
brasileirão 2014
O que pode acontecer na próxima rodada?
Lauro Araújo, o matemático, te mostra o que você pode esperar do seu time na próxima rodada. E também, dependendo, te prepara pro pior…
– A Briga Pelo G4

– Não haverá alteração nos 4 times que hoje estão no G4. Cruzeiro, Internacional, Corinthians e Fluminense vão ficar mais uma rodada no grupo dos 4 primeiros.
– São Paulo, Atlético-MG, Atlético-PR, Sport, Santos, Goiás e Grêmio não conseguirão chegar no G4 e não correm riscos de parar na zona do rebaixamento.
– A novidade na 15ª rodada é que o Cruzeiro pode perder a liderança para o Internacional – 11.0% de chances. Caso o Cruzeiro empate com o Santos – jogo no Mineirão – e o Internacional vença o Goiás – fora de casa -, a definição será pelo saldo de gols.
– O Fluminense pode até chegar na 2ª colocação, mas as chances são pequenas: 14.9% apenas.
– A Briga Para Escapar da Zona De Rebaixamento

– Figueirense (56.5%), Botafogo (60.6%), Bahia (64.8%), Flamengo (67.9%) e Coritiba (77.2%) estão com percentual acima de 50% e o risco de permanecer na zona de rebaixamento é grande.
– Outro time que começa a se complicar no campeonato é o Palmeiras. O clube contratou um técnico argentino, mas parece que não está dando certo: já são 8 jogos sem vencer (6 derrotas e 2 empates), a última vitória foi na 6ª rodada (Palmeiras 1 x 0 Figueirense, no dia 22/05), e as chances de entrar na zona do rebaixamento na 15ª rodada são de 20.8%.
– Confira a pontuação e o percentual de chances de escapar da zona do rebaixamento na próxima rodada:

Como não cai?

Dizem por aí nas arquibancadas rubro-negras que “time grande não cai”. Eu discordo, muito, e espero não ter que vê-los convencidos do contrário em dezembro. Mas na real, se há uma tese a ser desenvolvida sobre isso talvez seja que “o Flamengo não cai”, mesmo tendo flertado tantas vezes, e porque não cai.
É repetitivo falar da torcida dos caras e isso revolta tricolores, botafoguenses e vascainos. Óbvio, é o ponto pouco discutível de uma lenda criada, mantida e hoje comprovada sobre a tal “força da nação”.
Não me diga que não é verdade, menos ainda que não faz tanta diferença. Estamos na rodada 14, os caras estão na lanterna. Qualquer um estaria fazendo protestos e só juntando cacos pra empurrar nas rodadas finais e desesperadoras.
Eles se anteciparam. Estão lá ao dobro do valor do ingresso cobrado pelo Flu, também carioca, vice líder até domingo.
Não é promoção, nem futebol, menos ainda pelo nível do adversário. Não me diga que é “flapress”, fica até desagradável numa segunda-feira como essa.
São os donos das ruas, comemoram não a vitória, mas a grande atuação que tiveram.
Não o time. Eles mesmos!
É raro, talvez único. Mas rubro-negros avaliam seu desempenho após o jogo como se fossem um jogador.
E não são?
Quem cruzou aquela bola ontem? Quem empurrou de cabeça? Quem não desistiu mesmo merecendo vaias e empurrou como se merecessem aplausos aos 40 do segundo tempo?
Era dia dos pais. Todo rubro-negro tinha todos os motivos do mundo pra não estar lá.
Mas enquanto todo mundo acorda e pergunta “porque ir ao Maracanã”, o rubro-negro se pergunta “porque não”?
abs,
RicaPerrone
O Fernandão morreu

