1×2

Grêmio 1×2 Santos: É isso!

De tudo que pensei assistindo a Grêmio x Santos hoje de manhã a frase que melhor resume é o título do post: “É isso!”.

Era isso que eu queria ver. Dois times grandes que tem o protagonismo como idéia e não como oportunidade. Que buscam jogo, tocam a bola e sabem o que estão propondo.

O Santos é abusado. Nem tem time pra ir pra dentro, mas vai. Seu treinador é diferenciado, não porque tem métodos incríveis, mas porque tem uma mentalidade diferente do “não perder”.

Por ser gringo, blindado. E por ser blindado pode ter essa ousadia. Como Osório podia, como o Abel não poderá. Usa e usa bem o crédito. Montou um Santos improvável que dá gosto de ver jogar e que se nega a jogar feito um nanico, simplesmente porque não é.

O Grêmio tomou 2 gols e parou no detalhe. Foram 25 chutes a gol. Atuação de gala do goleiro do Peixe e um jogo emocionante do primeiro ao último minuto.

(aliás, ja notaram como os jogos das 11 são mais intensos?)

Ao final da partida, “é isso!”.

É só isso. Ou tudo isso. Independente do resultado, dois times dispostos a propor algo, impor sua forma de jogar e não se acovardando em campo feito um time de série C em busca de uma bola.

Quando falam que o nosso futebol não é igual o europeu, me nego a aceitar que seja por qualidade. É por mentalidade. Quando não somos frouxos, funcionamos. Quando copiamos ou nos intimidamos, somos piores.

Somos Renato e Sampaoli. Porque são dois sujeitos irreverentes, cheios de marra, com convicções e coragem. Somos o Diniz, que arrisca. Fomos Luxemburgo, Telê.

Somos. Ou fomos. Sei lá. Mas queria muito que voltássemos a ser.

RicaPerrone

O contrato

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Enfim, o que todos os torcedores de Fluminense, Botafogo e Vasco sempre desconfiaram chega a conhecimento público.  Este blog conseguiu com exclusividade um termo de contrato assinado em 1895 que pode explicar muito das viradas espetaculares do Clube de Regatas Flamengo.

Confira.

CONTRATO DE PARCERIA

Parceiro Outorgante: Clube de Regatas Flamengo, com sede na Av. Borges de Medeiros, 997 – Lagoa Rio de Janeiro – RJ – Brasil. CEP – 22.430-040.

Parceiro Outorgado: Lucifer Gallardo, com sede no Inferno, sub solo, sem cep, próximo a Bangu, Rio de Janeiro, Brasil.

As partes acima identificadas têm, entre si, justo e acertado o presente Contrato de Parceria, que se regerá pelas cláusulas seguintes e pelas condições descritas no presente.:

DO OBJETO DO CONTRATO

Cláusula 1ª – O presente contrato tem como OBJETO a troca de favores entre as partes. Sendo o Flamengo capaz de proporcionar momentos de muito terror aos seus quando tudo caminha para a paz e vice-versa. Sempre que precisar, porém, o Flamengo terá uma ajuda não justificável no plano físico do Lucifer.

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGANTE (C. R. Flamengo)

Cláusula 2ª – Se manter sempre numa divisão igual ou acima dos três concorrentes da cidade sede.

Parágrafo primeiro – Prometer, sempre, mesmo que seja impossível, estar num nível incrivelmente superior a maioria

Parágrafo segundo – Exalar fé e confiança mesmo sem motivos para tal.

Parágrafo terceiro – Aumentar de forma constante o número de fiéis seguidores.

Parágrafo quarto –  Causar dúvida na presença divina sempre que possível contrariando a lógica com algum milagre que cause dor a seus fiéis.

Parágrafo quinto – Usar em seu uniforme sempre um pedaço de cor vermelha em respeito ao Lucifer

DAS OBRIGAÇÕES DA PARCEIRA OUTORGADA (Lucifer) 

Cláusula 3ª –  Lucifer fornecerá ao Clube de Regatas Flamengo, a força do mal suficiente para manipular zagueiros, árbitros e até mesmo tufos de grama tendo como objetivo o resultado acordado entre as partes.

Parágrafo primeiro – Não negará jamais uma queda rival de, pelo menos, 10 em 10 anos.

Parágrafo segundo – Havendo necessidade e interesse, Lucifer solicitará ao Clube de Regatas Flamengo um vexame de proporções nacionais para gerar sofrimento entre os seus.

DAS COMPETIÇÕES

Cláusula 4º –  O Clube de Regatas Flamengo fica responsável por se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Lucifer será responsável por evitar a queda quando o Clube de Regatas Flamengo não for auto-suficiente.

Parágrafo primeiro – Será de responsabilidade de Lucifer a conquista de um torneio mata-mata de alto nível por década. O Clube de Regatas Flamengo não precisa manter um elenco digno para tal.

