brasileirão 2014

Uma noite de futebol

Quando se fala em “futebol” noto que a enorme maioria das pessoas tem dificuldade em entender exatamente do que se trata. Para alguns, um clube e nada mais. Para outros, uma competição e ponto final.  Para outros tantos, um negócio.

O que o Maracanã recebeu neste sábado foi o futebol em seu mais puro significado.

Popular, acessível, lotado, brasileiro, imprevisível, injusto, emocionante e apaixonante.

O Fluminense jogou bem. Havia 50 mil pessoas no Maracanã pra ver um jogo a 10 reais que valia 10 reais.  Não era a fase do Fluminense determinando a lotação. Era o simples conceito de entender que Fluminense e Vitória na terceira rodada vale 10 reais, não 60.

Mas os nossos dirigentes querem fazer mágica. Eles assumem um restaurante, trocam as cadeiras, continuam com a mesma comida ruim. E então, resolvem cobrar o triplo pelos pratos para que, com a renda, possam melhorar de fato a comida.

Há alguma lógica nisso?  Deve haver, afinal, eles usam terno e dão palestra.

Mas, enfim. Voltando a realidade, o Maracanã recebia futebol e devolvia tudo que ele pode oferecer. Um jogo cheio jamais será igual um jogo com 10 mil pessoas. Simplesmente porque o público é a razão de qualquer espetáculo e vê-lo diante dos seus olhos dobra sua motivação por algo mais.

O chute, o desvio, o gol. O inacreditável gol do Vitória.

A pressão, as chances que não se concretizavam, a torcida que não sabia se viveria uma noite triste ou uma virada épica.

Um contra-ataque, um chute errado, virou drible. O último passe, o erro no domínio, e o gol.  Tudo errado, e deu certo. O Vitória fazia 2×0 no Maracanã que não podia vaiar. Podia, naturalmente, apenas não acreditar.

Mas até pra cair a ficha teve cena. No finalzinho o gol que causa esperança e o escanteio que busca feitos na memória. Mas não, hoje não.

Se o Fluminense ganhasse, seria apenas esporte. O melhor contra o pior, simples demais.

Era futebol. E então, para coroar a noite popular no Maracanã, nada mais adequado que uma bela de uma zebra.  E tristes, não revoltados, eles vão pra casa sem os 3 pontos. Mas com uma história pra contar.

E isso sim é futebol. O resto é educação física.

abs,
RicaPerrone

Ninguém pára

O time do Flamengo está longe de ser um primor técnico. Esperava-se, porém, uma vitória diante do Goiás, mesmo que o jogo tenha sido “em casa” só pro borderô da cbf.

O Flamengo é um time acelerado por natureza. Note que todos os jogadores do time pegam a bola e saem correndo com ela.  Mugni, que era o sujeito a parar e pensar o jogo, também corre com a bola.

Elano, um meia que jamais foi o “camisa 10”, criador de lances geniais, não consegue sequência. Paulinho e Everton… correm com a bola.

Léo Moura quando avança, corre com ela. E nessa tentativa previsível de ser imprevisível individualizando toda jogada de ataque vai minando a confiança de todo elenco.

É natural. Ninguém erra 2 lances e vai com a mesma confiança buscar o terceiro. E toda bola que passa pela intermediária do Flamengo alguém tenta dar o “último passe”.

Não precisa.  Pode ser o primeiro de uma série. Talvez uma virada de jogo. Alguém disse pro time do Flamengo que bola no pé é pra tentar enfiar pra alguém na cara do gol ou ir driblando até lá. A maioria deles acreditou nisso.

Matheus não me parece o cara pra cadenciar este jogo. Adryan um dia pareceu que seria. Hoje, não vejo ninguém capaz de parar uma bola e ao invés de devolver pro adversário numa tentativa alucinante de que um passe de 3 dedos de 70 metros resolva o jogo, pense, recue e espere a hora certa.

Na mesma intensidade que se busca o gol se perde a bola. E quanto menos qualificado seu time, mais se perde a bola e menos se encontra o gol.

O Flamengo começa bem, erra, perde algumas chances e depois disso vai só piorando. É um roteiro simples.

Duro é imaginar algo muito diferente disso com as peças de criação disponíveis.

abs,
RicaPerrone

Atropelamento

Nem mesmo os sãopaulinos esperam demais deste time. Os botafoguenses, menos ainda do seu.  Mas confesso discordar da primeira torcida.

Acho este time do São Paulo de muito bom nível para um campeonato de pontos corridos que não requer grande dose de “algo a mais”.

Sem receber há 2 meses e fazendo diversos protestos antes dos treinamentos, os jogadores do Botafogo pareciam fazer mais um no primeiro tempo.  Uma inexplicável ausência de espírito que resultou num baile.

Eram cones de rodinhas assistindo o SPFC jogar. Podia ter sido 4, não 2×0 o primeiro tempo.