Faz pouco mais de 2 meses, um acidente terrível de helicóptero. Causou comoção não apenas nos colorados mas também em todo e qualquer sujeito de boa índole que vê um jovem partir com uma família esperando em casa.
Me lembro que no dia me deparei com muitos e muitos tricolores comuns que prestaram homenagem ao ídolo rival. Afinal, nessas horas, e especialmente nelas, é “só futebol”.
Ontem havia um Grenal, algo que passa um pouco do limite do que é “futebol”. A tolerância aumenta, o gol vira detalhe e ganhar divididas é mais importante do que um drible genial.
Existe futebol, clássicos, rivalidade e, depois disso tudo, o Grenal. A Coca-Cola mudou de cor por causa do Grenal. O Papai Noel ganhou uma versão azul. E o Sul do país ganhou 2 times enormes e fortes porque o sucesso de um empurra o outro.
Ontem a torcida do Grêmio, que em sua maioria no Beira-Rio era formada por organizados e não pelo público comum da Arena ou do antigo Olímpico, resolveu fazer a mais sem graça das piadas possíveis para o jogo de ontem. Os colorados, revoltados, não jogaram garrafas e nem responderam com um coro grosseiro. Aplaudiram.
Numa ironia das mais inteligentes que pode haver quando um dos lados perde os limites. E mais do que aplaudir, ganharam o jogo, mantiveram a escrita, seguem num momento muito superior ao Grêmio e talvez ontem isso tenha ficado ainda mais claro.
Eu torci pelo Grêmio ontem por gostar do Felipão. Acho que seria legal pra ele voltar vencendo após a Copa. Mas não esperava que o jogo pudesse ser apenas uma resposta educada e pouco agressiva ao triste comportamento pré jogo.
Sim, meus caros. O Fernandão morreu.
E não é porque uma torcida disse isso ou aquilo que muda o respeito, a inveja, a raiva, a saudades ou seja lá o que for em relação ao ex-jogador. Mas talvez tenhamos atingido um ponto final na dúvida de até onde a rivalidade pode chegar.
Porque lá fora houve pancadaria, como sempre. E lá dentro, o claro fim de uma linha que divide o esporte e a paixão.
Pouco importa o que foi dito e por quem foi dito. O que importa, acho, é que talvez esteja na hora dos bons serem maioria dentro do futebol. Que eu possa ir a um jogo com um amigo rival, sem ter que esconder camisa, sentar do outro lado ou trata-lo como um inimigo de guerra naquele domingo.
Que cenas invariavelmente protagonizadas por torcidas organizadas não sejam mais rotineiras do que o de uma criança que abraça o pai na hora do gol ou de dois rivais que se sacaneiam após um jogo qualquer.
Não é mais uma questão de segurança. É uma questão de espírito. Pessoas que levam o futebol a este nível não podem fazer parte dele.
A convite oficial dos clubes, menos ainda.
É só futebol.
abs,
RicaPerrone
Voltou!

A Vila Belmiro só faz sentido se houver um negro vestido de branco humilhando a simplicidade com os pés.
Se não for Pelé, que seja Neymar. Que seja Robinho. Mas que haja sempre um jogador digno de fazer com a camisa do Santos o que a eternizou: ser genial.
Pouco me importa se Robinho venceu na Europa, se soube ou não dar passes rápidos e curtos por lá. O Robinho que me interessa dá risada, pedala, dribla meio time e mesmo quando perde a bola faz ter valido a pena a tentativa.
Se há no futebol brasileiro um lugar onde não tentar o drible deveria ser pecado é a Vila Belmiro.
E então, a volta do driblador Robinho faz todo sentido. Pelo ídolo, pela referência, pelo passado e pelo futuro que o espera.
O Santos não precisa ser campeão, nem ter uma multidão lotando estádios por onde passa. O Santos precisa ser brilhante, ousado, “moleque” e nos fazer gostar de futebol.
Robinho me faz gostar de futebol.
abs,
RicaPerrone
Um domingo especial

Não é pelo Goiás, pela liderança ou por uma promoção de ingressos. Era pelo futebol apresentado, pela perspectiva e pela noite de homenagens.
Era dia de Assis, Washington e Fred. Três dos maiores ídolos que o Flu teve em sua história. Dois já se foram, um voltou.
E num Maracanã com 40 mil torcedores prontos para aplaudir, as homenagens antes do jogo os levaram as lágrimas. No telão, gols do passado glorioso com o casal 20 de uma história já escrita. Em campo, as famílias. E no vestiário, a história que ainda se escreve.
O Fluminense precisou de pouco pra mostrar, de novo, um grande futebol e resolver o jogo. Podia ter sido três ou quatro a zero. Mas não foi, pois o placar de hoje tinha que ter “20”.
E veja você que destino caprichoso. Enquanto choravam a perda de 2 ídolos, aplaudiam outra partida brilhante de Conca e a volta de Fred, dois ídolos muito mais “tricolores” do que brasileiros. Tal qual Assis e Washington.
O Flu, o Maracanã, os ídolos juntos e “só deles”.
Parecia uma substituição qualquer quando Fred entrou em campo. Mas não era só isso. Saiam Washington e Assis, não o Sóbis. E entrava Fred.
O 2×0 no Goiás foi a coisa menos importante da noite. Até mesmo do que recado bem dado ao Cruzeiro: “Não é só você que sabe jogar bola”.
abs,
RicaPerrone
Poucas palavras

