brasileirão 2014

5 bolas dentro!

Foram duas com 5 minutos, mas o jogo já estava 1×0.

Quando a diretoria do São Paulo teve seu jogo marcado para segunda a noite, horário nobre pra entretenimento em muitos países, não pensou duas vezes e colocou ingressos a 5 reais.

“Porra mais que absurdo…!”. Não, absurdo é jogar pra 5 mil pessoas e insistir no preço.

Quanto vale a óbvia vitória contra o Goiás numa segunda a noite onde paulista nenhum chega no estádio sem 1 hora de transito mesmo se morar na esquina?  Vale bem pouco.

Porque o mes do ppv vale em média 1 ingresso de brasileirão. E os clubes, burros, não percebem que há um abismo entre o que vale o show e o quanto querem cobrar.

É jogo pra 10 reais mesmo. E assim, recebendo 30 mil pessoas (10 na hora dos gols, é verdade)  o Tricolor já tinha 3 bolas dentro aos 5 minutos.

Jogo resolvido, toque de lado, administrando a parte física de quem joga quinta e domingo. Outra bola dentro, fez do jogo um treino leve.

A quinta, pra não deixar o jogo muito chato no segundo tempo, foi de Alan Kardec. E então, os gritos de “olé”.

Não é uma causa perdida. Faltam 7 jogos, dos quais alguns serão confrontos contra times dispostos a entregar o jogo, outros não. Depende muito da sorte também pra ser campeão de pontos corridos. E essa aí não dá pra prever.

Quem sabe?

abs,
RicaPerrone

Acaba logo com isso!

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O fim.  O objetivo de todo botafoguense, dia após dia, é o fim.  Da atual administração, dos jogos, do campeonato, do ano, do sofrimento e da dúvida.  Seja um final triste ou feliz, que logo acabe.

Quando a bola entra, antes mesmo de comemorar, se olha pro relógio pra ver “quanto falta”.  E falta muito ainda pra poder respirar.  Sabendo disso, as semanas do botafoguense tem tido no mínimo 20 dias.  Nunca chega o próximo jogo, imagine o final dele.

Quando a bola rolou em Manaus hoje o rubro-negro se divertia na rara condição de franco atirador. Com reservas, focado na Copa do Brasil, o time foi sem peso e ainda assim, por Flamengo ser, havia fé na vitória.

O desespero de uns, a diversão de outros tantos.

Quando seu time está na situação do Botafogo você não sabe se torce pra ser logo rebaixado ou se pra levar o drama até o último jogo.  Lá, se der errado, a dor será infinitamente maior do que se administrada em doses homeopáticas desde já.

Mas não tem escolha. Quando a bola rola seu coração sobrepõe a razão e lá está você, de novo, quantas vezes precisar, rezando pra santos que sequer acredita em troca de uma vitória que lhes dê fôlego pra continuar.

Um drama. Mais 7 dramas, talvez, na melhor das hipóteses.

E o “morto” se recusa a morrer.

Outro dia anunciaram, num surto administrativo e conflitante, que havia morte cerebral.  Mentira.

O morto abriu os olhos e sorriu.

Hoje, conseguiu falar.  Em algumas semanas estará em pé ou sendo velado.  E como todo drama, a família vai sofrer junto até o último minuto do lado de fora.

Desacreditado por especialistas, vive o Botafogo. E sabe-se lá como.

Não havia remédio pra cura. Mas sempre houve fé.

Um milagre?!

Não. É “só” futebol.

abs,
RicaPerrone

Rindo de quê?

São anos de muito sofrimento para a torcida do Palmeiras que, esperamos, acabem com a nova Arena que vem aí.  Neste período aprende-se muito e normalmente até aumenta sua paixão, já que é preciso defende-lo.

E então a bola rola e por 90 minutos o Palmeiras é melhor que o Corinthians.  Por esforço, atenção, seriedade, vontade.  Acima do que se espera dele, o Palmeiras flertou com uma coroação de uma retomada.

Do outro lado o time do “tanto faz” parecia fazer o menor esforço possível para, quem sabe, se desse, empatar o jogo. É assim esse Corinthians sonolento que não vibra com nada e se apresenta insistentemente  abaixo do que deve.

Aos trinta e tralalá o Valdívia resolve debochar, fazer cera, chamar a torcida e ficar se jogando no chão.  É a risadinha final do vencedor que não venceu ainda.  Contra um morto que ainda respira.

Danilo, nascido para protagonista, resolve acertar um lance no final e o que era uma festa certa vira um empate injusto, melancólico e invaiável.

Palmeiras foi melhor.  Tão melhor que em determinado momento acreditou que de fato era mais time. Mas não é. E num surto de técnica que os separa, Danilo riu por último, e melhor.

abs,
RicaPerrone

Momento difícil

Eu não assisti ao jogo do Cruzeiro hoje. Mas quando cheguei em casa e liguei a TV um jogador que nem me lembro qual falava do “momento difícil” que o time está passando.

