
brasileirão 2014
Ainda não!
Por mais teimosa que seja a matemática, neste caso ela ainda sobrevive sobre a praticidade dos fatos.
O São Paulo venceu o Palmeiras e negou ao Cruzeiro o título, ao Verdão o alívio.
Uma atuação de força e oportunismo. Sendo pressionado no segundo tempo mas com uma diferença de qualidade técnica entre os dois times que chega a ficar desagradável chamar de “clássico”.
Mas era. E com o 2×0 o São Paulo mantém 4 pontos atrás do Cruzeiro, que joga quinta contra o Grêmio lá, jogo que considero o mais difícil do returno pra eles. Em seguida, o São Paulo decide contra dois times de férias. O Cruzeiro, contra apenas um.
A tendência natural é que seja mais complicado pro time mineiro, mas ainda assim são 4 pontos e mais do que isso, o saldo, o número de vitórias, e portanto uma diferença que obrigatoriamente tem que ser de 5 pontos. Se tirar os 4 o São Paulo não ganha o campeonato.
O Palmeiras, com 39, volta a rezar. Mas relaxa, das 4 restantes, 2 de férias. Se não fizer os 6 pontos contra time que joga pra cumprir tabela é brincadeira.
É iminente o não rebaixamento do Palmeiras, tal qual o título do Cruzeiro. Mas ainda não foi dessa vez que deu pra confirmar.
abs,
RicaPerrone
“Quase” tudo errado
Para pouca gente Fluminense e Botafogo jogaram a vida em 2014 no Maracanã. Tão frustrante quanto o público, o futebol. Mais do Flu, vencedor, do que do Bota, o vencido.
A decisão de Maurício em afastar o trio há cerca de um mês se mostrou errada. Simplesmente porque nos últimos dois jogos o Botafogo não precisava ter perdido. Dava pra ter ganhado do CAP, dava pra ter empatado com o Flu, pelo menos.
De todos os cenários possíveis o mais real era um ataque x defesa do Flu contra o Botafogo. Mas por incrível que pareça o time mais técnico resolveu jogar pelo alto, fazendo chuveirinhos por 90 minutos e igualando a condição dos dois times, já que não é preciso muita qualidade pra “saltar”.
E desta forma, acredite, o Botafogo teve duas bolas pra marcar e mudar o jogo. Talvez até ganha-lo. Numa o Carlos Alberto quis aparecer no Fantástico, na outra o jogador que nem me recordo escolheu chutar ao invés de tocar de lado pra um dos atacantes livres na cara do gol.
Uma hora uma cabeçada vai pro gol. E o Flu encontrou num de seus cruzamentos a cabeça de Edson e os 3 pontos que o mantém na zona de cobiça pela Libertadores, enquanto joga o Botafogo num domingo desesperador onde só rezar é opção.
Campo molhado, ninguém chuta. Time mais técnico, e só cruza. Time mais limitado, por uma bola, a encontra, e brinca na hora de marcar.
Fizeram tudo errado. Mas o Fluminense é tão melhor que o Botafogo hoje que nem assim houve uma surpresa.
Deu a lógica.
abs,
RicaPerrone
Quem deu mais “sorte”?
Dizem que o Brasileirão de pontos corridos é justo. Eu acho mais injusto do que um apito amigo aos 44 no mata-mata. Mas, enfim, é tese pra 4 horas de discussão. Na medida em que chega o final do campeonato esperamos pra ver quem vai pegar mais times de férias e assim definir o título, a vaga, o rebaixamento.
Antes que isso aconteça, vou divulgar um levantamento interessante que mostra contra quem seu time jogou no campeonato.
Você logo pensa: Contra os mesmos de todos, ué?
Sim. Mas em que circunstancia? O Gremio terceiro ou o Grêmio décimo tu enfrentou? O Flamengo lanterna ou o nono colocado?
R
odada a rodada, uma estatística de contra qual posição do campeonato seu time jogou. E assim, por mais que seja obviamente apertada a margem, temos o caminho mais fácil e o mais complicado.
E após 33 rodadas, o time que teve um caminho mais simples foi justamente o líder Cruzeiro. Não que seja regra, afinal, o de tabela mais complicada não é o lanterna, mas um dos que mais sofrem pra entrar e ficar no G4: o Fluminense.
Na tabela ao lado você confere a posição média que cada time enfrentou até aqui. Ou seja, o Cruzeiro enfrentou em média o décimo primeiro colocado. O Fluminense, o nono.
Essa forma de ver a tabela também pode ser reavaliada com simples diferencial de adversários no G4 ou no Z4. E para esta tabela, pouca coisa muda em relação a primeira.
Temos aqui uma clara “vantagem” a Palmeiras, Inter e Cruzeiro, que enfrentaram mais times na zona de rebaixamento.
Mas também não da pra considerar tão absurdo o Cruzeiro ter só 4 adversários no G4 sendo que pra ele é G3, já que é parte dele o tempo todo quase.
Nota-se o mérito do São Paulo, que teve um caminho complicado. Talvez o mais complicado entre os que lutam por título.
Enquanto o Corinthians faz companhia ao Cruzeiro na tabela com menos “problemas” contra times do G4.
Avalie os números e entenda que, conforme for daqui pra frente, com entregas, times de férias e outros motivados, o campeonato de pontos corridos pode e tende a ser definida por resultados fabricados e não naturais.
Mas enquanto o Brasil enxergar o futebol como uma busca por justiça e não entretenimento, seguirá devendo e não entendendo porque dá prejuizo.
abs,
RicaPerrone
Sí, se puede!

