brasilia

Almeida voltou

Segue o Fluminense “inexplicando” o futebol.

O time que criava 30, hoje cria 3. O que não fazia nenhum, hoje faz um.

A sorte que se negava hoje sorri. Até frango tem pra ajudar.

Se João de Deus havia abandonado, Sobrenatural de Almeida voltou pra ajudar.

O Z4 que era fato até o final virou passado em 3 rodadas. E embora o medo exista e seja provável que por ali esteja até o final, nem mesmo com muito otimismo se imaginou fechar o turno fora dele.

Não, o Fluminense de hoje não joga mais que o do Diniz. Ao contrário. Joga consideravelmente menos. Mas a bola entrou em 2 dos 3 jogos.

E nos dois casos fazendo o que com ele faziam. Uma bola, um lance, fim de papo.

Talvez o Diniz seja muito azarado. Talvez o Oswaldo seja muito bom. Talvez seja o Flu e sua vocação pra deixar a história sem rumo.

Fato é que os 30 chutes a gol sem gol mudaram de lugar. Foram pro Morumbi.

Nas Laranjeiras, agora, basta uma chance.

Desde 2009 o futebol já sabe. Dê tudo ao Flu, menos uma chance. Porque se houver uma, ele vai usar.

RicaPerrone

Clássico é clássico e vice-versa

Era 2015, sorteio da Copa do Brasil. O Flamengo estava muito bem, o Vasco capengando. Parecido com o cenário atual.  Alguns amigos do Flamengo acompanharam o sorteio e comemoraram quando deu o rival na sua chave.

Imediatamente eu lhes disse: “Vocês serão eliminados”.

Eles não entenderam e eu disse que aquela sensação de “oba, é o Vasco!” não pode existir nem se o Vasco tiver com 11 juniores no time. Clássico é clássico, e um dos times que melhor nos ensinou isso ao longo do século é o próprio Flamengo vencendo até campeonatos com times que ninguém esperava.

Na era onde pergunta-se o faturamento mais do que a camisa que estará do outro lado, não me surpreende que o time de menor capacidade técnica tenha entendido o jogo melhor do que o favorito.

E fora de campo era igual a sensação. Rubro-negros falando em obrigação, goleada, enfim, tudo que leva um time melhor a perder um clássico. Ensinaram tantas vezes, mas eles mesmos não aprenderam.

O Vasco foi perigoso, jogou bem, teve no Max Lopes tudo que o Flamengo sonha em ter num atacante e não acha. E poderia ter ganhado a partida não fosse seu próprio gol contra.

O Flamengo é melhor. É favorito. Mas assim como fez uso diversas vezes do “Aqui é Flamengo porra!” pra peitar um cenário adverso, deveria saber que o “Aqui é Vasco” também funciona.

Jogão! Mas o Flamengo só entrou nele quando já estava 1×0 e notou que era um clássico.

abs,
RicaPerrone

Frouxos!

Garotos da seleção olímpica, ninguém mais do que eu torce pela seleção. E se você me der 100 dolares pra eu apostar no ouro, aposto em vocês ainda.  Simplesmente porque confio que uma hora isso vai ter que acabar e mudar.

Só que entre perder, tomar a goleada da Copa, dar ou não entrevistas, depender ou não de um cara só, nada mais me incomoda do que essa cara de bunda que vocês entram e saem de campo.

Porque vocês não ficam putos? Porque não se pegam na porrada quando um erra? Porque não se cobram? Quem é que fala nesse time? O que é esse vestiário? Uma biblioteca?

Cadê o capitão? Não quero você no juiz, quero você cobrando o time.  Quero vocês sentindo a porra da derrota como nós aqui, não como insatisfeitos blindados pela CBF.

Porque tá fácil pra caralho jogar ali! Se tu perder, pau na CBF. Se tu ganhar, é gênio.  E na real ninguém cobra de vocês o que se espera: PERSONALIDADE.

