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Futebol é no campo

Atrapalha, ajuda, é verdade. Mas futebol sempre foi disputado no campo e atrelar resultados a administração, honestidade e transparência nem sempre é muito inteligente.

Basta ver que a maioria dos grandes clubes do mundo tem em seus momentos mais gloriosos algumas de suas diretorias mais corruptas e/ou incompetentes. Tal qual a CBF, hoje muito menos desonesta do que já foi um dia, ganha menos títulos com a seleção do que ganhou um dia.

Ajuda, atrapalha. Mas não é determinante.

O Cruzeiro entrou em campo atolado em uma crise que envergonha seu torcedor. Ao deixar o Mineirão o cruzeirense sentia orgulho. Foram 90 minutos, nada mais.

Um baile? Não chega a isso. Mas uma paulada muito bem dada. Com golaços, raros sustos e um cenário de deixar atleticano assustado.

Nem a dignidade de um destempero o time do Galo teve. O que pra muitos é virtude pra mim é sintoma de fragilidade. Ninguém perde clássico, toma olé e sai de campo sem nem fazer uma falta mais dura, perder a cabeça com um companheiro ou algo assim.

Uma noite de “tanto faz”. Outra de “faz de conta”.

O Atlético não teve vergonha de aceitar a derrota. O Cruzeiro teve vergonha do que falam dele. Entrou pra rasgar, pra mostrar que ali, em campo, ninguém tem nada com isso.

E o Galo, idem. Porque era isso que parecia. Que ninguém ali tinha nada com isso…

RicaPerrone

Claro que faz diferença

Eu adoro o Robinho. Não o conheço pessoalmente, mas como personagem e jogador, gosto muito.  Carinhosamente o chamo de “Nego Robson” nas minhas postagens e não sei o quanto acredito num estupro envolvendo seu nome.  Mas, hoje, ele está condenado pela justiça italiana por isso.

Eu não tenho a menor condição de julgar, e tal qual 99,9% de vocês, só posso respeitar uma decisão da justiça e entender que mesmo cabendo mil recursos, há um processo bem ruim para o jogador em andamento.

Enquanto acusação, ok. Quando condenado, muda de status e sim, tem que mudar mesmo. Não é possível que a gente tenha que ser radical pra um lado ou outro e achar que ele é um estuprador, nem mesmo insinuar que uma condenação de estupro não interfira na sua imagem profissional.

É natural e aceitável que clubes rejeitem a idéia de ter Robinho, como era com o Bruno. Como talvez seja em outra proporção com o Breno, por não envolver terceiros em seu crime. Mas ter uma condenação muda sim o status de qualquer pessoa. E deve mudar. É natural.

Robinho é um jogador diferente. Caro, mas que vende, joga bem, é carismático. Eu sempre gostei da idéia de tê-lo no meu time. Hoje eu pensaria. Porque sim, amanhã você pode ter um condenado por estupro no seu time tendo que estampar a porra da foto em tudo que é jornal com a camisa de voces e seu patrocinador.

Sim, tem um peso.

Eu espero mesmo que ele seja inocente e que seja um erro da justiça italiana. Mas enquanto isso não mudar, é realmente complicado contratar o jogador.

E por mais que cobrem da imprensa um massacre como fizeram com o Bruno, é compreensível o pé atrás em falar sobre. Amanhã pode haver uma segunda decisão e ele ser absolvido. Mas falamos de hoje. E hoje ele foi condenado.

Que merda. Mas é isso. Hoje, é isso. Infelizmente.

abs,
RicaPerrone

Eu não acredito!

Os dois morrem de vontade de dizer que “acreditam” para seus jogadores mas seria uma imitação barata do rubro-negro ousar se aproveitar da frase atleticana.  Sim, atleticana. Em 2013 o Galo patenteou a fé.

Fé que moveu o time mediocre do primeiro tempo a ser um monstro impiedoso na segunda etapa, sendo o Galo que a gente espera desde que saiu o album de figurinhas do campeonato.

Aos gritos de “burro”, Marcello viu sua substituição corajosa funcionar e empurrar o Flamengo pra trás. Daqueles épicos jogos em que o treinador adoraria olhar pra arquibancada e revidar o coro.

Primeiro tempo que o Flamengo fez não fazia há tempos. O segundo, vinha fazendo há pouco.  O gol no final, sacrificando a lógica, faz desde sua fundação.

Um jogo que satisfaz pela dor. Ninguém teve o que queria, mas não é possível não aplaudi-los.  A aula de que futebol não é “só resultado”. De que torcedor não é burro e de que os três times que chegaram no final deste Brasileirão brigando o fizeram por merecimento.

