brasileirão 2014

Quem disse que acabou?

Eu, você, quase todo mundo. Na verdade estamos “encerrando” o campeonato toda quarta e domingo há pelo menos 2 meses.

O Cruzeiro e o Corinthians tiveram um confronto desfigurado pela entidade que organiza o futebol nacional. É inacreditável, mas ao mesmo tempo bastante compreensível já que os clubes reelegem os mesmos caras lá toda eleição. Logo, estão satisfeitos.

Sem seus principais nomes, restava o padrão de jogo. E exatamente onde todo mundo imaginou uma superioridade cruzeirenses, veio a segunda derrota em casa no campeonato.

Justo contra o time que não ganhava fora, sendo você, Cruzeiro, o time que menos sente desfalques.

Futebol é foda.

Desculpe, é que não há outra palavra pra descreve-lo.  A lingua portuguesa ainda não criou um termo tão perfeito, então segue esse.

E sábado, quando venceu o Inter, “acabou”.  Hoje, ao perder pro Corinthians em casa, “ainda não acabou”.

E amanhã, se o Inter tropeçar, acaba de novo.

Até domingo. Onde o campeão Cruzeiro saberá se já é campeão até quarta-feira o se, enfim, será colocado no patamar dos meros mortais.

abs,
RicaPerrone

2×0 pra “eles”

Não, não tô maluco. Eu vi o jogo, sei que o placar não foi 2×0.  Me refiro aos dois jogos do Fogão após a “loucura” do presidente em afastar 4 titulares em meio a uma crise pesada.

Com toda sua torcida contra, correu o risco de ser o salvador ou o vilão do rebaixamento.  Não entendi os motivos, até porque não houve explicação. Mas em campo, contra Vitória e Palmeiras, mesmo aplicado e correndo até o fim, o Fogão perdeu as duas.

Nessa guerra travada entre diretorias e torcidas, a do Palmeiras terá uma trégua.  Mas não porque funcionou e sim porque venceu 2 partidas que não podiam vir em melhor hora.

Quando se falava em “fazer uma loucura” pra evitar a queda, a diretoria negou. Disse que ia com o tinha, e que bastaria. Hoje, basta.

Ao contrário do Botafogo, que tinha um time até suficiente pra evitar a queda e o desfez por conta própria.

Das soluções encontradas, 2×0 pra “eles”.

“Eles”, o Palmeiras.

Mas ainda tem jogo. Muito jogo.

abs,
RicaPerrone

O momento ruim

Ruim. Com 5 jogos sem vencer, de novo ameaçado pelo rebaixamento, mas ainda assim, previsível.

A classificação Planejada, sucesso no blog há alguns anos, indicava neste exato momento da tabela o mais complicado para o Flamengo. E foi exatamente o que aconteceu.  Ainda que com bons resultados contra Palmeiras e São Paulo, ambos fora de casa, o time carioca enfrentou sua pior sequência.

Contra o Santos, em casa, a perspectiva era outra. O que tornou quase obrigação vencer Figueirense, Chapecoense, Criciúma e Vitória. Ainda assim, vencendo estes jogos “mais fáceis”, o Flamengo deve precisar de mais uma vitória contra um dos grandes para conseguir se manter na série A.

Em casa recebe Cruzeiro e Inter ainda. Além do clássico contra o Botafogo.

Dos 12 jogos restantes o Flamengo faz 5 jogos contra os 5 últimos colocados.  Ou seja, em tese, não é tão complicado quanto parece.

Mas um tropeço contra um “médio” pode obrigar o Flamengo a vencer Cruzeiro, Inter, Galo ou Grêmio. Sendo os dois últimos fora de casa.

abs,
RicaPerrone

 

Nós somos loucos. Eles, Cruzeiro

Aquele som me fez refletir. Enquanto eles contavam os segundos para confirmar o óbvio, ouvia o coro que dizia que eles são loucos, que são Cruzeiro.

Mas não, meus caros cruzeirenses. Os loucos somos nós.

