brasileirão 2014

Bom senso

Sob qual argumento botafoguenses e rubro-negros sairiam de casa neste domingo de chuva para ir ao Maracanã?

Pouca coisa seria capaz de convencer qualquer sujeito de bom senso a gastar alguns de seus suados reais com um jogo que sequer qualidade prometia.   Mais do que isso, mesmo que não comparecendo, a fé em seus clubes não tem razão de ser neste momento.

Mas aí separa-se dois perfis e é quando insisto em afirmar: O Flamengo ganha clássicos as 10 da manhã na padaria.

Por mais que o bom senso determinasse medo, nenhuma perspectiva e até mesmo o fundo do poço, eles combinaram  que não se importariam com os fatos e que domingo seriam apenas rubro-negros.

Desde quinta-feira eu ouço o flamenguista dizer que vai ganhar o jogo de hoje. Porque qualquer pessoa de bom senso diria que “tá foda”, “com esse time não dá”, “é lanterna”, “sei não”, entre outras frases absolutamente justificáveis com o momento do time.

O rubro-negro não tem bom senso algum.  O dele diz “é Flamengo”, “vamos ganhar”  e nada mais. E como que numa virose sem cura e explicação, um monte de gente vai com a mesma roupa na mesma direção e dizer que acredita em duendes.

E não é que o Duende aparece?

Eu desisto de te entender, Flamengo. E nem ouso duvidar de ti.

abs,
RicaPerrone

A cara do time sem “o cara”

Quem é o craque que leva este Cruzeiro nas costas? Daqui 10 anos, quando se referir a este time, vai falar do “Cruzeiro de quem”?

Talvez, como da Alemanha de 2014, te falte um ícone pra representar o que é representado exatamente pela coletividade.

Depois de um primeiro tempo ruim,  o campo secou, o gol saiu, o Cruzeiro teve um adversário que não estava mais apenas disposto a não perder e tivemos um jogo. Ou melhor, um passeio.

Qual o esquema tático deste Cruzeiro? Você é capaz de desenha-lo com clareza?

Você pode me dar com facilidade e sem “poréns” a posição que joga Everton Ribeiro ou, por exemplo, o Goulart?

Não pode. Simplesmente porque não existem “volantes” mas sim meias. Não tem “atacantes”, “centroavantes”, mas sim um time comprometido em dar opção para quem tem a bola.

É quase um banquete. E ela não pára.  De pé em pé, tonteando zagueiros e até certo ponto humilhando adversários que ou perdem de pouco e abrem mão do jogo ou assumem com o placar que não sabem como pará-lo.

Marcelo, o técnico, é na dele. Só trabalha e mesmo sob enorme contestação no turno de 2013, insistiu. Funcionou.

O Cruzeiro que goleia e passeia não é responsabilidade do Dedé, nem do Éverton, menos ainda do Goulart.  É de uma mentalidade que joga sem a bola e que sorri com ela. De um time que marca gols pra se divertir e que retoma a bola para poder fazê-los, não para evitar sofrê-los.

É o sopro que nos garante, ainda, que mesmo que o futebol mude ainda podemos nos adaptar e ser os melhores.

abs,
RicaPerrone

Boas férias!

No último dia de aula os dois extremos estiveram frente a frente. O pior e o melhor aluno da sala num patético duelo para ver quem tirava a maior nota.  Não precisou de mais do que 3 perguntas para acabar a disputa.

Era claro, óbvio, justo, previsível.  Tão previsível que se fez monótono.

Aquele garotinho de roupa nova, postura elegante e agora com a mensalidade em dia não conseguia esconder suas raizes. Ele queria farra, sentar no fundão. Foi criado assim.

O outro, criado pela vó, tem uma facilidade incrível com números, notas e postura.

Talvez o erro do garotinho não seja a mensalidade em dia, mas a nova forma de se vestir e tentar parecer ser o que não é. Nunca foi. E se Deus quiser, não se tornará.

Mesmo que aquele garoto elegante e educado tire sempre as melhores notas, as meninas sempre vão olhar mais pro “maloca” do fundão. Até o dia que ele resolver ser “mais um”, meter a mesma roupinha do outro, se tornar um estranho até mesmo em seu bando.

O último dia de aulas foi revelador. Sozinho, fingindo elegância e nova postura, o derrotado saiu, agora sem amigos, para suas férias.  O “ex-nerd”, agora referência, idem. Rodeado de garotas sem opção, procurando um padrão e transformando a maior nota na única razão de ser deles todos.

Nunca foi. Mas agora, pela primeira vez em sua história, parece que se trata apenas de “resultado”.

Então leve pra casa o pior possível. Não pelo boletim vermelho, mas pela desmoralização que é tentar se passar por quem você não é.