O cheiro ainda existe, a fé do Galo ainda os faz crer. Se existem “deuses no futebol”, como adoram dizer os clichês jornalisticos, hoje o Palmeiras não fará 3 pontos.  Não porque não mereça-os, mas porque no Mineirão hoje ninguém pode sair de cabeça baixa.

Que jogo!

abs,
RicaPerrone

 

Quem compra e vende melhor no Brasil?

Este levantamento foi feito de forma simples e objetiva.  Considerando os valores em euros das negociações entre clubes para compra e venda de jogadores de 2010 até 2016.

Ou seja, se um clube contratar um jogador sem contrato ou em fim de contrato, não considera-se compra.  Apenas os valores que foram trocados entre clubes para compra e venda de jogadores (e empréstimos remunerados) estão sendo computados.

Os dados levantados são do site TransferMarkt.

A ser notado: 

  • Apenas Palmeiras e Flamengo sairam do perfil de exportador e tiveram prejuízo nas compras e vendas
  • Santos e Internacional tem a melhor relação compra e venda do país.
  • Botafogo, Vasco, Flu e Grêmio foram os que menos compraram.
  • Pato foi a maior compra de um time brasileiro no período. 15 milhões de euros.

abs,
RicaPerrone

Partiu Riascos…

Eu tenho uma certa paixão por lances que decidem títulos e não são necessariamente gols. Óbvio, portanto, que a defesa do Victor no pênalti do Tijuana é uma das coisas mais sensacionais que vi no futebol.

Me lembro bem. Estava na sala de casa, assistindo ao jogo já meio levantando pra escrever sobre a classificação do Galo. O árbitro marca pênalti e eu pulo do sofá acompanhado de um sonoro “Puta que pariu!”.

Minha mulher corre na sala pra ver o que houve e eu estou com as mãos na cabeça de boca aberta olhando pra tv.  “Penalti pros caras. O Galo vai ser eliminado….”, digo a ela.

Ela olha o relógio na tv e ele indica 46 e alguma coisa.  “Inacreditável!”, ela diz. E se senta no sofá pra ver o desfecho trágico de uma campanha até então empolgante.

Me lembro que não havia envolvimento naquele cenário. Ela, saopaulina, nem via o jogo. E eu apenas chateado de ver um time brasileiro sendo eliminado, além dos bons amigos atleticanos que viviam intensamente aquela Libertadores.

Os dois minutos entre a marcação do fim para o renascimento do Galo são intermináveis.  Mas se pra mim, que nada tinha com isso, era tenso e angustiante, não consigo imaginar o que foi aquele apito para um atleticano.

Quando Victor pegou eu e minha esposa nos abraçamos na sala e gritamos. Foi ridículo, interessante, justo.  Em 2 minutos ela estava absolutamente envolvida com o jogo e eu me lembro apenas de ter profetizado:

“O Galo será campeão da Libertadores! Não é possível que isso tenha acontecido em vão.”

Pois bem.  Neste sábado fui convidado pela ótima Cariogalo a ver este curta metragem chamado “Quando se sonha tão grande a realidade aprende”, de Lobo Mauro, vencedor do Oscar de curtas esportivos.

Assisti também ao não menos emocionante “O dia do Galo”, que mostra diversos personagens no dia da decisão, que também é épica, aos 40 do segundo tempo e com pênaltis no final.

Mas esse, do Tijuana, não sei se pelo texto, pela simplicidade ou se pela falta de imagens do jogo, mexeu demais comigo.  Foram 15 minutos de muita emoção, entendendo o que sentia o atleticano naqueles intermináveis minutos entre o apito e os pés de São Victor.

Recomendo a todos que puderem ver, que vejam. Atleticanos ou não, o futebol merece um registro daquele lance.

E agradeço aqui ao pessoal da Cariogalo, que é uma turma incrível de atleticanos no Rio, pelo convite, recepção, pela parceria e pelo evento foda realizado em Copacabana. São por pessoas como eles que eu já cansei mas ainda não parei de fazer o que faço.

abs,
RicaPerrone

Sem saída

Audiência-do-Futebol

Quanto mais eu ouço ataques ao futebol brasileiro mais eu noto que a maioria das pessoas nunca se deu o trabalho de tentar entender a estrutura real dele pra encontrar sugestões reais para melhora-lo.

Não me refiro a estrutura física. A grande questão é estarmos sempre buscando “um modelo europeu” quando tudo lá se baseia na venda dos clubes e nossos clubes não podem ser vendidos. Ou seja, estamos andando em circulo.

A cota de tv é uma briga eterna. Mas quando a Globo passou a fechar individualmente com os clubes o acordo, morreu qualquer possibilidade de acerto comercial equilibrado. Mas ainda assim, se houver uma leitura mais inteligente e menos clubista, é bom que Flamengo e Corinthians ganhem cada vez mais.