É muito difícil escrever sobre um jogo desses. O Flamengo foi a campo tentar novamente buscar na base da raça 3 pontos que aliviariam sua real situação. Mas nem sempre isso bastará.
Não que o time tenha sido sufocado, mas passou longe de ter conseguido sufocar ou sequer pressionar a Chapecoense. O que, convenhamos, pelo peso das camisas, é inaceitável. Mas pelo que há dentro delas, nem tanto.
O time é fraco. Desfalcado, fraquíssimo. E infelizmente temos que aceitar que elefante na lama afunda mais quando tenta se mexer de qualquer jeito. Moscas saem da lama voando.
O Flamengo pesa um elefante, os seus adversários diretos pelo não rebaixamento, muito menos. É muito mais difícil ser Flamengo ali atrás do que Chapecoense, que mesmo em situação delicada entra em campo pra tentar ganhar, contra a obrigação do rival.
Luxemburgo escalou o que tinha. E tinha muito pouco.

O Flamengo precisa de trabalho, calma, planejamento, o diabo a quatro! Mas hoje, fundamentalmente, de forma simples e até superficial: precisa de reforços.
E não me refiro a jogadores que podem “ajudar”. Me refiro a quem possa resolver.
abs,
RicaPerrone
Um grande jogo

Um grande jogo de futebol não tem necessariamente muitos gols, nem um equilíbrio técnico que nos leve a dúvida do favorito. Tem um roteiro previamente determinado capaz de ser jogado no lixo num simples lance.
Quando este lance não muda o roteiro, porém, é ainda mais difícil esperar um grande jogo. Os dois sabem o que esperar, não serão surpreendidos e portanto dificilmente farão algo especial.
Mas é especial um time que não recebe salário há 5 meses conseguir parar o líder do Brasileirão. Como é absolutamente gratificante assistir o futebol jogado pelo Cruzeiro mesmo num dia não tão inspirado.
Era previsível a tentativa de contra-atacar do Fogão e de pressionar do Cruzeiro. Um palpite fácil até.
A bola teimosa que não quis entrar no gol de Jefferson entrou fácil pro gol de Edílson, onde dizem que um escorregão é falha. Eu não entendo assim, já que um escorregão num campo molhado é imponderável, não uma falta de qualidade do goleiro.
Era o Botafogo tentando transformar suor em pontos e o Cruzeiro fazendo o mesmo via futebol bem jogado. Tem dos dois, por mais que um mereça mais que outro.
O que importa?
As vezes é tão digno e merecedor o esforço de quem nem tem motivos pra estar ali do que o ótimo futebol de quem faz o ingresso valer a pena.
O Cruzeiro merecia vencer. Até deveria.
Mas o Botafogo não podia perder. Hoje não.
É óbvio que amanhã o Cruzeiro volta a vencer, e bem. Só não é mais tão óbvio que o Botafogo volte a perder, e muito mal.
abs,
RicaPerrone
O campeão voltou

Felipão era o cara. Se houve um momento no Brasil em que o povo mais concordou com um técnico e apostou nele do que jogou pedras foi antes da Copa de 2014 . Se houve um cara que conseguiu no cargo de treinador ser tão garoto propaganda quanto o centroavante numa Copa, foi Felipão em 2014.
Nada disso acontece por acaso. Por trás do que conquistou Scolari em sua brilhante carreira tem uma história de amor que talvez seja a base sólida de tudo que aconteceu em sua vida.
Pelo Grêmio ele conseguiu vencer num time considerado “mediocre” de véspera. Fez daqueles 11 jogadores sem grife o mais insuportável adversário e mesmo contestadíssimo pela mídia nacional pela quantidade de faltas e pelo jogo duro, o clube fez de um alvo fácil seu grande herói.
Como já disse outras vezes, só há um clube no Brasil com alvará cultural pra jogar feio e ganhar: O Grêmio. Lá, não se busca um espetáculo de entretenimento mas sim uma vitória a todo custo.
Não gosto disso. Mas adoro saber que existe um time que em qualquer mata-mata, seja com 11 juniores ou com 11 titulares, será um inferno para eliminar. Faz bem ao futebol um personagem assim.
O Grêmio é o colo que Felipão precisava após apanhar mais do que deveria e merecia. É a “casa da mãe” que o acolherá de braços abertos enquanto o mundo lhe coloca o dedo na cara.
A Copa do gremista é Libertadores. O mundo lhe parece distante, quase menor do que Porto Alegre. Mas se a eles fosse ofertado um Guardiola e um Felipão, não pensariam duas vezes.
E teriam razão. Felipão é um dos maiores treinadores que o mundo conheceu. Mesmo que o mês anterior, pra muitos, apague os últimos 30 anos.
abs,
RicaPerrone