O final do Brasileirão 2015 parecia ser mais um daqueles para cumprir tabela com o campeão já consagrado antes da hora.
Mas não será.
E não porque esse ano não haverá entrega-entrega, pois haverá. Mas porque a decisão da Copa do Brasil mudou o rumo do Brasileirão.
Veja você, que ironia. O São Paulo “pode” perder a Sul-americana. O Cruzeiro não pode perder a Copa do Brasil.
Perdê-la significa ser coadjuvante na própria festa em caso de título brasileiro. Terão perdido o maior clássico e a maior final da história entre ele e seu rival. Dezembro será alvinegro mesmo que o Brasileirão termine azul.
Por mais que alguns digam que “não, prefiro o Brasileirão”, é apenas uma mentira daquelas que contamos com medo de assumir o tamanho de nosso desejo. O famoso “nem queria mesmo”.
Se fizerem uma votação secreta entre cruzeirenses mandando eles escolherem entre ganhar um dos dois campeonatos, 94% deles escolherá a Copa do Brasil.
Se a votação for aberta, 94% dirá que o Brasileiro, já arrumando álibi para uma eventual derrota na final.
Ele nunca vai admitir isso, é óbvio! Seria um recibo intolerável pelos seus iguais. Mas o Cruzeiro experimenta agora o doce sabor de ter jogado um ano de forma brilhante para definir tudo em 180 minutos.
O São Paulo pode perder. O Boca e o River não são zebras e nem rivais diretos. Será só “mais uma derrota”.
O Cruzeiro joga as últimas rodadas do Brasileirão pensando na Copa do Brasil. O que não significa que vá perdê-lo, é claro.
Mas significa que não é mais sua prioridade desde as 23h51 de quarta-feira, quando soube que enfrentaria o maior clássico de sua história.
E portanto, se “tirar a diferença” era um sonho distante e pra muita gente “impossível”, hoje não é mais.
Temos uma briga pelo título sim! Em virtude de outro, é verdade. Mas temos.
abs,
RicaPerrone
Irretocável

Um Grenal me parece sempre algo que não posso compreender por completo. Algo que diz respeito apenas aos envolvidos e que qualquer tentativa externa de dimensioná-lo é em vão.
Pois eu diria que se um tricolor pudesse escolher como seria o Grenal de hoje não teria feito tão bem quanto os fatos.
Caiu um tabu, devolveram a goleada, tiraram o rival do G4, entraram nele, deram chapéu no craque rival, tiraram o sujeito do sério e tudo isso numa reta final de campeonato.
O time que não fazia gols fez 4. O “técnico ultrapassado” está em terceiro, dirigindo um time que os mesmos especialistas que o sacrificaram rotularam de “comum” pra baixo.
No final do jogo me diverti com um narrador dizendo que era “uma pena” a troca de empurrões e o clima quente. Ora, meu caro! Você está muito enganado! Grenal sem empurra-empurra tinha que ser anulado por fraude!
Dos estonteantes 90 minutos onde o Grêmio jogou o que sabia, o que não sabia e o que o Inter não imaginou enfrentar ao último sopro do árbitro, não há Grenal amistoso. E se houver, foi ruim.
Felipão comemorou aniversário vendo um time seu tendo uma das maiores atuações que me recordo. O Grêmio não errou nada! Ao contrário, acertou tudo que tentou e teve o absoluto controle do jogo desde o primeiro minuto.
Um 4×1 não profetizado nem pelo mais apaixonado tricolor, menos ainda pelo mais depressivo colorado.
Um jogo pro Inter tentar esquecer. E pra gremista não deixar que esqueçam.
abs,
RicaPerrone
Exército sem armas

