allianz

Vale? Vale.

Eu tenho alguma dificuldade em gostar de vitórias independente da forma. Não sei separar o placar do jogo e por isso não haverá aqui uma exaltação a vitória do Corinthians que, embora grandiosa na casa do rival e em má fase, não me causa vontade de aplaudir.

O Palmeiras jogou muito? Não. Também não. Mas jogou. O Corinthians não teve o menor pudor em abrir mão do jogo, fazer cera, enfiar 11 atrás da bola e impedir que houvesse um grande clássico.

Vale? Vale.

Vale a pena? Sim, neste caso, sim. O Corinthians precisava vencer de toda maneira pra aliviar o ambiente e o começo de temporada. Não havia nada melhor neste momento do que ganhar do Palmeiras na casa do rival.

No final dos 90 minutos, embora vencedor, quem sai mais preocupado?  Quem não mostrou nenhuma jogada, sequer chutou no gol na segunda etapa ou quem tentou e não conseguiu fazer o gol num melancólico ataque x defesa?

Repito: vale? Vale.

Há algo a ser analisado após 90 minutos de um jogo onde um não consegue jogar e o outro não quer?

Não muito.  Que pena.

Mas vale.

RicaPerrone

Nós, a seleção!

Uma das coisas que eu mais amo na vida é ver a cara de merda de quem duvidou de mim ou me desmereceu.  O prazer da “vingança” é natural, é instintivo e pobre do sujeito que se considera evoluído ao ponto de não ter esse gostinho.

Esse time do Brasil foi um saco de pancadas. Nós ouvimos pós Copa de 2014 diversas vezes que seria difícil classificar, que pela primeira vez existia um risco real da seleção ficar fora da Copa.

Que eram mimados, irresponsáveis. Que não fabricávamos mais talentos.  Que só queriam dinheiro, que não se importavam.

Ouviram que a favorita era a Argentina, o Chile, não nós. E ouvir isso jogando futebol deve ser ainda mais revoltante do que o conhecendo, porque é tão absurdo que chega a motivar.

Esse time atropelou todo mundo e terminou uma eliminatória de 18 jogos com 10 pontos na frente do segundo colocado. Brincando nas rodadas finais, dando olé, chapéu e ganhando de time motivado.

Somos favoritos em 2018. E não, sua anta! Não é porque a fase é boa. É porque somos nós, o Brasil. A seleção mais foda do planeta, os donos da porra toda, o time do mundo, a referência de todos.

Esses meninos dormem hoje com a seleção recolocada no seu óbvio lugar na mais torturante fase para ser um deles. Eles pagam por algo que nem participaram, pela desconfiança de uma geração que ainda não venceu e pelo ódio jornalístico nacional que se nega de toda forma a assumir um lado. E que deveria ter sido, desde o primeiro dia, ao lado deles!

Com Tite, Dunga, a puta que pariu. Tanto faz. O nosso LADO é o da seleção.  Eles nos deram o ouro, nos deram a vaga pra Copa, nos deram a dignidade de volta. Nos deram o favoritismo.  Nos deram alegria e orgulho.

E nós, porrada. Hoje, aplausos.  Merecidos, os dois. Mas é preciso ter um lado.

Dá pra aplaudir do lado deles. Dá pra criticar também.  Mas do lado deles. Sempre, todo dia, até o último jogo da Copa. “Nosso time”, “nossos meninos”. Não tem CBF, dirigente, nada.

Eu tenho orgulho desse time. Tenho orgulho da seleção e especialmente de ter sido um dos que não mudou de lado em momento algum, nem mesmo na noite após o 7×1.

Aconteça o que acontecer daqui pra frente, fique do lado certo. E não corra pro outro na primeira turbulência. Seja parte da vitória e da derrota. Aprenda a usar com dignidade o “nós”. Ou em 2018, se campeão, diga “eles”.

Obrigado meninos. E desculpa qualquer coisa.

abs,
RicaPerrone

A arena que nasceu “velha”

Fui conhecer. Falavam tanto, pela tv parece tão bonita. Precisava conhecer e tinha que ser em dia de casa cheia, jogo valendo vaga, clima quente.

Já fui a quase todos os novos estádios do país. O que eles tem de moderno tem de frios e sem alma. Esperava o mesmo do Allianz, que já vem até com nome de marca pra impactar a modernidade e… não. Não foi o que vi.

Era o Palestra Itália. Reformado, incrível, assustador pro visitante. Com uma acustica que parece ter 130 mil pessoas lá dentro, mas ainda o Palestra.

Aqueles senhores de gorro, a torcida chata que cobra e no mesmo minuto se policia e volta a empurrar.  O corneteiro, a família, a organizada “dona da rua”, as barracas de pernil, o povo da Pompéia chegando a pé.  Há Palestra Itália no Allianz Parque.

E é uma alegria enorme encontra-lo após ver tudo ser destruído. E aí entra minha experiência pessoal. Eu morei na rua do lado do estádio quando derrubaram o antigo Palestra.  Vi da janela.  Era uma coisa bem dura pra um saudosista como eu.  Ainda mais porque a pessoa que mais amava na vida era meu avô, que morreu, e que era palmeirense.

Ver aquilo cair significava meio que sumir com o último monumento da cidade que me remetia a ele. E então eu fui morar no Rio e não vi ficar pronto. Passei em frente muitas vezes, mas ainda queria ir ver “o jogo”.

Fui pra ver o “novo”, mas o estádio do Vô tava lá ainda.  Sou capaz de jurar que ouvi um “Eeee, Parmera!”  na hora do gol…  Né, Vô?

abs,
RicaPerrone

Aê, Jesus!

O moleque! Deixa eu te dar um papo.  Eu não sou religioso, de modo que talvez essa seja minha primeira conversa com um “Jesus”.  Assim sendo, considere-se especial por me cativar a fazer isso.

