2018

Sim, ótimo reforço!

Mas que dúvida é essa? O SPFC gasta 25% do valor que custou um argentino de cintura dura pra ter um jogador da seleção brasileira em seu elenco e é questionável a negociação.  A do Pratto não foi.

Como falar outra lingua nesse país acrescenta credibilidade. Inacreditável.

Diego Souza é um grande jogador. Some, dorme, poderia ir bem mais longe do que foi. Fato incontestável.  Mas 10 milhões de reais por um jogador que briga por vaga na Copa?  Não, não é um absurdo.

Absurdo é dar 40 no Pratto. Mas o mercado determina valores, não a gente individualmente discutindo num bar.  Vale o quanto alguém está disposto a pagar. E eu pagaria 10 no Diego.

Porque?

Porque se ele estiver naquele ano bom dele, resolve jogo, faz a diferença.  Não é mais um. Ele pode ser mais um, pode ser o cara. E paga-se essa quantia por diversos jogadores que com absoluta certeza serão “mais um”.

Que seja o cara.  Ou mais um.

O São Paulo precisa ter jogadores da seleção em seu elenco, mirar alto, arriscar títulos e não brigar por G16.  Sem riscos Luizão não viria em 2005, nem Amoroso pra meio torneio.  Aloísio não seria titular do Mundial, e talvez o Telê não valesse a pena sendo o maior “perdedor pé frio” do país quando contratado.

Eu também traria. Não há momento mais motivador pro Diego em sua vida do que estar no SPFC e ter 6 meses pra buscar uma vaga na Copa.  Portanto, não havia momento melhor para apostar nele.

abs,
RicaPerrone

Flamengo e a namoradinha fiel

Eu entendo todos os motivos do Rueda.  Fosse ele, também manteria a possível ex e esperaria o acerto com a nova.  É cômodo, quem nunca?

A culpa dessa facilidade é sempre da atual. Na cara dela, flertando com outra, mesmo que seja outra de nível considerável que cause mais ciúmes do que raiva. Ainda assim, é outra.

Ela pode dar um basta, pode blefar, só não pode assistir.

Enquanto ele vai na academia pra emagrecer pra próxima, ela engorda depressiva pelo que está passando.  E se resolver não partir, ela ainda entenderá como uma vitória e o tratará como troféu.

O Flamengo não pode brincar de ser a namoradinha atual a um mês de começar uma Libertadores, uma temporada promissora, etc.  A montagem do elenco passa por comissão técnica, os princípios de jogo e planejamento físico idem.

É fundamental a decisão do Rueda.

Ele pode sair. Mas não pode deixar prejuízo.  Hoje, a indecisão dele já representa esse prejuízo.  Mas a culpa não é dele, qualquer um faria o que ele está fazendo.

A culpa é “dela”, que está deixando e sofrendo de amor.

O Flamengo está prestes a tomar um pé na bunda. Está esperando pra ver se ele fica, como quem depende daquela relação. E se sair hoje, com o ano começado, planejamento determinado, mercado já tendo comprado e vendido as principais peças do jogo…  É porque ficou sem e ainda ficou grávida.

abs,
RicaPerrone

Claro que faz diferença

Eu adoro o Robinho. Não o conheço pessoalmente, mas como personagem e jogador, gosto muito.  Carinhosamente o chamo de “Nego Robson” nas minhas postagens e não sei o quanto acredito num estupro envolvendo seu nome.  Mas, hoje, ele está condenado pela justiça italiana por isso.

Eu não tenho a menor condição de julgar, e tal qual 99,9% de vocês, só posso respeitar uma decisão da justiça e entender que mesmo cabendo mil recursos, há um processo bem ruim para o jogador em andamento.

Enquanto acusação, ok. Quando condenado, muda de status e sim, tem que mudar mesmo. Não é possível que a gente tenha que ser radical pra um lado ou outro e achar que ele é um estuprador, nem mesmo insinuar que uma condenação de estupro não interfira na sua imagem profissional.

É natural e aceitável que clubes rejeitem a idéia de ter Robinho, como era com o Bruno. Como talvez seja em outra proporção com o Breno, por não envolver terceiros em seu crime. Mas ter uma condenação muda sim o status de qualquer pessoa. E deve mudar. É natural.