Todo sábado os torcedores de todo país tentam olhar pra tabela e achar uma conta mágica que possibilite o Cruzeiro de se tornar um mero mortal como todos nós na classificação.

Toda semana olhamos pro time do Cruzeiro tentando achar um setor que “não é tudo isso” na desesperada tentativa de encontrar perspectivas pro restante do campeonato.

Campeonato que odeio a fórmula, que acho chata por conceito, e que se torna quase insuportável pela competência do Cruzeiro.

Colorados acordaram pra sonhar. E logo o Cruzeiro os trouxe a realidade.

Não importa se é com Dagoberto, Nilton, Julio, William ou Borges. A bola entra.  O tempo todo, por todos os lados.

E contra os caras ela bate na trave, pinga, rasga a linha de cabo a rabo mas não vai entrar.  Dizem que é “magia negra”,  “macumba”, eu desconfio ser treinamento.

Mais uma semana começa. Vamos tentar avaliar as chances do Cruzeiro se dar mal e termos, enfim, uma disputa pelo título brasileiro.  Mas vamos perder tempo.

Nós somos loucos. Vocês, Cruzeiro.

Azar o nosso.

abs,
RicaPerrone

Grêmio perde pro juiz, SPFC ganha do Grêmio

Grêmio e São Paulo não se dão tão bem na obrigação de atacar.  Na de contra-atacar, porém, se destacam. Um pelo poder de fogo, o outro pelo poder de não levar gols.

Hoje, numa Arena que viu um escândalo de arbitragem que não consegui ver a olho nu, o São Paulo teve o detalhe a seu favor.  Poderia ser diferente caso o bandeira não tivesse cometido o erro bizarro no impedimento do Barcos? Poderia.  Mas este foi o único grande erro que vi no jogo. Os demais, faltinhas, lances sem tanta relevância.

O pênalti aconteceu. E através dele o SPFC conseguiu fazer um gol que naquele momento sequer merecia. Mas Rogério merecia.

Pelas defesas que fez, sua tarde “cenística” merecia uma cereja no bolo. E o gol serviu pra isso.

A partir do momento que o Grêmio elegeu o árbitro como adversário, o São Paulo não teve mais tanto problema.  Era uma tentativa desesperada de achar um roubo ou cavar um pênalti contra uma defesa postada com 11 caras pra evitar o gol de empate.

O lance de Zé Roberto no final é emblemático.

Não que eu ache que o torcedor não deva se importar com os erros do arbitro. Mas durante o jogo, se for dado o recado que a culpa é dele, jogadores tendem a perder o foco no gol e buscar mais cenas que os vitimizam.

Ganhou o São Paulo. Talvez com alguma sorte, mas hoje não no apito.

abs,
RicaPerrone

Ultrapassado

“Felipão é impressionante! Não há no mundo ninguém melhor para uma disputa de mata-mata” –  Julho de 2013.

“Felipão é o nome certo pra Copa” – Junho de 2014.

“Felipão está ultrapassado” – Agosto de 2014.

Você já pensou se sua vida fosse avaliada pelos mesmos critérios que a imprensa esportiva usa pra taxar alguém de burro, gênio, competente ou incapaz? Se as suas conquistas sumissem na mesma medida que seus méritos retornassem até mesmo onde você sequer participou. Ou se todo dia ao acordar você não soubesse se dormiria imbecil ou genial.

Aquela turma que enxergou numa derrota o fim de uma carreira brilhante agora tem que se explicar. E pra explicar, vão menosprezar o feito, é óbvio.  Assim, feito idiotas, repetem que tinham razão quando condenaram um mito do nosso futebol ao fim.

“São os mesmos treinadores de 1995!”.  Sim, são! Os mesmos comentarista também.

Ultrapassado não é exatamente aquele que ganhava e hoje perde.  Necessariamente o termo cabe àquele que avalia situações como em 1990, sem conseguir evoluir com o mundo, a vida, o futebol.

Felipão é só mais um que será torturado levando nas costas a frustração de uma gente que não aceita perder e, por mais irônico que seja, tem vocação pra derrota.

