brasileirão 2014

Acreditar ou confiar?

Você rubro-negro não pode dizer que “confia” neste Flamengo. Pode dizer que acredita.  É diferente.

Quando acreditou nele, especialmente nas últimas 5 semanas, ele encontrou seu limite e ultrapassou com muito esforço para tentar te recompensar. E conseguiu.

O Grêmio era um time que não inspirava confiança e nem fé.  Felipão trouxe, no mínimo, a fé de volta.

Desde então o Grêmio, se não for brilhante, é pelo menos competitivo.  Tal qual o Flamengo, usa o limite para encontrar no detalhe a diferença entre a  vitória e a derrota.

Pois então. Parecidos na recuperação e até nas limitações dos times, neste sábado não havia dois desafiantes, mas um desafiante e um desafiado.

O Flamengo , que até outro dia nada podia, hoje era o time a ser batido.  E com uma corrente de 60 mil pessoas confiando naquele time, acabou perdendo.

Longe, bem longe de ter sido um fracasso.  Mas um beliscão para colocar o sonho no lugar.

Este Flamengo, tal qual o Grêmio, é time pra “acreditar”, não pra “confiar”.

Neles você deposita esperança, empurra, assume a dificuldade e joga junto.  Em outros você espera um resultado, compra um ingresso e assiste ao jogo.

Iguais em 90 minutos, assim como nos últimos 40 dias.  Hoje, seguindo a lógica que os sustenta atualmente, ganhou o que menos se esperava.

abs,
RicaPerrone

Pés no chão

Que fase! E sim, que empolgação!  Adoro rubro-negros pela sua falta de censura ao sonhar. Pela ousadia e confiança que as vezes nem tem como argumentar. Mas que não faltam jamais.

O Flamengo venceu 5, está em grande fase, diria que nas últimas 7 partidas fez campanha de “Cruzeiro”.  E acredite, rubro-negro: Pode melhorar!

A Planejada que faço no blog há alguns anos com grande sucesso é exatamente pra isso. Pra dizer onde você deve viver um momento de vitórias, onde você tende a sofrer, enfim. E o Flamengo venceu 5 jogos muito importantes, sendo 3 ou 4 deles bastante previsíveis.

A tabela acima indica em verde onde a expectativa é de vitoria, amarelo o empate e vermelho a derrota. Claro que é pra título, mas ainda assim dá pra ter base de que momento do campeonato é mais fácil ou mais complicado.

O time do Flamengo não mudou tantas peças. Chegou o Eduardo bem, e ainda é um time muito limitado. A sequência boa pode se manter nos próximos 3 jogos, mas depois vem uma fase complicada de 4 partidas que podem devolver a realidade com algum impacto negativo.

É preciso saber o que nos espera para não se surpreender demais. O Flamengo se aproxima do G4 também por ser este um momento onde a tabela lhe permite isso. Tem mais. Depois da fase difícil, volta uma etapa um pouco mais tranquila. Não é mais uma realidade o rebaixamento.

Mas também não é real o G4. Pelos pontos, pelo time, pela perspectiva e pela quantidade de bons times que tem ali lutando pelas 4 vagas.

Até Flamengo x Corinthians é uma grande fase.  Se depois disso o Flamengo conseguir manter o ritmo, aí sim, o sonho tá virando realidade.

abs,
RicaPerrone

Tudo “quase” igual

O juiz! Ninguém melhor pra explicar um empate onde dois times queriam muito ganhar do que o juiz.

Mas mesmo que queiram e consigam justificar a “não vitória”  com algum lance polêmico, há mais 90 minutos pra serem avaliados de forma bem simples.

O Fluminense é mais bem treinado que o Corinthians. Sabe o que fazer com a bola e tem controle do que pretende.  O Corinthians dependeu o tempo todo de alguma jogada individual.

O desfalque do Cícero poderia ter prejudicado muito a saída de bola do Fluminense. Mas o Guerrero não é o cara que vai fazer uma jogada brilhante e o gol sozinho.

