Brasileirão

Duas versões do mesmo “crime”

O rubro-negro vê mais uma derrota pra ele mesmo. São tantas que eu seria capaz de apostar no título, já que o tal “Flamengo” sempre bate o “Flamengo”.

O botafoguense, com mais pés no chão pela circunstância, vê uma vitória memorável num momento de decisão.

Talvez aí esteja o ponto: “decisão”.

O Botafogo é limitado, mas ainda que não goste o rubro-negro moderno pouco respeitoso, é um clássico. E sendo, não há muito o que explicar para quem destes esporte entende.

Quando as camisas se olham de frente quem está dentro delas precisa correr muito. Muito mais do que o outro. E normalmente isso decide partidas como as de hoje.

Valia muito sim. O não rebaixamento de lá, o título de cá.  E nessa hora os pés no chão fazem o impulso ser maior.

Andando em campo o Flamengo foi surpreendido no primeiro tempo. Ora, quem é o idiota que se surpreende num clássico?

Talvez, por mais que seja uma possibilidade ignorada pela maioria, o Botafogo tenha feito uma grande partida e não necessariamente o Flamengo perdido pra “ele mesmo”, como absurdamente alguns enxergam ou fazem de conta pra vender manchete.

Não há nada de anormal na campanha do Flamengo, nem na do Botafogo.  Os dois estão dentro dos seus elencos e prognósticos. A diferença é que um entrou em campo olhando pra frente, o outro pra baixo.

Adivinha quem saiu olhando pro chão?

abs,
RicaPerrone

Voltamos

O Corinthians limitado e guerreiro, o SPFC optando pela covardia e andando no campo. Um resultado que não é ruim para ninguém considerando a posição na tabela, o fator clássico, mas que ao mesmo tempo irrita ambos.

O Timão porque foi prejudicado pela arbitragem num gol claríssimo onde o bandeira e o auxiliar de linha não viram. O SPFC porque jogou 45 minutos com um jogador a mais para não produzir nada.

No final das contas os dois saem “satisfeitos” e “insatisfeitos”.

A máscara caiu no Morumbi. O time foi líder do Brasileirão e diversas vezes eu disse aqui que o futebol era bem diferente do resultado. A bola parou de entrar, restou o jogo mediocre praticado.

O Corinthians não cai. O SPFC não será campeão e a Libertadores direta, que já era consolo perto do sonho do título durante o campeonato, se torna mais distante.

Não pelos pontos. Pelo nível do rival. O Grêmio é muito mais time e joga muito mais futebol. Esse é o problema real. Não o juiz, a tabela, a chuva, o Everton…

abs,
RicaPerrone

Goleada!

Fosse 4×0 sem sustos não teria o mesmo efeito. Embora fosse melhor pra classificação e pro saldo, nada poderia ser mais importante pro Colorado do que vencer com o gol aos 52 minutos, casa cheia, explosão e euforia.

O campeonato de pontos corridos é chato. Se você deixar o time e a torcida começam a escolher jogo, a empolgação se torna homeopática e esfria. Ao esfriar muitas vezes perde-se o campeonato.

Tudo que o torcedor quer quando vai ao estádio é uma memória. Algo pra guardar e contar pro resto de sua vida. Uma paulada no Paraná seria mais do mesmo, com todo respeito ao Paraná.

O gol aos 52, na cabeça do torcedor, é história pra título.

Nosso cérebro funciona assim. Vamos construindo uma história pra contar até que ela seja oficializada por um título e então podemos recordar cada passo até a conquista com toques de “eu tava lá”.

Hoje mais de 40 mil estavam. Talvez vire história, talvez não. Mas se virar, esse capítulo será especial. E tinha tudo para nem ser digno de registro.

abs,
RicaPerrone

Escolha!

O Flamengo tem 3 campeonatos grandes em disputa. Na megalomania de sua gente tentaria ganhar os 3.  No que podemos chamar de cenário real, baseado em 100 anos de história, é fundamental fazer escolhas. 

Não estamos falando de estadual e Brasileirão. Ou de uma Copa e um campeonato. Estamos falando de 2 copas em fases decisivas e um campeonato longo e competitivo. 

A Copa do Brasil e a Libertadores são os mais interessantes campeonatos a todos os clubes hoje, fruto da premiação, grandeza continental e da porcaria que é o sistema de pontos corridos como entretenimento. 

Os 3 o Flamengo não vai ganhar. Então porque não toma decisões e arca com elas agora do que preparar o discurso pra reclamar do calendário no fim? 

