5×0

Foi hoje!


O dia mais esperado pelos rubro-negros por mais de 30 anos aconteceu nesta noite.

Talvez ele precise de umas semanas pra compreender, mas o que você esperou não foi o título da Libertadores mas sim viver a noite da conquista.

Você não passou 30 anos pensando em viajar pra Santiago, nem mesmo em ganhar a Libertadores sábado a tarde com 12 mil torcedores seus no estádio.

A conquista, acredite, é apenas o rótulo do que você viveu. O abraço de hoje no segundo gol é o que você sonhou. No Maracanã lotado, com o Brasil parado em um jogo numa noite de Galvão Bueno na tv.

O jogo do “medo”,  do ambiente onde tudo pra dar errado estava pronto e não aconteceu.

Nos olhos rubro-negros há arrogância, raiva, medo e uma alegria tão inenarrável quanto o futebol por seu clube apresentado.

O 5×0 era previsto no seu mais secreto plano não exposto para evitar a tal da “zica”. Mas havia a expectativa de que pudesse acontecer.

Hoje dormem – se é que dormem – esperando a decisão, o iminente título nacional e a possível conquista continental. Entre os seus, na sua cidade, como deve ser e como foi sonhado.

Você vai me entender dia 23. Ganhe ou não, o melhor dia dos últimos 35 anos aconteceu nesta noite no Maracanã.

Se perder, diminuirá sua festa pelo Brasileiro. Se ganhar, criará uma nova expectativa pelo Mundial.  O futebol acontece enquanto esperamos, não quando o juiz apita.

Hoje é o maior dia do Flamengo desde 1981.

Simplesmente porque hoje, pra todos os efeitos, queiram os placares ou não, ele é pro rubro-negro o “melhor time do mundo”.

A FIFA chancela título. Quem olha nos olhos do filho e vê paixão e orgulho pelo clube que você passou pra ele é torcedor. E hoje, aposto um braço, não tem um pai rubro-negro que não esteja olhando nos olhos do seu garoto sentindo-se “culpado” por tamanha alegria.

Que venha o caneco pra rotular a história. Mas ela já existe.

RicaPerrone

Representados


Nós não queremos só a vitória. Não queremos ter que ir na rede social fingir que não nos importamos. Nem mesmo fazer o ridículo papel de torcer contra.

Queremos ser representados. É simples.

O que nos representa? Vitórias? Não só isso.

Irreverência, alegria, ousadia. Não somos burocráticos com a bola, não somos a zebra nunca, nem temos medo de fulano ou beltrano do outro lado.

Se aqui se acordou pensando “tem Guerrero e Farfan”, imagine o que eles não acordaram pensando lá?

Zagallo tem razão. Nós somos o problema deles. Quem não dorme são eles, quem fica bolando formas de anular o adversário são eles. Nós somos o time a ser parado.

É assim que somos, é assim que vemos a seleção. Talvez por isso nós adoremos a seleção que perdeu e nem tanto algumas que ganharam.

Representem-nos. Como hoje. E nos terão a seus pés e ao seu lado.

RicaPerrone

Russia 5×0 Arábia Saudita

A Rússia tinha todas as credenciais para ser um fiasco dentro de casa na Copa. Em 3 participações venceu 2 jogos, um deles não valia mais por já havia decidido o grupo.

No outro, venceu a Tunisia. Mas em todas as 3 foi eliminada na primeira fase. Gols? Havia feito 12. Mas 5 foram marcados no jogo “que não valia nada” contra Camarões. Curiosamente os 5 marcados pelo  Salenko, um dos artilheiros de 94.

A Arábia, coitada, já levou 8×0 numa estréia de Copa, em 2002, pra Alemanha.

Ou seja, tinha tudo pra dar em nada.

E não é que vimos 5 gols, uma boa atuação da Rússia e ainda 3 golaços?

