brasileirao 2016

O Maracanã não é um problema

Hoje é dia de juntar as mais incríveis teses sobre o “fracasso” do Flamengo na busca pelo hepta. Do delirante esquema de arbitragem ao Maracanã, já encontraram mil culpados, menos a competência do Palmeiras, que me soa como a mais razoável.

Enfim.

O que acho interessante colocar é que “voltar ao Maracanã” não fez mal ao Flamengo. Os resultados mudaram pela inversão de patamar.  O Flamengo que jogava por aí era empurrado a ser campeão. O do Maracanã passou a ser cobrado para se manter na briga.

E isso não tem a ver com torcedores do Rio ou de fora, como pode parecer. Tem a ver com o Flamengo ter tido um ano de superação, que é onde Flamengo e torcida falam a mesma língua.  Sem estádio, viajando por aí e ainda assim na briga. Quando viram que dava, a força aumentou e o time se segurou lá em cima.

Quando “dava” virou “tem que dar… fudeu. Esse time do Flamengo não tem condições de ser cobrado como “obrigação” de ganhar campeonato. Tem qualidade, mas passa longe de ser um esquadrão. E no momento em que aquela multidão inverte o empurrão para uma pressão, o Flamengo perde sua força.

Não houve derrotas para Galo, Santos e Palmeiras fora de casa. Simplesmente porque o time foi de desafiante. Quando desafiado, sabemos, é histórico, quase um espelho da seleção em Copas: o Flamengo não reage bem a obrigação.

Não foi o Maracanã que mudou. Foi a queda “do que vier é superação”.  Ali, a mesma massa que empurrava no aeroporto passou a esperar algo e não mais busca-lo.  É histórico, estatístico. O Flamengo não nasceu pra ser favorito, embora seja toda vez que entra em campo.

abs,
RicaPerrone

Entendeu agora?

Alexi, meu bom filho;

Por muito tempo tive que te preparar para o que você encontraria pela frente. Foi muito difícil te ver sofrer, sem entender, pedir, me ver negar e ainda assim ouvir um “obrigado” de ti.

Sua devoção e fé nunca me deixaram dúvidas de que eu preparava um cenário a quem merecia. E se eu pudesse escolher novamente, escolheria você.

Filho, quando aquele Botafogo não venceu era porque eu precisava te ensinar que o “impossível” acontece para os dois lados.  De alguma maneira você teve que ver, perdendo, que o que estava ganho não era tão certo assim.

E dessa forma, entendeu que ninguém ganha nada de véspera, mas que também não perde.

Precisei testar sua paciência ao extremo, idem ao seu merecimento.  Eu sabia que o que você suportaria na Libertadores do Galo não é pra qualquer mortal. Então me desculpe se exagerei na preparação, mas só alguém muito testado manteria a fé durante aquele campeonato que tanto tentou te fugir das mãos.

Alexi, meu filho, desta vez você está entendendo o porque de tanta espera pra começar a ganhar. Porque seu destino era lidar exatamente com o fim de grandes esperas e, para isso, teve que aprender a esperar.

Você sabe que será o campeão. Embora não tenha certeza do dia, aposto que fé não lhe falta. Afinal, se quando Riascos colocou aquela bola na marca do pênalti você não desistiu em 2013, não seria faltando 2 jogos em busca de um ponto que você pensaria no pior.

Você merece, filho.  E pelo menos agora, quando posso explicar os motivos, espero que me perdoe pela demora e por tanta espera.

Um beijo,
Aparecida

Únicos

Torcida, futebol, time em campo, vontade de ganhar. Um único time teve tudo isso no sábado no Morumbi.  Enquanto o Corinthians foi a campo para ver o que dava pra fazer, o São Paulo entrou pra fazer a última coisa que poderia tirar um sorriso do seu torcedor no ano: vencer o rival.

E naquele melancólico cenário que impede uma das partes de se fazer presente, deu o “favorito”.

Ora, mas favorito em clássico, Rica?! Sim, clássico em casa sem torcida adversária nem clássico é. Quanto mais sem favorito.

Confirmando não apenas o favoritismo como também o poder de jogar bem mais do que vem sendo apresentado, o Tricolor fez 90 minutos que confundem.  Você não sabe exatamente o que foi uma grande atuação e quanto disso foi uma atuação desastrosa do Corinthians.

