4×1

Constrangedor

Talvez não haja termo melhor para definir o jogo deste domingo. Uma coisa é ser rebaixado, outra é ser humilhado.

O Palmeiras não tem nada com isso e honestamente, embora o resultado seja incrível, não fez nada de absurdo no jogo para conquistar algo tão histórico.  Jogou bem, é claro! Mas quando se fala em 4×1 em São Januário contra o Vasco imagina-se um show do time de 96.

Os gols foram saindo de forma quase peladeira. Goleiro que fura, zagueiro que cai sentado. O que o Vasco está fazendo ofusca até mesmo o brilho do Palmeiras nesta noite.

A forma com que jogadores como Dagoberto, Guinazu, Andrezinho e outros que não são tão ruins assim se apresentam no clube é constrangedora. Dá margem pra imaginar mil coisas e ter uma certeza: Ou o Vasco acorda amanhã e muda muita coisa, ou não vai se salvar.

Os caminhos estão muito desenhados. O Palmeiras arranca pra brigar por título nas mãos do Marcelo, que ajeitou o que o Oswaldo não conseguiu finalizar.  São vitórias em sequência, algumas delas bastante incontestáveis, como a desta noite.

O Vasco alterna entre momentos péssimos e surtos de lucidez como contra o Fluminense. Mas o momento péssimo é absolutamente inaceitável.  O time não vai de uma vitória a um empate. Vai pra uma goleada em casa.

E mesmo que você consiga encontrar argumentos técnicos para isso, eu não consigo olhar pro time do Vasco e enxergar um monte de amebas capazes de tomar de 3 ou 4 em casa.  Pro Palmeiras? Antes fosse. Mas até pro Avaí já foi!

Quer cair, caia. É do jogo.  Ser humilhado em sequência não é parte do roteiro.

O Palmeiras que me perdoe, era dia de exalta-lo.  Mas tem jogo onde o perdedor perde mais do que o vencedor ganha.

abs,
RicaPerrone

Um baile

Toda a calma que o Fluminense mostrou na estréia se transformou em sono. E toda a vontade do Galo em vencer que vimos na quarta-feira virou uma goleada.

Eu não entendi bem porque o Ricardo mudou o jeito do Fluminense jogar. Talvez ele tenha entendido que o 1×0 na estréia não tenha sido um bom jogo. Discordo dele se for esse o raciocionio.

O que surpreendeu mesmo foi o Galo ignorando a ressaca de direito que todo eliminado da Libertadores faz uso.  Passou um trator em cima do Fluminense como se tivesse decidindo hoje a vaga do Beira-Rio.

Com mais de 85% de acerto nos passes, o Galo não sufocou o Tricolor. Bastava pegar a bola e ir até a conclusão do lance. Não era um “abafa”, mas sim uma sequencia de investidas com o time se recompondo.

Há diferença.

As vezes você chuta 20 bolas no gol e 7 delas em 5 minutos que ficou na frente postado com rebotes de escanteios e rebatidas na base do “Deus me livre”.  O Galo fez o placar e o seu jogo consistente sem essa pressão.

Com Pratto mostrando que pode ser muito útil também fora da área de costas pro gol, Luan correndo feito um maluco e a ótima tarde de Dátolo, se redimindo do erro de quarta-feira.

Os dois times entraram na área adversária 16 vezes cada um. Só que o Atlético chutou 16 bolas no gol, o Fluminense 8.

Não houve um minuto de indefinição. O Atlético Mineiro venceu o Fluminense por 90 minutos mais os acréscimos, e dizem que o time estava ainda meio cansado….

abs,
RicaPerrone

O genial burro da noite

Luxemburgo é o maior responsável pelo semestre improvável e muito bom do Flamengo.  É incontestável seu ótimo trabalho e que o time foi até onde nem os mais otimistas eram capazes de prever quando foram ver a Copa do Mundo falando em “cair”.

Hoje, no Mineirão, Luxemburgo cometeu um dos maiores erros da sua carreira.

Não vou dizer que é “culpa dele” apenas porque há um puta time cheio de méritos do outro lado que vem fazendo isso com alguma frequência, então, não é sorte.

Acho que na cabeça dele escalou o Eduardo pra tentar segurar mais a bola na frente e devolver menos pro Galo. Ou, menos rápido talvez.

Nixon, Everton e Gabriel são jogadores que quando pegam a bola tentam rapidamente o lance.  Ele deve ter pensado em prender mais o jogo longe da área e colocou Elton, esperando que ele fizesse parede com os beques ao invés de tentar jogadas rápidas e mais dificeis.