Na volta, um Botafogo melhor. Mas não com qualidade suficiente para virar um 2×0 no Morumbi contra o São Paulo. Poucos tem essa condição. Não será este remendo de Botafogo a conseguir.

Animador pra quem não esperava nada demais. Desesperador pra quem sabe quem nem cobrar muito é possível, já que não estão sequer sendo pagos “pra isso”.

Da mesma forma que o elenco do SPFC sugere um campeonato de pontos corridos, o do Botafogo diz que exatamente este é o formato a ser evitado.  Não há regularidade técnica onde não há regularidade de cheques todo mes.

O Mancini, que nem considero bom treinador, não terá culpa se não conseguir passar para o time que continue, após um ano de 2013 já com problemas, a jogar sem receber também em 2014.

Um atropelamento no Morumbi.  Mas há quem diga que a vítima já estava desacordada antes do acidente.

abs,
RicaPerrone

Quando tudo faz sentido

É claro que profissionais querem seus salários.  Natural de todo ser humano estar mais ou menos motivado e determinado quando cumprem com ele o combinado.

Não acho anormal um “acerto” de dívida mudar um rumo. Ao contrário, hipocrisia as favas, o dinheiro move quase tudo na vida. Jogadores, como você e eu, trabalham por ele. E o merecem.

A troca de treinador pode ter mudado uma peça na formação do Flu, claramente mais ofensiva e dentro da lógica de um time que tem qualidade na frente. Eu só vi o Cristovão jogar contra Horizonte e Figueirense em casa, logo, não sei se ele vai achar Jean e Diguinho suficientes para um Cruzeiro em Minas, por exemplo.

Por enquanto, ótima idéia de usar o time mais ofensivo. Funcionou, e mais do que isso, hoje o Fluminense fez tudo valer a pena.

Do goleiro ao centroavante, todos correram muito em busca de algo mais do que ganhar o jogo. Porque? Ora, me parece um tanto quanto simples imaginar que 35 mil pessoas fazem você ter bem mais vontade de buscar um terceiro gol do que quando 6 mil gatos pingados te pedem o magro 1×0 sagrado de todo dia.

10 reais.  É isso que vale a estréia do Brasileirão que na verdade nem sabemos se vai continuar contra um time fraco em casa, na primeira de 38 longas rodadas sem final.

O público respondeu mais uma vez a questão do “não vale nada”. Vale, desde que dentro do aceitável, vale.

E este, valia entre 10 e 20.  Casa cheia, muita festa, muitos gols, um grande futebol.

O primeiro gol do Flu  no Brasileirão foi qualquer coisa de espetacular. Brasileiríssimo!  O último, também.

E quando o jogo termina e a torcida do Fluminense aplaude o Diguinho  é porque viveu uma noite muito especial.  Hoje, o aplaudiu.

abs,
RicaPerrone

Quase inevitável

O que é tratado como virada de mesa, possibilidade de acordo ou salvação de times grandes na real pode ser a única saída da CBF/Clubes a interferência da justiça comum no futebol brasileiro.

Há um “acordo”  para que clubes não recorram a justiça comum em virtude dela ser conflitante com muitas regras do esporte. A FIFA repudia, as confederações concordam, os clubes tem esse acordo.

A Lusa não vai entrar na justiça comum. Mas alguns torcedores vão. E é quase óbvio que um juiz, seja onde for, dê uma liminar que possa “segurar” o Brasileirão 2014. O que seria uma tragédia para 40 clubes, tv, patrocinadores, torcedores, FIFA, CBF, alguns mil jogadores, entre outros envolvidos.

A CBF sabe disso, não é burra. E contra ela, várias emissoras que não tem direitos de transmissão fazem tudo pra incentivar tal postura.

Vai dar merda.

A única e mais prudente forma de evitar que o Brasileirão 2014 não seja interrompido diversas vezes é aceita-lo com 24 clubes num acordo bom pra todas as partes.

E neste caso, acredite: Quem terá virado a mesa terá sido o próprio torcedor ao acionar a justiça comum, não um dos clubes.

Mas é inevitável. Cada dia mais sem solução.

Não sou advogado, não entendo de leis. Mas sei do porque a FIFA pede que ninguém recorra a justiça comum em nenhum país do mundo. E sabendo disso, sei que liminares e decisões acontecerão a médio prazo, sem que seja suficiente para resolver tudo antes do campeonato começar.

E se começar, alguém dirá: “Calma lá! Mas eu não tive tempo de planejar minha série A/B!”, e volta a confusão toda.

Não tem fim.  Melou.

O Brasileirão 2014 vai acabar sendo com 24 clubes (e provável mata-mata) por falta de opção.

“Ah mas um Brasileirão com 24 clubes é contra o estatuto do torcedor também.”.

Sim, mas ai, com todos na série A, quem iria lá reclamar?

Aguardemos. Mas eu apostaria alto nisso.

abs,
RicaPerrone