Mas foram! As duas coisas em doses a se ponderar.

O pênalti chorado, após replays, mudei de idéia e vi que de fato não houve.  Mas discute-se o pênalti, discute o que quiser. Só não discuta um 4×0. É indiscutível.

2016 termina triste para os dois times. Em crise, com jogadores comuns, um futebol fraco e irregular, transitando na zona morta do Brasileirão.  Quem diria?

O semifinalista da Libertadores e o atual campeão brasileiro, juntos, fazendo figuração.

Mas até entre figurantes dá pra ser protagonista.  E este foi o São Paulo.

abs,
RicaPerrone

Scarpa não mantém cargo de Levir

Porque há algum tempo dá pra olhar pro campo e notar que o Fluminense não tem grande coisa. E se não tem no papel, tem menos ainda no coletivo treinado.

O time em 8 meses de Levir é a mesma coisa: Scarpa.

Ele cobra, ele cruza, ele acha um lance. Quando não acha, um drible qualquer desequilibra.  O Fluminense é uma vítima dos sorrisos simpáticos que blindam um treinador de criticas no Brasil.

Costumo dizer, até porque já cansei de ver:  Seja simpático com jornalistas e 80% do trabalho estará feito e reconhecido. Os outros 20%, só sendo bem ruim pra não conseguir manter.  Levir é muito simpático, e por isso seu trabaho durou até aqui sem grandes contestações.

Olhando pro Galo nas mãos do Marcello Oliveira, notamos talvez que não seja o Levir, mas sim o Galo. Afinal, troca o treinador, mexe no time e os caras se mantém fortes e brigando por tudo.

Levir fechou duas pontas importantes: a imprensa e o chefe.  Ajudou a derrubar Fred, desejo antigo do Peter, e só lhe faltou um time bem treinado. Após 8 meses os bonus pelas duas relações favoráveis acabaram e, enfim, foi cobrado pelo tosco futebol apresentado.

É tarde. Talvez não adiante mais.

No saldo, Fred saiu, Levir ficou, o time não foi a lugar algum e começa 2017 buscando um novo projeto, porque desse aqui nada se leva. Uma demissão mais do que justa.  Levir não apresentou nada no Fluminense.

abs,
RicaPerrone

Mais do que o previsto

Um ar de frustração toma conta do Maracanã após o empate entre Flamengo e Botafogo. As duas torcidas não comemoram, é compreensível, mas friamente deveriam.

Porque a expectativa criada em cima de uma superação não pode ser estabelecida como “mínimo” dentro de um contexto maior.  O Flamengo entrou no Brasileirão nem falava em G4. Tava todo remendado, caindo diretor, treinador, tudo!

O Botafogo então, coitado, estava praticamente fadado a brigar pra não cair. Não havia expectativas. Os dois times seriam, mesmo em situacões diferentes, figurantes no campeonato.

Então um deles engrena e não apenas “não caiu” como briga por Libertadores. O outro, que era a irregularidade em forma de time, se torna numa equipe regular que joga o campeonato todo brigando por título.  E no final, quando os dois deveriam estar comemorando a superação, vivem o momento da frustração.

O Botafogo tem hoje uma situação “confortável” no G6, mas que a vitória de hoje lhe daria quase certeza dele. O Flamengo não. Esse achava que hoje era ganhar ou ganhar, caso contrário estaria fora da briga. E discordo. Ao ponto de questionar o treinador no fim do jogo.

O Palmeiras não jogou ainda. Se perder amanhã, por exemplo, o Flamengo terá tirado mais um ponto. Para saber se foi um resultado a se lamentar é preciso que o rival também jogue.  No final das contas, pelas mudanças propostas pelo Ricardo, o Flamengo quase acabou perdendo, isso sim.

Porque na lógica simples faz sentido encher o time de atacante pra achar o gol. Na minha, quando você não cria, pode meter 10 finalizadores ali que o efeito mais comum imediato é o espaço pro adversário e não que passe a criar porque agora tem mais finalizadores.

O Botafogo quase ganhou o jogo. O que, aí sim, seria trágico pro Flamengo de véspera.