O VAR, que todos queriam VER, não apareceu.  Mas em breve estará em nossas mesas de bar causando discórdia sob o inevitável argumento de que “viu? não serviu pra nada!”.

Temos Copa! E se depender da discrepância entre expectativa e realidade da estréia, teremos uma grande Copa!

abs,
RicaPerrone

O melhor Grêmio que eu vi

Estou há um tempo querendo fazer essa afirmação, mas ela é muito perigosa. Hoje, sem que eu tocasse no tema, um amigo (Marcelo) me disse isso quando me encontrou. Ele é gremista, tem minha idade, talvez considere o time de 83 mais do que eu que vi bem menos do que gostaria.

Talvez ele tenha em mente apenas o de 1995 pra competir com esse. Eu vi muito o de 1995, de lá pra cá obviamente vi todos. E o de 83 muito mais por video tape de jogos importantes do que por dia a dia. Fato é que tenho no meu inconsciente que o Grêmio é um time que joga duro. Não bonito.

Nunca esperei futebol bailarino desse clube. Toda vez que enfrentava o Tricolor gaúcho era na base do “eles são casca grossa”, não um time de futebol envolvente e encantador.

Esse causa até incômodo.  Como que eles podem jogar tão bem sem ter comprado estrelas e os outros clubes vivem gastando tubos pra não jogar nada ou viver em função de uma bola parada?

Ver o jogo das 21h quando o Grêmio joga as 19 é bastante difícil pra quem adora futebol bem jogado. Raríssimos os times que apresentam algo sequer parecido.

Hoje, não pelos 5×0, mas pela certeza de que é uma nova característica deste time e não uma fase que caiu no colo, eu consigo dizer:  é o melhor Grêmio que eu vi jogar.

E talvez esse time não fosse capaz de vencer o de 1995. Mas ele joga melhor.  E não me refiro a “mais bonito”. É melhor de controle, posse, coletivo, tático, defesa que não sofre sustos. É muito bom ver jogar.

Daqui 40 anos vocês falarão desse Grêmio como falamos hoje dos épicos times da década de 70. Com saudades, orgulho de ter visto e vontade de rever.

Aproveitem. Estamos vendo a história ser escrita em letras garrafais.

abs,
RicaPerrone

“Bad” boys

O futebol é um universo paralelo onde quem manda somos nós, seus devotos. O mundo clama por gente chata, padrão, muda, que não erra. Nós, no futebol, somos o único mundo possível de não nos rendermos.

Aqui ainda podemos rejeitar a idéia de que um drible bem dado é humilhação, mesmo com 5×0 no placar. Podemos ainda achar que não é errado um jogador que apanha o jogo todo devolver com um leve pontapé na no tornozelo de quem o agrediu.

Podemos e nos permitimos ser coerentes e misturar a saudades do futebol do Romário e do Edmundo a gostar de quando Neymar vai pra noite, pinta o cabelo, sacaneia geral, compra um carrão, mete o dele e toma amarelo por revidar. Sim, gostamos.

Me perdoe o exemplo, porque é um jogador que adoro, mas a seleção brasileira ou qualquer time brasileiro não vai conseguir jogar e representar o tamanho da marra que nossas camisas exigem com um “Oscar”  com a 10.  É o carisma de um pão integral em campo.

Precisamos de Neymar. Gostamos de Neymar. Se não hoje, porque é moda criticar e rede social é pra isso, amanhã quando ele parar falaremos pros nossos filhos num facebook qualquer da época: “Aquilo que era jogador. Não esse fulano ai que nem gosta de mulher e apanha calado”.

É a real.  Somos um universo paralelo que ainda se permite andar fora da linha. Não condene o bom futebol, a falta de gols pela firula com 5×0, o drible humilhante e menos ainda o chutinho pra bola bater no rosto do agressor após a marcação da falta.

