jogar, dificilmente tem jogo.

Se uma das 24 bolas chutadas por nós entra, golearíamos em seguida. Enquanto não entrasse eles iam praticar o anti jogo escroto porém legítimo.

Uma coisa é não merecer. A outra é não conseguir. O futebol é um esporte que não tem lógica e quando isso se constata contra nós também tem que valer. Merecemos vencer e bem. Um 5×0 hoje tava justificado.  Mas não entrou.

Arrebentar a seleção por esse 0x0 e avaliar os mesmos 90 minutos com euforia caso 3 bolas entrassem é o que DEVERIA diferenciar torcedor e analista. A seleção jogou bem. Jogou MUITO melhor que o adversário, mereceu a vitória e saiu com ela.

Críticas? Tenho. O William e o Paquetá são respectivamente “ponta direita” e meia. O Jesus e o Coutinho não são. Se é pra levar pra seleção é pra usar.

Tite adapta o time a sua idéia e não suas idéias ao material que tem.

Tá bom? Ainda não. Ruim? Longe disso. A seleção é a melhor da Copa América, a que mais ataca, a que menos sofre na defesa, a que mais tem posse, a que mais dribla, a que mais finaliza, etc, etc, etc. Todos os números, e também o volume de jogo, são claros ao mostrar bom desempenho.

Dessa vez, embora eu discorde muito do que o Tite vem fazendo em alguns casos, o Brasil vem de 3 bons jogos na Copa América e merece a classificação.

Corremos. Tentamos. Criamos. Não nos omitimos do jogo.

O que falta? Adivinha… “o cara”. E se não tem, não tem.

RicaPerrone

Porra, Tite!

Serei breve. Direto. Quase grosseiro.

O Coutinho não é meia armador pra jogar atrás do atacante centralizado. Na Copa isso nos prejudicou, segue prejudicando.

Arthur e Casemiro são dois “meias” que jogam a bola de lado a maior parte do tempo. Não são volantes que entram como era o Paulinho, por exemplo. O time fica previsível, o único armador é o Coutinho e ali nem é a posição dele.

O Neres tá cru. O Cebolinha entra e faz rigorosamente o que dele se espera.

Neymar faz muita falta. Não só pela técnica, óbvia e gritante, mas pelo senso de protagonismo.  Ser fominha as vezes é ruim, outras vezes é a representação do cara afim de correr o risco de errar mas também de resolver o jogo.

O Felipe Luis é muito bom lá atrás, muito fraco na frente. O Marcelo era bom na frente, fraco atrás. A seleção segue sem ter equilíbrio daquele lado. E não tem opção.

Jesus e Firmino são bons. Mas passam muito longe de serem os substitutos de Careca, Adriano, Romário e Ronaldo. Muito longe.

E por fim, o Tite.

Brilhante até a Copa. Confuso nela, perdido depois dela.

Decisões sem critério. Falta de coerência com o que pregava, prejudicial aos clubes e sem ousadia alguma. Buscando na “mesma praça, no mesmo banco as mesmas flores e o mesmo jardim….”

Mexe nesse time, professor. Ou vão mexer em você.

RicaPerrone

Aula

Desfalcado, perto da zona de rebaixamento, cheio de garotos e com problemas financeiros. O que faria do Fluminense hoje um “não franco atirador” na partida contra o poderoso, rico e quase completo Flamengo cheio de estrelas?

O mais doente rubro-negro não reconhecerá, mas invejou. Posse de bola, iniciativa, controle do jogo, oportunidade criada e tudo isso num cenário onde 99% dos times se enfiaria atrás, abriria mão de jogar e apenas tentaria uma bola parada.

O Fluminense não ganhou, mas deu uma aula no Maracanã.

Mostrou não apenas ao Flamengo que não há argumentos suficientes que justifiquem não jogar. Que não há desfalques que te façam praticar o anti jogo e que o risco de perder está também atrelado a sua vocação pra vencer.

O Flamengo não tem uma forma de atuar. O Fluminense tem. O problema é que raríssimos clubes tem, e os que tem são com times bem mais competitivos que esse do Flu no papel.

É absolutamente empolgante ver um time de garotos pegar o mais rico time do país e controlar a partida. Não porque preferimos esse ou aquele, mas porque há uma tese em jogo.

Enquanto um compra, o outro faz. E qualquer pessoa que olhe o cenário do futebol sulamericano entenderá que esse é o caminho mais inteligente, embora menos midiático e imediatista.

Hoje venceu o Fluminense. Nunca será “obrigação” num clássico pra lado algum. Mas o Flamengo deveria ter tido a bola, o controle e a calma pra tocar. Foi completamente o contrário.

Há uma proposta nesse Fluminense. No Flamengo, só mais um time de futebol procurando uma bola.

RicaPerrone

Peñarol 0x0 Flamengo: Hoje ela não puniu

O Flamengo segue jogando a Libertadores com a mesma habilidade que o Pará domina um lançamento.  Ele pede, flerta com a eliminação e chega a insistir quando ela o rejeita.

Hoje ela conseguiu dizer não.

Não porque jogou mal. Ao contrário, foi melhor que o Peñarol lá e deveria ter ganhado o jogo pelas chances que teve. Mas é exatamente aí que o Flamengo não consegue entender a Libertadores.

Em casa, neste mesmo jogo, ele não decidia nada. Foi igual um maluco nos minutos finais como se estivesse sendo eliminado e… perdeu num contra-ataque. Tivesse empatado aquele jogo hoje teria feito amistoso.