Eu quis agredi-lo por um minuto, confesso.

E se eu fosse botafoguense, palmeirense, torcedor de outro grande clube qualquer de que fato vive uma fase complicada, teria sentido uma inveja quase irritante.

Entro no twitter e leio cruzeirenses discutindo “o que está havendo”, afinal, onde já se viu um time liderar 30 rodadas e faltando 8 estar apenas 7 pontos na frente do segundo campeonato sendo este o mais equilibrado campeonato do mundo?

Eu pergunto a você, cruzeirense preocupado:  tu não tem o que fazer, não?

Vai arrumar uma unha encravada, uma gripe, uma diarréia.

“Contra tudo e contra todos!”, “Eles não querem que sejamos campeões!”, “Vai ser duro mas vamos conseguir!”, “Nada é fácil!”, são algumas das frases fantásticas que encontrei por ai.  Todas elas tentando transformar em heróico e emocionante algo que os méritos do Cruzeiro transformaram em fácil e homeopático.

Ô cruzeirense, tu tá com a Juliana Paes e a Isis Valverde na cama e reclamando que não sabe ainda qual vai querer.

É foda. Vai que depois uma delas se apega e fica ligando, né…?

abs,
RicaPerrone

Um Flamengo do Flamengo

É quarta-feira, 19 horas e o Rio de Janeiro está parado. Quanto mais me aproximo do Maracanã, mais nervoso fica o trânsito.  Eles querem chegar, se atropelam, empurram, correm, é hora de Flamengo.

Eu chego em cima do jogo. Quando encontro o dono do ingresso que usarei pra entrar, a bola já rolava. Subimos as ladeiras intermináveis do Maracanã conversando e ouvindo as primeiras reações da torcida rubro-negra.

Logo quando chegamos no final da rampa, um “gol”. Um grito longo acompanhado de festa e música.  No mínimo, pênalti.

Porra nenhuma. Era Paulo Victor tirando um gol certo de Nilmar.  E neste ambiente entramos para ver mais uma apresentação de um novo Flamengo.  Um time que não encontra referência, que é celebrado a cada atitude, e que joga acolhido por uma gente disposta e perdoar qualquer passe errado, desde que haja um pique para retomar a bola em seguida.

Essa mesma torcida vibra com os cortes de Samir, com arrancadas de Léo Moura e com carrinhos sem nenhuma classe de Márcio Araújo.

Se não prestar atenção vai se assustar com uma reação coletiva de festa numa bola qualquer perdida na intermediária. Não é gol, é um carrinho.  E que carrinho!

Gabriel é a cereja de um bolo muito bem recheado. De um Maracanã que se tornou evento, que conta com aquele povo desde o primeiro minuto e conseguiu fazer dele um jogador de linha fundamental.

Esse Flamengo não tem nada demais. Não bastasse o fato de ser Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Um “final” de campeonato

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Era 20 do primeiro tempo, por aí.  O Sport perde a bola na intermediária ofensiva, o Botafogo retoma, joga na frente e corre em contra-ataque pro gol.  Num ritmo fora do comum, numa objetividade digna de 44 do segundo tempo com o placar contra.

O Botafogo joga os últimos 10 minutos de uma derrota durante 90.  E talvez este seja o caminho de evitar a até aqui provável queda para a série B.

Não exatamente pelos pontos, mas pela tabela, pela crise, pelos salários, pelo time em si.  Não sei te dizer se “merece”.  Sei que tentam a todo custo, em campo, merecer ficar.

E hoje, de novo, não mereciam perder.

Jobson correu feito um desesperado até não ter mais pernas. E ainda que sem elas, continuou correndo.  O time do Botafogo tratou cada bola dominada como uma chance e até chegou a criar algumas. Mas fez de todas elas a “última bola”.

Não será a última, mas eles também não podem prever qual será a determinante.  Assim sendo, arriscam, se doam e merecem a sua presença e apoio nessa reta final.

É muito difícil diagnosticar qualquer coisa num clube cuja hierarquia básica (salários) não existe mais.  Mas não é difícil acreditar que esse time que vive aos 44 do segundo tempo possa fazer o “gol salvador” ainda que nos acréscimos.

Esse Botafogo não me dá prazer em ver jogar. Mas de alguma forma me comove.

E torço pra que o suor dos jogadores possam merecer mais a permanência do que as decisões da direção do clube merecem a queda.

abs,
RicaPerrone

Hoje não

Contra o Cruzeiro o Corinthians fez um jogo tático incrível, controlou o que fazia em campo, teve a bola, venceu com méritos estratégicos.  Hoje, apesar da euforia que os retira da situação desconfortável que viviam hoje até as 16h03, não acho que tenha sido um resultado justo.

