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Aguirre é mais do mesmo

Nunca gostei, reconheci o bom começo mas também nunca me iludi com o futebol jogado. Resultados as vezes não são o que estamos assistindo.

Aguirre é um treinador comum, covarde, motivador, sem nenhuma característica surpreendente ou extremamente negativa. É apenas “mais um Silva”.

Hoje no Morumbi tirou o melhor do time, enfiou um 442 convencional com 2 linhas de 4 e esperou que Reinaldo e Rojas dessem uma bola na cabeça do Diego ou do bom Carneiro.

Tão bom que foi substituido. Parece proibido jogar bem.

O São Paulo não tem um timaço, nem um timinho. E se em momentos do ano teve classificação de timaço, o futebol apresentado em momento algum deixou de sugerir um timinho.

O campeão não pode jamais aceitar ser mais do mesmo. E o Aguirre é isso.

abs,
RicaPerrone

Mais favorito do que antes

Se o empate fora parece um bom resultado, os 90 minutos de Flamengo e Corinthians contrariam essa avaliação.  Como cada vez mais comum no futebol moderno em virtude de sua força física, intensidade e espaços reduzidos, o time que abre mão do jogo consegue anular o que tenta jogar.

Na Copa foi assim, hoje também.

O Flamengo saiu vaiado por parte da torcida que está mais irritada e frustrada pelo empate do que observando o jogo em si. Foi intenso, bem escalado, com alterações que fizeram sentido e o time amassou o Corinthians a maior parte do tempo.

Se eu fosse corintiano comemoraria o empate e ficaria altamente preocupado com o que foi apresentado. Se eu fosse Flamengo estaria bem otimista com a volta mesmo sendo fora de casa.

Os números do jogo são constrangedores. É valido? É. Concordo? Jamais.

Time grande tem que jogar bola. Não me importa se com Juquinha, Messi ou 11 mancos. Sentar dentro da área e impedir um jogo não é condizente com o Corinthians.

Compreendo? Até que sim. Treinador novo, time fraco, etc.  Mas ainda assim, não concordo com o que foi proposto hoje.

Se havia um favorito antes do primeiro jogo era o Flamengo pelo time que tem. Agora pelo time  e pela covardia do adversário.  O Corinthians tem sua camisa e casa para acreditar. Porque futebol…

abs,
RicaPerrone

Bom resultado e só

O Santos que nada jogava agora consegue, ao menos, resultados. Se ainda passa longe de ser um time de bom futebol e algum favoritismo a títulos, pelo menos já tem uma proposta de jogo e uma noção mais clara de suas limitações.

Não posso achar bom um time desse tamanho jogar uma partida de Libertadores sem dar um chute a gol. Mas posso ver alguma coisa nesse time que há 1 mes tomaria 2×0 lá e também não chutaria no gol provavelmente.

O time argentino é bem comum. Mas o discurso não é determinante quando o do Santos hoje também é. E é.

Um jogo de camisas, de muita pegada e pouco futebol de ambos os lados. Mas é evidente que a volta no Pacaembu dá ao Santos uma possibilidade maior de classificação.

E assim sendo, o resultado na Argentina é bom. O futebol não. Mas o resultado, sem dúvidas.

abs,
RicaPerrone

As planilhas seguem ok

Outra vez o Flamengo vai a campo sabe-se lá pra que. Talvez pelas premiações por conquistas, talvez pra “não perder”. Quem sabe por mera obrigação de bater ponto.

Mas pra ganhar o jogo não foi.

Ninguém que tem nada a perder e precisa de ousadia para ganhar algo mais pode ser tão previsível, precioso e covarde. O que aconteceria se o Flamengo fosse buscar a vitória?

No ruim, perderia o jogo.

Quanto toquinho de 3 dedos, quanta jogadinha individual. Nenhum coletivo, nenhuma ousadia. O conformismo de quem olha o relatório e vê crescimento de 0,4% e entende que está tudo ok.

O Flamengo virou empresa. Mas empresa nenhuma vende paixão, logo, todas elas são administradas de forma diferente do futebol. Não interessa ao torcedor analisar que há melhora em relação aos últimos 20 anos, embora seja justo dizer isso.

Interessa a ele ver-se representado em campo. É pra isso que gostamos de futebol, não porque é um esporte maneiro. Não a toa a maioria das pessoas diz não gostar de futebol mas sim do seu time.