E você, dono da nota 10. Você mesmo, de azul, que sempre senta nas primeiras fileiras: Parabéns!

abs,
RicaPerrone

Formação tática de Cruzeiro x Flamengo

Conta tudo pra sua mãe!

Numa partida sofrível tecnicamente, Palmeiras e Botafogo resolveram explicar suas crises com os pés. E sim, entendemos.

Apesar do ótimo resultado, o Fogão ainda não pode se considerar “virando o jogo” pois o que apresenta não é suficiente. O Palmeiras, que perdeu, menos ainda.

Mas o jogo teve um fator “salvador” e nem foi com a bola.  Sheik e Lucio, disparado os dois maiores nomes do jogo mesmo antes dele começar, confirmaram as expectativas e saíram dele protagonistas.

Um porque teria chamado o coleguinha de “gay”. O outro, porque ficou magoado e vai tomar atitudes com seus advogados.

Ah, Merthiolate ardido. Que falta você faz…

Uma dividida, um “seu viado”, um biquinho e um microfone. Pronto, temos uma discussão social que sobrepõe a vitória do Botafogo diante do Palmeiras.  Afinal, é muito mais divertido discutirmos por um mês se pode ou não chamar um “não gay” de gay e se havia preconceito no tom de voz do rapaz.

Ui! Que viadagem.

Sheik devia ser personal manager da carreira de algumas meninas que imploram pra sair no EGO. Ele tem, além de um grande futebol, um incrível dom de ser a bola da vez.

Foi bobo, exagerou, se fez de vítima. Não combina com ele.

Lúcio, que é mesmo violento em alguns lances, respondeu as fortes acusações jogando algumas verdades na cara do Sheik. E ele, não aguentando o troco, falou em “medidas com advogados”.

Vem cá, seus viadinhos.  É sério?

Vocês combinaram isso antes do jogo, né? Não pode estar acontecendo uma discussão entre dois multi campeões deste porte porque numa bola qualquer alguém gritou “seu viado!”.

Por um mundo melhor, cantinho do pensamento para os dois!

abs,
RicaPerrone

21.05

Há exatos seis anos, por volta desta mesma hora, eu estava sentado num quarto de hotel escrevendo a crônica que me faria ser apresentado à torcida do Fluminense.

Aprendi, contra minha vontade, naquela noite, que tudo que eu achava que sabia sobre futebol não passava de uma grande bobagem, afinal, todos nós só sabemos enxergar isso com a visão de um clube em relação aos outros.

Eu explico.

Todo torcedor enxerga o seu clube e a relação de cada rival com o dele, não com o futebol. Nunca avaliamos como eles ganharam mas sim como nós perdemos. Equívoco justificável, diga-se. Mas ainda assim, um equívoco.

Maldito vinte e um de maio de 2008.

Dia em que tive que assumir pra mim mesmo, ainda fardado com as cores da derrota, que era justo perder.

Bendito vinte e um de maio de 2008.

Dia que escrevi algo tão puro e apaixonado que acertei o alvo contrário do que meu site, sobre o SPFC na época, buscava.

Passam os anos eu volto ao mesmo estádio, praticamente no mesmo setor, com os mesmos times e vejo, de novo, a derrota ser “justa” e improvável.

Só que hoje não sofri. Graças ao vinte e um de maio de 2008, quando entendi do que se tratava o futebol.

E aqui estou, as 2 da manhã do dia 22 de maio, de novo, derrotado pelo Fluminense, numa virada espetacular, com a sensação que “tivemos o jogo nas mãos”, quando na verdade só criávamos o cenário para que eles escrevessem, de novo, uma história sem fim.

Salve vinte um de maio. Agora, também, o de 2014.

abs,
RicaPerrone

Sobrou São Paulo

Não há termo melhor para descrever o Flamengo deste domingo do que “um bando”.  Eram 11 jogadores correndo na direção da bola como se não houvesse tática, posicionamento e muito menos alguma noção do que estavam fazendo.

Uma partida em que o SPFC de Muricy queria sair na frente e poder jogar como prefere. Pois saiu, deixou o já perdido time do Flamengo também desequilibrado. E então, só não fez um placar mais elástico porque time do Muricy não joga pra fazer gols mas sim pra fazer o mínimo necessário.

E hoje, convenhamos, andar em campo já seria o suficiente.

Com Ganso, que quando quer é o 10 que o futebol brasileiro gosta de ter, parecia um time acéfalo contra um time de apenas uma cabeça. Mas uma já pensa mais do que nenhuma, logo, só deu ele.

Entrou Elano, que voltou de contusão. Parecia que voltava do coma.