Abrir mão de um deles, que seja. E então a lógica é simples:  O Flamengo não tem qualquer cenário nas Copas. Elas recomeçam do zero fase a fase. No Brasileirão tem ótima situação. Não dá pra abrir mão de um campeonato onde até ontem você era líder. Entre Copa do Brasil e Libertadores, simples decidir.

Porque não mete os reservas logo na Copa do Brasil e o que vier ali é lucro? É mesmo mais interessante ter a desculpa do físico em caso de derrota do que a cobrança em cima da escolha? Claro que sim. Mas os grandes campeões escolheram. 

Escolha. Antes que lhe reste argumentos para explicar. 

abs,
RicaPerrone

Segue a receita

Parece clichê, e é. O Flamengo quanto mais compra jogadores mais atrasa seu natural processo de evolução.  Como “quase” sempre, bastou precisar apostar em garotos e a aposta deu certo.

Flamengo x Botafogo não foi um jogão. Foi um jogo de 7 minutos onde o Fla fez 2 lances pela esquerda com o já massacrado Matheus Sávio e resolveu o jogo.

O Botafogo não tem elenco pra reverter uma situação dessas num clássico contra um time como o líder Flamengo. Teria, talvez, contra um time mais fraco que acha 2 gols. Não era o caso.

Dali pra frente o Flamengo não forçou, o Botafogo não encontrou um jeito de empatar e a partida caminhou pro final sem grandes novidades.

O ponto interessante é que, mais uma vez, quando o Flamengo “precisa” de algum moleque pra suprir a falta de um dos medalhões, ele faz melhor que o medalhão e o time vence.

Foi assim quando perdeu a zaga, foi assim quando perdeu Everton, quando o Diego machucou, quando o Guerrero saiu, e se me permite, é assim desde 1895.

Mais garotos. Menos salários astronômicos para jogadores comuns. O futebol brasileiro já exagera nas compras e nos salários. Tratando-se de Flamengo, então… beira a loucura.

abs,
RicaPerrone

A Cinderela nem sempre encontra o principe

As histórias que o mundo ostenta são quase todas educativas. No final da trama o vilão se dá mal, a princesa sai feliz, o mocinho é lindo e os mais humildes saem exaltados. A Disney é maravilhosa.

Mas não é ela quem faz todos os roteiros do mundo, embora reconheça que se fosse o caso viveríamos muito melhor.

Hoje o moço mal não teve dó, nem medo das “viradas da vida”. Se debochar com 3×0 é “desrespeito”, com 1×0 é um pedido formal com firma reconhecida para se dar mal.

O Flamengo flertou por 90 minutos com o final mais previsível do mundo. E de tão marrento, tão ousado e folgado, o driblou.

Abel escalou mal. O Fluminense entrou em campo pra ver o jogo e não pra jogar. Por um tempo, viu. O Flamengo fez 1×0, mandou no jogo e a partir do momento que fez o gol passou a fazer o que adoramos ver, mas que condenamos quando não funciona.

Toquinho, drible, provocação e nem sempre na direção do gol. Era claro a tentativa de desestabilizar o Flu. O Flamengo quis ser malandro, jogador machucado voltando pro campo, aquele passe com risadinha olhando pro outro lado.

Mas o futebol é um filho da puta.

Fosse em qualquer outro cenário no mundo o Fluminense voltaria melhor, viraria o jogo e os “humilhados seriam exaltados”, “o mundo precisa de humildade”,  “esses meninos pensam que são o que?”, entre outros óbvios discursos encerrariam a quinta-feira com uma “lição”.

O Flamengo pediu pra sofrer o empate, foi no fio da navalha e mesmo batendo na bola com “nojinho” fez o segundo.

Porra, cadê Deus? Tudo que aprendemos dizia que o final era outro. Os marrentos debochados arrogantes sofreriam o empate. O combinado era esse, não?

Não.

O combinado é que você se torna um babaca quando já vencedor humilha os derrotados. Estava 1×0, eles fizeram o tempo todo. Foram talvez irresponsáveis. Mas não foram covardes.

E se esse estádio se chama “Mané Garrincha” é exatamente porque nos orgulhamos de como jogamos e encaramos o futebol.

A Cinderela não é virgem, o principe deve ter amante e aquele sapatinho nem era de cristal.

abs,
RicaPerrone

Se enxerga, Mengão!

Se o Real Madrid pudesse ter algo que não tem, escolheria fazer os jogadores que compra. Seria mais lucrativo, criariam um padrão desde a base e se tornariam ainda mais fortes.