Robinho é um jogador diferente. Caro, mas que vende, joga bem, é carismático. Eu sempre gostei da idéia de tê-lo no meu time. Hoje eu pensaria. Porque sim, amanhã você pode ter um condenado por estupro no seu time tendo que estampar a porra da foto em tudo que é jornal com a camisa de voces e seu patrocinador.

Sim, tem um peso.

Eu espero mesmo que ele seja inocente e que seja um erro da justiça italiana. Mas enquanto isso não mudar, é realmente complicado contratar o jogador.

E por mais que cobrem da imprensa um massacre como fizeram com o Bruno, é compreensível o pé atrás em falar sobre. Amanhã pode haver uma segunda decisão e ele ser absolvido. Mas falamos de hoje. E hoje ele foi condenado.

Que merda. Mas é isso. Hoje, é isso. Infelizmente.

abs,
RicaPerrone

Feliz dois mil e hexa!

Em 2018 eu quero que você reuna seus amigos o máximo de vezes que puder. Que faça churrascos com muita cerveja, risadas sem noção e futebol sempre que puder. Quando não puder, dê um jeito.
 
Não precisa ser a picanha mais cara. Se não der, pega aquela de 30 reais. Tudo bem. Compra latão, tanto faz. Mas junta gente, brinda coisas sem sentido, abraça os amigos e promete qualquer merda mesmo que seja só um conhecido.
 
Sorria. Aliás, gargalhe. Morra de rir.
 
Não brigue com seus amigos por causa desses filhos da puta da política. Discuta, mas quando a chapa esquentar, muda de assunto. “E o Corinthians?!”. Pronto, foda-se o Lula, o Bolsonaro, o Doria….
 
Se veste de amarelo. Pinta a cara. Curta a Copa e não seja um idiota que reclama do pão e circo no mes de junho. A gente precisa de circo pra vida ter sentido e pão pra ela continuar. Uma coisa não exclui a outra.
 
Se juntas pessoas para celebrar, cantar o hino, sentir orgulho e confraternizar não é motivo para parar o país, cancela a porra do Natal.
 
Vai ter hexa! Tem que ter.  
 
Não importa onde, mas sempre com quem. E se for com os nossos, o lugar tá ótimo.
 
Um ano cheio de muita risada gostosa, amigos leais, romances surreais, jogos memoráveis do seu time, churrascos com mais pão de alho que picanha e, ainda assim, os melhores churrascos do mundo.
 
Pára de esperar ficar rico. Ser feliz custa menos de 100 reais.
 
Um 2018 do caralho pra vocês! Inclusive pra quem vive aqui só pra me encher a porra do saco.
 
Aos meus, em especial, e quem é sabe, um beijo enorme e obrigado por mais um ano de amizade e tudo que citei acima. Eu tenho os melhores amigos do mundo. Agora pega o cavaco, bota a cerveja pra gelar, acende a churrasqueira chega de papo!
 
Feliz 2018
abs,
RicaPerrone

E quem não quer ver o milagre?

Aos 30, fora de forma, era um risco. Aos 32, uma última chance. Aos 35 anos, sem se cuidar há muitos deles, Adriano e a bola flertam, tem todo o apoio dos lados necessários, até a vontade, mas talvez dessa vez não seja mais suficiente.

Quando esse cara sorri alguma coisa nele transmite sinceridade. Não há um ser humano sensível capaz de ignorar a pureza que há no Adriano.

Eu não o via pessoalmente desde 2008, quando trabalhamos no SPFC.  Encontrei há 2 ou 3 semanas num restaurante no Rio. Ele estava com Carlos Alberto e eu não sabia se ele sequer se lembraria de mim. Parei do lado e arrisquei: “Imperador?”

Cara, ele não é daqui.

Levantou, me abraçou, me deu um beijo, perguntou como eu tava, por onde andei, foi carinhoso ao extremo.  Falou da derrota pro Flu em 2008, que foi uma das ultimas vezes que nos vimos.  Mas independente da educação, a pureza.  Eu sou jornalista. Ele tava bebendo.  Eu podia ser um dos milhões de babacas que cobrem a vida pessoal dele como novela. Que garantia ele tem?

