Brasileirão

“Tem que respeitar meu tamborim”

Rubro-negro “não entende”.

Entende, sim. Só finge que não.

A euforia do Vasco é vosso atestado de competência, ora pois.  Divirta-se com ele.

E o jogo de hoje é a redenção de uma torcida, uma lição e um alerta.

Vascaíno está cagando pro ponto. Ele está eufórico pela identidade.

O favoritismo dado ao Flamengo hoje pela mídia é desproporcional a história do futebol brasileiro. Desrespeitosa até.

E ao ver o seu time dizer “aqui, não!”, é muito mais do que 3 pontos.

Não pela bola, que foi ótima no primeiro tempo. Mas pela forma. Atacou, brigou, bateu, apanhou, e em momento algum olhou pro Flamengo como um time inferior.

Era isso que o torcedor do Vasco queria. Só isso.

O rubro-negro queria a goleada. E ao deseja-la esbarrou na história.  Mesma história que tantas vezes impediu suas quedas, hoje impediu um roteiro otimista ao extremo que chegava a pagar 9 em casa de apostas para vitória do Vasco.

Onde estamos? Na Espanha? Em Portugal? Onde que um clássico tem um time com 10% de chances de vencer apenas?

Flamengo sai honrado. O Vasco, honrando.

O nosso futebol, respirando.

RicaPerrone

Em mais uma vitória rubro-negra, Botafogo dá lição aos rivais


Foi por pouco. O Botafogo de fato quase conseguiu a proeza de vencer o Flamengo galático e imbatível de 2019. Chances aconteceram, o jogo foi equilibrado até a expulsão, mas o que me chamou atenção ficou menos no resultado e mais no estádio.

Explico.

Primeiro a mobilização para não dar ao rival, mesmo que por dinheiro, a condição de mandante. Dinheiro é importante mas posicionamento também é. Por isso defendi que Pedro não fosse vendido ao Flamengo e concordo inteiramente com o Botafogo negar aumentar a carga de ingressos ao adversário.

Porque?

Porque o que se viu ontem no Nilton Santos foi um Botafogo extremamente inferior ao Flamengo peitando e se colocando, junto da sua torcida, como um rival deve se colocar.  Coisa que Fluminense e Vasco esse ano não tem feito, especialmente quando colocam um bloquinho de 3 mil torcedores contra 40 do Flamengo no Maracanã.

Clássico você disputa desde as 9 da manhã na padaria.

O Botafogo soube fazer deste jogo desigual um jogo disputado e com chances pros dois lados.

Ah, bateu!

Bateu. Jogou duro. Foi até burro as vezes. O Carli por exemplo terminou o jogo em campo por piedade do árbitro.  Mas existe o artifício da falta, da intimidação e o juiz pra punir. Graças a essa lógica, inclusive, o Flamengo venceu o jogo. Não fosse a força exagerada dos jogadores do Botafogo talvez ninguém tivesse sido expulso.

No 11 x 11 estava bem complicado.

Defendo o direito ao drible. O direito ao pontapé. E a consequência óbvia do cartão. Os três estão no contexto do jogo.

O Botafogo não tem futebol e time pra peitar o Flamengo. Mas ontem teve atitude, ambiente e mobilização pra isso.

Em 4 jogos o Flamengo teve 3 dificuldades contra times ruins. Isso não é um alerta de mau futebol, mas sim de que o foco é a Libertadores já.

Vitórias de time campeão. Não a espetacular, mas a quando você não vai bem. Não estar num grande dia e vencer é sintoma de título.

E o Botafogo, que acho que cai por ter um time muito ruim, ontem mostrou ao menos mobilização e posicionamento de rival, não de time pequeno aceitando o rebaixamento moral de status diante do Flamengo.

RicaPerrone

Na dúvida, olhe pro cometa

As vezes a gente passa tempo demais discutindo o que não precisa ser discutido.  Entre observar um cometa e passar os raros minutos possíveis em vê-lo teimando se “é ou não é”, não vacile: olhe pro cometa.

Eu não sei o que esse Flamengo vai ganhar. Mas sei que isso também não é nem perto de ser “tudo”. Tolo é quem acha que futebol se basta num resultado, numa relevância de um torneio. Pouco entendido até, eu diria.

Basta ver que o coração de tricampeões da América pararam por uma “batalha” na série B.  Que o time campeão do mundo ajoelha até hoje diante de um gol na final do estadual contra um pequeno.