Eu sei que você tá ansioso, que tudo na sua vida é absurdo. Você é um “pivete”, ta com a 9 da seleção, tá rico, indo pra Europa a pedido do técnico mais badalado do mundo e acaba de deixar o Allianz Parque sendo o nome mais forte da conquista.

Eu sei o que você está vivendo sem ter a menor idéia do que é viver isso.  Mas sei uma coisa que você ainda não sabe, e que o tempo vai te mostrar.  Antes de entrar naquele avião, saiba que hoje você viveu algo que dificilmente se repetirá.   Não foi o maior dia da sua vida porque você será hexa pela seleção numa Copa e nada vai superar isso.  Mas não será igual.

Um estádio cheio de gente que realmente vive essa “merda”, que de fato dá tudo que pode por isso e que “canta  e vibra” dessa maneira, lá tu não vai encontrar. Talvez, sendo você o craque que esperamos, você nem chegue a voltar. E assim sendo, hoje foi a última vez que você viu um estádio de futebol lotado de torcida.

A partir de agora conviverá com “fãs de futebol”, que tem todo seu mercado e valor, mas não são como o que você viveu aqui. Amanhã você jogará pra investidores, hoje joga por uma história.  Nos próximos anos, se cumprir seu contrato, essa será a maior camisa que você vestiu em clubes.

Eu também iria. Te entendo.  É um dinheirão, um time pequeno que tá buscando espaço, vai te dar mídia e o campeonato dos caras é muito maneiro.  Mas aê, moleque! Igual hoje… não mais.

O City vai te dar muito dinheiro e fama instantânea, embora a 9 do Brasil já tenha te dado isso em doses cavalares.  Mas o que o Palmeiras te deu hoje você não terá de novo.  A chance de ser mais do que rico e famoso. Ele te deu um nome na história das vidas de milhões de pessoas.

Vá com Deus, guarde com carinho e NUNCA cometa o erro que muitos cometem de achar que você deu um título ao Palmeiras.  Foi ele quem te deu o futebol, não o contrário.

Parabéns! Seja muito feliz. E não seja tão “profissional”.  O futebol não ama profissionais. Ama jogadores de futebol. Seja o Jesus do Palmeiras pra sua vida toda e terá vivido hoje o maior dia da sua vida.

abs,
RicaPerrone

Os “quase heróis” e o “herói”

Pode dizer que foi drama de véspera, que nem havia contusão. Tanto faz. Se não houve, mais mérito ainda pro Palmeiras que fez o Flamengo acreditar que não teria seu principal jogador.

Os rubro-negros tiveram sua noite de “quase heróis”. Da expulsão de Márcio Araújo, que considerei um pouco exagerada mas bem previsível, a saída de Diego, os que estavam em campo tiveram script de super herói.  Era achar um gol e estava feito o maior “milagre” rubro negro do ano.

Volante poupado da culpa, treinador nas nuvens, time na liderança, o Santos Dumont não daria conta. Teriam que desembarcar no Galeão.

E a saída do Diego não é absurda como parece. O meia joga pro time, joga bem mas não é o responsável individual pelo time estar vencendo. Diego está bem. Não está brilhando. E sua saída me pareceu uma questão estratégica simples: Se vou contra-atacar, saco o meia e deixo os abertos em campo.

O Palmeiras entendeu, aumentou o poder pelo setor com Xavier e foi pra cima. Tomou o gol num lance onde o Patrick apareceu sozinho aberto, onde fatalmente o Diego não estaria. Ponto para o professor.

Ferrolho neles. Mas era o líder do campeonato, em casa, e com Jesus. O garoto foi colocado em campo como arma letal. Era dele a obrigação, machucado ou não, de resolver a parada.

E não é que o fez?

O empate no fim mudou o saldo do jogo de 10 heróis para apenas um.  O resultado é muito bom pro Flamengo, nem tanto pro Palmeiras, mas que ainda é o líder. Logo, não dá pra reclamar muito.

O Flamengo sai de São Paulo tão forte quanto embarcou no Santos Dumont. E o Palmeiras enfrenta o Corinthians líder, mas sem o herói.

Robinho e Fred decidem nesta quinta se ainda temos um trio buscando o título ou se vimos mesmo uma “final” antecipada nesta quarta-feira.

abs,
RicaPerrone

A Globo o que é da Globo

Eu não concordo, contesto o tempo todo a política da mídia em não ajudar o esporte brasileiro e cobrar resultados dele  no final. Mas os negócios tem que ser respeitados e vocês precisam ser informados de que atrás da “vilã” globo existe um tosco contrato que seu clube assinou.

A Rede Globo paga o que paga pros times e em troca disso tem o que comprou. Além do direito de TV é dela o direito de expor as marcas no estádio.  Quem vende aquelas placas de publicidade é ela, e isso é acordado com todos os clubes, inclusive com o Palmeiras.

Quem tem direito web sobre os clubes é a Globo, mesmo que não use. Quem vende direito mobile pra Globo e não pode fazer quase nada depois são os clubes.

E quem aceitou toda essa condição num negócio discutido e PAGO foram os clubes.

É muito cafajeste e fácil vir agora pra vocês, torcedores, e dar a Globo de bandeja pra que vocês apedrejem. Eu também acho absurdo o “Arena Palmeiras”. Mas não é novo e nem mesmo “contra a vontade do Palmeiras” que o nome “Allianz” está sendo coberto.

É uma acordo feito pelas partes e que o Palmeiras assinou porque quis. Cobrem dos clubes o que é culpa dos clubes, e da Globo o que é culpa da Globo.

Isso foi acordado. Cumpra-se e na próxima renovação de contrato leia antes de assinar.

abs,
RicaPerrone