2019

Ranking 2019: Quem foi mais longe?

E se pudéssemos contar com valores interpretativos o quanto um clube “conquistou” em uma temporada?

Pois bem. Dei valores a campeonatos e posições, sempre usando critérios pessoais obviamente por não haver nada estabelecido nesse sentido.

Mas dá pra ter uma idéia mesmo que você discorde delas.

Carlos, Arthur; minha nação

Estou nos EUA há uma semana. Digo isso logo de cara pra que compreendam que pela primeira vez na vida eu não vivi o pré de um jogo decisivo. Não há futebol nos EUA, simples assim.

Passei dias sem rede social, sem os amigos, trabalhando o mínimo possível e portanto perdendo a ligação com a final que lá em 2007 eu jurava que veria em meio a um Flamengo caótico, endividado e pouco promissor.  Foi quando na reação dos jogos a menos do Pan a torcida do Flamengo passou a me dar a honra de sua audiência. E a ganhei exatamente por dizer ali, naquele cenário, que esse dia chegaria.

Chegou e eu não estava aí pra vivê-lo. Mas veja você.

Sozinho no aeroporto de Miami vendo o jogo burlando uma conexão VPN e com as imagens travando assisti ao primeiro tempo friamente.  Era a final mais sem graça da minha vida. Torcia pelo Flamengo, pelas dezenas de amigos que lá estavam e pelos outros tantos que trabalham no clube.  Pelo merecimento de um bom trabalho, pelo futebol brasileiro e pela derrota argentina.

Mas fazia tudo isso sentado, mudo, sozinho.

No intervalo minha namorada me alertou que havia um homem atrás de mim olhando pra tela. Tímido, pediu desculpas mas disse que não estava aguentando. Ele tinha um filho de 6 anos. Os chamei pra ver conosco. Seu nome é Carlos, seu filho Arthur. Alagoanos de Arapiraca, Carlos me contou ser rubro-negro e agradecendo a sorte disse que já nem contava em ver a decisão mais.

Colocou seu filho Arthur no colo e começamos a torcer pela virada.

Uma hora o garotinho disse “não vai ter gol do Gabigol assim!˜, e nós explicamos a ele que pra ser Flamengo teria que ser no finalzinho. Mas era um adulto contando de Papai Noel. A gente conta, até espera, mas não acredita exatamente naquilo.

Os minutos foram passando e Carlos ficando nervoso. Eu, que estava frio perante o jogo, já andava de um lado pro outro reclamando de cada passe errado. Os americanos olhavam sem entender nada o que eram aquelas pessoas na frente de um computador xingando a tela no meio de um sábado.

Flamenguista tem algumas características pouco disfarçáveis. Uma delas é a marra, a outra é a confiança baseada em absolutamente nada.  O River era calmo, tinha espaço, o Flamengo não criava nada, derrota desenhada. Dia em que nada deu certo.

E então o gol de empate surge, o jogo caminha pra prorrogação e eu e Carlos comemoramos no aeroporto junto do garoto que nõo fazia idéia estar vivendo uma história que contará pros seus netos um dia.  E então batemos as mãos, comemoramos e eu disse, tolo: “na prorrogação vamos virar!”.

Carlos me olhou rubronegramente e disse “Prorrogação nada. Vamos virar é nos acréscimos”.

De onde vem essa fé? Qual o santo que só eles enxergam? Porque pra eles o milagre é previsível?

Quando o Gabigol virou o jogo eu não comemorei. Parei pra ver um pai pegar seu filho de 6 anos e, no alto de seus mais de 45, encher os olhos de lágrimas num país distante, ignorando quem estivesse em volta, apenas pra dizer “eu não disse, filho? É o Flamengo!”.

Como quem vê Papai Noel entrando pela chaminé, Carlos mostrava pro filho que em momento algum o enganara. Apenas demorou pra provar.

Acabou. Arthur mal entendia, mas vai entender. Quando Carlos faltar e Arthur for relembrar, esse minuto estará na memória. Tal qual o Flamengo estará, a partir de hoje, pra sempre na sua vida.

Se você acha que ganhar a Libertadores é grandioso, imagina o coração  e um espaço na memória do seu filho.

Parabéns, nação.

RicaPerrone

O CAP pode ser o 13º?

Parte das pessoas já notaram que adoro sacanear as torcidas de CAP e Paysandu em rede social, especialmente no twitter. Outra parte surta, briga, discute mesmo me vendo usar o simbolo do Coxa no avatar. Enfim, vamos falar sério do CAP.

Existe uma vaga aberta pra um décimo terceiro na lista dos gigantes do futebol brasileiro?

Antes disso, vamos a um detalhe não muito claro pra quem está fora dos 12: Não significa que seu time seja pequeno. Apenas que ele não é um dos 12 maiores. O Nautico é grande. O Remo é grande. O Mogi Mirim é pequeno. Os 12 são gigantes, fora da curva.

Há espaço pra mais um gigante?

Sim. E Quem pode ser esse novo integrante? Exatamente o CAP.

Mas aí você pode se resumir a gestão, títulos, estádio e morrer no discurso simplista de quem acha que futebol é só isso. Mas não é.