Precisamos disso. Somos isso. E não podemos deixar que o futebol perca pro mundo chato e politicamente correto. Simplesmente porque a única coisa maior que o mundo é o futebol. Logo, nós podemos tudo.

abs,
RicaPerrone

Dia dos pais e o futebol

As vezes não somos capazes de entender exatamente o que significam  aqueles “22 caras correndo atrás de uma bola”.   

Um esporte, é claro! Mas futebol é também uma terapia, uma paixão, uma forma de aliviar nossos problemas ou de gerar novas preocupações que não nos diziam respeito até aquele gol adversário. 

A paixão por um clube e pelo futebol é a maior herança que um pai pode deixar para um filho.  Ao contrário de todas as outras, essa só aumenta, não dá pra “gastar” e nem perde-la. 

Muitas vezes o elo de uma relação entre pai e filho é o futebol.  Neste domingo o Grêmio aplicou uma das maiores goleadas da história no seu maior rival, o Inter.  E acredite: Teve um tricolor na Arena que não achou os 5 gols a melhor coisa do jogo…

Baile

Reunião festiva cuja finalidade principal é a dança. Movimentação de pessoas com objetivo comum. 

Em português claro e atual, “O Grenal deste domingo”.

Poucas vezes um Grenal tem outra conotação que não uma “guerra”. É quase sempre no aperto, no detalhe, na bola dividida até o fim.

Pois hoje o Grêmio jogou 25 minutos bastante didáticos insinuando uma goleada.  Num cenário convencional seria o suficiente para o Inter acordar e impedir isso.

Mas hoje, não.

Foi um dos maiores bailes que já assisti num Grenal.

Aguirre foi demitido há 3 dias do clássico. Que seja. Nem se ele tivesse sido executado a tiros no vestiário meia hora antes do jogo seria aceitável a apatia do Internacional diante do maior rival.

Mas não vou colocar isso como o principal fator do resultado. A atuação do Grêmio, a formação do Roger e as alterações dele foram absolutamente perfeitas. Em nenhum momento o Internacional conseguiu controlar o Grêmio.

O resultado normalmente não demonstra claramente o que foi o jogo. E hoje mais uma vez.

Cabia mais.  O “macaco” segue na árvore.

abs,
RicaPerrone

O bom fundo do poço

Gostei.  Longe de torcer contra o Vasco, fiquei até que satisfeito com a goleada sofrida neste sábado pro Avaí.

Tá maluco, Rica?

Não. Tô não. Eu não suporto a idéia de empurrar um problema com a barriga, embora como todo ser humano também faça isso sempre. Mas um clube, diante de milhões de torcedores aflitos vendo que não é necessário o vexame, acho pouco aceitável.

O time do Vasco é bom. Tanto é que a a paulada da torcida não é desesperada pedindo reforço, mas sim no treinador.  Você não tem em qualquer time do Brasil Martin Silva, Rodrigo, Guinazu, Fabricio, Kleber, Maxi, Douglas, Thalles e Kleber. São jogadores que atuariam em diversos times da série A titulares.

A soma de todos eles talvez não tenha dado liga ou talvez seja só o Adílson. Mas não me diga que esse time não é capaz de deitar e rolar numa série B e nem de golear o ABC em casa.

Falta ao Vasco o fundo do poço. E quando nele, é hora de escolher se você recomeça ou se volta alguns passos pra tentar de novo na mesma direção.

Eurico é a mesma direção.  E eu torço pra que o Vasco faça bom uso dessa paulada de estar na Série B tomando de 5 em casa. Como espero que o 7×1 da Alemanha tenha sido um ponto de partida, não o “fim”.

O Vasco que empurrava com a barriga o ano de 2014 agora vai ter que pegar no tranco. Não há mais ambiente pra alternar o aceitável e o ruim.  Chegou no insustentável. E com ele, as mudanças.

O Vasco sobe.  Com Adílson, Lazaroni, Roth ou o padeiro da esquina. Ele sobe.

