0x1

Tudo sob controle

Uma vez eu cheguei na concentração da minha escola de samba na Sapucaí e parecia que o mundo ia desabar. Nada funcionava, as fantasias estavam incompletas, a luz do abre-alas não funcionava, e o carnavalesco estava ali, fumando, olhando pro nada calmamente.

Eu fui até ele em desespero e disse: “Oi! E ai? Vai dar? Quer ajuda?”.  Ele balançou a cabeça de um lado pro outro e disse: “É assim mesmo”.

Naquele momento eu não sabia ainda que faríamos um desfile “ok” e terminaríamos numa colocação “ok”.  Mas eu sabia que não sairia nada brilhante dali.

Tenho comigo que qualquer pessoa que mexa com entretenimento e portando reações de pessoas, deve ter os olhos brilhando, as veias saltando no pescoço e em algum momento sair do controle.

Não porque perder o controle é positivo. Mas porque ser parte do sentimento que envolve aquilo é tão ou mais importante quanto a frieza de administrar a situação.

Zé, eles não querem que você escale esse ou aquele. Eles querem que tu chute a porta.  Eles olham pra você e não enxergam o líder. Eles enxergam o Parreira.  Sempre a mesma cara, o mesmo tom, a mesma reação.  Tudo sob controle.

E quem é que quer controle no futebol?

Esses caras, e me refiro a torcida não ao time, querem você tão puto quanto eles quando não funciona. E veja que falamos de uma gente puta em terceiro lugar. Ou seja, não é resultado. É desempenho.

Não se trata de quantos gols, mas como eles foram marcados. Não se trata de ganhar apenas, mas sim de brilhar. O hino diz, ouça-o! Vencer, vencer, vence! Mas… o maior prazer é vê-lo BRILHAR!

E ninguém brilha com essa simpatia pela nota 6.

 

Arrumem as finanças, paguem em dia, estruturem o clube, mudem o Flamengo todo! Mas não tirem dele a graça de ser o que é.  E isso aqui não é Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Todo o possível

Eu gosto de ver o Grêmio e o Corinthians jogar pelo mesmo motivo: os dois fazem tudo que podem.

O “tudo que pode” do Grêmio é evidentemente melhor que o do Corinthians, por limitações técnicas, o que torna ainda mais incrível o trabalho até aqui.  Mas ainda que os dois times tenham propostas de jogo completamente diferentes, os dois se parecem muito.

O Corinthians pela aplicação absurda de se postar como um time inferior tecnicamente sem essa vaidade. É duro pra um Corinthians fazer isso, acredite. O jogador não quer ser “tático”. Ele chega no Corinthians pra ser estrela.

E o Grêmio com o futebol mais gostoso de assistir do país, porque tem pra isso e vem entrosado do ano passado. Um esperando, o outro agredindo, os dois velozes quando podem, compactos sem a bola. Mas os dois no mesmo limite.

Ao final da partida o Grêmio tinha ido todo pro ataque. Perdeu pênalti, dois lances embaixo da trave, mas… fez de tudo que podia pra conquistar o resultado.  O Corinthians, com muito menos obrigação por jogar fora, idem.

Fez um gol numa falha do goleiro, se salvou de outros com méritos do seu. Mas goleiro é parte do time, não? Logo… não há injustiça nisso.

O resultado surpreende por ser lá, lotado, com 14 finalizações contra 5.  Mas ele não é injusto.

São propostas.

A dos outros é que são inferiores. Essas duas, acredite, são não a toa na tabela as duas melhores propostas do país.  Não porque são geniais, mas porque vão no limite das possibilidades de ambos.

abs,
RicaPerrone

Podcast: Moto Clube 0x1 São Paulo

Tricolor joga pouco, faz o mínimo e vence na Copa do Brasil. Vasco idem, e o Olímpia pega o Botafogo na próxima fase da Libertadores.

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Como deve ser

Grenal é a representação mais sul-americana de um jogo no Brasil.  Portanto, espera-se dele virilidade, força física, até brutalidade, porque não?

Mas isso em campo. Fora dele o mimimi já chegou ao Grenal também.  Conseguiram polemizar um áudio de um treinador pra um “amigo”(do latim caguetas filhusde putis)  falando que passaria o trator no rival domingo.

Uai? E …?

Nada mais provável, prático e simples do que o jogo ser na casa do “que passaria o trator”, o adversário vencer e ir fazer festa lá dentro devolvendo a piadinha do trator a semana toda.

Futebol as vezes é tão previsível …

Aí nego discute se no final do jogo os gremistas deveriam ter ido festejar com sua torcida “em pleno Beira Rio”.  Ora, porque não? Qual a graça de ganhar “em pleno beira-rio”, então?