Outro tetracampeão brasileiro chora ao falar do milagre do não rebaixamento. E os maiores campeões do Brasil se apaixonaram por um time que só levou um estadual.

Talvez o Flamengo não ganhe a Libertadores, o que na cabeça megalomaníaca e arrogante de muitos será um absurdo. Talvez ele seja campeão. O Brasileiro é protocolo. Só um absurdo sem precedentes tira o título do Flamengo e me arrisco dizer que bem antes da última rodada.

O que importa neste momento não é exatamente saber até onde vai o cometa, quem o criou, porque está ali e nem quando volta. Mas sim olhar pro céu e registrar na mente algo raro que acontece de tempos em tempos e que levamos os intervalos relembrando.

Quer ouvir contarem ou assistir?

O Flamengo jogando futebol hoje é um cometa. Um time que encaixou como aqueles que citamos no nosso saudosismo diário. Ganhando ou não, falaremos dele um dia.

É competitivo. É inteligente. Parece emocionalmente forte. E é bonito demais de assistir.

Pare de discutir o cometa. Assista-o. Ele demora a passar de novo.

RicaPerrone

Sim, é pra comemorar

O rubro-negro estranha. “Tão comemorando empate?”. O tricolor sorri, porque sim, estamos.

O melhor time do país com alguma sobra técnica para os demais contra um time que teve um dia com o novo treinador em crise. Se perdesse de 1×0, 2×1 eu já estaria aliviado. Empate? Porra…

É o que dá. Mas não acostuma. O SPFC contratou um treinador que gosta de futebol, portanto a tendência é que em breve a última coisa que esse time vá fazer é se acovardar.

Hoje podia. Tinha alvará.  Há anos o SPFC não preza por futebol. Tal qual o Flamengo em diversos momentos da sua história conturbada onde um empate poderia render até um não rebaixamento. Faz parte.

Hoje no alto, mas ainda sem a coroa, o Flamengo é o time a ser batido.  E a soma disso com uma reprimida demanda megalomaniaca de décadas esperando por esse momento causa certa euforia perigosa.  O adversário do Flamengo, hoje, é a ejaculação precoce. Fora isso, nada vai detê-lo.

Ao SPFC cabe reerguer. E sim, eu sei o que você pensou com essa frase após ler sobre ejaculação precoce.

Fato é que hoje não teve. E se não teve justo no improvável duro encontro com o cabisbaixo São Paulo, há sim que sair do Maracanã feliz.

Tu quer o “mundo de novo”. Nós, hoje, só a vaga na Libertadores.

RicaPerrone

O inexplicável Fluminense

Jogos de puro massacre. 200 chances de gol, 900 finalizações, euforia da torcida, e derrotas. A bola não entra.

Troca-se o treinador. A torcida reclama.

O futebol cai de produção consideravelmente. O rebaixamento bate à porta. No jogo seguinte, fora de casa, o Flu não pressiona, não joga daquela maneira que jogava e é, inclusive, inferior ao adversário. Algo que não acontecia em jogo quase nenhum.

Faz um gol e vence.

Nessas horas eu me lembro que futebol não tem lógica, e o Fluminense desafia até mesmo o futebol.

Dirão precipitadamente que é melhor assim. Outros entenderão que foi um golpe de sorte. Muitos irão ponderar a boa frase que Fernando Carvalho, ex-presidente do Inter me disse uma vez: “Ou você tem a bola ou espaço. Os dois não existe”.

E o torcedor dirá que prefere assim. Vencendo.

Como se jogar mal fosse premissa de 3 pontos e bem um risco de derrota iminente.

Se tivesse lógica nem haveria campeonato.

O Fluminense inexplica o futebol.

RicaPerrone

Céu

Flamengo e goleiro só se elogia quando acaba. Os dois podem nos fazer quebrar a cara com algum “frango” improvável. Mas, na teimosia que me acompanha, vamos aos elogios ao futebol rubro-negro.

Bem jogado, controlando jogo, assumindo protagonismo. É a mesma tese do Sampaoli, só que com time pra fazer isso.

Ele costuma dizer que não importa como, mas time grande tem que assumir protagonismo. Tem que ter a bola, tomar iniciativa e buscar o gol.

Jesus pensa igual, pelo jeito.

Claro que não farei comparação. Um está ali porque disputa só aquilo, mas com os méritos de não ter um grande time. O outro tem um time que obriga qualquer um a disputar o campeonato. O que encanta é o protagonismo em campo. O prazer pelo gol.

“Futebol é resultado” é uma frase comum, verdadeira e um tanto quanto rasa.