O roteiro é de cinema, mas nem sempre a vida ignora o óbvio para nos dar uma linda história de superação. A maioria das pessoas que estão perto da morte, morrem. Os raros casos que a evitam viram histórias incríveis.
O Botafogo tenta escrever uma história incrível. Seus homens lutam com toda a dignidade do primeiro ao último minuto tentando evitar a queda. Mas é um exército sem suporte algum.
Não tem armas, apoio, condições, sequer o mínimo combinado para o cumprimento de suas tarefas.
Estes sim, hoje, podem dizer que fazem “por amor à pátria”.
A guerra tende a ser perdida. E com todos os motivos que justifiquem a derrota, fico realmente comovido de ver o tamanho da luta dos comandados, pagando sozinhos pelos erros dos comandantes.
Se com todos os soldados é quase impossível, com um a menos é batalha perdida.
Não, eu não acredito que o Botafogo consiga escapar esse ano. Mas o meu senso de justiça é conflitante e ao mesmo tempo que entende ser merecido o rebaixamento pelas enormes “cagadas” administrativas na temporada, também pondera o esforço desse time que nem é “pago pra isso”.
Ainda dá. Cada vez menos, mas ainda dá. E honestamente, se fosse Botafoguense, seja qual for o final dessa história, faria questão de agradecê-los indo ao Maracanã mostrar que não é “por ninguém” essa luta.
Mas sim por um monte de gente que, tal qual o próprio clube, as vezes desiste antes do fim.
Ainda não acabou.
abs,
RicaPerrone
Guerreiros com guerreiros…

Em 2009 o Fluminense passou por cima de todas as suas limitações e através de muita luta conseguiu permanecer na série A. Seu coadjuvante do último ato foi o Coxa, que hoje busca “milagre” parecido, ainda que mais real do que aquele.
O Couto Pereira recebeu mais água do que deveria. Cristovão escalou errado, consertou cedo, mas ao sofrer o gol e perder um jogador por contusão ficou preso com apenas uma troca nas mãos. Que aliás, demorou a usar e usou mal.
O Coxa é aquele Flu de 2009, que corre, se mata, não tem vergonha de dar chutão mas que não aceita a queda. Lá, como cá, tem dado certo.
O Fluminense podia ter vencido pelo melhor time que tem. Mas entrou perdendo o meio, consertou perdendo o ataque. Quando precisou, colocou a velocidade e não a boa finalização do Sobis.
Cristovão enxergou um jogo diferente do que aquele que aconteceu no gramado. E o Flu sai com uma derrota que não chega a ser zebra, mas que não era “inevitável”.
Inevitável é não reconhecer o esforço do Coxa pra evitar a queda anunciada. Isso sim é notável neste sábado.
abs,
RicaPerrone
Entre os grandes
E se apenas os jogos entre os 11 grandes (Vasco está na série B) fossem computados? Saberíamos quem anda batendo em bêbado e quem anda, de fato, ganhando de gente grande?
Pois aí está. Por pontos ou aproveitamento, pouco muda. Só o Inter que estaria em quarto fosse ordenado por aproveitamento. Mas é relevante notar que:
– O Palmeiras é o que tem pior campanha
– O Cruzeiro seria apenas sexto por aproveitamento
– O SPFC joga apenas mais 3 contra grandes, enquanto Inter enfrenta 5. O Cruzeiro, mais 4.
– O Santos faz péssima campanha entre os grandes
– O São Paulo é o melhor no confronto entre os grandes

abs,
RicaPerrone