Não funcionou. E então colocou Mattheus, a pior das alterações.

Naquele momento Luxemburgo perdeu o contra-ataque e deixou o time lento. O Galo com a bola, o Flamengo sem velocidade pra sair jogando e com dois jogadores que não entenderam o que estavam disputando.

Mattheus e Elton entraram num amistoso, não numa semifinal. Andaram no campo, não conseguiram participar do jogo.

E o Luxemburgo acabou sendo o grande culpado pelo péssimo segundo tempo do Flamengo.

Não acho muito inteligente contestar tudo por uma noite infeliz. Nem dar ao treinador toda culpa e novamente isentar 11 jogadores da incrível capacidade que o Flamengo tem de não saber ser favorito.

Mas o ótimo Luxemburgo que voltou ao Flamengo teve hoje sua noite de Celso Roth.

abs,
RicaPerrone

O melhor Galo de todos os tempos

É difícil ter esperanças de ver a melhor parte de uma história. Normalmente elas só ganham o tamanho definitivo quando acabam e portanto, quando não estamos mais a vive-la.

O Atlético MG teve que justificar sua grandeza num passado distante e nem tão glorioso assim por longos 40 anos. Comprovante de grandeza ainda em preto e branco, num papel velho e desbotado. Incrivelmente interminável, diga-se.

Em 2013, “sorte”.  Ok. Vamos aceitar a amargura rival e determinar que aquilo foi um surto.  Sai Ronaldinho, sai o Jô, machuca o Rever, e o Galo continua sendo o dono das quartas feiras no Brasil.

Porque não é o Ronaldinho, nem o Réver, nem será o Tardelli amanhã. É o Galo! É um time, um momento, um trabalho, uma história sendo contada com a incrível perseverança de uma torcida que acreditou mesmo quando não era mais lógico acreditar.

E aqui estão, ex-sofredores.

Primeiro a Recopa, suada, sofrida, quase um roteiro de cinema. Depois os novos “milagres” da Copa do Brasil.

Alguém tem notícias de algum clube que tenha feito do futebol algo tão incrível num intervalo tão curto de tempo? Eu não me lembro. E acho que não há em toda a história uma sequência de viradas épicas como esta do Atlético.

Cinematográfico! De gerar torcedores, de fazer quem não é, ser.

Não posso de forma alguma dizer que é o melhor time do mundo, do Brasil sequer. Mas posso dizer sem risco de errar que estamos diante do melhor Atlético MG da história.

Já é o mais vencedor.  E também, de longe, o dono das mais espetaculares páginas de um livro centenário e cheio de páginas em branco.

Agora faltam páginas.

Você, ex-sofredor, insistente e esperançoso apaixonado que esperou mais do que todo mundo pra poder viver este sonho, pode acordar.

É real! É o melhor Atlético de todos. E você é parte fundamental dele.

abs,
RicaPerrone

Muito melhor

Não para causar suspiros e nem mesmo para deixar o torcedor seguro. Mas o suficiente para golear o Santa Cruz e jogar muito mais do que jogava quando parou para a Copa do Mundo.

Se Thalles não marcou, continua sendo muito mais lúcido que Edmilson e Reginaldo, prendendo a bola quando preciso e não chutando de qualquer jeito. Kleber, ainda sem ritmo, fez o dele de pênalti apesar da má atuação.

E é exatamente por não ter ido bem num dia de 4×1 que o vascaíno pode se animar. Afinal, imagine quando for?

Um jogo de belos gols, com um pouco mais de calma por parte do meio campo do Vasco, que até outro dia parecia dopado de tão rápido que perdia a bola.  Adilson escalou André na lateral e com 20 minutos tirou. A polêmica do jogo é essa.

Eu não tiraria. Não porque não merecia, mas porque não sei o quanto é prejudicial a um jogador sacá-lo do time claramente o condenando pelo gol sofrido. Mas funcionou, e o Vasco virou o jogo.

Fabrício e Guinazu não correm o esperado mas a experiência compensa. Sabem prender, dar uma chegada mais forte quando preciso e não deixam o adversário se impor.

É estranho dizer isso, mas a seleção brasileira por exemplo, faltou um Guinazu. Não pelo futebol, longe disso, mas pela postura e cara feia.

Sábado o Vasco reencontra sua torcida. Talvez, os aplausos.

O de hoje os mereceu. Não por uma grande atuação, mas por um time muito melhor do que aquele que parou pra ver a Copa em junho.

abs,
RicaPerrone