O problema é que “subir” é um detalhe muito irrelevante perto dos motivos pelo qual ele chegou onde está.  E se for preciso tomar de 5 pra que as coisas mudem de fato, que seja.

É o primeiro resultado do Vasco em 2014 que não terá sido em vão. E isso me causa mais otimismo do que o “vamo que vamo” que tem sido.

abs,
RicaPerrone

A resposta

Eu conheço gente de todas as organizadas que você possa imaginar. Todos eles sabem que acho que a idéia deu errado e que as organizadas, hoje, fazem mal pro futebol, pros clubes e pra torcida.

Nesta semana Fred reclamou de algumas atitudes comuns de torcida organizada e gerou uma grande parte de torcedores a seu favor, outra repetindo feito papagaio aquele bla bla bla de “quando vai jogar em Manaus quem vai é a Organizada….”, etc, etc, etc.

Papo de 20 anos atrás. Hoje não cola mais. Todo mundo sabe que rola ingresso, ajuda, revenda de ingressos para sustentar a torcida, entre outros. Mas a partir do momento que você cria o Sócio Torcedor, as coisas PRECISAM mudar.

Ninguém tinha dúvidas que o Tricolor atropelaria o Horizonte hoje. A grande dúvida era o que aconteceria em caso de gol do Fred. E acho que a resposta foi dada numa naturalidade quase assustadora.

Quase todo mundo no estádio ficou do lado do jogador, entendendo que a organizada não os representa e não tem direitos como o de ir num vestiário cheia de razão. E não falo dessa ou daquela, são todas absolutamente iguais no que diz respeito a se considerarem “mais torcedores” que os outros.

E não são.

O interessante nisso tudo é que parecem surdos. Todos os lados estão dizendo pras organizadas que não concordam com o que elas tem feito. E o que elas fazem? Batem no peito e brigam com o mundo defendendo uma causa perdida.

Havia uma chance de recuperar a credibilidade perdida a socos, tiros e pontapés nos últimos anos talvez buscando uma nova cara.  Mas a partir do momento que clube, jogador, torcida e mídia te viram as costas, algo está errado.

Se a semana foi pra levantar uma questão importante, a resposta foi dada de forma muito clara.

“Não, não pode fazer o que bem entender como donos do clube!”.

Vaiar pode. E Fred até merece ser vaiado pelo que tem jogado. Mas só isso. Qualquer passo além deste é um abuso. E se alguém tem o direito de se sentir “mais representante” de uma torcida de futebol é aquela que paga pro clube, não pra terceiros.

O Fred te pegou. Você duvidou, eles responderam.

Quer que desenhe?

Paz. É só futebol.

abs,
RicaPerrone

“2×0 é perigoso”

Quando favoritos, perdemos.  Quando desacreditados, voltamos campeões.

Se é que alguma vez na história a seleção brasileira foi a algum campeonato desacreditada, diga-se. Talvez por nós, azedos, vira-latas. Jamais pelo resto do mundo.

Era pra dar tudo errado. Do técnico anterior aos problemas com os medalhões. Da Copa em casa a crise com a torcida.  Até mesmo a maldita mania da mídia sem direitos de transmissão de atrelar a CBF e seus dirigentes ao time do Brasil.

E nada funcionou.

A seleção está pronta. Voando, ganhando, convencendo, jogando bem e em paz.

Favorita, e muito.

Vai em grande fase. Fazendo tudo direitinho, sem abrir espaço para grandes contestações. E então, companheiro natural e inseparável de um bom brasileiro, surge o pessimismo.

“Quando tudo vai bem…. não dá certo”.

São os mesmos que adoram dizer que 2×0 é um resultado perigoso.

Os de sempre.

Os azedos, os resultados, a favorita e, talvez, o final feliz.

Perigoso é jogar contra o Brasil.  E 2×0 é sim um resultado complicado, mas sempre pra quem está perdendo.  Não o contrário.

abs,
RicaPerrone