apresentação

O SPFC não cabe numa Arena

As vezes eu acho que passa. Tem dia que eu até penso nem me importar mais, tamanho o desgaste que isso dá no dia-a-dia. Mas quando um  clube não precisa nem de uniforme e nem de uma bola pra parar o futebol e se fazer protagonista, algo está muito vivo ali dentro.

O Morumbi que já foi de Raí, de Luis Fabiano, Kaká, Hernanes e Lugano foi entregue a Daniel. Ao vivo, a cores, ali mesmo.

As vezes você se baseia apenas em o que ganhou, quando na verdade não é bem isso. Ou, pelo menos, não é só isso.

Ali havia gerações que não ganharam. Mas marcaram. Ídolos sem taças. Mas ídolos. E outros lendários, hoje criticados em suas funções como meros mortais que jamais serão.

O capitão da seleção brasileira, recém chegado da Europa onde jogou em dois gigantes, emocionado porque pela primeira vez na vida, já rico, campeão e consagrado, estava onde de fato sonhou estar.

Ali no palco havia títulos. Mas não era isso.

Identidade. Pertencimento. Saopaulinismo.

Sim, inventei agora essa última.

Não sou bobo de achar que é só o meu, ou de ignorar as festas alheias. Quero mais é enaltecer os rivais, pois ganhar deles torna-me ainda maior.

Moderno, o futebol clama por arenas, ingressos caros, piso de marmore e cadeiras estofadas.  Mas que espere. Ou pelo menos que de nós, desista.

As arenas são belas, lucrativas e cheias de atrações. Mas não tem do nosso tamanho.

RicaPerrone

O melhor técnico humano do mundo

O padrão do futebol moderno implica em definir grandes treinadores como aqueles que estudam, usam terno, fazem do futebol quase um processo matemático e que se portam como seres imunes a erros.

Eles não podem ter manias, cometer exageros, usar a suas crenças e nem mesmo transformar seus trabalhos em memoráveis e sofridas páginas da história de um clube.

O treinador padrão é frio. É como o futebol tem se tornado.

Cuca sofre, leva fama, vira o jogo. Cuca chuta tudo, chora, cai no chão. Cuca grita, berra, se desequilibra e quando vence age como um jogador em atividade.

Cuca é o Galo campeão, o Botafogo do quase, o Fluminense do milagre.  Cuca faz mais do que bons trabalhos. Faz história.

O futebol é um pretexto para a criação delas. Acredite: é mais interessante lutar pra não cair do que estar em décimo. É mais bacana perder chorando do que como se nada fosse.

Cuca é imune ao óbvio.

Por onde ele passa fica mais do que uma taça, mas sim uma história de superação, envolvimento clube/torcida, paixão, milagres, noites memoráveis e a figura humana de um técnico “retrô”, sem ser um atraso.

Cuca é a melhor escolha que um clube pode fazer se acreditar que o futebol é mais do que um jogo. E é.

abs,
RicaPerrone