Espera-se de um Grenal um pouco mais do que futebol, até porque convenhamos que este nunca foi seu objetivo numero um.  Espera-se um jogo sem mimimi, com empurra-empurra, deixada de sola e, no mínimo, ofensas pessoais.

Menos do que isso é contra o Juventude. E ninguém se importaria em “passar o trator” no Juventude.

abs,
RicaPerrone

Crescer e não chorar

O Grêmio de Roger foi taticamente superado. Ok, foi massacrado.  Sejamos justos.

O Rosário fez isso com o Palmeiras, mas… ah, é o Palmeiras! Em crise, trocando treinador, etc, etc, etc.  Pois foi a Porto Alegre e fez rigorosamente a mesma coisa com resultados muito semelhantes.

Gráfico de posicionamento médio do jogo de ontem - Veja o Rosário quase no campo do Grêmio.

Gráfico de posicionamento médio do jogo de ontem – Veja o Rosário quase no campo do Grêmio.

 

E era o Grêmio, do Roger, do estádio meio vazio, dos preços abusivos e do time não tão qualificado que ganhou um status técnico que não merece ao conseguir a vaga na Libertadores.

A realidade do Grêmio é de um time comum bem treinado. E isso significa que quando anulado coletivamente, ele pára porque não tem nada especial individualmente.   Mas ontem, caros tricolores, o Grêmio errou até passe de meio metro, e isso não é tático.

Se como reação ao domingo, se num dia ruim, se cansados, se bem marcados, não importa! Absolutamente nada justifica jogadores de futebol jogarem uma decisão em casa, estádio meio vazio, contra argentinos, e sem a gana que esse cenário sugere.

Todos erraram. E o Rosário acertou.  Poderia ser pior, aliás, me arrisco dizer que até merecia.

O Grêmio que sai jogando foi marcado no seu campo. Fim do Grêmio.  Se por um lado não tiveram a ousadia do Audax que entrega uma ou duas bolas por jogo pro adversário fazer o gol, também não tiveram opção.  Ficaram presos ao adversário assistindo ao jogo e sem tesão algum em buscar algo mais.

Enxergo como uma sequencia de decisões erradas. A de usar titulares domingo, a de vender ingressos pra rico e não pra torcedor, e as questões táticas e técnicas do jogo em si.

O Grêmio tinha que ter entrado ontem 100%, inteiro, pronto, focado, sem o desgaste de uma eliminação e com o estádio entupido até o último centímetro.  Ali, pelo menos, entenderiam um jogo que não entenderam.

O grande clube aprende com os erros e os corrige. O clube grande manda o treinador embora e foda-se o projeto, o planejamento e o ideal.

Vejamos que Grêmio teremos na quinta-feira que vem.

abs,
RicaPerrone

Clássico é clássico…

revervr…e vice-versa, diria o filósofo e centroavante Jardel.

O que seria do resto deste domingo de páscoa não fosse o delicioso gosto de saber que o resultado deste clássico é discutível até terça-feira?  Que o goleiro pressionado errou como esperado, que o time desfalcado sentiu como previsto? Que embora tenha jogado menos, chutado menos e criado menos, o vencedor acertou um chute a mais.

Que “se tivesse expulsado…” teria sido diferente.  Mas não expulsou. Aí está seu alvará.  E não há nada que um torcedor goste mais numa derrota do que ter uma desculpa irrefutável da arbitragem.

Sim, o juiz errou ao não expulsar dois jogadores do Cruzeiro em questão de 5 minutos no começo do segundo tempo.  Pode ter errado em outros lances também, embora eu não considere nenhum dos demais tão indiscutíveis quanto as expulsões.

O que me deixou feliz neste Galo x Cruzeiro foi Rafael Silva.  Não pelo seu belo corte de cabelo, que aliás copiarei, mas pelo gesto divertido e provocativo ao fazer o gol da vitória.

Batendo asas, como um galo (ou uma galinha)  sacaneou a torcida rival e nem por isso foi pisoteado pelos adversários em campo.  Ao final do jogo, camisas, abraços e tudo certo. Afinal, é só futebol.

Pobre do sujeito que acha que a ignorância alheia é culpa da brincadeira inofensiva de alguns.  Mais pobre ainda o futebol quando condena atitudes que tornam gols épicos em busca de um ambiente enlatado e babaca.