O Grêmio não perde, não sofre gols, decola na tabela, ultrapassa todo mundo e mais uma vez o carinha ali no banco é o Felipão.  Aquele, o ex-treinador, lembra?

Não? Imaginei que não.

abs,
RicaPerrone

Fred x os quatro

Um dos mandamentos do futebol aprendi com Romário.  Toda vez que ele entrava no Morumbi pra jogar contra o São Paulo o vaiava como se só houvesse ele do outro lado. Era “o cara”, o “perigo” e, portanto, o “alvo”.

Invariavelmente o jogo começava com vaias e terminava com um gesto de “cala a boca”.

Não comparando os dois, mas quando o Fluminense entrou em campo neste sábado o Morumbi repetiu a dose de rubro-negros, corintianos, gremistas e todos os demais tentando jogar nas costas do craque tricolor o fracasso da Copa de 2014.

Fred também. Como contra Palmeiras, Flamengo, Corinthians… marcou o seu, deu passe pra outro, resolveu a parada e nem “jogou  bem”.  Afinal, como já disse aqui outras vezes, Fred não é pago pra jogar futebol mas sim pra fazer gols.

Se de um lado sobra talento, claramente falta roteiro. O São Paulo retoma a bola e reza.  Que Deus ilumine o quarteto e que dali saia algo divino.  Nem sempre.

O Fluminense, assim como o Flamengo na quarta, foi ao Morumbi prender a bola, deixar Kaká e Ganso com pouco espaço e esperar a hora de matar o jogo.  Não precisa ser brilhante para se articular contra um time talentoso que não sabe o que fazer com a bola coletivamente.

De lampejos o SPFC chegou jogando um futebol bonito de ver. Mas quando se percebe que não tem ensaio fica mais fácil quebrar o “espetáculo”.

Indiscutível, com considerável controle da situação desde o começo do segundo tempo.  O Fluminense volta do Morumbi olhando pra pra frente tentando retomar os dias de bom futebol.

O SPFC olha pra trás, tentando entender onde parou o ensaio de vencer e jogar bem.

abs,
RicaPerrone

Não é por 10 reais

Não vou dizer que tenho dificuldade em entender a cabeça dos dirigentes do futebol brasileiro porque na verdade em muitos casos até chego a duvidar que exista uma cabeça por trás de certas situações.

Pois quando se baixa o preço para pedir socorro a uma torcida, é um passo atrás necessário, estabelecendo uma relação entre time/torcida de confiança, cumplicidade, quase que um pacto de amor que finge negar os interesses capitalistas da coisa toda.

Tanto faz. Desde que o torcedor sinta-se prestigiado e valorizado, o clube tem alvará pra fazer o que quiser com a real intenção que achar necessário.

Entra dirigente, sai dirigente e ninguém nesta porra de esporte consegue tratar torcedor de futebol como um caso diferente de um consumidor de geladeira nas casas Bahia. Talvez por serem dirigentes competentes de Casas Bahia, ou talvez por não haver faculdade pra administrar paixão. Mas santo Deus! Por 10  reais?

Começa que o preço é 50.  O papo de 25 estudante é CONDIÇÃO e não preço.  O ST, idem.

Custa 5 vezes mais o valor do ingresso do vice líder com Kaká, Pato, Ganso.  Custa 25% mais do que custou enquanto o time pediu socorro e teve de sua torcida, recebendo um apoio que não merecia, virando jogos que não poderia.

O recado com um aumento desses não é se vale 40 ou 50, isso na real pouco importa. O que de fato me preocupa é como se sente o cara que ajudou sabendo que se piorar, cai de novo pra que ele vá ao estádio.

Vocês sabem, eles também.  Ninguém reduziu por considerar o evento desvalorizado. Foi pra te pedir socorro.

E agora vivo, sem respirar por aparelhos, você não é mais parceiro e sim consumidor.

Não adianta entender de futebol sem entender o futebol.

http://youtu.be/yM_tHZDVgAI

abs,
RicaPerrone