Perde, mas perde se impondo. Morre, mas morre atirando e de frente.  Quando o juiz apitar o fim de um jogo desses, quero ver vocês desequilibrados, não saindo pro banho. Quero que vocês falem merda no microfone.  Quero que o zagueiro faça a bosta que fez o David Luiz no 7×1, mas que foi uma atitude desesperada e não uma omissão covarde.

Eu não suporto a cara de santo de vocês.

Me mata imaginar vocês ali dentro agora rezandinho em circulo como se nada fosse.  Saiam no tapa nesse vestiário, porra! Quebra tudo, mete o dedo na cara um do outro. Mas saiam daí feito homens pra fazer na quarta-feira o que não fizeram nos dois primeiros jogos.

“São garotos”. Pois então deixem de ser.  Vocês são mudos, de carinha fechada, quase todos iguais, com uma carreira pela frente e porra nenhuma conquistada.

Perde, mas perde sem tornozelo.  Perde de camisa rasgada. Perde porque foi expulso de tão nervoso com o jogo que você estava. Mas perde feito Felipe Melo, feito Adriano, feito até mesmo Luis Fabiano.

Perde feito homem.

Vocês estão parecendo um time de modelos. A Gisele é muito melhor que vocês pra isso e já fez o dela.

Divide, deixa o braço, jura o atacante adversário.  Sorria quando acertar o drible, deboche do adversário no chão.  Sejam mais “bandidos”.  É muito jesus pra pouco gol.

E Micalle, meu caro treinador também sub 20, time sem coletivo não ganha jogo. E se fosse pra abrir nego pra cruzar na área tinham chamado o Muricy…

Ainda dá.

abs,
RicaPerrone

Um por todos…

Talvez pela ansiedade, talvez pela carga da obrigação de vencer bem. Talvez pela expectativa criada na “magia” do trio de ataque. Seja lá qual for o motivo, a seleção jogou uma partida impressionantemente igual hoje. Repetiu do primeiro ao último minuto as mesmas tentativas esperando que uma hora desse certo.

E daria, é verdade. Gabriel Jesus quase fez e ali estaria tudo resolvido. Mas até a bola entrar, a seleção parecia ter absoluta certeza de que o gol viria por uma jogada lenta onde um dos craques pegaria, pararia na frente do beque, faria uma ginga e daria o passe decisivo.

Foi tentado isso em TODOS os lances de ataque do Brasil. No máximo uma corrida lateral para procurar espaços.

Faltou coletivo, velocidade, fluidez. Time leve que jogou parado cada um na sua. Sem troca, só esperando que o companheiro resolvesse.

Bem longe do que se espera. Bem menos catastrófico do que se prega.

Fomos melhores, tivemos a chance de ganhar, e se tivesse entrada a bola do Jesus agora estaríamos só lamentando a não goleada. Então, não é pra transformar um tropeço e uma estréia ruim no fim do mundo.

Domingo sim, agora, virou decisão.  E não só pelos pontos, mas pela confiança. A seleção vai precisar se impor de outra maneira.

Renato mais perto da área, menos Gabriel esperando bola, menos “joga no Neymar e espera”, e mais troca de posições. Faltou tudo hoje. Até o gol, que embora pudesse ter acontecido, não isentaria o time da partida ruim e cheia de preciosismo nos lances individuais.

Que seja o tropeço do ouro. Aquele pra acordar o time, e não para nos acordar de um sonho.

abs,
RicaPerrone 

Não fosse o placar…

Nada é mais mentiroso num esporte do que placar de uma partida de futebol. Ele ignora tudo que de fato aconteceu e nos devolve uma avaliação que nos faz sermos apaixonados exatamente pela falta de lógica dele.

Veja você.  O Flamengo, que tem menos qualidade técnica individual do que o SPFC, deu 31 chutes a gol. O SPFC deu 8.

O Flamengo trocou 500 passes, média altíssima, e acertou 89% deles, o que significa um índice de acerto acima da média dos maiores times do mundo. O São Paulo trocou 300, acertou 81%.  Na média.

Os cariocas fizeram 9 faltas. O Tricolor, 19.