Com a expectativa atual deturpada pela superação, entendo as caras feias. Mas de maio a dezembro, os dois times devem sair do Maracanã hoje muito felizes com o que conquistaram até aqui.

abs,
RicaPerrone

Eu não acredito!

Os dois morrem de vontade de dizer que “acreditam” para seus jogadores mas seria uma imitação barata do rubro-negro ousar se aproveitar da frase atleticana.  Sim, atleticana. Em 2013 o Galo patenteou a fé.

Fé que moveu o time mediocre do primeiro tempo a ser um monstro impiedoso na segunda etapa, sendo o Galo que a gente espera desde que saiu o album de figurinhas do campeonato.

Aos gritos de “burro”, Marcello viu sua substituição corajosa funcionar e empurrar o Flamengo pra trás. Daqueles épicos jogos em que o treinador adoraria olhar pra arquibancada e revidar o coro.

Primeiro tempo que o Flamengo fez não fazia há tempos. O segundo, vinha fazendo há pouco.  O gol no final, sacrificando a lógica, faz desde sua fundação.

Um jogo que satisfaz pela dor. Ninguém teve o que queria, mas não é possível não aplaudi-los.  A aula de que futebol não é “só resultado”. De que torcedor não é burro e de que os três times que chegaram no final deste Brasileirão brigando o fizeram por merecimento.

O cheiro ainda existe, a fé do Galo ainda os faz crer. Se existem “deuses no futebol”, como adoram dizer os clichês jornalisticos, hoje o Palmeiras não fará 3 pontos.  Não porque não mereça-os, mas porque no Mineirão hoje ninguém pode sair de cabeça baixa.

Que jogo!

abs,
RicaPerrone

 

Mais um Fla Flu para sempre

Era um jogo polêmico desde o seu primeiro gol. Rever e Pierre se encostavam e no fim o zagueiro do Flamengo desloca o goleiro e sai o primeiro gol.  Foi empurrado? Não foi?  O juiz entendeu que tudo ok (eu também) porque o Rever só trombou com o goleiro em virtude do Pierre ter jogado ele ali.

Jogo tenso, decisão pro Flamengo que viu o Palmeiras empatar antes do clássico. Decisão pro Flu, só que menor, já que o G6 continua possível.

Numa alternância irritante de controle da partida os dois times tiveram seus momentos.  E quando o Fluminense mais produzia, tomou o segundo gol num erro individual.  Ali, morreu. Era o Flamengo quem chegava com mais perigo até que, num momento onde o Flu não fazia um bom jogo, uma bola parada encontrou Henrique, que encontrou o gol, que viu o bandeira, que chamou o juiz, que eternizou o clássico num “erro” corrigindo o “acerto”.

Já viu isso? Mas tem.

O que é mais justo? Sair da regra pra se fazer justiça em campo ou se manter na regra para que o erro seja validado?  A dúvida é cruel, mas o veredicto é fácil: ou pode ou não pode.

É mentira que o bandeira deu impedimento e manteve. Foi ele quem fez sinal pro juiz mudando de idéia dizendo que o Henrique não, quando Meira Ricci invalidava o gol. E aí então vem a discussão mais inconclusiva do mundo:  Foi ajuda externa? E se foi, como se prova?

Anula-se um jogo porque um gol ilegal foi validado e depois invalidado com interferencia externa?  É razoável que o erro de ter havido uma mudança de opinião formada por uma imagem dê ao Flamengo a perda de um jogo que ganharia?

Foda. Muito foda. Qualquer simplicidade na conclusão disso é vazia.

Mas o que é fato é que mais um Fla Flu não terminará jamais. O de hoje, em 2074 será lembrado e discutido:  “Mas na época não podia!”. “Vergonha!”. “Mas foi impedido!”….  e segue o jogo.

abs,
RicaPerrone

Não esperem nada do Palmeiras

O palmeirense sonha com o título que há muito não vem. Mas o restante do país espera do Palmeiras muito mais do que isso. Toda semana há uma torcida enorme (porque soma a maior do país nela) secando e esperando a hora que o Verdão vai tropeçar.

“Tem que acontecer”. “Ninguém ganha todas”. E bradam numa perspectiva tão confusa que chega a ser engraçada. Porque é óbvio que “ninguém ganha todas”.