Parágrafo segundo – Em torneios continentais, o Clube de Regatas Flamengo poderá solicitar uma vez por década ajuda a Lucifer para conquistar o título.

Cláusula 5º –  Não haverá ajuda entre as partes nas decisões contra clubes mexicanos

DA PRIVACIDADE E SEGURANÇA

Cláusula 6ª – Fica proibida a captação de dados particulares dos clientes do Clube de Regatas Flamengo pela parte de Lucifer e vice-versa.

Cláusula 7ª–  O contrato em questão jamais será divulgado.

DA RESCISÃO CONTRATUAL

Cláusula 8ª – A parte que desejar rescindir o presente instrumento, notificará de forma expressa sua intenção à outra parte, com antecedência mínima de 60 (sessenta) anos.

Parágrafo primeiro – No casso do disposto da Cláusula 9ª, não caberá indenização em nenhuma hipótese.

Cláusula 9ª – Estará rescindido automaticamente o presente contrato de parceria, em ocorrendo a violação de qualquer cláusula, por dolo ou culpa, constante neste instrumento pelo Clube de Regatas Flamengo.

DA VALIDADE E PRAZO DO CONTRATO

Cláusula 10ª – O presente instrumento de contrato de parceria, passa a vigorar na data de assinatura de ambas as partes.

Cláusula 11ª– O presente contrato de parceria vigorará pelo prazo de 12000 anos, a contar da data de assinatura.

DISPOSIÇÕES GERAIS

Cláusula 12ª – Fica compactuado entre as partes a total inexistência de vínculo trabalhista entre as partes contratantes, excluindo as obrigações previdenciárias e os encargos sociais, não havendo entre CONTRATADA e CONTRATANTE qualquer tipo de relação de subordinação.

Por estarem assim justos e contratados, firmam o presente instrumento, em duas vias de igual teor.

Rio de Janeiro, 13 de março de 1895.

(Lucifer Gallardo)

(Clube de Regatas Flamengo)

Flu letal

Não precisa da posse, nem mesmo de muita pressão. O Fluminense tem sua proposta pronta e bem definida.  Joga com velocidade, por um lance de contra-ataque e não se arrisca a querer ser dono da bola e empurrar o adversário.

O Galo é um dos times que mais se posta com posse de bola e em cima do adversário. O encaixe dependeria muito do primeiro gol. Dois em seguida, então… letal!

É bem complicado falar de um jogo que o juiz tentou evitar. Foram 40 faltas, menos de 40 minutos de bola rolando. Uma vergonha, um jogo que não existiu. Os dois times cheios de recursos e sem o direito de encostar no adversário. Uma aula de como se estragar uma partida.

Mas dentro do que ainda teve de jogo, o Fluminense se defendeu bem, postou seus jogadores de frente de forma a impedir o Galo de se atirar com os laterais e volantes pra cima e não recuou na escalação. Dois gols decisivos em sequência, uma vitória rara e empolgante.

Ninguém, ou quase ninguém, ganha no Horto. O Flu ganhou. E por mais que o Galo tenha tido uma tarde ruim, o foco na Libertadores e todos os demais “poréns” possíveis que não anulam o fato dele ser um dos favoritos ao título, a vitória do Fluminense dá uma perspectiva ao torcedor que nem ele esperava.

Agora o teste é propondo o jogo, em casa, talvez contra alguém disposto a só se defender. Esse eu imagino ser a grande dificuldade do Fluminense. Não for essa, não resta muita alternativa a não ser aceita-lo na listinha de possíveis protagonistas do Brasileirão.

abs,
RicaPerrone

Era esse o seu melhor?

Sabe, eu costumo tratar a queda de um time grande com mais pesar do que qualquer outra coisa. É ruim pra todos, não tem como achar “legal”, a não ser pra série B que ganha um atrativo a mais.  Mas honestamente, dane-se a série B. Nós queremos é a série A forte, não a B.

Essa imagem acima me mata.

Porque quando você vê isso atrelada a um time derrotado em campo,  você entende. Faz parte do jogo que amamos. Mas quando vê essas carinhas de quem viajou mais de mil quilometros pra ver um time andar em campo no jogo que definiria a dignidade de um clube, parte de sua história e um dos seus pilares de grandeza, aí revolta.

Que time é esse? Por mais que a diretoria tenha cometido todos os erros do mundo e a queda seja mais do que merecida, quem são esses caras para “andar” em campo num momento tão decisivo?

O que era o Inter ontem diante do Flu jogando “o que dava”?

É inaceitável aos olhos do torcedor que uma queda seja disputada como um jogo qualquer. E embora as lágrimas dos jogadores insinuem o contrário ao fim do jogo, o que vimos em campo não justificam o choro.