Ele parte do princípio que as pessoas são boas a volta dele. E isso o prejudica muito, mas também faz dele um puta cara diferente. Gostar do Adriano é uma questão de bom senso. Confirmar o que ele transmite é uma oportunidade rara que tive o privilégio.

É o Imperador da favela. O cara que jogava na Inter ainda sendo um moleque que empinava pipa.  Ele nunca saiu da favela, nunca fez mais do que 19 anos, e o corpo dele não acompanha. A cobrança idem.

Ele quer voltar.  Mas aos 35, sem ser um “Zé Roberto”, tudo que ouço dos preparadores físicos é a palavra “milagre”. Todos que consultei falaram em “milagre”.

É realmente muito difícil. Improvável. Talvez, um milagre.

Mas imaginar a volta de Adriano aos gramados pode até parecer um milagre. Não sorrir com essa possibilidade é quase um desvio de caráter.

Viva o Imperador! Com ou sem chuteiras, tanto faz.  Desconfiar dos motivos que levam o povo a adora-lo é um atestado de falta de sensibilidade e, porque não, burrice.

abs,
RicaPerrone

Entre a lenda e o homem

Nada muda o tamanho de Renato na história do Grêmio.  Sua decisão de renovar ou não no Grêmio não deve ser só financeira. Ali há mais do que uma escolha por salários, e qualquer final dessa negociação deve ser respeitado.

Imagine você que o herói do clube volta lá com 15 anos sem títulos e lhes devolve a América.  Imagine agora se ele sai e é ovacionado num aeroporto em Porto Alegre pela sua gente. E então a história acaba ali, com Renato virando uma lenda sem igual.

Ou ele renova. Corre o risco de ser bi, quem sabe? Mas corre também o risco de ter crise, vaias, demissão, aquelas coisas que todo ser humano no cargo sofre.  Mas que como “lenda” ele não sofreria mais.

O que quer Renato? Ser Portaluppi, do Grêmio, apto a ser vaiado e exaltado, ou ser a lenda maior do clube sem espaço para o lado ruim?

É perto da filha, que claramente é sua paixão, no Rio de Janeiro, que é “seu lugar” que ele quer ficar ou no aeroporto toda semana em busca de uma praia? Renato não é gaúcho. Só nasceu no sul.   As suas escolhas sempre foram de muita personalidade, inclusive as de nem trabalhar quando não está afim de mudar de cidade mesmo com boas ofertas.

Não tem nessa discussão um valor na mesa e nada mais. Tem muito mais do que isso. E acho que seja qual for a decisão do Renato, ele deve se apresentar no Grêmio ou se despedir no aeroporto sob aplausos de muita gente.

Ah! Se eu fosse o Renato? Sairia. O que ele acaba de fazer no Grêmio nem Pelé no Santos, nem Zico no Flamengo. Renato se tornou o maior ídolo de um clube no país.

Santo não reza missa domingo. Quem faz isso é padre, até o Papa. Mas santo não.

Renato virou santo no Grêmio.  Sua saída agora seria apoteótica.  E por mais que o gremista odeie pensar nisso, ele sabe que tenho razão.

Abs,
RicaPerrone

A ele, todas as chances!

Tem pessoas que conquistam o direito de errar. O SPFC foi levado de um patamar a outro pelos  pés desse sujeito da foto, que por ser calado e não fazer oba oba na mídia pós carreira é consideravelmente esquecido perto de sua real importância.

Talvez a pivetada não saiba, talvez não queira saber.  Mas este sujeito não foi um grande jogador. Ele foi o cara que pegou o SPFC e levou ao mundo ganhando e resolvendo TODAS as finais.  O anti-Luis Fabiano. O maior homem de finais que já vi na vida.

Raí é o maior jogador da história do SPFC simplesmente porque fez do SPFC o que ele é hoje. Rogério é um mito. Mas um mito do SPFC grande, mundial e pronto. São cenários diferentes.

Raí deveria ser o Zico do SPFC, o Pelé, o Portaluppi.  O cara que não se discute, que se reverencia e agradece.  Mas infelizmente a relação do clube com ídolos nunca foi seu forte.

Dar a ele um cargo se resume a uma pergunta simples: Ele quer? Se acha capaz? Então toma.

Nada se nega a Raí no Morumbi.

Se ele considera-se em condições, tem todo o apoio da sua gente e torcida.