Em momento algum o Corinthians tentou jogar bola, agredir o adversário ou sequer se interessou em ter a bola nos pés. Achou o primeiro gol num momento “manja-balão” da zaga do Inter e desde então enfiou 11 atrás.

Não acho que seja uma regra que todo time grande deva jogar no ataque. Mas não sirvo pra nada se o placar dos jogos disser tudo que você deve saber sobre eles.

O gol do Gil, outro lance isolado. E dali pra frente um ataque x defesa dos mais sem vergonha já registrados no novo Beira-Rio.

Longe de dizer que o Inter tenha feito uma grande partida e merecido uma grande vitória. Mas afirmo tranquilamente que se a cobrança da torcida alvinegra era por postura de time mais corajoso, o 2×1 de hoje não mudou em absolutamente nada a avaliação que feita até aqui.

Sou capaz de chamar o resultado de hoje de “achado”.  Mas isso é como um biquini. Mostra tudo, menos o que interessa.

E o que interessa é que foi 2×1 pro Timão.

abs,
RicaPerrone

Me dê motivos

Não me responda com uma frase feita.  Eu sei que “aqui é Flamengo” e que “Flamengo é Flamengo”.  Mas sei também que toda ação em massa de uma torcida tem sempre um “porque” escrito na testa de cada torcedor.

Se vai cair, comparecem pra empurrar. Se está pra subir, comparecem pra ajudar.  Se está em alta, comparecem pra comemorar. Mas só tem uma situação que não comparecem de forma alguma ao estádio: Na zona intermediária da tabela.

O Flamengo flutua entre décimo e décimo quarto há mais de 1 mês.  Não luta pra G4, nem fica perto de rebaixamento. Uma rodada apenas os deixou próximos novamente, mas logo foi afastado fantasma.

Eu fico olhando aquele povo todo, sem promoção de ingressos que justifique, e não consigo entender.  Acho que é a primeira vez que não consigo entender o porque de uma mobilização tão forte de uma torcida a troco de porra nenhuma.

Ninguém na arquibancada está falando em “escapar”. Menos ainda em G4.  Estão indo lá ver o Flamengo, torcer, vibrar, se exaltar, sair de lá de boca cheia dizendo que a torcida faz diferença e nada mais.

Sabe quais os resultados do Flamengo nos últimos 10 jogos, ou seja, desde o Flamengo x Gremio onde tinha 52 mil pessoas no Maracanã?

Duas vitórias, três empates e quatro derrotas.

Porque diabos tem média de 43 mil por jogo desde então?

Dos mistérios do futebol, esse é um dos raros que ainda ninguém soube responder.  Pois o Maracanã está lá há 1 ano, não é uma novidade pós copa. O time segue apenas razoável. A situação na tabela muito parecida, sem perspectiva alguma. E os preços, iguais.

Me pergunto então, mais uma vez: Porque vocês estão ali?

Eu sei que é seu maior prazer.  Na terra, neste caso. Mas, continuem! Está lindo de ver.

abs,
RicaPerrone

Chupa, botafoguense!

torcida-do-botafogo-festeja-no-engenhao-durante-partida-contra-o-cruzeiro-pelo-campeonato-brasileiro-1319924100411_300x30Confessa! Eu sei que você não acreditou até o juiz apitar.  Eu posso apostar que com esse time sem salários, com 4 demitidos, com as duas derrotas seguidas e o Corinthians que bateu o Cruzeiro, nem no seu íntimo delirante você acreditou que poderia.

Quando o juiz deu pênalti, você pensou: “Só falta errar…”.

Quando entrou, você pensou: “É cedo, eles empatam”.

Quando deu o intervalo, você pensou: “É, mas o juizão vai querer dar um pênalti pra eles…”.

Quando o terceiro goleiro fez o décimo milagre dele no jogo, aos 43, você pensou: “É a cara do Botafogo tomar esse gol no fim…”

E não minta! Você pensou tudo isso e duvidou da vitória até ela ser inevitável.  Talvez porque o Botafogo faça de tudo pra que você duvide dele, talvez porque sua fé seja insuficiente.

Mas hoje, diante de uma atuação memorável de quem sequer jogou bola, o Botafogo calou a boca de muito botafoguense já rebaixado.

Evitar a queda é muito difícil.  Não receber salários e correr por mera vergonha na cara é quase assustador num futebol como o atual. E você, botafoguense? Vai duvidar mais 10 rodadas ou tentar fazer parte da reação que eles estão propondo comendo grama?

O Corinthians foi mero figurante hoje. Qualquer time do outro lado perderia o jogo por 1×0, suado, sofrido, com goleiro na área no último minuto. Foi assim que o Botafogo determinou que seria.

Eu não sei o que é ser botafoguense, mas desconfio. Sei que algumas torcidas já evitaram rebaixamentos junto de seus times e acho que há um convite no ar.

Aceite-o, botafoguense! Não venda barato outro rebaixamento.

Morre, mas morre atirando e não correndo.

abs,
RicaPerrone