Times carregam alma, características e personalidade.

Esse aí, de novo, prova que não tem a menor idéia do que representa.

Não perdeu, se classificou, está bem no Brasileiro, contas em dia e vendeu mais um patrocinio. Tem time de E-sports, paga em dia, lança camisa, bomba em canal do youtube e dificilmente será ameaçado por rebaixamento tão cedo.

Mas seu povo olha e não se vê ali. De que adianta?

Ser tão correto, grandioso, bem administrado, em crescimento e rico sem representar a única coisa que faz sentido nessa história toda?

Jogos como os de hoje explicam pra diretoria o que ela não quer ver: não se trata de resultado. Se trata de desempenho, identidade e paixão.

Mas na planilha, houve crescimento. Do não classificado as oitavas ao time que este ano passou de fase. Logo, premia-se, aplaude e segue o enterro.

abs,
RicaPerrone

Flamengo, o “mete-fofo”

A Libertadores é uma vadia.

Daquelas que a gente olha, vê o problema e se enfia nele mesmo assim. É mais forte do que nós.

Ela joga sujo, aparece seduzindo, não deixa você esquecer dela e no menor indício de desinteresse ela aparece flertando com seu pior inimigo. E aí você vai lá igual um cachorrinho se submeter as mais absurdas condições só pra “estar com ela”.

Você sabe quem ela é e mesmo apaixonado por uma vadia parece não entender o que ela quer.

A Libertadores gosta de tapa na cara, Mengão. Pára de mandar flores, ela quer sexo. Só sexo.

Com amor você conquista o Brasileirão. Aos poucos, sem impacto, devagarinho. Essa aí é outra parada. Se tu não fizer, alguém faz.

Então, meu ex-malandro favorito, tira esse sorrisinho de cara, deixa a barba crescer e não chora quando goza.

Para de abrir a porta do carro pra ela. Ela acha você babaca quando faz isso, não um lorde. E pior: ela odeia lordes.

Tem conquistas fazendo amor e tem conquistas “trepando”.

Hoje você é um tremendo “mete-fofo”, Flamengo.
E pensar que tu já foi o malandro…

abs,
RicaPerrone

Feito time grande

Aguirre parece ter entendido bem rápido o maior problema do São Paulo. O time dele não tem ainda nenhuma invenção tática radical, nem teve tempo pra isso. Mas tem vergonha na cara.

De alguma forma o uruguaio conseguiu tirar o elenco da zona de conforto e os fez entender que o resultado pode até não vir, mas  a briga tem que existir.

O time que perdeu pro Corinthians ostentava uma dignidade incomum nos últimos anos. E ainda que com nova derrota, conseguiu sair de campo sem ser vaiado.

O de ontem foi ainda melhor. Com um a menos, agrediu. Quase venceu. Quando sofria agressão, revidava. Não ficou com medinho de cara feia de argentino e deixou a classificação bem encaminhada pro jogo da volta em casa.

Eu não vou perder tempo falando da meia duzia de argentinos escrotos que chamaram nossos torcedores de macacos e cuspiram neles. Até porque também temos meia duzia de escrotos em nossa torcida, como em todas.

Mas como sempre na Argentina é pontapé, torcida em lugar ruim, catimba, pressão, todo o perrengue extra-campo padrão de um jogo lá.

E como digo há anos, chiliques de Rizeks a parte, o brasileiro precisa sim aprender que respeito é algo que se dá a quem também te respeita. Aqui vai ter tapete vermelho, escolta, torcida isolada, zero pressão e conforto. E se um dos nossos der uma cabeçada no rival, será expulso.

Regra é regra desde que seja contra nós. E enquanto nossa mídia achar o máximo a catimba e a “malandragem” argentina, temos que brigar em campo apenas.

No Morumbi a gente conversa. E se não quiser conversar, a gente também topa. Mas do jeito que for, manda quem pode obedece quem tem juizo.  Tenha juizo, Rosário.

Aqui, não!

abs,
RicaPerrone

Eles fingem que sofrem

É tudo mentira.  Eu estive lá algumas vezes em 2016 e 2017 e lhes afirmo: é uma farsa.

Esse drama que eles fazem, a cara de medo enquanto o jogo acontece e a lamentação por ter sido sofrido, tudo mentira.

Eles sabem que vão ganhar. E se pudessem escolher como, escolheriam exatamente como hoje.   O baile de Lanus é maneiro, mas eles gostam é da porra da Batalha dos Aflitos.