Uma insistente esticada de bola dos volantes aos atacantes que não eram capazes de trocar de posição em momento algum se repetiu até que o trocaram por cruzamentos. Então, notaram que erravam os cruzamentos.

O São Paulo abriu mão de matar o jogo por boa parte dele, ainda assim, teve nas mãos mais duas chances claras de resolve-lo.

Tal qual no Fla-Flu, quando o Flamengo partiu pro tudo ou nada… nada!

Ganso de novo. Fim de papo.

A pior atuação do Flamengo que já assisti pessoalmente no estádio. E um São Paulo dentro do que se permite fazer: Ser fatal.

Ele não vai dar show, tentar os gols, ir pra cima. Vai se fechar e encontrar gols quando puder. Hoje, sobrou espaço.

Sobrou São Paulo no Maracanã. Faltou Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Meu primeiro Fla-Flu

Eu nunca tinha assistido a um Fla-Flu no Maracanã. E continuarei sem assistir na medida em que este novo Maracanã só tem o nome e o endereço do antigo. Mas, ainda que seja ele o dono da plástica mais mal sucedida de todos os tempos, não deixa de ser quem é.

Ali um Fluminense muito mais time que o Flamengo, que é muito mais confiante que qualquer outro. O que sentia de fora posso constatar lá de dentro: Não há nada que o flamenguista respeite mais no universo do que o Fluminense.

E vice-versa.

Traduzido em ódio, ofensas, apelidos maldosos, seja lá o que for. Mas é o único clássico em que a nação rubro negra não entra cantando vitória. E, pela história ou pela mística, o Tricolor sente isso.

Tanto sente que reage com uma falsa certeza de vitória, que na verdade não passa de uma insuportável vontade de não ver os seus desertores por cima.  É a eterna vontade de “se vingar” de uma rebelião que originou o seu maior combustível.

Flamengo e Fluminense se abastecem desde sempre.

E hoje, quando Fred marcou, o rubro-negro soube estar diante de uma virada improvável. Não pelo placar, mas pela diferença técnica dos dois times.  Passar pela “melhor pior defesa do Brasil” não é tão simples quanto pensam os tricolores, nem tão difícil como insinua este principio de Brasileirão.

Aos 30 do segundo tempo desenha-se o mais puro Fla-Flu.

A torcida do Flamengo se inflama em busca do improvável.  Tão improvável que lhes parece até natural.  E tão confiantes no impossível que conseguem fazer dos últimos 14 minutos de jogo um cenário confuso onde não está claro quem é quem.

Aquele contra-ataque que determina o resultado coloca fim a tensão de uns, a fé de outros.

É o “Ai, Jesus!”.

Fui conferir. Nenhuma lenda desmentida. Era tudo verdade.

O Flamenguista, com ou sem razão, olha pra todos de cima. Pro Flu, olha de frente.

Não é a toa.

 

abs,
RicaPerrone

Xadrez para iniciantes

Eu não jogo xadrez porque não sei. Se tentar, vou cometer erros estúpidos que não se justificam a qualquer pessoa com alguma dose de conhecimento no assunto.

Jayme entrou em campo buscando ser o melhor treinador do país.  Assim como Muricy fez ontem, tentou usar um esquema com 4 jogadores de frente e nenhum pra levar a bola até eles. Assim como Muricy, precisou estar perdendo para colocar um meia e arrumar a própria bobagem.

Futebol é simples. Eles é que complicam pra justificar as fábulas que ganham.

Qualquer time com esta formação perderá o meio campo pro adversário. Valdívia, com espaço, deitou e rolou. 2×1, fácil demais andar naquele meio campo onde as camisas brancas eram maioria absoluta.

Aí vem o segundo tempo e o treinador corrige a tentativa de criar um novo conceito de como jogar futebol. Volta pro simples.

O Flamengo empata, vira, goleia.

Kleina não consegue fazer nada para tentar sair da situação que o Flamengo o colocou. A moleza de ter o meio campo todo pra ele virou um nó quando os 3 “atacantes” do Flamengo passaram a receber a bola pelo chão.

O Palmeiras parecia completamente incapaz de sequer arriscar uma jogada para mudar a situação. Constrangedor. Mas em 45 minutos passou de protagonista da rodada a goleado e em crise.

Mugni não é um gênio e em momento algum a formação do Flamengo está atrelada a sua qualidade.  Ninguém joga com 4 atacantes e nenhum meia sem estar apostando claramente no bico pro alto.

Isso não é estratégia. É desespero.

Ninguém pode entrar em campo desesperado. Só sair dele.

Não há futebol sem criação. Há algo parecido que eventualmente até funciona. Mas futebol, não.

abs,
RicaPerrone