barbieri

Compreensível última cartada

O trabalho do Barbieri não era ruim. Ainda mais se você considerar que a sindrome da pica sonsa que hoje é o maior problema do Flamengo já passou por diversos treinadores e nenhum reverteu o cenário.

Eu não sei se é justo, sei que é compreensível sua demissão. São 12 jogos, um período onde não é incomum um novo treinador seja ele quem for dar um gás novo ao time.

São 3 pontos. Não tem nada que diga ao Flamengo que o ano acabou. Ao contrário, ele é o único dos líderes considerado “favorito” de véspera e que saiu das competições de mata-mata.

Dorival? Não seria meu nome pra um time em formação.  Para 12 jogos, honestamente, “tanto faz”.  O que o Flamengo quer é o fato novo, não o conceito do treinador.

Eu compreendo a tentativa. E não acho que ela é um erro. É apenas um último chute comum de se dar para tentar o gol já aos 45. As vezes a bola entra. Porque não?

Sem chutar eu nunca vi gol.

abs,
RicaPerrone

É proibido mudar?

O post é baseado no Flamengo, mas honestamente cabe a todos os times do Brasil e talvez do mundo.

O futebol é um mundinho de muito conservadorismo e medo de sair do manual. Se treinadores consagrados não tem coragem de sair da “tendência”, imagine os que não tem bagagem pra segurar o emprego.

Esse esquema tático acima, que pode virar um 4141 conforme o time tem ou não a bola, é a regra há alguns anos. Dificilmente você verá alguém fugir disso.

E então os resultados não surgem, trocam todas as peças do mundo, o treinador, o diretor de futebol menos a porra do esquema tático.

Porque o Flamengo tem medo de tirar alguém dos 4 nomes de peso e voltar mais um volante? Não tá claro que o Diego joga bem mais com o Arão ali do que com o Paquetá?

Porque? Porque ele não tem que ficar recompondo o tempo todo. É a mesma coisa da Copa com Coutinho no meio. Ele estando ali prejudica o Paulinho. Sua função era do lado direito, não ali no Renato.

Veja você que curioso. Como todo time joga assim, é cada vez mais raro a jogada do lateral na linha de fundo. Ele fica pra marcar o “ponta” do outro time. E assim as jogadas vão se limitando a abrir pra ponta e esperar cruzamento ou um volante que chega batendo.

Se é que dá pra chamar os meias de hoje de volantes. Não existe mais isso. Mas você entendeu.

A impressão que eu tenho é que se você colocar um cara nas costas do Paquetá impedindo sua liberdade, dois no centroavante o Flamengo não fará gol nunca mais.  O Paquetá vira volante, o Diego se sobrecarrega e o centroavante não recebe uma bola que não seja cruzamento na área.

É fácil marcar o Flamengo.

Mas como a gente pode aceitar ser fácil marcar Paqueta, Diego, Everton e Vitinho no mesmo time?

Simples. Você pode ter as peças que quiser. Se você sabe exatamente o que elas vão fazer, pouco importa quem são. O futebol hoje é de quem destrói. O futebol privilegia a defesa há anos. E se ficarmos presos a um único sistema de jogo, aí…

abs,
RicaPerrone

As planilhas seguem ok

Outra vez o Flamengo vai a campo sabe-se lá pra que. Talvez pelas premiações por conquistas, talvez pra “não perder”. Quem sabe por mera obrigação de bater ponto.

Mas pra ganhar o jogo não foi.

Ninguém que tem nada a perder e precisa de ousadia para ganhar algo mais pode ser tão previsível, precioso e covarde. O que aconteceria se o Flamengo fosse buscar a vitória?

No ruim, perderia o jogo.

Quanto toquinho de 3 dedos, quanta jogadinha individual. Nenhum coletivo, nenhuma ousadia. O conformismo de quem olha o relatório e vê crescimento de 0,4% e entende que está tudo ok.

O Flamengo virou empresa. Mas empresa nenhuma vende paixão, logo, todas elas são administradas de forma diferente do futebol. Não interessa ao torcedor analisar que há melhora em relação aos últimos 20 anos, embora seja justo dizer isso.

Interessa a ele ver-se representado em campo. É pra isso que gostamos de futebol, não porque é um esporte maneiro. Não a toa a maioria das pessoas diz não gostar de futebol mas sim do seu time.

Times carregam alma, características e personalidade.

Esse aí, de novo, prova que não tem a menor idéia do que representa.

Não perdeu, se classificou, está bem no Brasileiro, contas em dia e vendeu mais um patrocinio. Tem time de E-sports, paga em dia, lança camisa, bomba em canal do youtube e dificilmente será ameaçado por rebaixamento tão cedo.

Mas seu povo olha e não se vê ali. De que adianta?

Ser tão correto, grandioso, bem administrado, em crescimento e rico sem representar a única coisa que faz sentido nessa história toda?

Jogos como os de hoje explicam pra diretoria o que ela não quer ver: não se trata de resultado. Se trata de desempenho, identidade e paixão.

Mas na planilha, houve crescimento. Do não classificado as oitavas ao time que este ano passou de fase. Logo, premia-se, aplaude e segue o enterro.

abs,
RicaPerrone

Novos treinadores: geração pontos corridos

A nova safra de treinadores do futebol brasileiro é ótima. Já cansei de fazer elogios aqui e pedir que os times parem de andar em circulos contratando velhos mediocres com tanta promessa de brilhantismo vindo de baixo.

Eles tem subido, ganhado espaço e melhorado nosso jogo. Mas tem uma característica em comum muito difícil de gostar: eles preferem a bola do que o gol.

A posse de bola é sim o objetivo numero um do jogo. O que você tenta ter o tempo todo é a bola, portanto não se pode ignorar o controle do jogo quando se tem a bola. Mas me parece que dopados pela Guardiolamania, os times brasileiros estão virando especialistas em pontos corridos.

Não há mais o motivacional extra do grande jogo. Eles pensam com a cabeça europeia de que “pago em dia, voce joga, ponto final”. Isso não funciona com latinos. É uma questão cultural e não profissional.

Os times não abafam no final. Não há coração, mas sim muita razão. E não, isso não é um defeito. A total falta do coração é que é.

O ímpeto pelo gol diminuiu. O drible despencou na medida em que “perder a bola” é o que o treinador menos quer ouvir falar. E portanto as jogadas de risco são menos comuns.

Note como vários times de novos treinadores tem características semelhantes nesse sentido. Todos muito organizados, cheios de toques curtos precisos, mas sem alma. Não tem o algo mais.

É tão bem treinado que parecem confiar mais no que foi ensaiado do que no talento. Eu prefiro que seja a maior parte no ensaiado, mas não tão pouco baseado no talento.

Nosso futebol é técnico e apaixonante. Inconsequente pro bem e pro mal. E tirar isso de nós é mais um passo nada inteligente a comparar com o futebol europeu onde, obviamente, perderemos.

O futebol pensado mais do que jogado nos desfavorece. O “craque” brasileiro é favelado, sem estudo, pouco inteligente. O europeu vem da escola, família boa, estudado e com muito mais capacidade de entendimento do que o nosso.

Tem que haver um meio termo. Ou vamos escalar, em 10 anos, a seleção com Enzo, Pietro, Marcelo Augusto, Pedro Paulo, Ramon, Heitor, Miguel e Valentino.

abs,
RicaPerrone