Então porque o CAP pode devolver o “13” ao que já foi “clube dos 13”?

Porque ele é do Paraná.

Existem apenas 5 estados no Brasil com PIB acima de 400 milhões. Sao Paulo, Rio, Rio Grande do Sul, Belo Horizonte e… Paraná!

Você deve ter notado que os 12 grandes estão exatamente nos 4 primeiros. E que há um estado sem um dos grandes com capacidade financeira e localização par tal.

Ah mas o Bahia não pode? Pode. Mas o trabalho dele é maior. Está mais longe e onde tem menos dinheiro. Até outro dia estava na Série C. Não é comparável ao que o CAP faz há anos.

O Paraná clama por um time grande. O Coxa já foi esse clube, mas há muit0 tempo vive de camisa e nada de novo. O CAP propõe grandeza. As vezes surta na idéia precoce de estar lá, é verdade. Mas ele tem um plano.

Tal qual o Rio de Janeiro vê seus 4 grandes abrirem uma distância muito grande, o Paraná começa a ver algo parecido. O Paraná desapareceu, o Coxa não dá sinal de vida há anos. O CAP dá, todo ano.

Talvez seja cedo pra afirmar que será. Mas não é cedo pra fazer contas, olhar pro PIB dos estados e ver que há um quinto estado capacitado financeiramente pra suportar um grande e que exatamente lá há um trabalho nessa direção.

Demora. Tradição não se compra e “estar grande” não te faz grande. Mas é possível. E entre os possíveis, o CAP é disparado o que tem mais chances de devolver o “clube dos 13” ao que hoje chamamos de “G12”.

Ah, mas e o Botafogo?

Ao contrário do que vocês pensam, acho o Botafogo a salvação mais próxima do futebol brasileiro. Será o primeiro grande a não ter solução financeira, será obrigado a ser “vendido”  e então ser tornará vencedor. Em seguida todos serão vendidos também e, enfim, teremos um negócio e não uma organização política.

Por isso não creio na troca de um dos 12. Na entrada de um ou dois, quem sabe.

RicaPerrone

Na dúvida, olhe pro cometa

As vezes a gente passa tempo demais discutindo o que não precisa ser discutido.  Entre observar um cometa e passar os raros minutos possíveis em vê-lo teimando se “é ou não é”, não vacile: olhe pro cometa.

Eu não sei o que esse Flamengo vai ganhar. Mas sei que isso também não é nem perto de ser “tudo”. Tolo é quem acha que futebol se basta num resultado, numa relevância de um torneio. Pouco entendido até, eu diria.

Basta ver que o coração de tricampeões da América pararam por uma “batalha” na série B.  Que o time campeão do mundo ajoelha até hoje diante de um gol na final do estadual contra um pequeno.

Outro tetracampeão brasileiro chora ao falar do milagre do não rebaixamento. E os maiores campeões do Brasil se apaixonaram por um time que só levou um estadual.

Talvez o Flamengo não ganhe a Libertadores, o que na cabeça megalomaníaca e arrogante de muitos será um absurdo. Talvez ele seja campeão. O Brasileiro é protocolo. Só um absurdo sem precedentes tira o título do Flamengo e me arrisco dizer que bem antes da última rodada.

O que importa neste momento não é exatamente saber até onde vai o cometa, quem o criou, porque está ali e nem quando volta. Mas sim olhar pro céu e registrar na mente algo raro que acontece de tempos em tempos e que levamos os intervalos relembrando.

Quer ouvir contarem ou assistir?

O Flamengo jogando futebol hoje é um cometa. Um time que encaixou como aqueles que citamos no nosso saudosismo diário. Ganhando ou não, falaremos dele um dia.

É competitivo. É inteligente. Parece emocionalmente forte. E é bonito demais de assistir.

Pare de discutir o cometa. Assista-o. Ele demora a passar de novo.

RicaPerrone

O Flamengo precisa ser campeão


Sabe qual a única forma de dirigentes movidos por ego e política, sem nenhum compromisso com o próprio bolso e manipulando dinheiro alheio fazerem algo sério por um clube? O rival.

Toda vez que um rival melhora muito você tende a correr atrás. Passionalmente, não aceita. E ao não aceitar se desdobra pra busca-lo.

Única boa coisa que temos em não termos donos nos clube é a alta necessidade de competição acima do negócio. O Flamengo que se organizou, pagou dívidas, se estruturou, montou uma seleção e hoje joga o fino da bola PRECISA ser campeão.

Do que? Não sei. Tanto faz, eu diria. Mas o Flamengo precisa consagrar esse modelo.

Por ele, pelo Vasco, pelo Flu, pelo Botafogo, pelo SPFC, pelo Galo e por todos os cubes do Brasil. Quem acha caminho tem que vencer. E digo isso baseado na perda do caminho por causa de 82/94 com a seleção.

Nosso futebol tinha um perfil. Ao perder jogando bem, decretamos que não servia. Vencemos em 94 jogando pelo resultado, e desde então geramos uma epidemia de Roths, Muricys, Parreiras e outros tantos que não se importam com o futebol, só com o placar.