Roth, Argel… pediram! Mas se não pelo diretor, pelo técnico, então pela torcida.

O que vi o Inter fazer ontem foi pior que a queda.  Cair, quase todos já cairam e quem não foi um dia irá.  Você joga, sobe de volta e segue a vida.  Mas cair sem luta?

Achava justo. Hoje acho até necessário o rebaixamento.

E você, Colorado, que nada tem com isso, mantenha sua paixão intacta, aproxime-se do clube porque é agora que ele precisa de ti, e não na final da Libertadores. Vá aos jogos, cobre, empurre, traga-o de volta.

O Inter é seu. Não de pra quem “tanto faz” .

abs,
RicaPerrone

Pela memória da expectativa

O Atlético Mineiro de 2016 é o time que todos queriam ver jogar. Robinho, Pratto, Fred, Fabio Santos, Rafael Carioca, Rocha, Leo Silva, Cazares… é muita gente junta. E sob a batuta do treinador bicampeão brasileiro, o que poderia dar errado?

Pois é. E o Galo que nunca aconteceu em toda a temporada está perto da final da Copa do Brasil e ainda briga por título no Brasileiro. E então qualquer desentendido me perguntaria: “Não tá bom?!”.

E eu lhes digo que não, não está.

Porque bolas entram e deixam de entrar com as mais esfarrapadas desculpas o tempo todo. Mas o time apresenta em campo durante o jogo algo que te faça merecer ou não aquela bola que entrou. O Galo vence, é claramente mais time que os outros, mas não convence.

A expectativa era brilhante, e por zelo a tudo que sonhamos em ver deste Atlético fico até feliz que de alguma maneira se eternize com uma decisão de campeonato.  Mas foi um sonho, ainda é.  Em momento algum acordamos e lá estava ele, real, brilhante, estonteante.

O Internacional fez tudo que se espera do Galo e a bola não entrou porque não tem o talento que o Atlético tem em campo. O Atlético não fez quase nada, e a bola entrou porque mais uma vez o individual sobra.

Até aqui tem sido “suficiente”. Talvez seja até o caneco e então nada disso mais existirá, pois no minuto seguinte a um título não existe mais qualquer avaliação.

O Galo que sonhamos para 2016 nunca existiu. Mas em memória da expectativa causada por ele, que fiquem os resultados. E a frustração por ter visto tão pouco de quem poderia entregar tanto.

abs,
RicaPerrone

São Paulo precisa amar o São Paulo

Há algum tempo o SPFC se tornou o time da Libertadores. O torcedor comprou esse barulho e até ensaiou deixar de ser uma torcida mimada e ausente para ser referência.  Mas nem toda quarta-feira a noite é Libertadores.

Nem tudo acaba quando se sai de uma Libertadores. E tem ano que sequer estaremos na Libertadores.

Criou-se no São Paulo uma maneira estúpida de ver futebol onde a Copa do Brasil não presta, o Brasileiro só se acompanha faltando 10 rodadas e já campeão, o paulista nada vale, a Liga não querem disputar e… fim.  Ou seja, vive-se em função da Libertadores.

O que são 6 mil pessoas numa oitava de final no Morumbi num torneio onde nunca tivemos a capacidade de ganhar? Ah, mas tava frio, é o Juventude. Ok! Não espero 30 mil. Mas 6 mil? Isso é público de série C.

Aliás, público, futebol, adversário e resultado.

O SPFC é um homem de uma só mulher.  Ele pode até conquistar uma ou outra, mas seus olhos só brilham pra Libertadores.  Disputar uma Copa do Brasil com objetivo de “ir a Libertadores” maior do que “ser campeão” é uma das maiores inversões de valores que existem, e que no Morumbi é absolutamente natural.

Não ganhamos uma Sulamericana. Fomos pra Libertadores. E toda vez que saímos dela, o ano parece que acaba até que haja festinha no final pra pontos corridos quase ganho.

Alma se cobra de time, de diretoria, de clube, de torcida. O SPFC como um todo perdeu o tesão de jogar bem, de vencer, de brilhar. Só se pensa na porra da Libertadores.

Esquecemos, porém, de algo simples que nós mesmos provamos ao mundo: Libertadores é consequência de bom futebol. Não o motivo de fazer o mínimo possível pra se manter nela.

Mais, São Paulo. Você não pode ser de ninguém. Mesmo que esse alguém seja o maior torneio das Américas.

abs,
RicaPerrone

Estatísticas: Palmeiras 1×2 Nacional

Em parceria com a #Opta, o blog mostra os gráficos e alguns números que explicam a derrota do Verdão no Allianz Parque.

Veja os passes errados do Palmeiras no campo de ataque. Note a quantidade absurda de bolas jogadas na área adversária ao invés da troca de passes.