A bola tem que chegar. E chegou mais pro Fred que pro Romarinho. Desfalques a parte, o Fluminense soube lidar melhor com a perda.

Se houve um momento em que o Timão conseguiu equilibrar a coisa e até estar melhor na partida foi quando sua torcida se inflamou. Mais pelo “vamo porra!” do que por qualquer ordem tática, o time ficou perto de virar o jogo.

Mas poderia também ter perdido, não fosse o único erro indiscutível da arbitragem no jogo.

Os pênaltis você pode chorar pra lá ou pra cá. Eu acho que ele foi bem nos dois. Mas o lance do gol anulado, como mostra a imagem, o bandeira errou. Difícil! Mas errou.

O 2×0 ali dificilmente daria ao Corinthians condições de reagir. O Flu esteve bem mais perto da vitória por isso.

Porque controlou a bola e queimou menos no chutão. Porque o Jean, volante, conseguiu ter mais qualidade no passe que o Jadson, meia armador. E porque o Renato Augusto entrou tarde demais na partida.

Um grande jogo. Dois grandes candidatos ao título. Mas hoje o Fluminense se mostrou mais pronto que o Corinthians.

abs,
RicaPerrone

“Imponente”

Clubes devem ter alma.  Depois zagueiros, goleiros, volantes e atacantes. Antes de tudo, alma e identidade.

O Palmeiras se declara “imponente” desde o primeiro trecho do hino e confirma a indicação ao longo de sua história.   Se há uma característica perdida neste momento é a tal “imponência”.

Em casa ou fora, pouco importa, o adversário faz contas pra somar 3 e não mais como aquele jogo quase impossível.   Não se fecha mais ou menos para encará-lo e sabe que sua torcida precisa de 15 minutos para inverter a pressão.

O Palmeiras que recebeu o Inter foi até o jogo onde Abel testou um time mais ofensivo. Não por acaso.

Num verdadeiro festival de mediocridade técnica com um treinador que se fosse brasileiro e se chamasse Zézinho seria espinafrado pela mídia, o clube vive um risco real de ir pela terceira vez a segunda divisão.

E eu não me refiro apenas a um time grande. Mas dentro do país, o maior dos campeões.

O Inter é um time que oscila e também não gera segurança alguma ao seu torcedor. Mas oscila onde pode oscilar um time grande.  Entre os primeiros, perto de títulos, ganhando de vez em quando e sempre rodeando os protagonistas.

É essa insegurança que o Palmeiras precisa encontrar.

Até mesmo pra perder é preciso um pouco de alma. Esse Palmeiras perde de todo jeito. Não há “um problema” identificável.  São todos, da fragilidade do elenco ao trabalho ruim do treinador, somado ao passado recente, ao descrédito da torcida, a cobrança que piora o ambiente e a soma disso tudo que resulta em atuações cada vez piores.

Não revela ninguém, contrata mal, vende pouco, trocou os mais diversos estilos de presidentes. Nada funcionou.

Enquanto isso o Inter pouco muda, nem sempre ganha, mas está sempre funcionando ou muito perto disso.

Alma e Identidade.

O Palmeiras não parece o Palmeiras.  E é o mais longe de ser Palmeiras que já vi atuar.

abs,
RicaPerrone

Te pegou

Fred é tudo que um ídolo pode ser.  Artilheiro, vilão, herói, piada, vítima, perseguido, polêmico, vencedor.   O torcedor do Fluminense odeia ter que amar o Fred, mas ama.

Até mesmo aquele mais rebelde Young Flu que se nega a aceitar estar diante de um dos maiores nomes da história de seu clube, no fundo, adora o Fred.

Porque ele não joga sempre. Mas quando joga, sempre resolve. E quando resolve raramente é num jogo qualquer. Fred é protagonista de todas as semanas do Fluminense desde que chegou. E por consequencia, do futebol brasileiro.