O primeiro tempo foi controlado, sem pressão. O Flamengo conseguiu tudo que queria e ainda assim quase conseguiu se complicar. Em Libertadores você não perde 4 gols na frente do goleiro e sai impune. Hoje saiu.

Nada do que esperávamos do lado de lá esteve presente. Nem a pressão da torcida tão comum por lá, nem o sufoco em campo. O Peñarol não esteve numa decisão. Parecia não ter a dimensão do jogo.

Já o Flamengo tinha. E tinha tanto que na cara do goleiro conseguia errar.

São duas reações opostas mais igualmente nocivas a quem quer o caneco da Libertadores. A falta de empenho e o exagero na tensão. Hoje o exagerado passou. Mas a bola não vai perdoar tantos gols perdidos por mais 4 decisões.

Missão cumprida. Agora vê se tira esses 200 kilos das costas porque eu já disse e vou repetir toda vez que o Flamengo jogar uma partida de Libertadores: você não perde o que não tem.

RicaPerrone

A cura

Talvez falte algo no ataque, na defesa, numa lateral. Talvez seja má administração, talvez azar. Eu não sei diagnosticar um São Paulo que não funciona há tempo tempo e de tantas maneiras. Mas sei de algo que o clube precisava, buscava e só um treinador poderia lhe dar: paixão.

Cuca não é responsável por qualquer nó tático neste domingo. Mas chamar de coincidência a presença dele em algo emocionante e memorável é um pouco de covardia.

Este sujeito tem o DNA do futebol pulsando nele. Perde, ganha, mas por onde passa deixa uma história e momentos inesquecíveis. Vocação pra eternidade. Pacto com a bola.

Quando o jogo foi pros pênaltis o futebol em si não sabia bem o que fazer. Dar a Felipão, o rei do mata-mata, ou a Cuca, que está voltando de um problema de saúde?

Escolheram bem. O Palmeiras, diferente do São Paulo, quer o título mas não “precisa”.  O São Paulo “precisa”. O Cuca “precisava” voltar. A cura do treinador virá em doses cavalares do que melhor sabe fazer: história.

A do São Paulo, talvez, pela paixão de quem não está ali a passeio ou por mera obrigação. Cuca ama futebol como poucos.  Não é por acaso que as grandes histórias recentes o procuram.

Seja bem vindo. E que seja a cura. Sua e nossa.

RicaPerrone

Vocês sabem como é

Parece obrigação, mas não é. O campeonato mais difícil do mundo não pode ter sua análise a palavra “obrigação”, e se existe um clube que pode exemplificar isso com sua própria história é o Atlético em sua conquista da América.

Poderia ser mais fácil aqui. Mas também poderia ser bem mais complicado lá. Esperar que o time dê um baile na ida e na volta num mata-mata de Libertadores não é análise tática ou técnica. É quase desconhecimento de causa.

Haverá expulsão, perrengue, uma bola que entra do além, outra que deixa de entrar por um milagre.  E ainda tem o juiz, inimigo número um dos brasileiros na Conmebol.

O Galo jogou menos que podia, não vi os sustos que alguns viram em perder o jogo, nem um futebol que justificasse qualquer euforia. Apenas uma partida burocrática de quem queria passar e nada mais.

Aí sim podemos ter uma questão: o “nada a mais”.

Pra ser campeão da Libertadores você tem que ter tudo e “algo mais”. O Galo tem um bom time, fez dois bons jogos fora de casa, passou hoje sem inspiração, sem ousadia mas também sem sustos.

Não, não é hora ainda de encontrar isso. Estamos saindo da pré temporada, organizando os elencos e times e portanto esperar qualquer brilho neste momento é um exagero enorme.

Passou. Missão cumprida. Agora o Galo tira das costas a obrigação e parte pro sonho. E desde que me entendo por gente não vi ninguém fazer de um sonho tão real quanto o próprio Atlético na Libertadores de 2013.

Não ousarei ensinar o padre a rezar uma missa.  Mas agora a missa está confirmada.

Dizem que ir a missa é pra quem tem fé. E ter fé é acreditar.

Deus que me livre falar sobre isso com atleticano.

RicaPerrone

Eu escolho vocês

Desde o começo do ano eu tenho dificultado para entrar lá, sido mais fácil de entrar cá.  É minha forma de protesto.

Eu não gosto de clube que judia de sua gente. Eu não gosto de diretorias que amam mais o poder do que o futebol. Eu não suporto ver quem eu consagrei ser destruído por gente mesquinha e disposta a tudo pelo ego.

Eu pensei em te derrubar, não vou negar.

Foi aos 49 contra o Grêmio, aos 50 contra o Inter, eu estava em tanta dúvida que deixava pro final a decisão de entrar ou não. Era duro escolher entre vocês, vascaínos, e eles, dirigentes.

Como clube, merecia. Como Vasco, nunca.

Contra o São Paulo vocês me convenceram. Mostrar que fraude é pra ser limpada e não jogada pra debaixo do tapete era função de outra área, não minha. Eu estava querendo fazer justiça e acabaria atingindo os maiores e mais dignos interessados: vocês, torcedores.

O Vasco não se dá ao respeito e por isso passa pelo momento que passa. Mas vocês o dão o devido respeito, e por isso ele não deixa de ser grande.

Eu não entrei hoje por vocês. Mas até a minha paciência tem limites. E por mais que vocês achem que desde o Diego Souza eu sempre escolho te prejudicar, na verdade eu só queria premiar um Vasco que merece, não um que se arrasta.

O foda é que vocês merecem. Eles não. Mas entre você que será Vasco pela vida toda e eles, que ficarão no poder um período, escolhi vocês.

Até 2019.

Ass: a bola