O posicionamento médio estatístico do time em campo mostra uma centralização clara para receber cruzamentos. Os que entraram, entraram também com a função de encontrar essa bola.

Os jogadores com maior precisão no passe:

Zé Roberto 94,8%
Lucas 90%
Jean 89,1%

Os jogadores com pior precisão de passe:

Gabriel Jesus 75%
Cristaldo 79%
Dudu 79,3%

  • O Palmeiras trocou 500 passes no jogo.  Destes, 50 foram longos.
  • Foram 27 cruzamentos na área o jogo todo.

Captura de Tela 2016-03-10 às 14.20.07A troca de passes mais comum do jogo foi entre Robinho e Lucas. Foram 13 passes. Veja no gráfico ao lado onde aconteceram e leia com facilidade as características do jogo.

Robinho é um jogador de meio campo que tem a bola de frente pro adversário.  Sem opções de jogadas pelo chão, estica a bola na lateral para que aconteça um cruzamento.

Essa foi a jogada que o Palmeiras mais fez na partida.  Seria curioso, não fosse há tanto tempo a única jogada do time.

abs,
RicaPerrone

Tá olhando o quê?

Existem jogadores ruins dispostos a jogar bola, outros que sabem jogar e não correm, uns tantos que não fazem nem uma coisa nem outra.

Ganso é um craque. Ele sabe absolutamente tudo que um meia precisa saber pra se tornar um grande jogador. O que não parece notar de forma alguma é que ele é uma projeção e não uma realidade.

Ganso vive do que se espera dele, não exatamente do que produz. Parece não ter interesse no jogo, não sentir nada que acontece a sua volta.

Há quem diga que a torcida implica com ele. Mas não é verdade.  Ontem, por exemplo, ele e Michel Bastos tinham a função de armar o SPFC.

Mesmo jogo, mesma posição, olha o mapa de calor dos dois na partida.

michelganso

Dá pra ignorar a diferença? Acha que o torcedor não enxerga isso?

Michel deu 89 toques na bola. Foi o mais acionado em campo, até pela posição que atua e o cenário da partida. Ganso, ao seu lado, pegou na bola 56 vezes.

Dos titulares, Ganso teve a pior precisão nos passes, empatando com o Tolói. Ele errou 30% do que tentou na partida.

Mas Ganso perdeu a bola 20 vezes no jogo ontem. Michel, também. A diferença é o quanto participaram e estiveram com a bola.

Em lances de posse de bola, onde conduziram a bola, Michel tentou 12 vezes. Ganso teve 2 vezes essa condição na partida.

São dados oficiais, da Opta, exclusivos aqui no blog, diga-se.

Mas são números. E com eles nem sempre dá pra discutir.

abs,
RicaPerrone

Imperdoáveis

Se perdoa os erros do arbitro que quase mudaram o resultado de um clássico. No caso, apesar do pênalti mal marcado, o maior dos vilões foi o bandeira, que parou diversas jogadas que poderiam transformar aquele sonolento jogo de futebol em algo mais interessante.

Não se pode esquecer e perdoar o que este mesmo São Paulo fez na quarta. E não, não vem com “Sulamericana” porque de todos os grandes que perderam o único sem crédito pra isso é o Tricolor, afinal, Penapolense e Ponte Preta não levava o time a lugar algum. Levava?

E o Palmeiras? Que me perdoe sua história e tradição no mês do centenário, mas é inaceitável o futebol praticado.  Pobre de técnica, de tática e de espírito. Vulnerável atrás, inoperante na frente.

Quem perde o gol que o Palmeiras perdeu, mesmo impedido, aos 41 do segundo tempo não pode sair do campo reclamando de nada.  Enquanto Kaká, Ganso e Pato esperam uma bola que venha voando sem direção, os atacantes do Palmeiras não esperam quase nada.

E quando tem, meio que na base do “deus me livre”, não sabem o que fazer.

A diferença? O time do Palmeiras pode olhar pra si mesmo e tentar jogar por uma bola. É fraco, carente em diversas posições e não tem qualidade para propor ter a bola na maior parte do jogo.

O do São Paulo, vencedor da tarde com notável ajuda do goleiro rival, tem time pra tocar, fazer bonito e ser ousado. Mas não quer.

Perdoáveis falhas do goleiro que, ainda garoto, pode aprender com elas. Tal qual as falhas milimétricas do bandeira num jogo complicado.

Imperdoável, pra mim, é o futebol apresentado por ambos. Ou, pra um deles, a troca de clube de um ex-candidato a ídolo. Para outro, talvez, a eliminação pro Bragantino. Mas é detalhe. Na real, quando se ganha um clássico perdoa-se tudo.

Até mesmo o imperdoável futebol apresentado.

abs,
RicaPerrone