Não há segunda-feira sem Fred.

Hoje, acho que pra quem é de fora, não há um Fluminense sem pensar no Fred.  Pra eles, lá dentro, sei que Conca ocupa mais espaço no coração tricolor. Mas é mais fácil ser Conca, convenhamos.

Regular, firme, bom jogador, quase mudo, pouco contestável e imune a qualquer conflito.

Fred é Renato Gaucho moderno. Fala o que pensa, faz o que quer, assume a condição de capitão, lidera um grupo, divide a torcida, resolve jogos, se faz fundamental até pra que o descartaria facilmente.

Você pode não gostar do Fred. Mas tem que, no mínimo, reconhecer que nem todo mundo consegue sair do inferno na sexta pra ser ovacionado no domingo.

Ele te pegou, de novo.

abs,
RicaPerrone

Completamente Cruzeiro

Um time campeão precisa de um bom goleiro.  Também precisa de defesa sólida.   Um líder em campo, outro fora dele.

Dizem que é preciso também estrutura e condições pra trabalhar.   E, as vezes, de um jogador pra desequilibrar jogos complicados.

Campeão tem talento. Mas quando precisa, ganha na raça.  Grandes times sabem a hora de trocar o calcanhar pelo bico.

Times como o Grêmio conhecem como poucos a hora de se postar atrás.  Outros, como o Cruzeiro, desconhecem esse método.

Por isso, sofrem pressão e sustos que talvez outros não tivessem sofrido esta noite.  Mas nem só de bailes vive a festa.  Hoje tinha que ser uma vitória à la Grêmio, se é que você me entende.

E foi assim que aconteceu. Na raça do zagueiro que sobe, na cabeçada do baixinho que surpreende.  Numa bola perdida, presa, disputada, brigada. Num lance improvável após os 40 do segundo tempo.

E com um dramático final com goleiro adversário na área e tudo mais que um bom roteiro tem direito.

Era o espetacular Cruzeiro sendo guerreiro e passando sufoco. O limitado e guerreiro Grêmio dependendo de lances de alta técnica de seus homens de frente para criar chances de gol.

As avessas do esperado. Com um final, pelo menos hoje em dia, muito previsível.

O campeão tem de tudo um pouco. E eu ainda não encontrei o que esse Cruzeiro “não tem”.

abs,
RicaPerrone

Luciano é o sinal

Chegou a parecer uma tragédia, pintou mais um empate vagabundo, beirou a virada na raça, virou uma goleada. E o mais interessante é que de todas as alternativas que o jogo sugeriu no placar, a mais justa era mesmo a goleada.

É raro o Corinthians ser forçado a agredir dessa forma. Mas hoje precisou, e fez. Quando fez, ela não entrou.  O Goiás, que estava a alguns segundos de levar a virada, ficou na frente de novo.

Renan pegou o que podia e não podia. O Corinthians tentou de todas as formas encontrar um jeito de dar o toque final daquele time que tem a bola, que marca bem, que se defende organizadamente mas que não tem a mesma facilidade em resolver na frente.

Veio Luciano e com ele a goleada. Não porque Luciano é craque, mas porque o recado é simples.

Se defende bem porque tem um grande zagueiro, sai pro jogo com qualidade porque tem um grande volante. Cria algumas boas chances com seus bons meias.  Mas não tem um grande atacante.

Esse cara pode nem ser o Luciano. Mas talvez “um Luciano”.

Alguém que transforme “quase empates sonolentos” em grandes goleadas.

abs,
RicaPerrone

Eu queria jogar no Flamengo

Como todo ser humano de sexo masculino, as vezes me pego pensando “como seria”.  O povo, o campo, a bola, o golaço e eu correndo de braços abertos para comemorar. Sempre aos 44, sempre numa decisão, afinal, se é pra sonhar que seja pra valer a pena.