Futebol é ídolo, paixão, pretexto, resultado e expectativa.

O Flamengo tem ídolo, uma torcida apaixonada, “resultados”, gera expectativa de algo ainda maior e pretexto pra toda e qualquer roda de bar nesse Rio de Janeiro.

O céu e inferno, lembram? Então. Se o inferno queima, o céu lá também merece ser muito mais azul.

RicaPerrone

VAR: Raniel merecia expulsão?

 

A imagem é de um jogador cometendo uma imprudência, no máximo. Ele não vê o jogador do Vasco, está olhando pra bola e portanto é óbvio que não há agressão.  Ainda recua a perna quando vê que vai atingir o vascaíno.

Se não há agressão, não deve haver o VAR. E constatando em 50 minutos perdidos olhando as imagens era pro juiz marombeiro ter entendido o óbvio: Se nem ele e nem os colegas com o vídeo chegavam a uma conclusão é porque não foi uma agressão

Assim, sendo, amarelo e fim de papo.

Errou.

RicaPerrone

 

Espera-se muito mais

O ano do Flamengo não é fácil. Ao contratar um timaço e no meio do ano ir buscar um “renomado” treinador portugues caríssimo, espera-se dele o que não se espera de mais ninguém.

A cobrança cresce desproporcionalmente na medida em que isso acontece num time de massa onde o “8 ou 80” é regra. A fase de esperar está no limite. O torcedor do Flamengo quer resultado e com alguma razão em virtude do cenário.

O resultado contra o Emelec lá foi fruto de uma dose de azar. O de cá, nem tanto. Embora não tenha sido pênalti, o time tenha passado o segundo tempo quase todo jogando de igual pra igual.

A eliminação na Copa do Brasil, “a grama”. Não foi só isso, pois houve jogo no Maracanã. O 3×0 do Bahia também não pode ser ignorado, é uma puta derrota.

O problema talvez seja essa mania de ter que estar lá ou cá. Ou você acha Jesus, Jesus. Ou acha ele uma enganação. E não é uma coisa nem outra. Apenas não há revolução alguma no futebol do Flamengo ainda.

Melhorou? Algumas coisas. É uma curva ascendente notável? Ainda não.

Esse Flamengo que optou por comprar um sonho ao invés de construí-lo é uma tentativa ousada de brigar com sua história. E mesmo vivo em dois campeonatos, em momento algum o torcedor se convenceu do que está vendo. E já estamos em agosto…

Tá na hora de firmar um padrão, uma postura e alguma regularidade.

RicaPerrone

Entre o espaço e a posse

Outro dia estava conversando com o Fernando Carvalho, ex-presidente do Inter. Ele me disse uma frase que resumiu algo que eu não conseguia separar tão bem em palavras:  “no futebol você tem a bola ou o espaço”.

Sim, é isso.

O Fluminense opta pela bola. Todo time grande opta por ela. Mas tendo o tempo todo o adversário estará quase sempre organizado defensivamente. Pra passar por isso hoje em dia ou você tem um Messi ou um puta time. O Flu não tem nem uma coisa, nem outra.

A posse de bola no Brasil é defensiva. Pra não dar a bola pro rival. Mas é retomando e usando velocidade que você encontra espaços. O Fluminense tem um estilo de jogo que não lhe deixa qualquer espaço.

Sufocar o adversário é bom até a página dois. Ele está plantado. Posicionado. Não a toa das lendas do futebol a maior delas se chama “escanteio”. O lance de perigo menos perigoso do mundo estatisticamente e que ainda causa alguma expectativa quando acontece.

Zaga postada é muito difícil de superar. O Fluminense é lento, não toca a bola rápido pro gol pois isso lhe dá a chance de perder a posse mais rapidamente. Logo, me faz pensar se não é mais uma “posse defensiva” disfarçada de pressão.

Fato é que em casa, desse jeito, a história será repetida sempre. O rival se posta atrás, o Flu tem a bola e não fará nada com ela. Num contra-ataque ainda periga perder o jogo.

Ou mais veloz, ou menos posse e mais contra-ataque. O Fluminense joga bem, eu gosto de ver, mas é preciso reconhecer que pra usar esse sistema e ganhar ou você “obriga” o adversário a sair de trás, ou você tem um timaço.  Nos pontos corridos ninguém é obrigado a sair de trás.

Então… talvez seja hora de mudar um pouquinho a estratégia sem mudar a característica. É a bola ou o espaço. Os dois, só jogando contra crianças.

RicaPerrone