eduardo

Eu queria jogar no Flamengo

Como todo ser humano de sexo masculino, as vezes me pego pensando “como seria”.  O povo, o campo, a bola, o golaço e eu correndo de braços abertos para comemorar. Sempre aos 44, sempre numa decisão, afinal, se é pra sonhar que seja pra valer a pena.

Eu não ia a um estádio desde a final da Copa do Mundo, curiosamente no mesmo Maracanã.  Naquele dia eu fui pra secar, ver o desespero alheio e dizer, pro resto da vida, que estive numa final de Copa.

Hoje fui pra ver gente. Muita gente.  O jogo em si pouco me interessava pois o futebol do Flamengo é pobre, cansativo, não vale nem o ingresso. Mas eles, que pagam pra entrar, deviam cobrar quando saem.

É repetitivo, os rivais enlouquecem, a “Flapress” aparece, mas…  como eu queria jogar no Flamengo. Um dia, só uma vez. Mas eu queria saber como é perder a identidade por alguns minutos.

Deixar de ser fulano pra ser parte de uma massa que te empurra numa direção sem mais se importar com sua vontade própria.

Aos 10 minutos do segundo tempo, como que avisados por alguém ou ensaiados de véspera, aquele povo todo começou a pular e cantar numa altura de final de campeonato.  O Atlético foi recuando e o time do Flamengo perdeu rostos.  Ninguém viu quem errou passe, quem fez o gol, quem sofreu o pênalti. Não havia mais qualquer individualidade no Maracanã.

Da cativa ao camarote, do treinador ao centroavante, era uma certeza de que algo aconteceria a seu favor quase inabalável.  Eu diria, agora, após o jogo, que eles já sabiam. Pois nem assistindo a um VT de um jogo eu consigo ter tanta fé no resultado.

Aos berros, empataram. E como quem psicografa um livro, tomados por espíritos que não são deles, os jogadores do Flamengo foram ganhando confiança, talento, vontade, divididas e o campo adversário.

Até que Eduardo empurrou pro gol e correu na direção do povo.  Você pode jurar que quando um jogador vira uma partida e corre pra torcida ele quer dizer: “Eu sou foda! Me aplaudam!”.

Mas eu juro que neste caso, e talvez somente neste clube, ele correu dizendo “obrigado!”.

abs,
RicaPerrone

Como não cai?

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Dizem por aí nas arquibancadas rubro-negras que “time grande não cai”. Eu discordo, muito, e espero não ter que vê-los convencidos do contrário em dezembro. Mas na real, se há uma tese a ser desenvolvida sobre isso talvez seja que “o Flamengo não cai”, mesmo tendo flertado tantas vezes, e porque não cai.

É repetitivo falar da torcida dos caras e isso revolta tricolores, botafoguenses e vascainos. Óbvio, é o ponto pouco discutível de uma lenda criada, mantida e hoje comprovada sobre a tal “força da nação”.

Não me diga que não é verdade, menos ainda que não faz tanta diferença. Estamos na rodada 14, os caras estão na lanterna. Qualquer um estaria fazendo protestos e só juntando cacos pra empurrar nas rodadas finais e desesperadoras.

Eles se anteciparam. Estão lá ao dobro do valor do ingresso cobrado pelo Flu, também carioca, vice líder até domingo.

Não é promoção, nem futebol, menos ainda pelo nível do adversário. Não me diga que é “flapress”, fica até desagradável numa segunda-feira como essa.

São os donos das ruas, comemoram não a vitória, mas a grande atuação que tiveram.

Não o time. Eles mesmos!

É raro, talvez único. Mas rubro-negros avaliam seu desempenho após o jogo como se fossem um jogador.

E não são?

Quem cruzou aquela bola ontem? Quem empurrou de cabeça? Quem não desistiu mesmo merecendo vaias e empurrou como se merecessem aplausos aos 40 do segundo tempo?

Era dia dos pais. Todo rubro-negro tinha todos os motivos do mundo pra não estar lá.

Mas enquanto todo mundo acorda e pergunta “porque ir ao Maracanã”, o rubro-negro se pergunta “porque não”?

abs,
RicaPerrone