Eu não ia a um estádio desde a final da Copa do Mundo, curiosamente no mesmo Maracanã.  Naquele dia eu fui pra secar, ver o desespero alheio e dizer, pro resto da vida, que estive numa final de Copa.

Hoje fui pra ver gente. Muita gente.  O jogo em si pouco me interessava pois o futebol do Flamengo é pobre, cansativo, não vale nem o ingresso. Mas eles, que pagam pra entrar, deviam cobrar quando saem.

É repetitivo, os rivais enlouquecem, a “Flapress” aparece, mas…  como eu queria jogar no Flamengo. Um dia, só uma vez. Mas eu queria saber como é perder a identidade por alguns minutos.

Deixar de ser fulano pra ser parte de uma massa que te empurra numa direção sem mais se importar com sua vontade própria.

Aos 10 minutos do segundo tempo, como que avisados por alguém ou ensaiados de véspera, aquele povo todo começou a pular e cantar numa altura de final de campeonato.  O Atlético foi recuando e o time do Flamengo perdeu rostos.  Ninguém viu quem errou passe, quem fez o gol, quem sofreu o pênalti. Não havia mais qualquer individualidade no Maracanã.

Da cativa ao camarote, do treinador ao centroavante, era uma certeza de que algo aconteceria a seu favor quase inabalável.  Eu diria, agora, após o jogo, que eles já sabiam. Pois nem assistindo a um VT de um jogo eu consigo ter tanta fé no resultado.

Aos berros, empataram. E como quem psicografa um livro, tomados por espíritos que não são deles, os jogadores do Flamengo foram ganhando confiança, talento, vontade, divididas e o campo adversário.

Até que Eduardo empurrou pro gol e correu na direção do povo.  Você pode jurar que quando um jogador vira uma partida e corre pra torcida ele quer dizer: “Eu sou foda! Me aplaudam!”.

Mas eu juro que neste caso, e talvez somente neste clube, ele correu dizendo “obrigado!”.

abs,
RicaPerrone

Imperdoáveis

Se perdoa os erros do arbitro que quase mudaram o resultado de um clássico. No caso, apesar do pênalti mal marcado, o maior dos vilões foi o bandeira, que parou diversas jogadas que poderiam transformar aquele sonolento jogo de futebol em algo mais interessante.

Não se pode esquecer e perdoar o que este mesmo São Paulo fez na quarta. E não, não vem com “Sulamericana” porque de todos os grandes que perderam o único sem crédito pra isso é o Tricolor, afinal, Penapolense e Ponte Preta não levava o time a lugar algum. Levava?

E o Palmeiras? Que me perdoe sua história e tradição no mês do centenário, mas é inaceitável o futebol praticado.  Pobre de técnica, de tática e de espírito. Vulnerável atrás, inoperante na frente.

Quem perde o gol que o Palmeiras perdeu, mesmo impedido, aos 41 do segundo tempo não pode sair do campo reclamando de nada.  Enquanto Kaká, Ganso e Pato esperam uma bola que venha voando sem direção, os atacantes do Palmeiras não esperam quase nada.

E quando tem, meio que na base do “deus me livre”, não sabem o que fazer.

A diferença? O time do Palmeiras pode olhar pra si mesmo e tentar jogar por uma bola. É fraco, carente em diversas posições e não tem qualidade para propor ter a bola na maior parte do jogo.

O do São Paulo, vencedor da tarde com notável ajuda do goleiro rival, tem time pra tocar, fazer bonito e ser ousado. Mas não quer.

Perdoáveis falhas do goleiro que, ainda garoto, pode aprender com elas. Tal qual as falhas milimétricas do bandeira num jogo complicado.

Imperdoável, pra mim, é o futebol apresentado por ambos. Ou, pra um deles, a troca de clube de um ex-candidato a ídolo. Para outro, talvez, a eliminação pro Bragantino. Mas é detalhe. Na real, quando se ganha um clássico perdoa-se tudo.

Até mesmo o imperdoável futebol apresentado.

abs,
RicaPerrone