Simplesmente porque não haverá uma reunião de clubes onde um deles diz: “Ok, pelo bem do torneio, ganharei menos pra equilibrar”. Isso não existe, nunca acontecerá, e é perda de tempo e atestado de burrice sugerir ou esperar essa conversa.

Portanto, sendo individual a negociação, quando um clube conseguir não dever pra Globo e puder escolher, ele poderá talvez dizer “não” aos X milhões dela. Mas nunca reclamar do fato do outro estar ganhando mais, afinal, é com o aumento de um da mesma classe que se aumenta os demais.

Cada centavo a mais que ganham Flamengo e Corinthians reflete num valor de mercado maior para o produto como um todo. Se até 2005 a camisa valia 8, hoje vale 50. E se vale 50 a do Flamengo, a do Fluminense valerá mais também. Não 50, sempre haverá uma dose de “tamanho de torcida” envolvido neste valor. Mas ganham todos.

Porque não ganham hoje então? Mentira. Ganham. Os clubes ganham hoje muito mais do que ganhavam antes com as cotas divididas. Todos eles, inclusive os que reclamam da diferença. A questão é que o Flamengo ganha 150 e numa negociação onde você deve dinheiro a Globo não tem como peitar, recusar 80 e pedir 120.

Ela, que não é uma ONG e sim uma empresa, vai tentar baratear pra lucrar. E o clube, com rabo preso, não pode barganhar muita coisa.

A Globo não coloca arma na cabeça de ninguém. Os clubes assinam com ela porque querem, porque é vantajoso e porque devem a ela.

Costumo dizer que o mais mediocre jornalista que conheci ficou puto quando seu colega passou a ganhar o dobro dele. Burro, parou de produzir e foi mandado embora. O que entrou em seu lugar entrou ganhando 50% mais do que ele ganhava.

É o mercado. Uma coisa puxa outra. E se os clubes não tem gestão contínua, ou seja, se a cada 3 anos querem deixar tudo fodido pro próximo por politica, não é a Globo ou uma impossível união entre eles formando uma liga que vai resolver.

Esquece.

Ou alguém “compra” o campeonato no Brasil, ou vamos andar em circulos. Ainda que assim nos permita ser o terceiro melhor campeonato nacional do mundo. Imagina se tivessemos rumo.

abs,
RicaPerrone

O futebol lamenta

crutorcida_jf_190513054Lamenta por Euricos, Juvenais, Dualibs e tantos outros. Lamenta por algumas trocas, por algumas “novidades” e especialmente pela falta de sensibilidade ao “evoluir” com ele.

O Galo foi jogar no Independência, o Cruzeiro ficou no Mineirão. Numa lamentável queda de braço entre rivais que deveria ser meramente coisa de torcedor, perdeu a bola.

O melhor Atlético dos últimos 40 anos joga num campinho do tamanho do Canindé. E hoje é bonito, afinal, é “caldeirão”. Dane-se, ninguém vai mais a estádio mesmo. Melhor encolher o tamanho do que a pressão no adversário.

Tudo pelos 3 pontos, um trocadinho, nada mais.

O torcedor aceita qualquer merda como motivação pra adotar algo contra o rival. Se é no Independência, então é “casa”, “dane-se o Mineirão”, “nem ligamos pra história”.  Aliás,… nem gostava de lá mesmo.

O mesmo dirigente que vai a TV e usa a NBA como exemplo de “show” assina um contrato que coloca seu time num lugar menos confortável e sem carisma algum.

O outro vai lá e assina com o Mineirão. Estádio da cidade, que promove eventos, finais, história, cultura!  E quando o juiz apita, ele fica irritado porque tocou o hino do campeão.

Faz uma nota, de cabeça fria, e mostra pra todo mundo dias depois da final que de fato acredita naquilo, não que tenha sido um surto pós derrota.

E cá estou, discutindo se o Mineirão deve ou não tocar o hino do campeão mineiro sendo parceiro do vice.

Como eramos grandes, como estamos pequenos.

Como fomos felizes, como somos covardes.

Não confrontamos mais nossos adversários. Manobramos para nos livrar deles.

Cadê o jogo? O clássico meio a meio, a mera disputa em troca de história e não só de pontos?

O Cruzeiro assinou e publicou sua nova filosofia. A da maioria.

Foda-se tudo. Me dê 3 pontos e nada mais.

Já fomos maiores. Bem maiores.

[colored_box color=”green”]PS pra doente – O texto fala sobre a reclamação do hino, que achei tosca e imbecil. Não falo sobre os demais problemas, não são assunto do post. Portanto, é relevante perceber que ao ouvir alguém reclamar do pão ele não está dizendo que todos os produtos da padaria são uma merda. Nem fazendo uma campanha pra destruirem a padaria. Ai cabe a inteligencia de quem le.[/colored_box]

abs,
RicaPerrone