O primeiro gol do São Paulo foi irregular e aos 48 teve pênalti pro Flamengo.  Isso tudo só pode resultar numa não vitória rubro-negra no futebol. E é por isso que aqui estamos, domingo, fim de tarde, discutindo essa coisa.

Hoje o Flamengo fez o melhor jogo que vi em 2016. Jogo pra efetivar treinador, eu diria. E o São Paulo, infelizmente, não fez um jogo tão diferente assim do que costuma fazer fora de casa.

O futebol conceito do Bauza é antigo, catimbeiro, de resultado e nada mais.  É o Muricybol porteño, o que não quer dizer que não funcione. Quer dizer que, quando a seleçao perder e houver discurso sobre “mentalidade atrasada”, “forma de jogar” e o caralho, lembre-se que você esteve se fazendo de cego enquanto a bola entrou no contra-ataque. Tal qual o periodo de tosco futebol de 2007/2009 com o Muricy.

Mas é o que importa. De tudo que menos se tira do jogo de hoje, o que realmente importa é o placar. E nele diz que foi tudo igual.

Sabemos que não foi. Mas que graça teria se fosse?

abs,
RicaPerrone

Como tem que ser

Se você me pedir a fórmula de um grande clássico eu citaria boa parte do jogo desta noite como “receita”.

Do empurra empurra a polêmica não expulsão. Da burra cotovelada ao beliscão nos mamilos.  Dos gols perdidos, dos gols marcados e por quem foram marcados.

Clássico que é clássico não tem mandante.

Clássico que é clássico tem empurra-empurra e pontapés. Porque se não tem é porque ninguém está perdendo o controle. E sob controle não é clássico.

Tem juiz na pauta. Porque se ele não errar nada, o que será da segunda-feira?  O perdedor, que hoje nem existiu, precisa de um erro do juiz para libertar sua alma no dia seguinte.

Treinadores exaltados, gols de reservas salvadores, goleiros fazendo milagres e um final onde o coração já superava qualquer roteiro tático pré-estipulado.

Flamengo e Vasco tem que ser assim. Faltou torcida, faltou Maracanã.

Faltou bom senso, porque ingresso a 100 paus o mais barato é inaceitável.  Mas sobrou emoção. E quando sobra vontade de bater no peito quando seu time está em campo, valeu a pena.

Um Flamengo e Vasco pra deixar qualquer pessoa que “não liga muito pra futebol” constrangido.

abs,
RicaPerrone

“Praticamente”

O Fluminense tropeçou na primeira rodada da Liga em casa diante do Atlético PR. Ali, com o Cruzeiro pela frente em pleno Mineirão, jogando mal e ensaiando crise, o Fluminense estava “praticamente” eliminado na primeira fase.

A vitória no Mineirão na única grande noite do clube na temporada até aqui. Depois disso mais jogos ruins até a queda do treinador. E não sozinho. Com ele foram VP de futebol, diretor, todo mundo!

Não satisfeitos, bom lembrar que a estrela do time está suspensa desde o primeiro jogo e portanto não disputa o campeonato.  A segunda estrela, Diego Souza, pediu pra sair na véspera da semifinal.

E não é que o Fluminense jogou melhor que domingo, que já havia sido melhor do que na semana anterior, e dessa vez foi suficiente para lhe colocar na decisão?

“Praticamente” fora, agora na final.

Não cometendo o erro de se considerar pela camisa que tem “praticamente” campeão até o apito final do dia 7 de abril, tem tudo para que assim seja.

Abençoado seja o futebol, “praticamente” inexplicável.

abs,
RicaPerrone

Má fé, vontade ou capacidade?

Basta uma frase para que seja aberta a caça as bruxas no futebol brasileiro. As vezes as bruxas merecem, outras não.  Neste caso, simples como uma página de regulamento, o auê é mera preguiça de informar direito ou vontade de ver o circo pegar fogo.

O Flamengo PODE fazer todos os seus jogos em Brasília no Brasileirão. Isso não foi vetado pela CBF e nem mesmo pela FERJ, que sim, faz um jogo político feio contra os seus inimigos.