“Blindagem”, “marketing”, foda-se.  É o Rai.

Ele ajudou e foi a peça principal da construção do SPFC que hoje ostenta 3 estrelas no peito. A ele, nada se nega.

Boa sorte, ídolo!

abs,
RicaPerrone

Dunga, o prato cheio

É foda falar da volta de Dunga.  Não pela contratação em si, ainda nem confirmada, mas pela circunstancia bizarra em que acontece.  Na verdade tudo foi colocado de forma tão precipitada após o 7×1 que qualquer decisão que não fosse Leonardo e Caetano na diretoria e Tite ou Guardiola como treinador seria tomada como “errada”.

Dunga mexe em 3 lados de uma mesma história, mas que precisam ser muito bem separados.

O futebol brasileiro –  A seleção, no máximo, reflete alguma coisa do futebol brasileiro. Nunca foi termômetro de merda nenhuma pois ela só tem como ser a consequência de qualquer problema e não a causa. Não será um cara treinando um time de jogadores que atuam na Europa uma vez a cada 2 meses num treino escroto de 20 minutos que fará alguma diferença nos conceitos básicos do futebol brasileiro.

Se você realmente está preocupado com o nosso futebol e entende que precisamos mudar, entenda também por onde. Não é pela ponta do iceberg. A seleção é a mais tosca forma de avaliar este resultado já que os jogadores que lá estão não fazem parte do ‘futebol brasileiro’.

Portanto, com Dunga, Mourinho, Guardiola ou Joel Santana, nada disso teria qualquer impacto no futebol praticado no Brasil. E portanto, não seria nada além de um time europeu treinado de vez em nunca pra ganhar amistosos.

O treinador – Dunga merece?  Não. Não tem feito nada pra isso.  A vez era de Tite ou Cuca.  Mas Dunga fez um trabalho ruim na seleção?  Não. Nem mesmo o Alex Escobar pode dizer isso.

Ele venceu todas as competições que participou, goleou a Argentina 2 vezes, arrebentou nas eliminatórias e na Copa perdemos pra Holanda por meio tempo ruim e por falhas individuais que “acontecem”. Isso numa geração anterior a esta que era tão fraca ou pior do que essa.

Seu trabalho na seleção foi muito bom.  Mas ele não sabe lidar com a mídia.

A escolha –  A decisão de quem será o treinador não tem relação com o que eu ou você achamos do Dunga como pessoa.  Mas é óbvio que para o bom andamento da coisa é também importante que seja um cara que consiga dialogar com a mídia, se é que alguém no mundo ainda consegue ter uma relação não animalesca com a imprensa sendo técnico da seleção brasileira e carregando no ombro birras da mídia com a CBF transferidas pro campo de jogo.

Mas tendo que ser assim, Dunga não é o cara. Não porque brigou com o Escobar, mas porque não tem paciência, tem muita magoa da mídia desde 1990 e não é o tipo do cara que vai permitir festinha no treinamento. Sabe aquelas que toda emissora usa, entra ao vivo e quando perde diz que não concorda? Então. Essa aí.

O técnico da seleção não tem absolutamente NADA a ver com a renovação do futebol brasileiro. Isso diz respeito a base, dirigentes, clubes, diretorias e mentalidade. A parte tática é o último dos nossos problemas, ainda que seja um deles.

A conclusão?

Que Dunga pode até ser o cara certo mas na hora errada. Que é um cara que não devia ser escolhido pelo momento e não pelo que foi feito quando lá esteve.  A idéia de colocar alguém que confronte brutalmente a mídia num momento desses é uma estratégia de marketing estúpida justamente na hora em que, mesmo perdendo como perdeu, o povo se reaproximou da seleção.

É um anúncio infeliz. Que eu não faria. Mas que não faria pela situação, não pelo trabalho que Dunga entregou até 2010.

E se for confirmado na terça, desejo sorte. A ele, a quem for fazer dos próximos 4 anos um inferno a cada amistoso e aos idiotas que farão disso motivo pra torcer mais ou menos pela nossa seleção.

O que tem de bom nisso tudo?

O fundo do poço é o exato momento em que você coloca os pés no chão. E é dali que você dá impulso pra subir de volta. Talvez estejamos colocando o pé e sentindo o fundo do poço.

Talvez.

Abs,
RicaPerrone