O Cruzeiro talvez não tenha merecido vencer o jogo pelo que jogou. Mas Rafael Silva, este sim, pelo que fez após o gol, merecia.

abs,
RicaPerrone

 

Sem direção

Se me mandassem apostar os meus últimos reais num clube que estaria priorizando uma competição no país, diria “Flamengo e a Liga”.  É óbvio, ele que brigou pra ela existir, ele que fez o maior barulho pra ela valer.  Ninguém quer mais que essa Liga exista do que o Flamengo.

E então, numa quarta-feira qualquer, de olho num Volta Redonda x Flamengo do sábado seguinte, Muricy resolve poupar jogadores titulares.

Perdeu, está fora. Não haverá Fla-Flu na final e não fosse o Paulo Vitor o final da partida poderia ter sido ainda pior, desta vez já com os titulares em campo.

Eu não vou entrar no mérito do Muricy e sua filosofia de trabalho que prejudica seu desempenho em mata-mata.  Ele é contra qualquer motivação extra e portanto seu time entra igual em todos os jogos.  Em jogos decisivos, costuma jogar como outro qualquer, logo, leva desvantagem.

Mas se não bastasse essa preferencia contestável, porque diabos o Flamengo entrou com alguns reservas hoje?

Sob qual argumento aceitável isso aconteceu? Vou além: Orientado por que tipo de liderança essa decisão foi tomada?

Em que momento numa hierarquia profissional alguém permitiu que o “gerente” tivesse escolha sobre as prioridades da empresa determinadas pelo presidente e diretoria?

Que merda foi essa que o Flamengo pregou e fez durante os últimos 3 meses para chegar onde queria e “poupar” time?

Não faço idéia de quem foi a decisão, mas desconfio que a autorização seja do chefe. E sendo, me soa um tanto quanto fora de rumo tudo que foi dito até aqui sobre a temporada, as prioridades e o que o clube tem como objetivo.

Hoje, taticamente, tecnicamente, tanto faz. Não entendi nada. Apenas a eliminação, por sinal, justa.

abs,
RicaPerrone

Um péssimo resultado

Pouco importa a atuação quando nela faltam tantos titulares e o melhor do time surta e vai expulso. Fica difícil avaliar qualquer coisa relevante nesse cenário.

O que importava, então, era o jogo e o campeonato. Em “casa”, num grupo onde deu o azar de enfrentar o grande fora (Cruzeiro)  o Fluminense tinha esse jogo como chave.

Era vencer o CAP, tentar algo com o Cruzeiro e vencer o Criciuma, também em casa.  É curto, tipo Copa do Mundo, daquelas onde a Costa Rica passa no grupo da Itália e Inglaterra, sabe?

Pois é.

Sem Fred, suspenso, o Fluminense volta a jogar pela Liga no Mineirão contra o Cruzeiro, onde pode selar sua eliminação ou encontrar forças para retomar a condição de um dos favoritos.

Hoje, a pior das estréias deixaria o Flu sem pontos, o Criciúma vivo e o Fred fora do próximo e mais difícil jogo do torneio.

E foi exatamente o que aconteceu.

abs,
RicaPerrone

Tão longe e tão perto de se livrar do drama

Marcão e o toque que garantiu a vitória

Marcão e o toque que garantiu a vitória

Não acaba.  O Vasco consegue indicar surtos de reação em meio a sua pior crise e longe de ter em campo seu pior time não consegue evitar os piores resultados.

Era euforia, um bom primeiro tempo, chances criadas, controle da partida. Porque não, meu Deus?!

Porque diabos ela não entra?

E chega a ser tão óbvio quanto a “vitória” de quarta-feira.  O futebol é tão imponderável que as vezes se torna previsível.  Se a bola não entrasse em uma das 19 chances do Vasco, é claro que, tal qual contra o Coxa, uma bola sobraria pro Figueirense ganhar o jogo.

Todo mundo no estádio sabia disso. Só esperaram o último erro do ataque pra poder virar pro colega ao lado e dizer:  “Olha lá…. falei….”, e virar as costas.

E a cada semana se torna mais e mais difícil não “virar as costas”. Não pro clube, mas pra causa. Dos pontos simples e absolutamente possíveis recentes o Vasco era pra ter feito 6 contra Coxa e Figueira e mais 2 contra o Joinville. Ou seja, por descontrole emocional, zica do pântano ou meramente pela ruindade do Riascos em dominar uma bola, o time que hoje dorme longe de sair do Z4 teria, sem nenhum absurdo, 21 pontos e estaria em situação de reverter.

Vasco que só faz o mais difícil. Só ganha clássicos, só reage quando colocado sob a condição de azarão. Um momento coadjuvante pra quem nasceu protagonista.

Acabou?

Não. Ainda não. Mas está ficando tão previsível quanto o gol do Figueirense aos 48…

abs,
RicaPerrone