“Nem você”, dirá o palmeirense.  E com enorme razão.

Ser palmeirense hoje é rir no fim da rodada entre o alívio e a euforia. Os pontos corridos geram uma sensação péssima de “confirmação de título”. Ou seja, neste momento pra muita gente o Palmeiras não o está conquistando, mas sim evitando perde-lo. O que é absolutamente estúpido, diga-se. Mas estupidez faz parte da vida.

Está desconfortável ser Palmeiras. Tanto quanto promissor.

Faltam 9, e a cada rodada o palmeirense segura com mais dificuldade a vontade de explodir e jogar na cara de todo mundo que não, “dessa vez não!”. Compreensível, pois nunca esteve tão perto, tão merecido e tão pouco exaltado por terceiros ao mesmo tempo.

Sinto falta do “oba-oba”. Sinto que há “medo de perder”  no ar e que isso gera um conflitante sentimento no coração palestrino. Entendo, é absolutamente justo. E se vier, o título virá com alívio junto do prazer, o que é pra poucos.

Mas explica-se. Porque tem muita gente que fica aliviada em não cair. Quando você fica em ser campeão, há algo no seu clube que nem todos tem.

abs,
RicaPerrone

Precisamos falar do Botafogo

Não há nada mais constrangedor a um comentarista do que os fatos. Eles tornam toda discussão indiscutível, todo prognóstico vazio e quando os confirmam não faz mais do que obrigação.

O Botafogo 2016 é o assunto que ninguém quer tocar.

Façamos esse papel e vamos assumir que erramos bizarramente nos prognósticos.  Porque não conhecíamos o treinador que chegaria? Porque não imaginávamos que sairia o Ricardo Gomes? Porque? Por vários motivos. Mas no final das contas, erramos.

O fraco elenco montado para não cair, não caiu. O embalo e o bom futebol dentro de suas limitações técnicas apresentado o credenciou, até, veja você, a brigar por Libertadores.

Ah mas é G6… acostume-se. É G6 e assim será. Tendo até G8 qualquer dia desses. Os classificados continuam sendo os primeiros colocados, logo, um time taxado por nós, inclusive por mim, como altamente rebaixável, não deveria estar ali.

Está. E tem que haver explicação acima do nosso ego de dizer que “futebol é foda”.

É foda. Mas tem trabalho, conscientização coletiva, plano tático e a decência de se enxergar em campo.  Nenhum Pimpão se acha Michel Bastos no Botafogo, enquanto muito Michel Bastos se acha Neymar.

Eis um diferencial.

O Botafogo não caiu. E “pior”, passou longe.  Caiam os queixos, porque não dava pra esperar tamanha evolução em tão pouco tempo e com tão limitados recursos técnicos.  Parabéns aos envolvidos.

Futebol é foda.

abs,
RicaPerrone

O cheiro e os fatos

É bem verdade que o Flamengo faz uma campanha quase “milagrosa” sem estádio, viajando toda rodada (milhares de km a mais que os outros) e estando regularmente em segundo até aqui.  O cheirinho, de fato, existe.

Mas também é verdade que ganhar do São Paulo no Morumbi jamais será algo comum. O empate lá, portanto, está bem aceitável dentro do imaginário realista e pouco cheiroso.

O futebol apresentado demonstra queda do Flamengo nos últimos jogos, o que pode ser facilmente atrelado ao desgaste físico de final de temporada de quem viajou muito mais que os outros.  O que não é tão aceitável do outro lado, já que o SPFC tem seus problemas mas nenhum que justifique o futebol apresentado.

Ou melhor, a falta dele.

Não há jogadas, é tudo no individual. O time parece se conhecer no vestiário e a considerar a campanha do Botafogo pós Ricardo Gomes, encontramos um caminho sedutor para a conclusão.

Jogo ruim. Abaixo do que os dois podem, especialmente o Flamengo, que hoje pode muito mais que o São Paulo.

Mas entre a discussão técnica do jogo e o resultado há um fato incontestável. É tão aceitável pro décimo empatar com o segundo quanto o Flamengo empatar com o SPFC em pleno Morumbi.

Então, “segue o enterro”.

abs,
RicaPerrone