Se fosse 4×0 hoje eles sairiam de lá felizes. Sendo nos pênaltis um perrengue do cacete, eles sairam de lá de alma lavada.

Ao final, pelas rampas da Arena ou nos bares na frente do estádio, se abraçam e dizem artisticamente que “quase morreram”  de nervoso. Mentirosos! Eles sabiam.

Eles sempre sabem.

O ritual pré jogo, a tensão do jogo, o desespero na prorrogação. Tudo combinado. Eu tenho alguma convicção que gremista se reune antes do jogo e combina a cena.

E segue tudo como sempre foi. Copeiro, guerreiro, sofrido e campeão.

Renato, Grohe, a calma do Luan, as maravilhosas entradas no limite do duro e violento do Geromel.  O Grêmio tem seu ritual.

E como todo ritual, sabemos o final.

abs,
RicaPerrone

As vezes tem lógica

Era óbvio que se um goleiro fosse falhar na final, seria o do Flamengo. Que se um fosse brilhar, seria o Fábio.

Mais óbvio que isso apenas a redenção do Muralha nos pênaltis. E quando o juiz apitou, aposto, não teve um brasileiro vivo que não pensou:  “Futebol é foda. O Muralha vai sair herói”.

Porque há duas lógicas.  A lógica, e a lógica do futebol.

É raro, mas as vezes a primeira prevalece. E como tal, o herói é o goleiro do Cruzeiro, o vilão é o do Flamengo.  Convenhamos, uma criança de 12 anos diria isso ao ler o cenário antes da primeira partida.

Mas não temos 12 anos. Temos uma vida para saber que quem perde o pênalti é o craque. E aí sim, deu a lógica.  Diego, que por lógica faria, pela lógica da bola, perderia. E perdeu.

Tal qual Thiago Neves, que escorregou e num ato de coragem e bravura brigou com a lógica do futebol e manteve a direção da bola.  O craque, o pênalti decisivo… a lógica.

A primeira final européia do Brasil. O primeiro jogo decisivo onde os finalistas não queriam ver o rival perder.  E não viram. Eram quase simpáticos ao título alheio. Nunca tinha visto nada igual.

 

O Mineirão tem volta Olímpica enquanto escrevo. É a quinta vez que acontece.  Não é possível ignorar a ironia que há em ser o Cruzeiro, time mais enfático em suas conquistas no país, o maior campeão de um torneio de mata-mata.

Auto proclamados “maior de Minas”, o “maior do Rio”.  Fofos, mas agora só há um que importa.

Cruzeiro, hoje, o “maior do Brasil”.

abs,
RicaPerrone

 

O lance do jogo

Botafogo e Flamengo fizeram um jogo movimentado.  Mas não muito bom.  Os dois times sem os articuladores, um deles mais cansado, nada muito imprevisível.  Mas algo nos 90 minutos sem gols me chamou muito atenção.

O menino tem 16 anos e é avaliado todo dia por “novo Negueba” ou “novo Neymar”.  Deve ser um inferno. Ele é um garotinho, talvez ainda coma danoninho. Foda-se, eu também como. Péssimo exemplo. Segue.

Vinicius tem nas costas a pressão que não merecia. Mas ganhou, mesmo sem idade pra isso e impossível maturidade pra tanto. E entre ser Negueba e Neymar, o garoto é chamado pela torcida e entra em campo pela terceira vez.

Ele dribla, chuta, arrrisca, perde a bola, vira pra torcida e chama com os braços.  “Vamo Porra!”.

Que isso, moleque? Ontem era Patati Patatá e agora é “vamo porra” pra nação?

Gostei. Gostamos.

Talvez porque futebol seja óbvio que ele tenha. O que nunca é óbvio quando falamos de um garoto é se ele terá a inteligência de saber que é uma maquete, não uma obra pronta.  Saber que estar ali sendo comparado com os fracassados e vitoriosos não fará dele ninguém, a não ser que ele se preste a ser “novo porra nenhuma”. Eu sou o Vinicius.

E assim, quem sabe, teremos algo de fato “novo”.

Talento tem de sobra. Personalidade, pelo jeito, idem.  Vai errar, porque erramos com 50, imagine com 16.

Mas enquanto olhar pra frente e não de queixo colado no peito, acharei que o Real fez um ótimo negócio.

abs,
RicaPerrone