Os clubes brasileiros compram a megalomania da torcida e entendem burramente a necessidade de um ou dois grandes reforços para movimentar o mercado. As vezes, muitas vezes, quase sempre, compram o time todo.

Causam expectativa, nenhuma identidade e frustração.

O Flamengo comprou pra caralho, e quem levou o time pra liderança? Os meninos.

Quem brilha e decide é Paquetá, Vinicius, hoje até o Vizeu.  A zaga perdeu dois titulares, pânico! Nada… os meninos entraram e resolveram.

É inacreditável que o maior produtor de soja do mundo compre soja. O futebol brasileiro compra o que ele mesmo fez para suprir o que ele tem em estoque.

O Grêmio ganhou tudo e não há uma contratação de peso nesse elenco.

Os maiores times do Santos em todos os tempos não custaram nada.

Será que falta muito pra entender que com o salário de 1 mes do Geovânio você cria 3 melhores do que ele?

Tua grandeza tá dentro de você, Flamengo. Quem tá te levando ao topo é você mesmo e não o que você pode pagar. Porque quem compra futebol é europeu. A gente faz.

abs,
RicaPerrone

Começou

 

A janela vem aí, o dólar está alto, a Libra e o Euro surreais. Isso significa que qualquer time da Europa ou que opere com alguma fartura financeira lá fora pode vir aqui e escolher o que quiser levar.

A janela vem aí, o dólar está alto, a Libra e o Euro surreais. Isso significa que qualquer time da Europa ou que opere com alguma fartura financeira lá fora pode vir aqui e escolher o que quiser levar.

Sofre porque quer

Esperei a noite passar porque sou radicalmente contra ser o esfriador de paixão alheia. A noite do rubro-negro deveria ser de festa e não de análise. Líder é líder, e vencer no Horto é altamente comemorável.

O ponto é que não consigo fazer um texto cheio de elogios e paixão num jogo que me reflete exatamente o que penso sobre futebol. Um time que sofre porque não tem nada coletivo e outro que joga mesmo não tendo nada especial individualmente.

O resultado? Ora, você viu o jogo. O resultado aconteceu. Não foi construido. E isso não pode mudar a avaliação que faço de mais um jogo ruim do Flamengo. Mais um bom jogo do Galo, embora o placar me desminta num lance incomum.

“Ah tinha desfalque!”, não se engane. O Flamengo joga mal com ou sem eles. Não faz nem 3 dias vocês, rubro-negros, diziam a mesma coisa que eu.

Você não tem porque sofrer com Diego, Everton, Paqueta e Vinicius em campo.

“Aprendeu sofrer”.

Porque?! É pra sofrer que se investe tanto em reforços caríssimos mesmo tendo na base as soluções mais óbvias e de bons resultados da história do clube?

O Atlético tem um time com limitações bem maiores que as do Flamengo, especialmente na frente. Mas não considero o time do Galo ruim, não. Até gosto do time.

Mas é dele o papel de apresentar um jogo coletivo, bem estruturado, com posse de bola e mais que o dobro de finalizações?

O Flamengo é líder porque tem time, uma boa tabela e jogadores que resolvem jogos. O  coletivo do Flamengo é ruim. O time não joga bem, cria pouco e não condiz com o que se espera desses jogadores.

Mas hoje é líder. Então todos são ótimos. Se quarta-feira não for, ninguém presta. E esse é o lado delicioso de ser o Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Pra matar saudades

Aquele Maracanã lotado, rubro-negro e a preços mais aceitáveis até lembrava um Flamengo de personalidade forte, iniciativa de jogo e vitória no fim.

E pra matar a saudades, ele apareceu.

Com o entusiasmo da volta do Guerrero, a atuação espetacular do Diego Alves, o golaço do Paquetá, a fumaça que causa o xodó Vinícius e a vitória construída no segundo tempo, sem folga e com algum sofrimento que é pra ser Flamengo.

O Inter jogou um bom primeiro tempo, mas não voltou pro segundo. O Flamengo fez um primeiro tempo ok, mas sem tentar resolver. No segundo veio pra fazer o gol a todo custo, e fez. Dois.

Não sei o que muda. Nem sei se mantém. O Flamengo alterna jogos como os de hoje com o da Ponte.  Mas é indiscutível a alegria do rubro-negro ao se ver líder, Maracanã lotado, Guerrero de volta e Everton Ribeiro estreando pelo clube finalmente.

Quinta-feira vale vaga. No domingo liderança. Na outra semana, a mais sonhada das classificações.

O céu está mais perto do que o inferno. E pensar que estiveram lá não faz nem 1 semana…

abs,
RicaPerrone