A questão é que, de novo, pela milésima vez, temos que tentar explicar que a CBF representa federações e tem um regulamento. O mesmo que a obriga a dar pro Sport o título de 87, que neste caso a proíbe de “autorizar” o Flamengo a mudar de campo.

Se for muito complicado, note como o regulamento é claro em 1 página:

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Pegou como é fácil? A regra diz que as partes envolvidas (todas) devem autorizar. Logo, a CBF não pode passar por cima do adversário e autorizar por ele. O Flamengo precisa pedir a 19 clubes para mudar de casa. Se conseguir, terá todos os seus jogos em Brasília como tem jogado os últimos anos por tudo que é canto sem o menor problema.

Então qual é a polêmica?

A vontade de causar um furacão onde bate uma brisa.  A notícia é que a CBF NÃO vai autorizar o Flamengo a mudar de mando fixo porque seu regulamento não permite isso. Como aliás, deveria ser bem esperado por qualquer pessoa razoável.

 

Não é notícia que o Flamengo não vá JOGAR em Brasília. Apenas que ele não pode ter a autorização prévia da CBF que passa por cima do regulamento no que diz respeito a autorização de Federações e adversários.

“Mas o Rio está sem estádio!”.  Me perdoe, mas se o Flamengo tivesse um estádio dele essa discussão não existiria.  Como um clube não tem, não cabe a ele decidir o que o governo do RJ fará com as Olimpíadas. Nem a CBF discutir o plano Olímpico de uma cidade sede.

É tudo muito simples. O Flamengo tentou aprovar a mudança de sede no ano. A CBF abriu o regulamento e leu: Não pode.

Ok, segue o jogo. Faça pelos meios que pode.

Aqui as palavras do secretário da CBF: “Não existiu um veto. O regulamento geral de competições diz que tem que haver uma concordância da federação e do time visitante. Não existe excepcionalidade pelos Jogos Olímpicos prevista no regulamento. O Flamengo fez um pedido de uma autorização permanente, mas isso não é possível pelo regulamento”. 

abs,
RicaPerrone

2×1 foi pouco

Usarei aquela frase irritante sobre os “7×1” para o clássico deste domingo. Não porque tenha acontecido um baile ou qualquer coisa do tipo, mas porque a soma dos méritos pela vitória e do quanto o Flu mereceu perder me fazem chegar a essa conclusão.

Se havia uma coisa que deixaria o jogo do jeito que o Flamengo queria era sair na frente.  Seu esquema é formado para tiros rápidos e não pra chegar em bloco tabelando. O adversário tendo que se adiantar é o paraíso pro time do Muricy. E foi.

O primeiro tempo não terminou com o jogo resolvido porque o Flamengo não conseguia fazer o último passe sem transforma-lo numa tentativa apressada de encontrar o finalizador.  Fosse mais calmo, trabalhasse a bola melhor, resolveria ali mesmo.

O inexistente Fluminense  dos primeiros 45 minutos voltou cheio de idéias. Mas, de novo, um gol fez tudo ir pelos ares.  O Flamengo então recuou, sentou no resultado e não abriu mão dos 3 homens de frente.

Você pode – e deve – se perguntar porque saiu Mancuello e não Emerson.  Mas na cabeça do Muricy o fato de ter 3 jogadores na frente, sendo 2 abertos, é uma forma dos laterais do Flu apoiarem menos e portanto cruzarem menos bolas pro Fred.

O jogo estava nas mãos, e o Mancuello era uma arma para criar e fazer mais gols. Não era prioridade.

O Fluminense pesado, parado, previsível e sem nenhuma inspiração assistiu a derrota como poucas vezes num Fla-Flu.  Até que Scarpa achou um gol de falta e deu ao final do jogo uma dramatização que não cabia.

Foi pouco.

O Flamengo até jogou para ganhar por 2×1. Mas o Fluminense, pra perder de bem mais do que isso.

abs,
RicaPerrone