Viramos esse misto mal feito entre Europa e Brasil. Não nos encontramos nunca mais. E se esse Flamengo, odeie-o ou não, não vencer, vamos instituir que fazer direito não dá certo.

Tem título que acontece. Tem título épico. Tem título que nem se explica. E gosto mais deles pra ser honesto.

Esse, seja Libertadores ou Brasileirão, se vier o Flamengo explica de todas as formas. E ao explicar, entende-se. E se entendeu, copia, melhora, e subimos todos.

Com todo respeito aos rivais que não suportarão ler essa frase, mas a salvação de muitos de vocês é o Flamengo triunfar. Talvez dessa forma, se determinando um modelo de gestão que de fato funcionou, seu clube dê os passos que precisa para fazer o mesmo e alcança-lo.

E não. Não é Globo, não. Não é grana de TV, não. O Grêmio faz outro modelo de gestão de sucesso e não tem a grana do Flamengo. O CAP não tem o dinheiro de nenhum deles e faz melhor gestão que 90% dos demais.

O Grêmio ganhou tudo. Está ganhando ainda. O CAP chega onde os grandes deveriam estar constantemente. E sem a mesma torcida, verba ou mídia.

Parem de acreditar em desculpa esfarrapada. Dá pra fazer. Mas pra fazer tem que trabalhar pelo clube e não pelo ego. Pelo médio/longo prazo e não só pela sua gestão.

O Flamengo precisa ser campeão. Por ele, pelo Flu, pelo Botafogo, pelo Vasco, por tantos outros que insistem em dizer que “não tem como”.

Porque tem.

RicaPerrone

Taças e mulheres

O Fluminense estava apaixonado. O Corinthians interessado.

Elas nunca dão bola pra quem as supervaloriza. Preferem aquele que é capaz de dizer que “nem queriam mesmo” do que os braços de quem não a negaria jamais.

São assim. Sempre foram.

Parecem escolher pela postura. Tem que desejar com uma dose de merecimento. Não pode parecer um sonho, tem que parecer natural. Elas gostam assim, fazer o que?!

Só na Disney que o magrelinho pobre rouba do bonitão. Na vida real ela quase sempre acaba nos braços do bonitão.

Querer muito é critério, mas não decide a escolha. Quanto mais grandioso você cria na sua cabeça, mais longe ela fica.

O Fluminense sonha com a Sulamericana. O Corinthians só acha que pode conquista-la e aposto que se acha até favorito.

Ela pode estar sendo injusta. Mas previsível.

Nunca entendemos as mulheres, imagina as taças.  Embora a gente saiba exatamente o que elas vão fazer em 90% dos casos.

RicaPerrone

Palmeiras optou por ser regular

Ao dia seguinte resta a dor e a reflexão. Entre os mais exaltados a busca por vilões, como se houvesse um rebaixamento a ser questionado. Aos mais ponderados, alguns pontos simples de entender.

  • Perdeu pra Inter e Grêmio. Com todo respeito, ninguém deve camisa a ninguém nesses confrontos. Resultados absolutamente normais.

 

  • O Palmeiras optou por comprar 25 jogadores nota 7.5.  Toda vez que um sai entra outro do mesmo nível. Muito bom, um puta elenco, mas uma escolha por regularidade, não por brilhantismo. Quem ganha mata-mata é time que tem diferencial individual técnico e não opção de reposição. O Palmeiras escolheu um time de pontos corridos. Pois que siga favorito nele. Mas em campo, ontem, o Grêmio tinha um jogador pra decidir e o Palmeiras não.

 

  • Usando o exemplo do Flamengo. O oposto do Palmeiras nas escolhas. Não fez um elenco regular, mas fez um time com alguns jogadores muito acima da média. Se no Brasileirão for pesar o elenco, o Palmeiras é mais forte. Num confronto de mata-mata sem grandes desfalques, o Flamengo tem muito mais chance de desequilibrar o jogo do que o Palmeiras.

 

  • Felipão não é um problema. E mesmo se for, trata-lo como um treinador comum ou ameaça-lo como fizeram os marginais da organizada é falta de respeito com a história do próprio clube. Tem gente que você xinga de um jeito e gente que você xinga de outro. Pra isso serve o histórico de cada um. Felipão não é um treinador apenas, é uma lenda viva e não pode tomar as mesmas vaias do Dorival.

 

  • Eliminado de outros dois torneios, o Palmeiras se torna o favorito ao título que ele planejou.  Elenco de semelhantes é pra ganhar esse tipo de campeonato. Time que sofre com desfalque mas que tem nos titulares pontos de desequilibrio ganham mata-mata. O Palmeiras sabia disso. Sempre soube. E por melhor que seja o Dudu – e é – jamais foi o cara que resolve decisões.

Sem tanto drama. Nem tanto otimismo. No Brasil não tem um Bayern brincando com geral. Aqui tem muita camisa grande e nenhuma garantia de que comprar te faz campeão. Basta ver que o Cebolinha foi criado no Grêmio e resolveu.

RicaPerrone